07 Nossa Senhora da Conceição Aparecida

 

NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO APARECIDA

 Onde aconteceu: No Brasil.

 Quando: Em 1717.

 quem: A três pescadores.

Festa: 12 de Outubro.

Oração de Consagração a Nossa Senhora.

Ó Maria Santíssima, que em vossa querida Imagem de Aparecida espalhais inúmeros benefícios sobre todo o Brasil; eu, embora indigno de pertencer ao número dos vossos filhos e filhas, mas cheio do desejo de participar dos benefícios de vossa misericórdia, prostrado a vossos pés consagro-vos meu entendimento, para que sempre pense no amor que mereceis.

Consagro-vos minha língua, para que sempre vos louve e propague vossa devoção. Consagro-vos meu coração, para que, depois de Deus, vos ame sobre todas as coisas. Recebei-me, ó Rainha incomparável, no ditoso número de vossos filhos e filhas. Acolhei-me debaixo de vossa proteção.

Socorrei-me em todas as minhas necessidades espirituais e temporais e, sobretudo, na hora de minha morte. Abençoai-me, ó Mãe Celestial, e com vossa poderosa intercessão fortalecei-me em minha fraqueza, a fim de que, servindo-vos fielmente nesta vida, possa louvar-vos, amar-vos e dar-vos graças no céu, por toda eternidade. Amém.
 

HISTÓRICO.

Em 1717 três pescadores, após frustrada tentativa de apanhar peixes no rio Paraíba do Sul perto de Guaratinguetá (SP), colheram em suas redes o corpo de uma estátua de Maria SS. e, depois, a cabeça da mesma. A este fato se seguiu farta pescaria, que surpreendeu os três homens. Tendo limpado e recomposto a imagem, expuseram-na à veneração dos fiéis em casas de família.

Verificaram-se, porém, alguns portentos, que chamaram a atenção do Pe. José Alves Vilela, pároco de Guaratinguetá. Este então decidiu construir para a Santa Mãe uma capela capaz de satisfazer ao crescente número de devotos da Virgem. Tal capela foi substituída por outra maior no morro dos Coqueiros em 1745, morro que tomou o nome de “Aparecida” (hoje cidade de Aparecida do Norte). Em 1846 foi iniciada a construção de templo mais vasto, que ainda hoje subsiste. No ano de 1980 foi concluída monumental basílica, alvo de peregrinações numerosas durante o ano inteiro. Em 1930 o Brasil foi solenemente consagrado a Nossa Senhora Aparecida pelo Cardeal D. Sebastião Leme na presença do Sr. Presidente da República e de numerosas autoridades religiosas, civis e militares.

Os acontecimentos de fins de 1995 chamaram a atenção para Maria Santíssima tal como é venerada em Aparecida do Norte (SP) e no Brasil inteiro na qualidade de Padroeira do nosso país. Sabe-se que tal devoção se deve a uma pesca surpreendente cercada de fatos extraordinárias, que suscitaram a piedade dos fiéis da região de Guaratinguetá e, posteriormente, a da população de todo o Brasil. Em 1930 a Virgem Santíssima foi proclamada Padroeira do Brasil sob o título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida (ou Nossa Senhora Imaculada em sua Conceição e Aparecida nas águas do rio Paraíba do Sul).¹

Já que versões diversas correm sobre o desenrolar dessas aparições e os atos subseqüentes, apresentaremos, a seguir, a genuína história dos eventos registrados.

  1. APARIÇÃO E AS PRIMEIRAS MANIFESTAÇÕES POPULARES (1717-1745)

Como se deu a manifestação de Nossa Senhora Aparecida?

Eis o que relatam os documentos históricos:

Em princípios do séc. XVIII lutas, por vezes sangrentas, agitavam os exploradores dos veios de ouro em Minas Gerais.

Em março de 1717, embarcou em Lisboa, com destino ao Rio, Dom Pedro de Almeida e Portugal, Conde de Assumar, que vinha substituir Dom Braz Balthasar da Silveira no governo da Capitania de São Paulo e Minas.

Chegando ao Rio em junho de 1717, o Conde de Assumar mostrou-se logo interessado em conhecer a situação da sua capitania. Seguiu, pois, em agosto para São Paulo, sede do governo respectivo, do qual tomou posse aos 4 de setembro do mesmo ano. Em vista, porém, dos tumultos registrados em Minas por motivo das minas de ouro. Dom Pedro de Almeida e Portugal resolveu dirigir-se ao local das desordens. Partiu, portanto, de São Paulo aos 25 ou 26 de setembro de 1717, deixando como substituto nessa cidade Manoel Bueno da Fonseca, oficial de grande patente.

Após cerca de 17 dias de viagem, isto é, aos 11 ou 12 de outubro de 1717, chegava o Conde de Assumar, com sua comitiva, à região de Guaratinguetá. Entre os acontecimentos faustosos que então se deram relatam os manuscritos da época o seguinte:

A Câmara da Vila notificou então os pescadores que apresentassem todo o peixe que pudessem haver para o dito governador. Entre muitos, foram pescar em suas canoas Domingos Martins Garcia, João Alves e Felipe Pedroso e, principiando a lançar suas redes no porto de José Corrêa leite, continuaram até o porto de Itaguassú, distância bastante, sem tirar peixe algum. E lançando neste porto João Alves a sua rede, de rasto tirou o corpo da Senhora, sem cabeça, e, lançando mais abaixo outra vez a rede, tirou a cabeça de mesma Senhora, não se sabendo nunca quem ali a lançasse.

“E, continuando a pescaria, não tendo até então peixe algum, dali por diante foi tão copiosa em poucos lances que, receosos de naufragarem pelo muito peixe que tinham nas canoas, ele e os companheiros se retiraram a suas moradas, admirados deste sucesso” (cf. Marcondes Homem de Mello, Álbum da Coroação. Brasílio Machado, A Basílica de Aparecida).

Eis o que referem os documentos mais antigos em torno do aparecimento da Virgem.

A título de ilustração, pode-se acrescentar que o porto de José Corrêa Leite, donde partiram os três mencionados pescadores, se achava à margem esquerda do rio Paraíba no bairro Tetequera (município de Pindamonhangaba). A imagem encontrada media 38 cm de altura e apresentava cor bronzeada.

Impressionados pelo fenômeno, principalmente pela pesca portentosa que se seguiu à descoberta da estátua, os três mencionados pescadores limparam com grande cuidado a imagem, e verificaram que representava Nossa Senhora da Conceição, que o povo sem demora passou a chamar “Senhora Aparecida”. Felipe Pedroso conservou a imagem em sua casa durante vários anos; por fim, resolveu dá-la a seu filho Atanásio, que morava em Itaguassú, porto onde se dera o encontro da estátua. Atanásio, movido então pela sua fé, ergueu um pequeno oratório, onde depositou a venerável efígie; aí começou o povo da vizinhança a reunir-se aos sábados à noite, a fim de rezar o santo rosário e praticar as suas devoções.

Certa vez, durante uma dessas práticas aconteceu que, embora a noite estivesse muito calma, de repente se apagaram as velas que alumiavam a imagem da Senhora. Os fiéis, querendo reacendê-las, verificaram com surpresa que elas por si, sem intervenção de alguém, se reacenderam.

Foi este o primeiro prodígio registrado em torno da Senhora Aparecida. O mesmo portento se repetiu em outras ocasiões, chegando a notícia ao conhecimento do pároco de Guaratinguetá, Pe. José Alves Vilela. O sacerdote decidiu então construir para a estátua uma capelinha mais ampla, capaz de satisfazer ao crescente número dos devotos da Virgem, a qual ia multiplicando graças a benefícios sobre os fiéis. Em breve, também essa capelinha se tornou pequena demais. Foi preciso pensar em nova construção em lugar mais elevado que a margem do rio.

Escolhido o morro dos Coqueiros, o mais vistoso e acessível dos que margeiam o Paraíba, começou-se ali em  1743 a edificação de novo santuário, com a provisão do bispo do Rio de Janeiro, Dom Frei João da Cruz; aos 26 de julho de 1745, a obra terminada foi devidamente benta, dando lugar à celebração da primeira Missa. Doravante o morro e suas cercanias tomaram o nome de “Aparecida”, designação até hoje conservada. “Aparecida do Norte” é designação popular, pois a cidade fica a sudeste do Estado de São Paulo.

Entre os milagres que muito provocavam o fervor do povo, conta-se o do escravo, ocorrido por volta de 1790 e famoso nos tempos subseqüentes. Segundo a versão mais abalizada, as correntes se soltaram das mãos do escravo, quando este implorava a proteção de Nossa Senhora Aparecida diante da respectiva imagem. Eis como o refere o Pe. Claro Francisco de Vasconcelos pelo ano de 1838:

“Um escravo fugitivo, que estava sendo conduzido de volta à fazenda pelo seu patrão, ao passar pela Capela, pediu para fazer oração diante da Imagem. Enquanto o escravo estava em oração, caiu repentinamente a corrente, deixando intato o colar que prendia seu pescoço. A corrente se encontra até hoje pendente da parede do mesmo Santuário como testemunho e lembrança de que Maria Santíssima tem suprema autoridade para desatar as prisões dos pecadores arrependidos. Aquele senhor, tocado pelo milagre, ofereceu a Nossa Senhora o preço dele e o levou para casa com uma pessoa livre, a fim de amar e estimar aquele seu escravo como pessoa protegida pela soberana Mãe de Deus” (relato extraído da obra de Júlio J. Brustoloni, A Mensagem da Senhora Aparecida, Ed. Santuário, Aparecida, SP, 1994).

  1. DE 1745 AOS NOSSOS DIAS:

A DEDICAÇÃO DO BRASIL À VIRGEM SS.

 A nova igreja foi diversas vezes reformada e aumentada, até que em 1846 foi iniciada a construção de um templo ainda mais vasto. Os trabalhos, porém, diversas vezes interrompidos, só chegaram a termo em 1888; aos 8 de dezembro desse ano, Dom Lino Deodato de Carvalho, oitavo bispo de São Paulo, procedeu à bênção do novo santuário, que até nossos dias subsiste em Aparecida, ornado com o título de “Basílica Menor”, título concedido por S. Pio  X aos 29 de abril de 1908.

Para atender aos numerosos grupos de peregrinos que afluíam ao local, o mesmo prelado obteve a vinda dos RR. PP. Redentoristas, os quais desde 1894 têm a seus cuidados o santuário e a respectiva cura pastoral.

Aos 8 de setembro de 1904, realizou-se a solene coroação de Nossa Senhora Aparecida, com a participação do Sr. Núncio Apostólico Dom Júlio Tonti, do representante do Presidente da república, do Episcopado do Brasil Meridional e de grande multidão de sacerdotes e fiéis.

Finalmente, o S. Padre Pio XI houve por bem acolher o pedido da hierarquia e dos fiéis, que desejavam fosse Nossa Senhora Aparecida proclamada Padroeira principal de todo o Brasil. Aos 16 de julho de 1930 publicava S. Santidade o seguinte “Motu proprio”:

“… Por conhecimento certo e madura reflexão Nossa, na plenitude de Nosso poder apostólico, pelo teor das presentes letras, constituímos e declaramos a mui Bem-aventurada Virgem Maria concebida sem mancha, sob o título de “Aparecida”, Padroeira principal de todo o Brasil diante de Deus. Este padroado gozará dos privilégios litúrgicos e das outras honras que costumam competir aos Padroeiros principais de lugares ou regiões. Concedendo isto para promover o bem espiritual dos fiéis no Brasil e aumentar cada vez mais a sua devoção à Imaculada Mãe de Deus, decretamos que cada vez mais a sua devoção à Imaculada Mãe de Deus, decretamos que as presentes letras estejam e permaneçam sempre firmes, válidas e eficazes, surtindo seus plenos e inteiros efeitos”.

Este decreto pontifício foi publicado na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, fazendo-se a consagração do Brasil à Virgem Ssma., com grande júbilo dos fiéis.

No ano seguinte, o mesmo ato se repetiu em termos mais solenes na capital da República. A imagem da Virgem foi, sim, entusiasticamente levada de Aparecida para o Rio de Janeiro, onde percorreu em procissão o centro da cidade aos 31 de maio de 1931. Finalmente na Esplanada do Castelo, em presença do Sr. Presidente da república, de altas autoridades civis e militares, de numerosas divisões das Forças Armadas, do Episcopado Brasileiro e de enorme multidão de fiéis, o Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro proferiu o ato de consagração de todo o Brasil a Nossa Senhora Aparecida, recomendando à Excelsa Padroeira todos os interesses e as necessidades da pátria.

Este ato, que mereceu os aplausos da opinião pública em geral, estava bem na linha de venerável tradição da nação brasileira, a qual sempre mostrou especial devoção à Virgem Imaculada. Entre outros fatos expressivos dessa estima, pode-se notar que, ao proclamar a independência do Brasil, D. Pedro I, o primeiro Imperador, confirmando aliás antiga provisão de Sua Majestade o rei de Portugal do ano de 1646, declarou a Virgem da Conceição Padroeira do Brasil.

Numerosos são os relatos de milagres que tanto a imprensa como a voz do povo atribuem à Virgem Aparecida. As autoridades eclesiásticas não se empenham por definir a autenticidade de tais portentos, nem mesmo a dos episódios concernentes à aparição da Senhora Imaculada no porto de Itaguassú em 1717. Doutro lado, não vêem razão para se opor à devoção de Nossa Senhora Aparecida: ao contrário, esta tem produzido os melhores frutos, espirituais e corporais, no povo brasileiro. É por isto que os Srs. Bispos têm mesmo patrocinado e fomentado a piedade para com a Excelsa Padroeira do Brasil. Contudo, a bem da verdade, deve-se notar que tal atitude favorável é independente de qualquer pronunciamento da autoridade eclesiástica sobre a genuinidade dos prodígios que se narram em torno da Virgem e do Santuário de Aparecida.

A Santa Igreja de modo nenhum entende fazer de tais relatos matéria de fé; deixa, antes, a cada um de seus filhos a liberdade de ponderar o grau de autoridade que merecem os respectivos documentos (o que de resto não desmerece o valor de autenticidade que realmente possa caber a tais episódios).

A presença do sobrenatural em Aparecida exigiu que se empreendesse a construção de nova e mais vasta Basílica. Esta, iniciada em 1955 sob os auspícios do Cardeal Dom Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta, estava concluída, com todas as suas capelas e quatro naves, em 1980. A área construída é de 23.000 m² e a área coberta mede 18.000 m². A lotação normal é de 45.000 pessoas, podendo a lotação máxima chegar a 70.000 pessoas. Até hoje são relatados milagres e favores de ordem física obtidos por intercessão de Nossa Senhora Aparecida em seu Santuário; todavia o que mais importa aí, são os numerosos casos de conversão espiritual e reencontro da paz interior alcançada pelo patrocínio de Maria SSma.

O fato de que a imagem da Senhora Aparecida tem a cor preta, tem sido objeto de comentários … Na verdade, o fenômeno se explica bem pela longa permanência da estátua dentro da água do rio. Na época da descoberta o fato não deve ter tido a repercussão e importância que hoje lhe querem atribuir.

A propósito recomenda-se a leitura do livro do Pe. Júlio J. Brustoloni: A Mensagem da Senhora Aparecida, Ed. Santuário, Rua Padre Claro Monteiro, 342, Aparecida (SP), 1994.

¹ O título “Nossa Senhora Aparecida” designa a Santíssima Mãe de Deus tal como ela apareceu na localidade do Estado de São Paulo que hoje traz o nome de “Aparecida do Norte” (nas proximidades de Pindamonhangaba e Guaratinguetá). Lá Nossa Senhora se manifestou com as notas que, na arte sacra, a caracterizam como imaculada em sua conceição; daí dizer-se comumente “Nossa Senhora da Conceição Aparecida”. – A mesma Virgem Ssma., tendo-se manifestado em Fátima, é chamada “Nossa Senhora de Fátima”; tendo aparecido em Lourdes, é dita “Nossa Senhora de Lourdes”, etc. Tais denominações não supõem diversas “Nossas Senhoras”, mas significam sempre a mesma Santa (“Santa Maria, Mãe de Deus …”), apenas invocada sob títulos diferentes.

Fonte: Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS” D. Estevão Bettencourt, osb. Nº 405 – Ano 1996 – Pág. 72

Detalhes importantes:

O Santuário de Aparecida e a paróquia da cidade, onde situa-se a primeira basílica, são conduzidas e geridas pelos sacerdotes de congregação dos Redentoristas;

Foi o Papa Pio XI que proclamou Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil;

O grande e santo Papa Pio X foi quem autorizou e abençoou, desde o Vaticano, a coroação da Imagem como sendo de Nossa Senhora, em 04/09/1904;

Comprovando que não foi acaso ter sido escolhido em 13 de para a abolição da escravatura, a coroa de Nossa Senhora foi doada pela Princesa Isabel;

Anteriormente, ano da abolição 1988, foi inaugurada a 1ª Basílica em Aparecida; (hoje, transformada na Matriz da Paróquia).

A atual Basílica, Santuário Nacional de Aparecida, foi concluída em 1984, após 29 anos de construção;

No subsolo encontramos a Sala dos Milagres, com milhares de testemunhas e agradecimentos por graças alcançadas;

Na Basílica de Aparecida é possível receber até setenta mil pessoas. Em todo o mundo apenas a Basílica de São Pedro, em Roma, é maior;

A festa em honra a Nossa Senhora Aparecida, feriado nacional, acontece em 12 de outubro. O comparecimento médio anual situa-se próximo a 250.000 pessoas, apenas no dia da festa. Durante o ano todo o total estimado fica próximo a 4 milhões de romeiros.

Dois Papas já estiveram em Aparecida: João Paulo II em junho de 1980 e Bento XVI recentemente, maio de 2007.

 “Todos nós, brasileiros, agradecemos a Santíssima Trindade e a Nossa Senhora por tão grande graça concedida”.

História da aparição da imagem da padroeira (Festa: 12 de outubro) Há duas fontes sobre o achado da imagem, que se encontram no Arquivo da Cúria Metropolitana de Aparecida (anterior a 1743) e no Arquivo da Companhia de Jesus, em Roma: a história registrada pelos padres José Alves Vilela, em 1743, e João de Morais e Aguiar, em 1757, cujos documentos se encontram no Primeiro Livro de Tombo da Paróquia de Santo Antônio de Guaratinguetá.

Segundo os relatos, a aparição da imagem ocorreu na segunda quinzena de outubro de 1717, quando Dom Pedro de Almeida, conde de Assumar e governante da capitania de São Paulo e Minas de Ouro, estava de passagem pela Vila de Guaratinguetá, no vale do Paraíba, a caminho de Vila Rica (atual Ouro Preto), onde iria assumir o cargo de governador da Capitania das Minas Gerais.

 A Câmara Municipal de Guaratinguetá decidiu fazer uma festa em homenagem à presença de Dom Pedro de Miguel de Almeida, que veio de Portugal para por ordem e fazer cumprir a lei derrama, o imposto sobre o ouro que todos os donos das minas deveriam pagar à Coroa Portuguesa. E, apesar de não ser temporada de pesca, os pescadores acataram a ordem e mesmo sabendo que não poderiam pescar nada, lançaram seus barcos no Rio Paraíba do Sul com a intenção de oferecerem peixes ao enviado do rei.

Os pescadores Domingos Alves Garcia, seu filho João Alves e Felipe Pedroso, cunhado de Domingos e tio de João, rezaram para a Virgem Maria e pediram a ajuda de Deus.

Após várias tentativas infrutíferas, desceram o curso do rio até chegarem ao Porto Itaguaçu. Eles já estavam a desistir da pescaria quando João Alves jogou sua rede novamente, e em vez de peixes, apanhou o corpo de uma imagem da Virgem Maria, sem a cabeça. Ao lançarem a rede novamente, apanharam a cabeça da imagem, que foi envolvida em um lenço.

Após terem recuperado as duas partes da imagem, a figura da Virgem Aparecida teria ficado tão pesada que eles não conseguiam mais movê-la. A partir daquele momento, os três pescadores apanharam tantos peixes que se viram forçados a retornar ao porto, uma vez que o volume da pesca ameaçava afundar as embarcações.

Esta foi a primeira intercessão atribuída à santa. Antes de se dirigirem à Câmara Municipal a fim de entregarem os peixes, levaram a imagem para casa, deixando-a aos cuidados de Silvana da Rocha Alves, esposa de Domingos, mãe de João e irmã de Felipe. Silvana uniu a cabeça ao corpo da imagem com cera comum e conservou-a cuidadosamente por quase 10 anos, mantendo-a num pequeno altar na sala de sua casa, onde ela, os parentes, amigos e vizinhos, faziam orações e rezavam o Terço. E foi num desses dias, Silvana da Rocha, sem que sequer houvesse vento, as luzes das velas se apagaram e quando Silvana da Rocha tentou acender repentinamente as velas voltaram a se acender sozinhas.

Os relatos da Igreja dizem que no momento do milagre não ventava. As velas apagaram por si só e acenderam por si só. Esse foi o segundo milagre de Nossa Senhora. Foi testemunhado por várias pessoas que se encontrava ali presente para a reza do terço.

Um padre assim escreveu: “Na noite de sexta-feira, estando a Senhora no poder da mãe Silvana da Rocha, guardada em uma caixa, um baú velho, ouviram de dentro da caixa muito estrondo. E como muitas pessoas testemunharam os fatos ocorridos a notícia se espalhou pelo resto do Brasil, por São Paulo e Minas Gerais e começou a atrair inúmeros visitantes. Todos queriam ver Nossa Senhora Aparecida das Águas.

 Por causa dos inúmeros milagres. Foi então que Atanásio(*) teve a ideia de construir uma pequena capela, em Ponte Alta. Lá foi erguida uma capelinha onde a imagem permaneceu por 10 anos até ser reconhecida pela Igreja.”

IMAGEM DA SANTA Uma pequena imagem de aproximadamente trinta centímetros. Feita de terracota, uma cerâmica da região; de rosto enegrecido pela cor do lodo do rio, pelos anos que ficou submersa e também pelo chumaço das velas que os devotos acendiam. Uma moça de rosto arredondado, (meio gordinha), com as mãos juntas em sinal de oração. Os cabelos lisos até a altura da cintura com um manto mais volumoso fazendo notar-se que estava grávida. Ela aparenta uma jovem de 15 anos.

 O autor colocou-lhe também um diadema (como era usado pelas rainhas) e colocou-lhe quatro flores, duas em cima dos ombros e duas acima das orelhas. O corpo todo coberto, apenas, deixando aparecer suas mãos em forma de amém. Sustentando seu corpo um anjo querubim, debaixo de seus pés a lua, fazendo menção à descrição do livro do Apocalipse (Ap.12, 1). (*) Atanásio Pedroso – filho de Felipe Pedroso, um dos pescadores que pescou a imagem da santa.

A ORIGEM DA IMAGEM Não se sabe precisamente, mas estudiosos no assunto afirmam que ela foi feita na região de São Paulo mesmo, provavelmente em Santana de Parnaíba pelo frei Agostinho de Jesus, um monge que tinha grande habilidade artística. O Rei de Portugal tinha declarado Nossa Senhora da Conceição padroeira de Portugal.

Por causa disso era comum que os portugueses fizessem estátuas de Nossa Senhora da Conceição, estava na moda esculpir tais imagens. Tanto que os navegadores que aqui aportavam traziam consigo sua fé e uma imagem de Nossa Senhora, inclusive sob o título de Conceição. Na Colônia, ou seja, no Brasil também não era diferente. E pelos traços da imagem e pelo material feito que chegaram à conclusão que se tratava de uma imagem tipicamente brasileira. Com traços inclusive do povo brasileiro. Uma imagem de Nossa Senhora mas uma moça que tinha feições africanas, como das mulheres angolanas.

CONSTRUÇÃO DA PRIMEIRA CAPELINHA Por volta do ano 1726, Domingos e João Alves já tinham morrido, e também faleceu Silvana, Felipe Pedroso o único sobrevivente, guardou a imagem. Primeiro residiu em terras de Lourenço de Sá, depois mudou-se para Ponte Alta e finalmente fixou residência no porto de Itaguaçu, onde em 1739 veio a falecer. Contudo, ainda em vida, confiou a imagem ao seu filho Atanásio Pedroso. As notícias dos prodígios notáveis realizados por Nossa Senhora circularam com rapidez e chegaram ao conhecimento do Padre José Alves Vilela, que era o Pároco da Igreja Matriz em Guaratinguetá.

Com a ajuda popular, Padre José edificou uma capelinha ao lado da casa de Atanásio, a fim de que todas as pessoas tivessem livre acesso à imagem. Era uma capelinha de pau a pique que logo ficou pequena, em face da grande afluência de fieis, tornando-se incapaz de abrigar tantas pessoas, em face do notável crescimento da devoção a NOSSA SENHORA APARECIDA.

 Ali, aos pés daquele humilde trono, aos sábados congregavam-se os parentes e o povo da cercania, derramando preces, terços, novenas e modulando canções, testemunhando desta forma, a fé simples, mas sincera e ardorosa, e começou o culto popular mesmo sem a presença de um clérigo.

No dia 5 de maio de 1743, Padre Vilela pediu ao senhor Bispo Dom Frei João da Cruz, autorização para a construção de uma capela maior, com espaço suficiente a receber um grande número de fiéis que acorriam de maneira admirável, para rezar diante de NOSSA SENHORA.

 A solicitação foi concedida. O bispo deu ordens para que a capela não fosse de pau a pique, em lugar longe de enchentes, de material durável de modo a resistir ao tempo e dar melhores condições aos fiéis que ali chegavam. Padre Vilella conseguiu então a doação dos terrenos, e estes foram doados por Margarida Nunes Rangel, que era viúva. O terreno ficava no alto do morro, conhecido como “Morro dos Coqueiros” e lá construiu a primeira capela oficial de Nossa Senhora Aparecida.

Quem iniciou a obra foi o genro de D. Margarida, Capitão Antônio Raposo Leme que usando seus escravos pôs início à construção. Mas o capitão morreu antes da conclusão da obra. E a obra foi executada em ritmo acelerado, sendo inaugurada no dia 26 de julho de 1745, dois anos após a concessão da autorização diocesana. Era uma bonita Igreja feita com taipa e pilão, um tipo de material usado em casarões coloniais portugueses, e possuía no seu interior ornamentos em madeira trabalhada em entalhe, retábulos em pintura dourada que seria o fundo do nicho (ou trono) onde ficaria Nossa Senhora.

Possuía dois altares laterais, um de Santa Ana, e outro do Menino Jesus. Duas sacristias e um cômodo para abrigar os objetos de ex-votos deixados pelos romeiros. Seus principais benfeitores foram enterrados sob o piso de madeira. Ainda naquele ano, para ornamentar a imagem de Nossa Senhora Aparecida, ela recebeu de doação dois mantos preciosos, um deles com rendas e fios de ouro, recebeu ainda coroas de prata valiosíssimas.

Depois disso, na medida em que os devotos iam recebendo as graças e milagres, ela também recebia em doação vários objetos como cordões de ouro, anéis, brincos, etc. Os padres, entendendo que a imagem de Aparecida era muito frágil, construíram um oratório à prova de balas para abrigar a imagem. A imagem da santa foi transladada em procissão da capela rudimentar de Atanásio Pedroso até a nova capela dedicada a ela, construída no Morro dos Coqueiros, local alto e agradável, com muito espaço e uma linda visão do Vale Paraíba, Os frequentes relatos de milagres atribuídos à santa fizeram com que fosse criada uma freguesia de Guaratinguetá, batizada de Aparecida.

 O número de fiéis não parava de aumentar e, em 1845, foi iniciada a construção de uma igreja maior (a atual Basílica Velha), sendo solenemente inaugurada e benzida em 8 de dezembro de 1888. Em 17 de dezembro de 1928, a vila que se formara ao redor da igreja no alto do Morro dos Coqueiros tornou-se Município, vindo a se chamar Aparecida, em homenagem a Nossa Senhora, que fora responsável pela criação da cidade.

Em 1955, para atender o grande número de romeiros, deu-se início à construção de um novo Santuário dessa vez erguido no Morro das Pitas. Localizada no Vale do Paraíba, a meio caminho das duas maiores metrópoles do País – São Paulo e Rio de Janeiro –, é cortada pela mais importante rodovia brasileira, a Via Dutra. Essa localização privilegiada facilita a acessibilidade ao município, tanto por transporte rodoviário quanto por aéreo, em razão da proximidade com as duas capitais, que detêm os maiores e mais movimentados aeroportos do Brasil. Destaque no cenário turístico do País, Aparecida é conhecida como “capital Mariana da Fé” e recebe anualmente mais de 12 milhões de visitantes, constituindo-se como maior centro de peregrinação religiosa da América Latina.

A Basílica ainda inacabada na década de 1970, em postal de editor desconhecido. Basílica Velha A Matriz Basílica de Nossa Senhora Aparecida, conhecida popularmente como “Basílica Velha”. Passou por duas reformas, a primeira entre 1760 e 1780, quando recebeu nova fachada com duas torres, e a segunda entre 1824 e 1834. Passados dez anos da última reforma, uma das torres não oferecia segurança. Em 1844, a mesa administrativa, responsável pelos bens da Capela, decide pela demolição e construção de nova torre.

OUTROS MILAGRES: O ESCRAVO LIBERTO – TERCEIRO MILAGRE Certa vez, em meados de 1850, um escravo de nome Zacarias, passava por ali perto da capelinha de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, levado por seu feitor, preso por grossas correntes. Pediu para entrar na capela para rezar, o desejo foi atendido ao entrar na capela diante da santa as correntes se romperam. O escravo foi liberto pelo seu dono porque ele entendeu que Deus não queria que os homens fossem escravos e nem deixassem se escravizar. As correntes do escravo se encontram até hoje como prova daquela intervenção de Nossa Senhora Aparecida na vida daquele homem. CAINDO DO CAVALO… Um Cavaleiro sem Fé –

 QUARTO MILAGRE Um cavaleiro de Cuiabá, passando por Aparecida, ao se dirigir para Minas Gerais, viu a fé dos romeiros e começou a zombar, dizendo, que aquela fé era uma bobagem. Quis provar o que dizia, entrando a cavalo na igreja. Não conseguiu. Não temia a Deus e a ninguém, era ateu. Mas ao chegar na porta da igreja seu cavalo refugou, a pata de seu cavalo se prendeu na pedra da escadaria da igreja (Basílica Velha), e o cavaleiro arrependido, entrou na igreja como devoto e não entrou na Igreja com seu cavalo, pois ele ficou batendo com a ferradura na pedra da escadaria como se estivesse preso pelas patas, tanto que o sinal da ferradura ficou gravado na pedra. O homem caiu no chão, rebaixou seu orgulho, se arrependeu e, se convertendo, tornou-se mais um devoto de Nossa Senhora Aparecida.

A MENINA CEGA – QUINTO MILAGRE Mãe e filha caminhavam às margens do rio Paraíba, quando surpreendentemente a filha cega de nascença comenta, surpresa, com a mãe: “Mãe como é linda esta igreja” (Basílica Velha). Nossa Senhora concede a graça da visão à menina cega de nascença. Maria é aquela mãe sempre atenta às necessidades de seus filhos.

MENINO NO RIO – SEXTO MILAGRE O Pai e o filho foram pescar, durante a pescaria a correnteza estava muito forte e por um descuido o menino caiu no rio e não sabia nadar, a correnteza o arrastava cada vez mais rápido e o pai desesperado pede a Nossa Senhora Aparecida para salvar o menino. De repente o corpo do menino para de ser arrastado, enquanto a forte correnteza continua e o pai salva o menino.

O CAÇADOR – SÉTIMO MILAGRE Um caçador estava voltando de sua caçada já sem munição, de repente ele se deparou com uma enorme onça. Ele se viu encurralado e a onça estava prestes a atacar, então o caçador pede desesperado a Nossa Senhora Aparecida por sua vida, a onça vira e vai embora.

CHEGADA DOS MISSIONÁRIOS REDENTORISTAS Em 28 de outubro de 1894, chegou a Aparecida um grupo de padres e irmãos da Congregação dos Missionários Redentoristas, para trabalhar no atendimento aos romeiros que acorriam aos pés da imagem para rezar com a Senhora “Aparecida” das águas.

COROAÇÃO DA IMAGEM A 8 de setembro de 1904, a imagem foi coroada oficialmente com a riquíssima coroa doada pela Princesa Isabel e portando o manto anil, bordado em ouro e pedrarias, símbolos de sua realeza e patrono. Esta coroa já tinha sido ofertada pela princesa Isabel em 6 de novembro de 1888, quando ela retornou pela segunda vez à basílica, em pagamento de uma promessa que fez para conseguir engravidar. Então, em 1904, ocorre a oficialização da coroação. A celebração solene foi dirigida por D. José Camargo Barros, com a presença do núncio apostólico, muitos bispos, o presidente da República Rodrigues Alves e numeroso povo. Depois da coroação, o Santo Padre concedeu ao santuário de Aparecida mais outros favores: ofício e missa própria de Nossa Senhora Aparecida, e indulgências para os romeiros que vêm em peregrinação ao Santuário.

 Imagem original de Nossa Senhora Aparecida O ATENTADO CONTRA A IMAGEM E SUA RECONSTRUÇÃO Desde que a imagem foi pescada, em 1717, foram inúmeras as tentativas de fazer descobrir a verdadeira cor da imagem que embora enegrecida pelo lodo do rio possuía uma outra cor por baixo de todo aquele lodo. Sabe-se a imagem ficou no fundo do rio Paraíba do Sul pelo menos cinco anos. Exposta à umidade do fundo do rio e coberta pelo lodo não seria trabalho fácil descobrir sua cor original

. A terracota material com que foi feita a imagem era uma cerâmica amarronzada, e portanto, deveria apresentar uma cor de “canela” mas era negra por causa do lodo e do chumaço das velas. É o que veremos mais abaixo no desenrolar dos fatos… A imagem frágil de Nossa Senhora Aparecida foi entronizada no Altar-mor da Igreja Velha e lá aconteceu o atentado que ficou registrado na História.

Na noite de 16 de maio de 1978 durante a celebração da Missa, as luzes da igreja se apagaram, e durante o momento da comunhão, um homem, seu nome é Rogério Marcos, um pastor protestante, como que estivesse possuído pelo diabo, correu para o altar cometeu uma loucura, alcançando o cofre onde imagem estava a atirou-a no chão fazendo em pedaços.

A única parte intacta foi a cabeça. Como que se dissesse que aquela cabeça representasse a própria Igreja, cujo cabeça é Cristo e ela não cairá jamais. Os pedaços foram recolhidos, cacos e poeira. Mais de duzentos pedaços foram recolhidos. Depois colocaram em uma urna para ver o que fariam para tentar reconstruí-la.

 No lugar da imagem originam foi colocada uma imagem idêntica à original. Começaria então a enorme façanha de reconstruir a imagem, mas como?

 O fato é que, de primeiro queriam que fosse examinada e restaurada pelos técnicos em recuperação de artes do Vaticano, depois, resolveram levá-la para o Museu de Arte de São Paulo – MASP. Mas, outra coisa precisava ser feita.

Neste meio tempo, entra em cena uma mulher, figura importante no processo de restauração, essa mulher é Maria Helena Chartuni, que com coragem abraçou a causa da restauração. A caixa com os pedaços da santa ficou isolada e guardada por seguranças.

Com enorme persistência, Maria Helena começou a juntar os pedaços e, depois de juntar o enorme “quebra-cabeças” que tinha se tornado a imagem, ela conseguiu reconstruí-la. Foi um trabalho árduo pois a imagem passou muito tempo dentro do rio, o barro tinha se dilatado e, portanto, os pedaços já não se encaixavam com precisão. Mas com habilidade e técnicas novas, foi devolvendo-lhe os cabelos, e parte do rosto que foi destruído foi então reconstruído com um pedaço da mesma imagem.

 Mesmo assim a cabeça não parecia mais querer encaixar, parecia inchada. Foi então que, sem outra alternativa, Maria Helena resolveu confeccionar uma nova cabeça, construída a partir de fragmentos originais. Pronto! Eis que a santa ressurge depois de ser quebrada. Não era a mesma imagem encontrada pelos pescadores, mas abrigava nela os pedaços originais da antiga imagem, e assim, depois de muita luta e persistência, Nossa Senhora Aparecida se reerguia novamente.

Uma nova imagem a partir dos cacos da primeira com um novo cabelo. Depois de reconstruída era preciso devolver um melhor aspecto que não chocasse quem a visse, pois, a imagem mesmo restaurada não ficou bela.

Para isso tinham que descobrir sua cor original. Eis a discussão: qual era sua cor, morena, enegrecida, ou azulada? Aqui entra em cena um novo personagem, o Padre Izidro Oliveira, que não aceitava a restauração do modo como se tinha feito. Para ele seria necessário que fosse restaurada por um artista técnico em artes sacras do Vaticano, tratava-se de Deoclécio Redig Campos, um brasileiro que também era naquele tempo responsável pelos museus e restaurações de artes no Vaticano. Foi ele quem reconstruiu a imagem de “A Pietá” esculpida em mármore por Michelangelo.

PADRE IZIDRO DE OLIVEIRA SANTOS – BIOGRAFIA Nasceu a 31.10.1926, na Fazenda Santa Rita, em Riacho de Sant´Ana BA Seus pais foram Januário Joaquim dos Santos e Ana Rita de Oliveira. Seus pais mudaram-se para o norte de Minas Gerais e depois para o Estado de São Paulo, fixando-se finalmente no Bairro da Penha, em São Paulo. Entrou para o Seminário S. Afonso, em Aparecida, a 05.02.1939. Em 1945, fez o Noviciado em Pindamonhangaba, onde fez a Profissão Religiosa na CSSR, a 02.02.1946.

O Seminário Maior foi feito no Seminário de Santa Teresinha, em Tietê SP. Aí fez a Profissão Perpétua na CSSR, a 02.02.1951. Foi Ordenado Sacerdote em Tietê, a 29.07.1951, por Dom José Carlos de Aguirre, Bispo de Sorocaba SP. Celebrou sua primeira Missa Solene em Riacho de Sant’Ana BA, a 03.08.1951. Deixou o Estudantado em janeiro de 1952, iniciando sua Vida Apostólica, como Professor no Seminário S.Afonso, em Aparecida: aulas de física, química, inglês. Aí ficou até 1963. Em 1964 trabalhou na Igreja do Perpétuo Socorro, em São João da Boa Vista. Em 1965, no primeiro semestre, fez o 2º Noviciado, no Jardim Paulistano, em São Paulo.

O segundo semestre de 1965, passouo no Seminário S.Afonso. Em 1966, foi Vigário Cooperador em Sacramento MG. Em 1967, foi transferido para Aparecida, no apostolado com os romeiros. Em 1968 e 1969 foi missionário, morando em São João da Boa Vista.

No segundo semestre de 1969, foi para Madri, para estudos no Instituto de Pastoral, e depois em Roma. Voltou em dezembro de 1971, voltando a morar em S.João da Boa Vista. Em 1973 foi professor do ITESP, em São Paulo SP e missionário. Em fevereiro de 1974 foi nomeado Superior da Comunidade do Convento de Aparecida e Reitor do Santuário Nacional, cargo que ocupou até dezembro de 1978.

Em 1979 foi para o Jardim Paulistano. Nesse mesmo ano, a 18.03.1979, tomou posse como Pároco da Paróquia da Catedral de Juazeiro, na Bahia, dando assim uma ajuda a Dom José Rodrigues. A 08.02.1981 tomou posse como Pároco de Caiçara GO.

 A 31.07.1983 tomou posse como Pároco de Nova América GO, Diocese de Rubiataba, onde ficou até junho de 1987, passando a morar então em Goiânia Em 1992, cuidou da Paróquia de N.S.Aparecida, em Goiânia GO, até 10.02.1994. Depois junto com a leiga Nelcy realizou, enquanto a saúde permitiu, encontros de: «Dinâmica Grupal Cristã». Estava adscrito à Casa Provincial, em Goiânia.

Em começos de 2002, transferiu-se junto com a Nelcy, para Porto Alegre RS. Em 2003, voltou para a Província de São Paulo e foi adscrito à Comunidade do Santuário, em Aparecida. Em abril de 2004, voltou novamente para Porto Alegre RS. Há um tempo teve um AVC. Foi bem cuidado. Veio a falecer dia 25 de março de 2011, festa da Anunciação do Senhor. Mas não tinha conhecimento de uma imagenzinha de 0,30 cm de terracota tão frágil como papel. Padre Izidro inconformado como sempre queria que a cor fosse modificada, ele defendia que a imagem deveria voltar a ter cor de “canela” ou marrom-claro como ele defendia que fosse antes de ser jogada no rio. Maria Helena defendia que deveria ser conservada a cor (enegrecida) com que foi pescada. Maria Helena durante a restauração tinha descoberto entre os fragmentos vestígios da cor original que era vermelho, e que resistiu ao tempo. As imagens de nossa Senhora costumavam ser pintadas com manto azul escuro e na parte de dentro do forro um vermelho simbolizando a virgindade de Maria. Mas, mesmo em meio às críticas do padre a restauradora manteve sua cor enegrecida do mesmo jeito que foi pescada. E depois dos trabalhos concluídos em agosto de 1978 a imagem estava pronta em definitivo.

Guiada pelos batedores da Polícia em uma festiva procissão, a imagem de Nossa Senhora Aparecida voltou à Basílica em meio a cânticos, fogos e aclamações dos fiéis. Mais tarde, padre Izidro, contrariado com a cor que foi restaurada a imagem, vai fazer com que a imagem passe por outro retoque, ele retirou a imagem do cofre, sem que seus colegas soubessem, e a levou para seu quarto e pintou a imagem com uma cor de marrom-claro. Pois, tinha convicção que essa era a cor original da imagem antes de ela ser jogada no rio. Depois, ele devolveu a santa à Basílica sem que seus colegas soubessem.

Mais tarde, com a descoberta, foi preciso uma nova restauração. Isso, claro, não agradou a seus colegas, mas estava feito. Foi então que novamente Maria Helena entra em cena. Foi chamada para pintar novamente a imagem e devolver-lhe a cor escura que possuía quando foi restaurada, dando o mesmo aspecto de quando foi pescada em 1717.

A SANTA E A PRINCESA ISABEL Era a filha mais nova de Dom Pedro II. Uma moça prendada que gostava de fazer caridade. Não era das mais belas de aparência, mas era muito generosa, caridosa e uma devota fervorosa. Foi ela a responsável pela libertação da escravatura no Brasil em 13 de maio de 1888.

Uma moça prendada como todas as princesas das cortes. Uma mulher à frente do seu tempo, com pensamentos liberais ao contrário de seus antepassados escravocratas. Se não fosse pela proclamação da República seria a sucessora de seu pai D. Pedro II.

Casou-se com o jovem Gastão de Orleans ou Conde D’eu. Mas um problema os assustava, ela não conseguia ter filhos. Desejavam muito, mas com sucessivas tentativas era em vão. Depois de viajarem sob recomendação dos médicos para lugares como Caxambu, nas Minas Gerais em busca das águas medicinais que poderiam ajudá-los, resolveram passar por São Paulo e irem para Aparecida do Norte visitar Nossa Senhora, na esperança de que ela intercedesse por eles. Depois de serem recebidos com as honrarias que cabiam a uma princesa e um conde, ela entregou uma coroa de ouro e pedras preciosas a Nossa Senhora. Logo, tiveram um bebê, mas, este morreu antes mesmo de nascer. Novamente o Conde D’eu voltou a Aparecida e a princesa Isabel conseguiu engravidar novamente. Tiveram três filhos graças a intercessão de Nossa Senhora Aparecida.

Com a proclamação da República em 1889 teve fim a monarquia e o casal se exilou em Paris juntamente com a família real. O nascimento dos três filhos do casal foi mais um milagre de Nossa Senhora Aparecida.

Atualmente, a Sala das Promessas ou ‘Sala dos Milagres’, como é popularmente conhecida, localizada no subsolo do Santuário Nacional, é o 2º lugar mais visitado pelos fiéis. Ela recebe uma média mensal de doações de 19 mil ex-votos. Nos meses de outubro esse número chega a 30 mil. A palavra “ex-voto” vem da expressão latina ‘ex-voto suscepto’, que significa ‘por um voto alcançado’, ‘por uma promessa feita’.

Toda a materialização do agradecimento dos romeiros, constituída de diversos objetos em madeira, barro, gesso, tecido, cera, entre outros, são testemunhos da ajuda espiritual que estes receberam de Deus, por intermédio de Nossa Senhora da Conceição Aparecida das Águas, ou apenas Nossa Senhora Aparecida, padroeira da Terra de Santa Cruz, posteriormente designada Brasil.

Fonte:obrasdoespiritosanto.com