10 – Nossa Senhora do Pilar

Nossa Senhora do Pilar.

Onde aconteceu: Na Espanha.

Quando: Durante o século I – (ano 40 da era cristã)

A quem: Ao apóstolo São Tiago.

A História.

De acordo com uma antiqüíssima tradição, venerada e viva ao longo dos séculos, a Virgem Maria quando ainda morava neste mundo, isto é, antes de subir em corpo e alma aos céus, veio a Zaragoza para confortar e alentar ao Apóstolo São Tiago que no momento, encontrava-se às margens do rio Ebro, pregando o Evangelho.

Este fato situa-se na noite do dia 2 de janeiro do ano 40 da era cristã.

  1. Tiago o Maior, Apóstolo da Espanha.

Segundo a Anna Catharina Emmerich:

Partindo de Jerusalém, Tiago o Maior dirigiu-se, pelas ilhas gregas e pela Sicília, à Espanha, onde desembarcou em Gades. Como ali não fosse bem recebido, mudou-se para outra cidade. Mas também não foi tratado melhor, prenderam-no e teria sido morto, se um Anjo não o tivesse livrado milagrosamente. Deixou na Espanha cerca de sete discípulos e, acompanhado de dois outros, voltou por Massília, no sul da França, a Roma.Voltou depois à Espanha, dirigindo-se de Guedes, por Toledo, a Zaragoza.

 “Ali, diz Catharina Emmerich, se converteu muita gente, ruas inteiras creram no Senhor, com exceção apenas dos que ainda aderiam ao paganismo. Vi Tiago correr também muitos perigos. Soltavam contra ele víboras, as quais tomava tranqüilamente nas mãos e não lhe faziam mal, mas viravam-se contra os idólatras que o cercavam, e estes, vendo o milagre, começavam a temê-lo.

Vi também que em Granada, onde apenas começara a pregar, foi preso com todos os discípulos e cristãos. Tiago invocou no coração o socorro e a proteção da Santíssima Virgem, que nesse tempo ainda vivia em Jerusalém e Maria salvou-o, com todos os seus discípulos, por intermédio de Anjos. A Virgem Santíssima mandou-lhe por um Anjo a ordem de ir à Galícia, pregar ali a fé e depois voltar.

Vi Tiago, após a volta, em grandes tribulações, por causa de uma iminente perseguição e provação da comunidade cristã de Zaragoza. Rezava numa noite à beira do rio, fora dos muros da cidade, junto com alguns discípulos, pedindo a Deus conselho, se devia ficar ou fugir. Lembrou-se também da Santíssima Virgem e suplicou-Lhe que o ajudasse a pedir luzes e auxílio do Filho, que certamente não lhe negaria.

O Pilar de Luz.

Então vi subitamente aparecer por cima do Apóstolo um esplendor no céu e Anjos que entoavam um magnífico canto e transportavam uma coluna resplandecente, que da base projetava um raio fino de luz sobre um lugar, alguns passos distante de Tiagocomo para indicar esse ponto. A coluna tinha um brilho vermelho, era atravessada por muitas veias, muito alta e delgada, terminando em cima como um lírio, que se abre em línguas de luz, das quais uma raiava longe, em direção a Compostela, a oeste, as outras, porém, para as regiões próximas.(Formando assim um pilar)

Nessa flor de luzvi a figura da Santíssima Virgem em pé, como sempre ficava em vida na terra, durante a oração, toda branca e transparente, com um brilho mais belo e suave que o da seda branca. Estava de mãos postas, uma parte do longo véu cobria-lhe a cabeça, a outra parte, porém, envolvia-a até os pés, de modo que com os pés delicados e pequenos estava sobre as cinco pétalas da flor da luz. Era um quadro indizivelmente doce e belo.

Vi que Tiago, orando de joelhos, levantou os olhos e recebeu interiormente de Maria a ordem de, sem demora, construir nesse lugar um templo, em que a intercessão de Maria se firmasse como uma coluna.

Ao mesmo tempo lhe anunciou a Virgem Santíssima que, depois de acabar a construção da Igreja, devia ir a Jerusalém, Tiago levantou-se, chamou os discípulos, que já tinham visto a luz e correram para junto dele e comunicou-lhes a aparição milagrosa e todos seguiam com os olhos o esplendor que ia desaparecendo.

Tendo executado em Zaragoza a ordem de Maria, Tiago constituiu uma comissão de doze discípulos, entre os quais também homens doutos, que deviam continuar a obra, que começara com tantas dificuldades e tribulações. Em seguida partiu da Espanha para Jerusalém, como lhe ordenara a Virgem.

Nessa viagem visitou em Éfeso Maria, que lhe predisse a morte próxima, em Jerusalém, consolando e confortando-o. Tiago despediu-se de Maria e do irmão e continuou a viagem para Jerusalém, onde foi decapitado.

O corpo do Apóstolo São Tiago.

O corpo do Apóstolo esteve algum tempo num sepulcro perto de Jerusalém. Quando, porém, se levantou uma nova perseguição, levaram-no alguns discípulos, entre os quais José de Arimatéia e Saturnino, para a Espanha. Mas a perversa rainha Lupa, que já antes perseguira S. Tiago, não quis permitir que o sepultassem ali.

“Os discípulos tinham posto o santo corpo sobre uma pedra, que sob ele formou então uma cavidade, como um sepulcro. Sucedeu também que outros cadáveres, sepultados ao lado, foram lançados fora da terra. Lupa acusou os discípulos perante o rei, que os mandou prender; mas escaparam milagrosamente e o rei que os perseguia com cavalaria, passou sobre uma ponte, que desabou, morrendo ele com todos os companheiros. Lupa assustou-se tanto com esse fato, que mandou dizer aos discípulos que prendessem e atrelassem touros bravos num carro; onde estes levassem o corpo, ali poderiam construir uma Igreja. Esperava que os touros bravos destruíssem tudo. Um dragão opôs-se na região deserta aos discípulos,mas morreu fulminado, quando fizeram o sinal da cruz; os touros bravos, porém, tornaram-se mansos, deixaram-se atrelar ao carro e levaram o santo corpo ao castelo de Lupa. Ali então foi sepultado e o castelo transformado em Igreja, pois lupa converteu-se, confessando a fé cristã, com todo o povo”.

No sepulcro do santo Apóstolo aconteceram muitos milagres. Mais tarde lhe foram transferidos os ossos para Compostela, que se tornou um dos mais afamados lugares de peregrinação. S. Tiago pregou cerca de quatro anos na Espanha.

A construção do Templo.

Segundo uma antiga tradição, desde os primórdios de sua conversão, os cristãos primitivos ergueram uma capelinha em honra da Virgem Maria, às margens do rio Ebro, na cidade de Zaragoza, Espanha.

A capelinha primitiva foi sendo reconstruída e ampliada com o correr dos séculos, até se transformar na grandiosa basílica que acolhe, como centro vivo e permanente de peregrinações a numerosos fiéis que, de todas as partes do mundo, vêm rezar à Virgem e venerar seu Pilar.

Basílica de Zaragoza as margens do rio Ebro – Espanha.

Muito para além dos milagres espetaculares, a Virgem do Pilar é invocada como refúgio dos pecadores, consoladora dos aflitos, Mãe da Espanha.

Sua ação é sobretudo espiritual.

A devoção ao Pilar tem uma enorme penetração na Ibero-américa, cujos países celebram o dia do descobrimento de seu continente a 12 de outubro, isto é, no dia do Pilar.

A Basílica fica aberta o dia inteiro, mas nunca faltam os fiéis que chegam ao Pilar em busca de reconciliação, graça e diálogo com Deus.

É popular na Espanha, especialmente a região de Aragon, a jaculatória:

“Bendita seja a hora em que a Virgem veio em carne mortal a Zaragoza”.

O Papa João Paulo II.

O Papa João Paulo II, por duas vezes escolheu este santuário como primeiro passo de suas viagens à América Latina: em 1979, para assistir à Conferência de Puebla e em 1984 para inaugurar as comemorações do V Centenário do descobrimento e o início da evangelização na América.

O Papa dizia nessa basílica, citando Puebla: “Ela (Maria) tem que ser cada vez mais a pedagoga do Evangelho na América Latina” (Puebla, 290). “Sim, continua dizendo o Papa, a pedagoga, a que nos conduz pela mão, que nos ensina a cumprir o mandato missionário de seu Filho e a guardar tudo o que Ele nos ensinou. O amor à Virgem Maria, Mãe e Modelo da Igreja, é garantia da autenticidade e da eficácia redentora de nossa fé cristã”.

Consagração a Nossa Senhora do Pilar

Virgem Imaculada! Minha Mãe! Maria!

Eu vos renovo, hoje e para sempre a consagração de todo o meu ser para que disponhais de mim para o bem de todas as pessoas.

Somente vos peço, minha rainha e mãe da igreja,  força para cooperar fielmente 

na vossa missão de trazer o reino de Jesus ao mundo.

Ofereço-vos, portanto,  Coração Imaculado de Maria, as orações e os sacrifícios deste dia, para que fiéis à nossa consagração,  sejamos igualmente disponíveis a colaborar convosco  na construção de um mundo novo, ó Maria concebida sem pecado!  rogai por nós que recorremos a vós  e por todos quantos recorrem a vós, de modo particular as famílias de nossa comunidade paroquial, que vos venera com o título de Senhora do Pilar.

Salve Rainha…

O Magnífico Milagre de Nossa Senhora do Pilar, o Grande Milagre de Calanda!

O Milagre dos Milagres!

Nossa Senhora nunca deixa de atender a seus devotos.

Ela faz mais do que pedem. É generosa!

Miguel Juan Pellicer costumava esmolar diante do Santuário de Nossa Senhora do Pilar e era muito devoto da Virgem. Seguidamente ele passava, no toco da perna, óleo das lamparinas que se acendiam na capela de Nossa Senhora.

No dia 3 de agosto de 1637, um empregado agrícola, Miguel Juan Pellicer (1617-1647), nascido em Calanda, numa família de sete irmãos, caiu de um reboque, em Castellon de la Plana. Uma roda atingiu-lhe a perna direita, esmagando “o centro da tíbia”. Ele foi acolhido no hospital de Valência. Sentindo dores insuportáveis, decidiu viajar até Saragossa para se colocar sob a proteção da Virgem do Pilar. A viagem durou cinqüenta dias “de carona em carona”. Era preciso percorrer 300 quilômetros sob um sol violento. Em inícios de outubro, finalmente, o jovem chegou a Saragossa. Estava extenuado, sentia-se morrer e, arrastando-se, de joelhos, até o santuário, entregou-se à Virgem do Pilar:

 “Salva-me pois estou morrendo!”

Apesar de ter sido internado no Hospital de Saragossa e de ter recebido tantos e diferentes remédios, não foi curado. No final do mês, sua perna foi amputada “quatro dedos acima do joelho”, única solução para salvar-lhe a vida. Só obteve alta um ano após, na primavera de 1638, tendo recebido muletas, perna artificial e uma carteirinha que lhe permitia exercer a atividade de mendicância. Reduzido à mendicidade, pedia esmolas em frente ao santuário, mas foi reconhecido por alguns peregrinos, habitantes de Calanda, que o incentivaram a retornar à casa dos pais.

Na quinta-feira, 29 de março de 1640, entre 22 e 23 horas, Miguel Juan Pellicer jantou com os genitores, dois vizinhos e um soldado da cavalaria, que estava de passagem, a quem a família ofereceu hospedagem, justamente, o quarto do filho. Sem o seu catre, Miguel adormeceu, então, no quarto dos pais. Pouco depois, a mãe do jovem entrou no quarto e sentiu intenso perfume “como de Paraíso” e percebeu que dois pés se mostravam, fora da coberta. Chamou, então, o pai e os ambos pensaram que se tratava do soldado que teria errado de quarto, mas, ao levantarem a coberta, descobriram que era o próprio filho e que a perna amputada reaparecera, com as mesmas características e cicatrizes e um círculo vermelho no local onde fora amputada!

Um processo canônico teve início em 5 de junho de 1640. No dia 22 de abril de 1641, a Câmara Municipal de Calanda elegeu Nossa Senhora do Pilar como padroeira da cidade. Em seguida, no dia 27 do mesmo mês, Monsenhor Apaolaza, Arcebispo de Saragossa, anunciou:

 “Nós dizemos, pronunciamos e declaramos que Miguel Juan Pellicer (…) recuperou, milagrosamente, a perna direita que havia sido amputada; esta restituição não foi obra da natureza, mas foi operada de maneira admirável e milagrosa e deve ser registrada como um milagre”.

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