05 – A Ressurreição de Jesus

A Ressurreição corporal é a pedra de toque da missão de Jesus; é o sinal que comprova a autenticidade de Jesus como Deus feito homem para nos salvar. Daí dizer São Paulo: “Se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa pregação, vazia também é a vossa fé… Se Cristo não ressuscitou, ilusória é a vossa fé” (1 Cor 15, 14-17)

167s9xeNenhuma outra religião atribui ao seu fundador o privilégio da ressurreição dentre os mortos. O Cristianismo, porém, o faz e afirma que, sem a ressurreição de Jesus, não há cristianismo.

Ora, a ressurreição de um morto é milagre de primeira grandeza, o que leva a crítica a perguntar se não se trata de mito ou ficção; em conseqüência, tem formulado explicações meramente racionais para a ressurreição. Deste modo, vamos procurar conhecer as teorias Racionalistas e os textos do Novo Testamento que atestam a fé da Igreja nascente, e os seus sinais comprovantes

TEORIAS RACIONALISTAS

Até o século XVII não havia dúvidas entre os cristãos quanto à historicidade da ressurreição de Jesus. Muito importante é o testemunho da Igreja nascente: em Corinto, por exemplo, no ano 56, os fiéis não aceitavam a  perspectiva da ressurreição dos cristãos, mas não duvidaram da ressurreição de Jesus, de modo que, a partir desta, São Paulo deduzia a ressurreição de todos os mortos.

“Se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos, como podem alguns dentre vós dizer que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou… Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos, primícias dos que adormeceram” (1 Cor 15, 12.13.16-20)

Examinemos porém, as proposições dos racionalistas.

1) No século XVIII Herman S. Reimarus retomou a alegação dos Judeus, de que o corpo de Jesus fora roubado pelos discípulos para que pudessem proclamar a sua ressurreição. Segundo Reimarus, Jesus foi um Messias político, que queria libertar Israel do jugo romano, tendo fracassado. Assim, os discípulos teriam roubado o seu corpo para apregoar sua ressurreição e apresentá-lo como o Messias apocalíptico de Daniel 7, 13s.

A própria crítica racionalista rejeitou a teoria de Reimarus como sendo simplória demais e infundada, porque os apóstolos não tinham ânimo para admitir a ressurreição do mestre e muito menos o tinham para tentar impô-la mediante uma fraude.

2) Entre os séculos XVIII e XIX Karl F. Bahrdt e Eberhardt G. Paulus propuseram a tese de que Jesus não morreu realmente na cruz e foi sepultado vivo. O sedativo que Ele tomou quando crucificado e os aromas que as mulheres levaram ao sepulcro para ungi-lo, terão contribuído para reanimá-lo e fazê-lo sair do túmulo.

Tal hipótese também é fantasiosa e desprovida de fundamentos; além de contradizer a arqueologia, nega o duro desenrolar da paixão e, principalmente, o golpe de lança infligido a Jesus, “porque os soldados o encontraram já morto” (Jo 19,33). Estas ocorrências não podem deixar dúvida sobre a realidade da morte de Jesus na Cruz.

3) Certos seguidores da Escola da História das Formas deram à ressurreição de Cristo uma interpretação nova. Entre eles destaca-se Willi Marxsen, que afirma que o que ressuscitou não foi Jesus, mas a mensagem d’Ele, que parecia fadada a emudecer por causa da hostilidade dos judeus, mas conseguiu vencer os obstáculos e assim “ressuscitou”, impondo-se aos ouvintes. O que importa, dizem, não é o mensageiro (Jesus), mas a mensagem (a Boa Nova). As aparições de Jesus, narradas pelos evangelistas seriam algo como uma personificação da mensagem do Cristo.          

A tese de Marxsen parte de um preconceito dogmaticamente afirmado, mas não demostrado, a saber: não pode ser real o que escapa às categorias da razão humana. Ora, a ressurreição de um morto é algo que a razão não explica; daí ser dita como impossível ou como mito. Tal preconceito é falho, pois a razão humana não é a medida ou critério da verdade; a verdade tem amplidão maior do que o alcance da razão. Por conseguinte, pode haver fatos reais que a razão não explica e a ressurreição é uma delas.

Uma vez examinadas algumas teorias que negam a ressurreição corporal de Jesus, passemos ao ponto seguinte.

 O TESTEMUNHO DO NOVO TESTAMENTO  

O texto mais significativo é a profissão de fé consignada por São Paulo em        1Cor 15, 3-8. Ei-la em tradução literal:

“Faço-vos conhecer, irmãos, o Evangelho que vos preguei, o mesmo que vós recebestes e no qual permaneceis firmes. Por ele também sereis salvos, se o conservardes tal como vô-lo preguei… a menos que não tenha fundamento a vossa fé.

Transmiti-vos, antes de tudo, aquilo que eu mesmo recebi, a saber que Cristo morreu por nossos pecados, conforme as Escrituras, e que foi sepultado e que ressuscitou ao terceiro dia conforme as Escrituras e que apareceu a Cefas, depois aos doze. Posteriormente apareceu, de uma vez, a mais de quinhentos irmãos, dos quais a maior parte vive até hoje; alguns, porém, já morreram.

Depois apareceu a Tiago e, em seguida, a todos os apóstolos. Por fim, depois a todos, apareceu também a mim, como a um abortivo.”

São Paulo escreveu tal passagem no ano de 56, pouco mais de 20 anos após Ascensão de Jesus. Nesse texto, o Apóstolo quer apenas lembrar aos fiéis o que ele lhes transmitiu de viva voz quando fundou a comunidade de Corinto.

Os estudos bíblicos dizem que a fórmula acima não é de autoria de São Paulo mas que ele estaria reproduzindo uma fórmula já existente. Vê-se, assim, que desde os primeiros anos da pregação do Evangelho já existia entre os fiéis uma profissão de fé na ressurreição de Cristo formulada em frases breves e pregnantes; tais frases eram transmitidas como expressões exatas das mensagens dos Apóstolos.

Ora, essa fórmula de fé antiquíssima professa a ressurreição corpórea de Cristo como realidade histórica. Para comprovar havia testemunhas oculares, das quais, diz São Paulo, muitas ainda viviam vinte e poucos anos após a ressurreição do Senhor.

O texto de 1Cor 15,1-8 é por Bultmann e sua escola reconhecido como obstáculo sério à sua teoria racionalista (obstáculo fatal, segundo expressão usada pelo próprio Bultimann em Kerygma und Mythos I)

A PREGAÇÃO DA IGREJA NASCENTE

a) O destemor dos Apóstolos

Seriam incompreensível o êxito e a força persuasiva da pregação dos Apóstolos se, depois haverem feito a dolorosa experiência da Paixão do Mestre, não o tivessem visto realmente ressuscitado.

Sem o encontro com o Cristo vencedor, também não se explicaria a cristologia pascal (ou seja, a doutrina concernente a Cristo morto e redivivo) da Igreja antiga.

A conversão de São Paulo é outro fato que dificilmente se poderia entender sem a realidade da ressurreição de Cristo.

b) O conteúdo da pregação dos discípulos

Vejamos, brevemente, o que os discípulos anunciaram quando começaram a pregar, baseando-nos no livro dos Atos: 

At 2, 4-40: Pedro, no dia de Pentecostes, explica a multidão o fenômeno da línguas;

At 3, 12-26: Pedro esclarece, através da obra salvífica de Cristo, como um paralítico foi curado à porta do templo de Jerusalém;

At 4, 8-12: diante do Sinédrio (tribunal judaico) Pedro explica as ocorrências da última páscoa;

At  10, 34-43: Pedro em casa do centurião romano Cornélio, faz uma síntese do plano de Deus, apresentando a morte e a ressurreição de Jesus como ponto central.

O tema dessa pregação, como se compreende, é Jesus:

– anunciado pelos profetas: At 2, 23; 2, 27; 3, 18; etc.

– figura histórica, pois há referências ao seu nascimento na casa de Davi (At 13,23; 10,37), ao seu ministério público precedido pela pregação de João Batista (At 2,22; 10,37s; etc.)        

– ressuscitado dentre os mortos, ponto alto de toda a pregação. A ressurreição revela o significado da existência de Jesus, de tal modo que o Evangelho é o anúncio da ressurreição. Procurando resumir numa palavra a missão dos Apóstolos, Pedro diz que a sua tarefa principal é a de ser “testemunha da ressurreição” (At 1,22).

 O CONCEITO DE MESSIAS

Notemos que os Judeus do Antigo Testamento não tinham o conceito de um Messias que morreria e ressuscitaria. Esperavam, antes, a vinda do seu reino em poder e glória. Se não obstante, a idéia da ressurreição do Messias logo após a sua morte foi apregoada por Pedro e seus companheiros, parece lógico admitir que os Apóstolos tiveram a experiência de um encontro pessoal com Cristo redivivo após a morte na cruz. Sem esta experiência, jamais teriam chegado a proclamar que Jesus ressuscitara dentre os mortos.

Com outras palavras: a idéia de um Messias não glorioso mas crucificado, era “escândalo para os judeus” (cf 1Cor 1,23). O fato de que os apóstolos a aceitaram, seria um enigma se não tivessem visto Jesus ressuscitado.

Observa-se mesmo que os Apóstolos, longe de imaginar que Jesus morto voltaria à vida, perderam o ânimo ao vê-lo presa de seus inimigos, e fugiram. Quando lhes foi dada a notícia da ressurreição, relutaram para aceitá-la; não estavam subjetivamente predispostos a conceber a vitória de Cristo sobre a morte. Fizeram-no, porém, vencidos pela evidência objetiva do fato; cf. 1 Jo. 20, 9.19-20 (episódio de Tomé); Lc 24, 13-35 (os discípulos de Emaús); Lc 24, 36-43 (Jesus nega ser mero espírito, dá a apalpar mãos e pés).

Em outro termos: quem lê os Evangelhos, observa que as aparições de Jesus não se dão após uma expectativa ansiosa dos Apóstolos ou discípulos. Ao contrário, Jesus aparecia de maneira totalmente imprevista, quando os discípulos menos esperavam.

O SEPULCRO VAZIO

O texto de Mc 16, 1-8 fala das mulheres que encontraram vazio o sepulcro de Jesus na manhã de Domingo. A mesma descoberta foi feita por Maria Madalena, segundo Jo. 20, 1s, e por Pedro, conforme Lc 24,12.

Perguntamos: qual o valor histórico destas narrações?

Admite-se a realidade do sepulcro vazio na base das seguintes razões:

1) Os Evangelhos se dão a entender que Jesus foi sepultado por José de Arimatéia, homem rico, que se serviu de uma rocha ainda não utilizada para tal fim.

2) A notícia de que as mulheres encontraram vazio o sepulcro de Jesus, não pode ter sido forjada pela Igreja antiga; quem a inventasse não teria apelado para dizeres de mulheres, pois estas eram consideradas testemunhas pouco fidedignas. São Lucas relata que as mulheres, tendo encontrado o sepulcro vazio, “disseram isto aos Apóstolos, mas suas palavras pareceram-lhes um desvario e eles não acreditaram”. (Lc 24, 10-12).

3)Os inimigos de Jesus não negaram que o túmulo estivesse vazio, mas unicamente trataram de explicar o fato por vias diversas. É, por exemplo, o que se lê em Mt 28, 11-15.

Vê-se, pois, que a tradição do sepulcro vazio é historicamente bem fundada. Ela tem sentido profundo para os cristãos. Ela incute que existe continuidade entre o crucificado e o ressuscitado; a vida terrestre de Jesus não foi uma fase ultrapassada da existência de Cristo que ressuscitou, é o mesmo que morreu na cruz; possui o mesmo corpo, embora de maneira diversa.   

FATO HISTÓRICO

Muitas pessoas afirmam que a ressurreição de Jesus não foi fato histórico porque ninguém a viu ou a presenciou.

Na verdade, ninguém viu Jesus ressuscitar, os Apóstolos encontraram o sepulcro já vazio. Todavia, não podemos restringir o conceito de histórico aos fatos testemunhados; mais exato é definir como histórico todo evento que ocorre no tempo e no espaço, como se deu com a ressurreição de Cristo. A ressurreição de Jesus, embora se tenha dado sem testemunho e no plano dos acontecimentos milagrosos, deixou na história os seus sinais ou os seus rastros a partir do qual se cria a certeza moral de que Jesus ressuscitou.

A insistência da Igreja antiga sobre a ressurreição no terceiro dia parece revelar a clara intenção de afirmar que a mesma foi um fato realmente histórico, a ponto de se poder indicar a respectiva data.

A certeza moral fornece a justificativa à razão do homem, fazendo que a adesão à fé na ressurreição seja ato razoável, inteligente, digno, e não cego ou infantil, imaturo.    

O SUDÁRIO COMO PROVA DA RESSURREIÇÃO  

Os especialistas Kenneth E. Stevenson e Gary R. Habermas, examinando o Santo Sudário, abstraíram a partir dele algumas evidências de que Jesus de fato ressuscitou. Dizem eles:

“Talvez o argumento mais forte em favor da ressurreição de Cristo são as testemunhas oculares, os discípulos que viram Jesus.

Em segundo lugar, os discípulos transfomaram-se: passaram de homens medrosos, que tinham medo de serem identificados com Jesus, a testemunhas corajosas, que proclamava a fé no meio de seus inimigos.

Um terceiro fato é o sepulcro vazio.

Um quarto argumento histórico favorável à ressurreição de Jesus está no fato de que a ressurreição constituiu o verdadeiro centro da pregação cristã primitiva, feita pelas testemunhas oculares dos primórdios.

Quinto fato: os chefes dos judeus não conseguiram proibir nem desdizer a afirmação dos discípulos de que Jesus havia ressuscitado, embora tivessem tanto motivo quanto poder para fazê-lo. Esses chefes achavam-se estabelecidos na própria cidade onde os discípulos anunciavam que Jesus ressuscitara.

Sexto fato: a Igreja teve início imediatamente, cresceu e floresceu, adotando como centro de seu culto e sua evangelização o anúncio da ressurreição de Jesus.

Sétimo: o domingo se tornou o dia de culto cristão (cf. At 20,7; 1Cor 16,2). Este fato constituia um fato incomum, porque os primitivos cristãos eram judeus monoteístas que haviam aprendido a realizar seu culto de adoração no sábado. A melhor explicação para a mudança é a de que o domingo foi o dia da ressurreição. Do contrário, não haveria razão adequada que justificasse a escolha desse dia para o culto.

O oitavo e o nono fato são os de que dois céticos não-crentes, Tiago (1Cor 15,7) e Paulo, se transformaram em cristãos fervorosos depois de haverem  passado por experiências que eles também consideraram aparições de Jesus ressuscitado.

O décimo fato é o de que Jesus predisse a sua ressurreição bastante tempo antes que ela acontecesse, o que mostra que a ressurreição foi um acontecimento planejado por Deus.

/…/ Além disso, pelo estudo do Sudário se pode provar que o corpo de Jesus não se decompôs enquanto esteve nele envolvido, o que revela que o corpo de Jesus não permaneceu em contato com o pano por um período prolongado de tempo. Num ambiente de Oriente Médio na época de Jesus, costumava  ocorrer uma forte decomposição do corpo em até quatro dias apenas.

Um segundo sinal de ressurreição que o Sudário nos propicia é a remoção do corpo para fora do Sudário. Os fatos repudiam a hipótese de o corpo ter sido removido por quaisquer meios humanos, pois as manchas de sangue encontram-se intactas.

Terceiro: a figura do Sudário foi, provavelmente, causada por uma chamuscagem provocada pelo calor ou pela luz. Tanto devido a improbalidade de hipóteses naturais alternativas como pela própria natureza da figura, defrontamo-nos aqui com o problema de uma ocorrência extraordinária que, até agora, não pode ser explicada por meios naturais.

Um último sinal da ressurreição reside na estreita correspondência que existe entre o Sudário, os Evangelhos e a história./…/”

“De fato, as provas que o Sudário  apresenta em favor da ressurreição são tão sólidas que, se ele não for o verdadeiro lençol fúnebre de Jesus, os cristãos terão de admitir a possibilidade de  outra pessoa haver ressuscitado dos mortos”.

[Esta última parte foi extraída do livro: ‘A verdade sobre o Sudário’,

de Kenneth E. Stevenson e Gary R. Habermas].

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