04 – Devoção de Martinho Lutero a Maria

LuteroApesar do atual preconceito protestante no que diz respeito aos tradicionais artigos de fé católicos, como a Comunhão dos Santos, confissão auricular, Purgatório, Papado, sacerdócio, matrimônio sacramental etc., pode surpreender a muitos descobrir que Martinho Lutero era um profundo conservador em algumas de suas posições doutrinais, como na regeneração batismal, na eucaristia e, particularmente, em relação à Bem-Aventurada Virgem Maria.

Lutero era completamente devotado a Nossa Senhora, e crente em todas as doutrinas tradicionais marianas. É certo que esta constatação não é muito freqüente nas biografias protestantes sobre o reformador, contudo, é um fato irrefutavelmente verdadeiro. Parece ser uma tendência natural que os discípulos atuais do protestantismo procurem se projetar no perfil do fundador do movimento que seguem. Saber que o Luteranismo de hoje não tem uma Mariologia muito consistente, leva-nos a supor que também Lutero tivesse – ele mesmo – opiniões similares com relação a este ponto.

Todavia, nós veremos, por meio de fontes escritas pelo próprio Lutero, que os fatos históricos são bem diferentes. Para tal, nós consideraremos citações do ex-monge nos vários aspectos da doutrina mariana.

Lutero (bem como os principais reformadores, por exemplo, Calvino, Zwingli, Cranmer) aceitava a opinião de que Jesus não possuía nenhum irmão de sangue, crendo também na doutrina tradicional da Perpétua Virgindade de Maria, e reconhecendo seu status como Teotokos (Mãe de Deus): “Cristo era o único filho de Maria. Das entranhas de Maria, nenhuma criança além dEle. Os ‘irmãos’ significam realmente ‘primos’ aqui: a Sagrada Escritura e os judeus sempre chamaram os primos de irmãos” (Martinho Lutero – Sermões sobre João 1-4, 1534-39)

“Cristo, nosso Salvador, foi o fruto real e natural do ventre virginal de Maria. Isto se deu sem a cooperação de um homem, permanecendo virgem depois do parto” (Martinho Lutero, idem.)

“Deus diz: ‘o filho de Maria é meu Filho somente.’ Desta forma, Maria é a Mãe de Deus”(Martinho Lutero, Ibidem)

“Deus não recebeu sua divindade de Maria; todavia, não segue que seja conseqüentemente errado afirmar que Deus foi carregado por Maria, que Deus é filho de Maria, e que Maria é a Mãe de Deus. Ela é a Mãe verdadeira de Deus, a portadora de Deus. Maria amamentou o próprio Deus; ele foi embalado para dormir por ela, foi alimentado por ela, etc. Para o Deus e para o Homem, uma só pessoa, um só filho, um só Jesus, e não dois Cristos. Assim como o seu filho não são dois filhos… Mesmo que tenha duas naturezas” (Martinho Lutero – “Nos conselhos e na Igreja” – em 1539)

Provavelmente, a opinião mariana mais antagonista de Lutero, seja a aceitação da Imaculada Conceição de Maria que, na época, ainda não era artigo de fé, que só aconteceu em 1854 na Igreja Católica. A respeito deste fato há um questionamento: sobre os aspectos técnicos das teorias medievais sobre a concepção e sobre a alma teriam se alterado mais tarde em Lutero? Para alguns teólogos eminentes do Luteranismo, como Arthur Carl Piepkorn (1907-1973) do Seminário Concórdia em São Luis, nos Estados Unidos, mantêm a aceitação da doutrina: 

“É uma opinião doce e piedosa que a infusão da alma de Maria ocorreu sem o pecado original; de modo que, ao infundir a sua alma imune ao pecado original, foi adornada com presentes de Deus, recebendo uma alma pura, infusa por Deus; assim, desde o primeiro momento em que começou a viver ela esteve livre de todo o pecado” (Sermão: “No dia da concepção da Mãe de Deus,” Dezembro [?] 1527, de Hartmann Grisar, S.J. Luther, da tradução da versão do alemão para o inglês por E.M. Lamond, editado por Luiggi Coppadelta, Londres: Kegan Paul, trincheira, Trubner, primeira edição, 1915, Vol. IV [ de 6 ], p. 238; revisado por Werke alemão, Erlangen, 1826-1868, editado por J.G. Plochmann e J.A. Irmischer, editado por L. Enders, Francoforte, 1862 ff., 67 volumes; citação 15 2 , p. 58)

“É cheia de graça, proclamada para ser inteiramente sem pecado, algo tremendamente grande. Para que fosse cheia pela graça de Deus com tudo de bom e para fazê-la vitoriosa sobre o diabo” (Martinho Lutero – Livro pessoal de oração – 1522)

Uma das referências mais antigas à Imaculada Conceição aparecem no seu Sermão de Casa no Natal (1533) e em De Encontro ao Papado de Roma (1545). Lutero não acreditava que esta doutrina deveria ser imposta a todos os crentes, por achar que a Bíblia não ensina explicita e formalmente sobre o assunto. Isso se justifica pela sua teoria da “Sola Scriptura”. Mas, ele mesmo acreditava na Assunção corpórea de Maria ao céu – crença que nunca renegou, embora criticasse excessos na celebração desta festa. No seu sermão em 15 de agosto de 1522, quando pregava pela última vez na festa da Assunção, afirmou: “Não se pode haver nenhuma dúvida que a Virgem Maria está no céu. Como isso aconteceu, nós não sabemos. E já que o Espírito Santo não nos revelou nada sobre isso, não podemos fazer disso um artigo de fé. É suficiente sabermos que ela vive em Cristo”

Lutero era favorável à pratica devocional da veneração a Maria e expressou isso em inúmeras ocasiões com veemência:

“A veneração de Maria está inscrita no mais profundo do coração humano” (Martinho Lutero – Sermão em 1º de setembro de 1522)

“Maria é a mulher mais elevada e a pedra preciosa mais nobre no Cristianismo depois de Cristo… Ela é a nobreza, a sabedoria e a santidade personificadas. Nós não poderemos jamais honrá-la o bastante. Contudo, a honra e os louvores devem ser dados de tal forma que não ferem a Cristo nem às Escrituras” (Martinho Lutero – Sermão na festa da Visitação em 1537)

“Nenhuma mulher é como tu! És mais que Eva ou Sara, sobretudo, pela nobreza, bem-aventurança, sabedoria e santidade!” (Martinho Lutero – Sermão na festa da Visitação em 1537)

“Devemos honrar Maria como ela mesma desejou e expressou no Magnificat. Louvou a Deus por suas obras. Como, então, podemos nós a exaltá-la? A honra verdadeira de Maria é a honra a Deus, louvor à graça de Deus. Maria não é nada para si mesma, mas para a causa de Cristo. Maria não deseja com isso que nós a contemplemos, mas, através dela, Deus” (Martinho Lutero – Explicação do Magnificat – em 1521)

Lutero vai além: dá à Bem-Aventurada Virgem exaltada a posição de “Mãe Espiritual” para os cristãos.

“É a consolação e a bondade superabundante de Deus, o homem pode exultar por tal tesouro: Maria é sua verdadeira mãe, Jesus é seu irmão, Deus é seu Pai” (Martinho Lutero – Sermão de Natal de 1522)

“Maria é a Mãe de Jesus e a Mãe de todos nós, embora fosse só Cristo quem repousou no colo dela… Se ele é nosso, deveríamos estar na situação dele; lá onde ele está, nós também devemos estar e tudo aquilo que ele tem deveria ser nosso. Portanto, a mãe dele também é nossa mãe..”(Martinho Lutero – Sermão de Natal de 1529)

Uma coisa é certa: a rejeição dos protestantes atuais à Mãe de Deus é novidade, coisa recente…

Fábio Alexandro Sexugi

3 opiniões sobre “04 – Devoção de Martinho Lutero a Maria”

  1. Sua página é mentirosa sobre Lutero. Desafio-lhes a provar que Lutero era mariano. Nenhum evangélico é retardado de acreditar nisto. É uma ofensa direta. O Evangelho está repleto de passagens que mostram Jesus corrigindo a sua “mãezona”, portanto, se for verdade essas asneiras, eu deixarei de ser admirador de Lutero. O Concílio de Éfeso, no séc. IV, introduziu a noção da maternidade espiritual de Maria, sujando e ultrajando a única intercessão, que é a de Cristo. Não é à toa que a deusa e padroeira local, de séculos e séculos, até próximo do séc. IV e desta introdução de grave heresia, equivocamente sob a tentativa de correção do sabelianismo (mas cometendo outros erros no lugar), era Diana dos Efésios, que está em todo guia de arte, história e religião antiga da Grécia, uma deusa representada por muitas tetas, e enormes. Isto é parte real. Com que argumento vocês, caso provem essa mentira sobre Lutero, e ela for verdadeira, por uma grave tragédia, vão defender a “deusa de mil tetas”, que pontificou em Éfeso, cidade da entronização no Concílio de Éfeso, de Maria? Pura coincidência? Vocês não têm o direito de usar mentira ou fraude, nem mesmo de ocultar as verdades históricas que não lhes convém, para a defesa do culto de Maria “assentado” em cima de Cristo, como se Cristo dependesse dela, do que cheguei a ver aberrações tamanhas como os padres marianos pregarem uma hipotética ação de um “Espírito de Maria”. Vocês são pagãos e disto nunca escaparão, nem que Lutero vá para o inferno junto com vocês.

    • Sr. Alberto que a paz do Senhor Jesus esteja convosco.
      Longe de querer polemizar, pois não é este o nosso propósito, e sim manter um bom relacionamento inter religioso esclareço:
      O que está escrito, na verdade transcrito, é o que a Igreja Luterana prega, ou melhor o que seu próprio fundador disse, é só ler seu livro particular de orações.
      A Ave Maria

      Tome nota disso: ninguém deve colocar a sua confiança ou convicção na Mãe de Deus ou em seus méritos, pois de tal confiança somente Deus é digno e este elevado culto é devido somente a ele. Preferivelmente, louve agradeça a Deus por causa de Maria e da graça que lhe foi dada. Louve-a e ame-a simplesmente como aquela que, sem mérito, obteve tais bênçãos de Deus, por pura misericórdia dele, como ela mesma testemunha no Magnificat [Lc 1.46-55].
      Isto é muito semelhante a quando, por uma visão do céu, do sol e de toda a criação, sou movido a exaltar aquele que criou todas as coisas, trazendo tudo isso em minha oração e louvor, dizendo: Ó Deus, autor da bela e perfeita criação, concede-me… Da mesma forma, a nossa oração deve incluir a Mãe de Deus, como costumamos dizer: Ó Deus, que nobre pessoa tu criaste nela! Que ela seja bendita! E assim por diante. E tu que a honraste tão grandemente, concede também a mim…
      Não permitam que os nossos corações se apeguem a ela, mas que por causa dela penetrem em Cristo e no próprio Deus. Assim, o que a Ave-Maria diz é que toda a glória deve ser dada a Deus, usando estas palavras: “Ave, Maria, cheia de graça. O Senhor é convosco [Lc 1.28];bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus Cristo. Amém”.
      Você vê que estas palavras não tratam de oração, mas simplesmente em dar louvor e honra. Da mesma forma, não há petição nas primeiras palavras do Pai Nosso, mas sim louvor e glorificação de que Deus é nosso Pai e que ele está no céu. Portanto, não devemos fazer da Ave-Maria, nem uma oração, nem uma invocação, porque é inadequado interpretar as palavras além do que elas significam em si mesmas e para além do significado dado a elas pelo Espírito Santo.
      Mas há duas coisas que podemos fazer. Primeiramente, podemos usar a Ave Maria como uma meditação em que recitamos o que a graça que Deus lhe deu. Secundariamente, devemos acrescentar um pedido de que todos possam conhecê-la e respeitá-la [como uma bendita por Deus].
      Em primeiro lugar, ela é cheia de graça, proclamada para ser inteiramente sem pecado – algo axtraordinariamente grandioso. A graça de Deus encheu-a com tudo de bom e a tornou livre de todo o mal.
      Em segundo lugar, Deus está com ela, o que significa que tudo o que ela fez ou deixou de fazer é divino e ação de Deus nela. Além disso, Deus a guardou e a protegeu de tudo o que poderia ser prejudicial a ela.
      Em terceiro lugar, ela é bendita acima de todas as outras mulheres, não somente porque ela deu à luz sem lida, sofrimento e dano para si mesma, diferente de Eva e todas as outras mulheres, mas pela razão de pelo Espírito Santo e sem pecado, tornou-se fértil, concebeu e deu à luz de maneira a nenhuma outra mulher concedida.
      Em quarto lugar, seu dar à luz é bendito visto que ela foi poupada da maldição sobre todos os filhos de Eva, que são concebidos em pecado [Sl 51.5] e nascem para merecer a morte e condenação. Somente o fruto do seu ventre é bendito, e através deste nascimento todos nós somos abençoados.
      Além disso, uma oração ou pedido deve ser acrescentado – nossa oração por todos os que falam mal contra este Fruto e esta Mãe. Mas quem é que fala mal deste Fruto e desta Mãe? Qualquer um que persegue e fala mal contra sua obra, o evangelho e a fé cristã, como os judeus e os papistas estão fazendo agora.
      A conclusão disso é que, no presente, ninguém fala mal dessa Mãe e de seu Fruto, tanto quanto aqueles que a bendizem com muitos rosários e constantemente falam da boca para fora a Ave Maria. Estes, mais do que quaisquer outros, falam mal contra a palavra de Cristo e a fé da pior maneira.
      Portanto, repare que esta Mãe e seu Fruto são benditos em duplo modo – corporal e espiritual. Corporal com os lábios e as palavras da Ave-Maria; tais pessoas blasfemam e falar mal dela mais perigosamente. E espiritualmente [alguém bendiz ela] em seu coração ao louvar e render ação de graças pelo seu filho, Cristo – por todas as suas palavras, obras e sofrimentos. E ninguém faz isso senão aquele que tem a verdadeira fé cristã, porque sem esta fé nenhum coração é bom, mas é, por natureza, recheado de fala maligna e blasfêmia contra Deus e todos os santos. Por essa razão, quem não tem fé é aconselhado a abster-se de dizer a Ave Maria e todas as outras orações, porque a tal pessoa se aplicam as palavras: Em pecado se lhe torne a sua oração. [Sl 109.7].

      – Bem-aventurado Martinho Lutero (1483-1546), doutor e reformador da igreja ( Livro de Oração Pessoal, 1522).
      Cuidado em idolatrar pastores, o discípulo não é maior que o mestre

    • Nossa, Alberto! Porque você entrou aqui?? Pra xingar? Ta viajando?? Os deuses da Bíblia não eram as imagens sagradas… Leia sobre a mitologia grega, romana, greco romana e vai ver quem eram os deuses adorados. Nenhum católico adora Maria como deusa… Cé loko??

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