12 – Os Dógmas Marianos

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Os dogmas marianos são quatro; Maternidade Divina, Virgindade Perpétua, Imaculada Conceição e Assunção de Maria ao Céu em Corpo e Alma.

Os dogmas da Maternidade e Virgindade de Maria são aceitos por todas as igrejas cristãs em geral; os dogmas da Imaculada e Assunção são aceitos somente pela igreja católica.

Os dogmas estão fundamentados na Bíblia, a Maternidade e Virgindade estão explícitos ou quase; já a Imaculada Conceição e Assunção estão implicitamente, sendo necessária a tradição da igreja para explicitá-los e nos dar certezas dogmáticas destas verdades da fé.

Os dogmas são “mistérios”, maravilhas, milagres, que evocam tudo o que Deus operou em Maria. Os dogmas marianos falam natural e diretamente de Maria; são privilégios, graças muito especiais que ela recebeu de Deus, cujas graças se reportam a Cristo; que a Santíssima Virgem recebeu em função de Cristo. Os dogmas falam da Virgem Maria para falar de Jesus.

 

  1. A MaternidadeDivina de Maria esta baseada na Bíblia: “Mãe de meu Senhor” (Lc 1,43); Senhor é na Bíblia um nome divino, aplicado à Deus. “Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo” (Lc 1,32). Maria é, portanto a mãe do Filho de Deus. “Eis que uma Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel, que significa: Deus-conosco” (Mt 1,23 e Is 7,14).

O Concílio de Éfeso (431) declarou que Maria é “Mãe de Deus”, porém segundo a carne, assumida pelo Verbo. Este título foi confirmado como verdadeiro pelos Concílios ecumênicos subsequentes; Calcedônia (451) e Constantinopla II (553) e Constantinopla III (681).

O título Mãe de Deus, está na segunda parte da oração Ave-Maria: “Santa Maria, Mãe de Deus…”

O Concilio de Éfeso e os seguintes explicam que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus, “segundo a carne”, ou seja, segundo a humanidade de Jesus. Pois Jesus é uma pessoa, e ser mãe é ser mãe de uma pessoa, que no caso, é Deus. Maria não é a onipotência criadora e salvadora, mas é a “onipotência suplicante”. “Peça à mãe, que o Filho atende”.

 

  1. A Virgindade perpétua de Maria, que a Virgem tenha sido mesmo virgem, é um dado claramente atestado pela Bíblia; ”Antes de coabitarem, aconteceu que Ela concebeu por virtude do Espirito Santo” (Mt 1,18). “O que n’Ela foi concebido vemdo Espírito Santo” (Mt 1,20). “Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um Filho…” (Lc 1,23). “E, sem que José a tivesse conhecido, ela deu à Luz o seu filho” (Mt 1,25).

“Como se fará isso, pois não conheço homem? O Espirito Santo descerá sobre ti… Por isso, o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus”. (Lc 1,34-35).

O magistério, a tradição, também confirma a maternidade através do Credo apostólico: “Nasceu da Virgem Maria”. E também no Credo Niceno-Constantinopolitano: “E se encarnou pelo Espirito Santo no seio da Virgem Maria”.

A virgindade de Maria pertence à esfera do mistério e do milagre, pois “A Deus nenhuma coisa é impossível” (Lc 1,37).

A Virgindade de Maria implica na integridade física; isto é, a não experiência de relação sexual. À virgindade de coração que significa a entrega total e perpétua a Cristo e a seu Reino. A virgindade de Maria é integral, não só no sentido da real entrega de corpo e alma a Deus, mas também no sentido de uma entrega perpétua; ou seja, a Santíssima Virgem não foi só toda de Deus, mas foi também sempre de Deus. A virgindade perpétua de Maria é; antes do parto, no parto e depois do parto. O parto virginal, como a concepção virginal, só se explica porque a ”Deus nenhuma coisa é impossível” (Lc 1,37), ou seja, o parto de Maria foi “totalmente miraculoso”, digno de Deus ou conveniente à dignidade do Verbo.

A fé na Virgindade de Maria garante a fé na divindade de Jesus, ou seja; a Virgindade é sinal que o Messias não é criação da potência humana, mas do poder do Altíssimo, que é o Espirito Santo.

 

  1. A Imaculada Conceição de Maria, na bula Inefábilis Deus (1854), Pio IX declarou infalível a doutrina da Imaculada Conceição.

…DECLARAMOS, PRONUNCIAMOSE DEFINIMOS como doutrina revelada por Deus o seguinte: A Beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua concepção, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do Gênero humano, FOI PRESERVADA IMUNE DE TODA MANCHA DE PECADO ORIGINAL.. Essa doutrina, pois, deve ser crida firmemente e inviolavelmente por todos os fiéis. Portanto, quem presumir deliberadamente (que Deus não o permita!) pensar em seu coração uma opinião contrária a essa definição, conheça e saiba que se condena a si mesmo por seu próprio juízo, que fez naufrágio na fé, que se separou da unidade da Igreja e que incorreu automaticamente nas penas estabelecidas pelo Direito…

A principal fonte para o dogma da Imaculada Conceição é o Senso dos fiéis, cujo sentimento é mais vivido do que falado pelo povo. O qual se indigna quando ouve dizer que haveria algum pecado na SS. Mãe de Deus, ganha expressão na voz dos Santos Padres.

As bases bíblicas deste dogma são encontradas nos seguintes versículos da Bíblia: “Cheia de graça (Lc 1,28); “O poderoso fez em mim maravilhas” (Lc 1,49)”.

Ela foi a parceira perfeita de Deus. Correspondeu plenamente à sua graça. Viveu com Deus uma reciprocidade plena. Ela foi a esposa sempre fiel que faz a alegria de seu Esposo divino (cf. Is 62,5). Tudo isso parece dizer que para a Virgem Imaculada tudo era fácil.

Mas não é verdade. A verdade é que a SS. Virgem também foi tentada, como Eva no Paraíso, como o próprio Cristo, como cada um de nós. Dela foi profetizado: Uma espada transpassará a toda sua vida, fazendo sentir suas exigências extremas.

A grande diferença entre a SS. Virgem conosco é que ela nunca cedeu às tentações do demônio, mas foi sempre sim a Deus. Disso tudo podemos concluir que a Imaculada permanece, para nós, como exemplo máximo de lutadora, que não sofreu a menor derrota para o maligno.

 

  1. A Assunção de Maria ao Céu em Corpo e Alma, a definição dogmática infalível acerca da Assunção, esta na constituição Munificentissimus Deus (Deus generosíssimo), de Pio XII, de 1950: eis os termos soleníssimos em que foi proclamado o dogma em 1º de novembro de 1950:

“Depois de termos elevado a Deus nossas insistentes preces de súplica e de termos invocado a luz do Espirito da Verdade para a glória de Deus onipotente, que na Virgem Maria derramamos sua especial benevolência; para honra de seu filho, Rei imortal dos séculos e Vencedor do Pecado e da Morte; para maior glória de sua augusta Mãe; e para a alegria e exultação de toda a Igreja; pela autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e pela Nossa, PRONUNCIAMOS, DECLARAMOS E DEFINIMOS ser dogma revelado por Deus que: a Imaculada Mãe de Deus, sempre Virgem Maria, terminado o curso de sua vida terrena, FOI ASSUNTA À GLÓRIA CELESTE EM CORPO E ALMA. Por isso se alguém (que Deus não o permita!) ousar negar ou por em dúvida voluntariamente o que foi por nós definido, saiba que decaiu da fé divina e católica.”

A Virgem Maria, não podia ficar submetida aos laços da morte Aquela que gerou de si mesma e encarnou o vosso Filho, Senhor nosso. Destarte, a Virgem Maria foi arrebatada ao céu ao modo de Henoc (Gn 5,24) e de Elias (2Rs 2,3.5.9.10).

Embora não haja nenhum texto bíblico explicito e direto que fale da Assunção de Maria, como também não há da Trindade e dos Sacramentos. O que há são temas bíblicos, a partir dos quais a Comunidade eclesial, em sua tradição viva, chegou à descobertas simbólicas, e não invenção, desse novo dogma. Este não há na Escritura, mas se deduz a partir da Escritura.

As ideias comuns de todos esses temas são duas: a íntima associação de Maria ao destino do Filho e de sua santidade plena. Eis os principais temas bíblicos que sustentam esse dogma:

 

A mulher vitoriosa sobre a serpente:

  1. “Ela te ferirá a cabeça” (Gn 3,15). Maria, portanto, vence o pecado e também suas consequências: a morte e sua corrupção.
  2. A nova Eva: como Ela não comeu do fruto da morte (Gn 3,6/Lc 1,38), Ela também não podia morrer corporalmente.
  3. O corpo imaculado e virginal de Maria, inteiramente consagrado a Cristo e à sua missão, não podendo, portanto, ser destruído pela morte (Ap 11,19).
  4. A mãe perfeita: Jesus, filho perfeito, como manda o quarto mandamento, deve ter honrado perfeitamente sua perfeita mãe.

 

Bases teológicas dos dogmas

  1. Quanto à maternidade divina: Maria esteve unida a Cristo por um laço intimo e indissolúvel, e isso em todos os níveis: corporal, pela geração; psicológico, pelo afeto; e espiritual, pela comunhão em sua missão; como poderia, então, estar separada do Filho glorioso em virtude da morte corporal?
  2. Quanto à Virgindade: já que o corpo de Maria, porque plasmado e ungido pelo Espirito da Vida, foi mantido sempre integro, como poderia ter sofrido a dissolução da morte?
  3. Quanto à Imaculada conceição: por ser Toda-santa, Maria nada deveu ao pecado e, portanto, também nada à morte, que é o salário do pecado (Rm 6,23).
  4. Sobre a morte ou não de Maria: Maria foi assunta, ou assumida ou ainda arrebatada, foi Deus que elevou Maria à Glória do Reino.

 

 

Mário Sérgio Bunik

Catequista

 

Referência

BOFF, Clodovis M. Dogmas marianos: Síntese catequético-pastoral. São Paulo: Editora Ave-Maria, 2010.

 

1 opinião sobre “12 – Os Dógmas Marianos”

  1. Alice Adamowicz disse:

    Matéria íntegra,muito consistente e verdadeira.

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