03 – Via Matris

MatrisVIA MATRIS – AS SETE DORES DE MARIA

No período da Quaresma, a Igreja orienta os fiéis a meditarem sobre a Via Sacra, os passos dolorosos de Jesus rumo ao Calvário, ápice do Seu divino amor pela humanidade. A liturgia também associa a Via Matris– as dores de Maria – à piedade popular, baseada no ensinamento que ambos, Mãe e Filho, estão unidos no projeto salvífico de Deus (Lc 2, 34-35).

Assim como Cristo é o “homem das dores” (Is 53, 3), por meio do qual Deus quis “reconciliar consigo todos os seres, tanto na terra como no céu, estabelecendo a paz (…) por seu sangue derramado na cruz” (Cl 1, 20), Maria também é a “mulher da dor”, que Deus quis associar a Seu Filho como Mãe e participante da Sua Paixão.

“Não choreis por mim. Chorai por vós mesmas e por vossos filhos”

Desde a infância de Jesus, que já começou com a rejeição dos poderosos e a conseqüente fuga para o Egito (Mt 2, 13-18), a vida de Maria foi marcada de sofrimentos, conforme previsto pelo profeta Simeão (Lc 2, 35). Destas dores, o povo cristão destacou sete episódios principais e denominou-os “as sete dores da bem-aventurada Virgem Maria” – aqui lembrando que o sete tem o sentido bíblico de perfeição, ou seja, as dores de Maria foram completas, “perfeitas” e sem margem para dúvidas.

Dessa forma, junto com a Via Sacra, surgiu a prática de piedade da Via Matris, também esta aprovada pela Igreja. As primeiras fórmulas surgiram no século XVI e foram sendo aperfeiçoadas até o modelo atual, que remonta ao século XIX. A Via Matris considera toda a vida de Maria, desde o anúncio profético de Simeão até a morte e sepultura de Jesus, como um caminho de fé e de dor: caminho articulado exatamente em sete “estações”, correspondentes às dores da Mãe do Senhor.

Meditar e rezar a Via Matris, além de estar em harmonia com o período quaresmal, coloca o fiel em unidade com a Igreja: cada estação é uma etapa do caminho de fé e de dor que Nossa Senhora percorreu primeiro e que cada cristão, enquanto Igreja, deverá percorrer até o fim dos séculos. A Via Matris é o caminho que não se encerra em Maria, mas que nos une também e principalmente às dores de Cristo, assim como Ela esteve presente aos pés da Cruz, sofrendo a dor de Seu divino Filho.

Meditação da Via Matris

“Espadas de dor lhe transpassarão a alma”

Oração Inicial: Virgem dolorosíssima, seríamos ingratos se não nos esforçássemos em promover a memória e o culto de vossas dores. Vosso divino Filho tem vinculado à devoção de vossas dores, particulares graças a quem fizer uma sincera penitência, oportunos auxílios e socorros em todas as necessidades e perigos. Alcançai-nos, Senhora, de vosso divino Filho, pelos méritos de vossas dores e lágrimas a graça que vos peço (pedir a graça).

PRIMEIRA ESTAÇÃO – Pela dor que sofrestes ao ouvir a profecia de Simeão, de que uma espada de dor transpassaria vosso coração (Lc 2, 34-35) , Mãe de Deus, ouvi a nossa prece! (Ave-Maria, Glória ao Pai)

SEGUNDA ESTAÇÃO Pela dor que sofrestes quando fugistes para o Egito, apertando ao peito virginal o Menino Jesus, para salvá-Lo das fúrias do ímpio Herodes (Mt 2, 13-18), Virgem Imaculada, ouvi a nossa prece! (Ave-Maria, Glória ao Pai)

TERCEIRA ESTAÇÃO Pela dor que sofrestes quando da perda do Menino Jesus por três dias (Lc 2, 41-51), santíssima Senhora, ouvi a nossa prece! (Ave-Maria, Glória ao Pai)

QUARTA ESTAÇÃO Pela dor que sofrestes quando vistes o querido Jesus com a cruz sobre o ombro a caminho do Calvário (Lc 23, 27-29), Virgem Mãe das Dores, ouvi a nossa prece! (Ave-Maria, Glória ao Pai).

QUINTA ESTAÇÃO Pela dor que sofrestes quando assististes à morte de Jesus, crucificado entre dois ladrões (Jo 19, 25-30), Mãe da Divina Graça, ouvi a nossa prece! (Ave-Maria, Glória ao Pai)

SEXTA ESTAÇÃO Pela dor que sofrestes quando recebestes em vossos braços o corpo inanimado de Jesus descido da cruz (Jo 19, 38-42), Mãe dos pecadores, ouvi a nossa prece! (Ave-Maria, Glória ao Pai)

SÉTIMA ESTAÇÃO Pela dor que sofrestes quando o corpo de Jesus foi depositado no sepulcro (Mc 15, 46-47), Senhora de Todos os Povos, ouvi a nossa prece! (Ave-Maria, Glória ao Pai)

Oração Final: Dai-nos, Senhora, a graça de compreender o oceano de angústias que fez de vós a Mãe das Dores, para que possamos participar de vossos sofrimentos e vos consolemos com nosso amor e fidelidade. Choramos convosco, ó Rainha dos mártires, na esperança de ter a felicidade de um dia nos alegrar convosco no céu.

 Amém!

Extraído de: Diretório sobre Piedade Popular e Liturgia – Congreg. para o

Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos – Ed. Paulinas)

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