06 – Os Anjos

O anjo anunciou a maria “Criar” significa “fazer do nada”. Falando com propriedade, só Deus, cujo poder é infinito, pode criar. Quando Deus cria, não necessita de materiais ou utensílios para poder trabalhar. Simplesmente, quer que alguma coisa seja, e é.

A vontade criadora de Deus não só chamou todas as coisas à existência, como as mantêm nela. Se Deus retirasse o sustentáculo da sua vontade a qualquer criatura, esta deixaria de existir naquele mesmo instante, voltaria ao nada do qual saiu.

As primeiras obras da criação divina que conhecemos são os anjos: um anjo é um espírito, quer dizer, um ser com inteligência e vontade, mas sem corpo, sem dependência alguma da matéria. A alma humana também é um espírito, mas nunca será anjo, porque foi feita para estar unida a um corpo físico. Uma pessoa humana, composta de alma e corpo, será incompleta sem o corpo mas um anjo sem corpo é uma pessoa completa, muito superior ao ser humano.

A Sagrada Escritura enumera a seguinte ordem de criaturas celestiais: anjos, arcanjos, principados, potestades, virtudes, dominações, tronos, querubins, e os serafins. É muito possível que um arcanjo esteja a tanta distância de um anjo, em perfeição, como este de um homem.

Pouco sabemos sobre anjos, sobre sua natureza intima ou os graus de distinção que há entre eles. Nem sequer sabemos quantos são, mesmo que a Bíblia indique que seu número é muito grande. “Milhares de milhares O servem e mil milhões mais estão distante dEle”, diz o livro de Daniel (7,10).

Só nos foram dados a conhecer os nomes de três anjos: Gabriel (Fortaleza de Deus), Miguel (Quem como Deus?) e Rafael (Remédio de Deus). Se pouco sabemos a respeito dos anjos, lembramo‑nos que estes espíritos puros levam irresistivelmente a nossa atenção para a suprema Majestade de Deus, cuja perfeição é incomensuravelmente à do mais excelso dos serafins.

Quando Deus criou os anjos, dotou cada um de uma vontade que o faz supremamente livre. Sabemos que o preço do céu é amar a Deus. Por um ato de amor a Deus, um espírito, seja anjo ou alma humana, fica habilitado a ir para o céu. E este amor tem que ser provado pelo único modo com que o amor pode ser provado: pela livre e voluntária submissão da vontade Criada a Deus, por aquilo a que chamamos comumente um “ato de obediência” ou um “ato de lealdade”.

Deus fez os anjos com livre arbítrio para que fossem capazes de fazer o seu ato de amor a Deus, de escolher Deus. Só depois é que o veriam face a face; só então poderiam entrar nessa união eterna com Deus que chamamos “céu”.

Deus não nos deu a conhecer a espécie de prova a que submeteu os anjos. Muitos teólogos pensam que Ele deu aos anjos uma visão prévia de Jesus Cristo, o Redentor da raça humana, e lhes mandou que o adorassem. Segundo esta teoria, alguns anjos se teriam rebelado ante a perspectiva de terem que adorar Deus encarnado. Conscientes da sua própria magnificência espiritual, não quiseram fazer o ato de submissão que a adoração a Jesus Cristo lhes pedia. Sob a chefia de um dos anjos dotados, Lúcifer (Portador da Luz), o pecado do orgulho afastou de Deus muitos anjos, e o terrível grito “não servirei”, percorreu os céus. E assim começou o inferno.

Segundo Dom Estevão Bettencourt, os textos de Jo 6 e 2 Pd 2,4 parecem referir-se não à queda dos anjos no começo de sua história, mas uma tradição dos rabinos, que a seu modo interpretavam Cm 6,1s.

O inferno é, essencialmente, a separação de Deus de um espírito. Mais tarde, quando a raça humana pecou na pessoa de Adão, Deus daria ao gênero humano uma segunda oportunidade. Mas não houve segunda oportunidade para os anjos rebeldes. Dados à perfeita clareza da sua mente angélica e à desimpedida liberdade da sua vontade angélica, nem a infinita misericórdia de Deus podia encontrar desculpa para o pecado dos anjos. Compreenderam (num grau a que Adão jamais poderia chegar) quais seriam as conseqüências do seu pecado. Neles não houve “tentação” no sentido em que ordinariamente entendemos a palavra. Seu pecado foi o que poderíamos chamar de pecado “a sangue frio”. Por terem rejeitado Deus, deliberada e plenamente, suas vontades permaneceram fixas contra Deus, fixas para sempre. Neles não é possível o arrependimento, eles não querem arrepender-se. Fizeram a sua escolha por toda a eternidade. Neles arde um ódio perpétuo contra Deus e contra todas as suas obras.

Não sabemos quantos anjos pecaram. Pela referências da Sagrada Escritura, inferimos que os anjos caídos (os demônios) são numerosos. Mas o mais provável é que a maioria das hostes celestiais tenha permanecido fiel a Deus.

Freqüentemente chama-se “Satanás” ao demônio. É uma palavra hebraica que significa “adversário”. Os diabos são os adversários, os inimigos dos homens. Em seu ódio inextinguível a Deus, é natural que odeiem também a sua criatura, o homem. Seu ódio torna-se ainda mais compreensível à luz da crença de que Deus criou os homens precisamente para substituir os anjos que pecaram, para preencher o vazio que deixaram com sua deserção.

Ao pecarem, os anjos rebeldes não perderam nenhum dos seus dons naturais. O diabo possui uma acuidade intelectual e um poder sobre a natureza impróprios dos meros seres humanos. Todo o seu poder concentra-se agora em afastar do céu as almas a ele destinadas. Os esforços do diabo encaminham-se agora incansavelmente no sentido de arrastar o homem ao seu mesmo caminho de rebelião contra Deus. Em conseqüência, dizemos que os diabos nos tentam ao pecado.

Não conhecemos o limite exato do seu poder. Ignoramos até que ponto podem influir sobre a natureza humana, até que ponto podem induzir-nos à tentação mas sabemos que o diabo nunca poderá forçar-nos a pecar. Não pode destruir a nossa liberdade de escolha. Não pode, por assim dizer, forçar-nos a um “sim”, quando realmente queremos dizer “não”. Mas é um adversário a quem é muito saudável temer.

A ATIVIDADE DOS ANJOS MAUS

Quanto aos anjos maus, Deus lhes concede a autoridade de tentar os homens (Cf. Lc 22, 31; Ap 12,12; Gn 3,1-5, etc) para que se fortaleça a virtude dos bons. Satanás não é todo-poderoso. São Paulo nos diz que Deus não permite que sejamos tentados acima das nossas forças, mas, com a tentação, nos dá os meios de sair dela vitoriosos (Cf 1Cor 10,13).

Além das tentações, a Bíblia menciona a possessão diabólica. Esta é um estado em que o demônio se serve do corpo da pessoa, falando por este e movendo-o à blasfêmia e a atitudes convulsivas, sem que o possesso consiga resistir-lhe; a vontade, porém, do possesso fica isenta de pecado. Pergunta-se: é impossível tal estado de coisas?

Distinguimos. Os Evangelhos nos dizem que Jesus encontrou possessos e os exorcizou, confirmando em todos os observadores a impressão de que existe possessão diabólica. Ora, se não havia possessão, Jesus não só terá realizado uma farsa teatral, mas terá confirmado os homens no erro; isto, porém, é inaceitável, pois Jesus mesmo declarou: “Para isto nasci e vim ao mundo: para dar testemunho da verdade” (Jo 18,37). Por conseguinte, é de crer que nos tempos de Jesus havia possessos.

Na história da Igreja foram, e são até hoje, apontados casos de possessão diabólica. A Igreja admite a possibilidade de tal fenômeno; por isso tem um ritual de exorcismo. Todavia, os progressos da psicologia e da medicina revelam que muitos dos sintomas outrora atribuídos a ação direta do demônio, não senão efeitos patológicos, nervosos ou parapsicológicos. Em conseqüência, devemos ser sóbrios diante de notícias de possessão diabólica.

A presença dos cultos afro-brasileiros e espíritas entre nós sugere facilmente às pessoas impressionáveis a idéia de que uma doença nervosa, renitente e feia é resultado da possessão diabólica. Quanto mais os pacientes admitem isto, tanto mais se sugestionam, apavoram e prejudicam. Daí a necessidade de esclarecimento do povo de Deus: existe, sim, o demônio, mas a sua ação visa mais a induzir ao pecado do que às doenças ou desgraças físicas. Que o cristão viva santamente, confiando em Deus, e nada terá a temer por parte do Maligno: se Deus está conosco, quem estará contra nós?… (Rm 8,31).

Notamos ainda que não se devem identificar os exus e orixás das religiões afro-brasileiras com os anjos maus. Este são meras criaturas de Deus, ao passo que as entidades cultuadas naqueles centros religiosos são tidas como semi deuses.

  ORAÇÃO DO ANJO DA GUARDA

 “Santo anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, guarde, governe e ilumina. Amém.”

O PAPEL DOS ANJOS NO UNIVERSO CRIADOR

Os anjos são seres puramente espirituais, dotados de inteligência, vontade e livre arbítrio, elevados por Deus à ordem sobrenatural, isto é, chamados pela graça a participar na vida de Deus através da visão beatífica. Muitíssimo mais perfeitos que os homens, sua inteligência é inerente e sua vontade imensamente poderosa. Como não têm dependência nenhuma da matéria, seu conhecimento é consideravelmente mais perfeito que o do o homem; para eles, ver já é conhecer. E conhecer significa compreender a coisa em toda a profundidade de que são capazes, em sua substância, e sem possibilidade de erro.

Por isso, a prova, para eles, teve conseqüência imediata e irremediável. Pois seu querer é absoluto, sem voltar atrás. Aquilo que querem, desejam-no para todo o sempre.

Deus criou os anjos para conhecê-lo, amá-lo, servi-lo e proclamar as suas grandezas, executar suas ordens, governar este universo e cuidar da conservação das espécies e dos indivíduos que ele contém.

Os anjos presidem, na ordem material, ao movimento dos astros, à conservação dos elementos, à realização dos fenômenos naturais, etc. Compartilham entre si a administração deste vasto império. Não há uma criatura visível que não tenha uma potência angélica encarregada de velar  por ela.

Algumas vezes os anjos, quando são enviados por Deus aos homens para alguma missão, utilizam a forma humana, a fim de acomodar-se à nossa natureza. Entretanto, nesses corpos etéreos e ligeiros com os quais em geral aparecem, não estão como a alma humana está no corpo, dando-lhe vida e tornando-o capaz de operações vegetais e animais. Pelo contrário, ali está como um operário em sua máquina, da qual se serve para executar as obras de sua arte. Fora do horário de trabalho, não tem com elas nenhuma ligação.

A MARAVILHOSA CLASSIFICAÇÃO DOS COROS ANGÉLICOS

A distinção dos anjos em nove coros, agrupados em três hierarquias diferentes, embora não conste explicitamente da Revelação, é de crença geral. Essa distinção é feita em relação a Deus, à condução geral do mundo, ou a condução particular dos Estados, das companhias e das pessoas.

Os três coros da primeira hierarquia vêem e glorificam a Deus, como diz a Escritura: “vi o Senhor sentado sobre um alto e elevado trono…Os serafins estavam por cima do trono…E clamavam um para o outro e diziam: Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus dos exércitos” (Is 6,1-3) “O Senhor reina…está sentado sobre querubins” (Sl 98,1)

Os três coros inferiores aos acima enunciados estão relacionados com a conduta geral do universo.

E os três últimos coros dizem respeito à conduta particular dos Estados, das companhias e das pessoas.

 DEVOÇÃO E FIDELIDADE AOS ANJOS

Evidentemente, todas essas maravilhas do mundo angélico deveriam levar-nos a um profundo amor, reverência e gratidão, especialmente para com nosso Anjo da Guarda, evitando tudo aquilo que possa contristá-lo, como são nossos pecados. E deveríamos fazer tudo o que sabemos para alegrar o Anjo da Guarda, pois só assim estamos trabalhando efetivamente para nossa própria santificação e salvação.

A reverência a seu Anjo da Guarda levava Santo Estanislao Kostka, que o via constantemente, a este requinte de delicadeza: quando ambos deviam entrar por uma porta, ele pedia ao Anjo para passar antes. E como este, às vezes, se recusasse, insistia com ele até que cedesse.

Oxalá estes exemplos nos sirvam para reverenciar e acrescer nossa devoção a esses bem-aventurados espíritos angélicos que Deus, em sua misericórdia, concedeu-nos como guardiões, conselheiros, protetores e mensageiros – especialmente valiosos no mundo neopagão em que vivemos – com vistas ã obtenção da vida celeste.

OS NOVE COROS ANGÉLICOS, AGRUPADOS EM TRÊS HIERARQUIAS·

Serafins – do grego “séraph” – abrasar, queimar, consumir. Assistem ante o trono de Deus e é seu privilégio estar unidos a Deus de maneira mais íntima, nos ardores da caridade.

Querubins – do hebreu “Chérub”, que São Jerônimo e Santo Agostinho interpretam como “plenitude de sabedoria e ciência”. Assistem também ante o trono de Deus, e é seu privilégio ver a verdade de um modo superior a todos os outros anjos que estão abaixo deles.

Tronos algumas vezes são chamados “Sedes Dei” (Sedes de Deus). Também assistem ante o trono de deus e é sua missão assistir os anjos inferiores na proporção necessária.

Dominações – são assim chamados porque dominam sobre todas as ordens angélicas encarregadas de escutar a vontade de Deus. Distribuem aos anjos inferiores suas funções e seus ministérios.

Potestades – ou “condutores da ordem sagrada, executam as grandes ações que tocam no governo universal do mundo e da igreja, operando para isso prodígios e milagres extraordinários.

Virtudes – cujo nome significa “força”, são encarregados de tirar os obstáculos que se opõem ao cumprimento das ordens de Deus, afastando os anjos maus que assediam as nações para desviá-las de seu fim, e mantendo assim as criaturas e a ordem da Divina Providência.

Principados – Como seu nome indica, estão revestidos de uma autoridade especial: são os que presidem os reinos, às províncias extensa e universalmente.

Arcanjos – são enviados por Deus em missões de maior importância junto aos homens.

Anjos – os que têm a guarda de cada homem em particular, para desviar do mal e o encaminhar ao bem, defendê-lo contra seu inimigos visíveis e conduzi-lo ao caminho da salvação. Velam por sua vida espiritual e corporal e, a cada instante, comunicam-lhe as luzes, forças e graças que necessitam.

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