16 – Inserção na comunidade igreja

Inserção

1 Ts 4, 3 – “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação”.

O Senhor quer construir uma Igreja Santa. E nesta construção somos peças importantes e imprescindíveis. Deus é o “Arquiteto”, entretanto somos o terreno onde serão lançados os fundamentos desta construção. (cf. l Cor 3, 9).

Esta Igreja é uma construção com pedras vivas, todas especiais e importantes valiosíssimas no Plano de Deus. Somos as pedras desta construção – pedras vivas (cf. l Pd 2, 4-5).

Somos pedras, umas diferentes das outras, e que na individualidade, construímos a unidade. Somos pedras preciosas aos olhos de Deus, sendo que todas reunidas e unidas pelo cimento que é o amor, derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, mantém toda a harmonia.

As pedras isoladas poderiam desabar e não formariam uma construção, é necessário que estejam intimamente ligadas, fortemente unidas, cada uma em sua função, exercendo um papel.

Como integrantes, importantes desta construção, estaremos contribuindo, “no momento em que, integrados nesta Nova Vida, passamos a vivê-la com toda a intensidade, procurando desenvolver critérios evangélicos, levando ao homem a mensagem da Boa Nova na qual ele é liberto e salvo, sendo restaurado, na pessoa humana, toda a sua dignidade”.

Cristo é o centro desta construção, seu alicerce e fundamento. Entretanto contribuímos dentro de nossa própria vocação fiel ao Senhor, nesta construção, comprometidos na edificação deste Reino de Amor, Paz e Justiça, em sua dimensão temporal.

A cada passo que damos nesta construção fica implantando o Reino de Deus, pois é um processo dinâmico.

Temos consciência de que a transformação das estruturas é uma expressão externa da conversão interior. E esta começa por nós mesmos.

Como fruto desta conversão buscamos de uma maneira bastante sólida e visível, a inter-uniào com os irmãos, pedras preciosas nesta construção.

O Plano de Deus é de salvar os homens. Encontramos nas pregações de Jesus, seus Apóstolos e Discípulos, o sentido de coletividade: Reino, Povo, Muitos, Assembléia, Corpo, Filhos, são expressões que nos dão a idéia clara de que Deus chama homens, que mesmo na diversidade de talen-

tos e carismas buscam a unidade.

A saúde deste corpo e a integridade deste Reino, está na partilha e no comprometimento:

  • na comunhão, com todos os irmãos Jo 13, 35;1 Jo 4, 20.
  • na participação em todas as áreas da vida Mt 20, 27.

Portanto, esta dimensão a que somos chamados a viver, no contexto da VIDA NOVA, que nos foi anunciada por Jesus, em sua plenitude, só pode ser evidenciada na realidade temporal a que o homem está envolvido, é no dia-a-dia, nas realidades desta vida que somos chamados a exercer nossa vocação, a de cristãos, filhos amados do Pai Celeste. Portanto, “onde quer que vivam pelo exemplo da vida e pelo testemunho da palavra, devem todos os cristãos manifestar o novo homem que no batisltio vestiratn, e a virtude do Espírito Santo que os revigorou pela confirniação. Assim os outros vendo suas boas obras, glorificarão ao Pai e mais perfeitamente compreenderão o autêntico sentido da vida e o vínculo da comunhão humana” (Ad Gentes 11).

Assim sendo, o Espírito de Deus convoca e reúne seu povo para vier em comunidade. Nestas comunidades, conforme o dom de Deus, cada um desenvolve seu carisma específico e desempenha sua missão a serviço do Corpo e da Missão da Igreja no mundo.

A ação do Espírito de Deus é missionária, impulsiona a Igreja à Ação Evangelizadora, esta é a própria missão da Igreja, assim é que o Povo de Deus é impulsionado pelo Espírito Santo a aprofundar o conhecimento e a vivência da própria fé, através do confronto da Palavra de Deus, com as situações da vida e com a própria história.

Observa-se, nestas comunidades, uma vida intensa de oração. São comunidades orantes, não só oração pessoal dos membros, mas também a oração comunitária.

Nestas comunidades, os elementos participam do trabalho apostólico. No interior das comunidades, a ação do Senhor é intensa, pois existe compromisso entre os membros.

Homens e mulheres com verdadeiro espírito apostólico, movidos pelo Espírito Santo, à maneira daqueles homens e senhoras que ajudaram a Paulo no Evangelho (cf At 18,18-26 e Rm 16, 3), suprem o que falta a seus irmãos e reerguem o ânimo tanto dos pastores quanto do restante do povo fiel. Eles, nutridos pela participação ativa na vida litúrgica e comunitária, tomam parte de maneira solícita nas suas obras apostólicas; trazem para a Igreja os homens que porventura dela se encontram afastados, colaboram intensamente na transmissão da Palavra de Deus, em especial pela obra da catequese; pondo à disposição sua competência, tornam mais eficaz a cura das almas e a administração dos bens da Igreja.

Essas comunidades, apresentam um conjunto de elementos e condições que as tornam verdadeiras comunidades cristãs evangelizadas e evangelizadoras. Essas comunidades são lugares de louvores a Deus de grande crescimento espiritual, de testemunho e compromisso.

Existem vários tipos de comunidades cristãs, porém destacaremos duas:

a)    Família (Igreja doméstica)

b)    Paróquia (Igreja particular)

17.1. FAMÍLIA (IGREJA DOMÉSTICA)

O homem da Amërica Latina tem em alta estima os valores da família e tem procurado com ânsia, em face da frieza crescente do mundo moderno, a maneira de salvá-la.

Esta Igreja que o Senhor está construindo com pedras vivas, tem seu início em nossa própria casa. E na família que o homem vive sua vocação fraterna, é nessa pequena comunidade que o homem experimenta o desígnio salvífico do Senhor.

Assim é que o casal santificado pelo sacramento do matrimônio é um testemunho da presença pascal do Senhor.

A família cristã cultiva o espírito de amor e serviço.

Na vida de famflia, quatro relações fundamen,tais encontram seu pleno desenvolvimento:

1.    – Paternidade-Maternidade

2.    – Filiação

3.    – Fraternidade

4.    – Nupcialidade

A) Paternidade – Maternidade

Quando um homem e uma mulher optam pela vida matrimonial e desta união brotam os filhos, estes receberão a primeira experiência de Deus, através de seu pai e de sua mãe. Somos pais e mães responsáveis pela apresentação de Deus aos nossos filhos, pois é a família o primeiro centro de Evangelização.

Um sadio ambiente de união de famílias é lugar ímpar de se nutrirem e se fortalecerem física e mentalmente os filhos em seus primeiros anos. Ali, os pais são mestres, catequistas e os primeiros ministros da oração e do culto a Deus.

Renova-se a imagem de Nazaré:

– Lc 2, 52       -C13,20       – Ef 6, 1-3

Um pai e uma mãe devem ser canais da ação e presença de Deus para seus filhos. Só assim, poderemos ir formando em nosso lar o primeiro rosto, a primeira face de Deus: a face paternal-maternal. E como é um processo, poderemos dizer, a face de paternidade-maternidade é vida – Ef 6, 4.

B) Filiação

Em cada filho presente no lar, os pais devem ver a face de Jesus Cristo, o Filho amado, que se fez pequeno, recém-nascido e frágil, que chamava Maria de mamãe e José de papai com todo o amor de seu coração.

Esse filho que se fez homem para que nós pudéssemos sentir o amor do Pai; que se fez homem para que também nós pudéssemos participar, com Ele, da filiação de Deus.

Para aprender a ser filhos de Deus, devemos aprender a ser filhos de uma família cristã.

A estabilidade nas relações entre pais e filhos é contagiante.

C) Fratemidade

Existe uma terceira face de Deus dentro da família. O amor aos irmãos. Hoje vivemos um mundo com tensões entre os irmãos, estes não mais se conhecem. Sempre que existe o pecado, repete-se o drama de Caim, que luta contra Abel e o mata. Isto é o que o mundo faz em cada lar, hoje em dia. A luta entre irmãos é o que o mundo fomenta e entusiasma, com seus critérios anti-evangélicos.

Não podemos pretender um Reino, uma sociedade justa e de amor, se a célula da sociedade, que é a família, estiver construída no pecado, no desamor e na injustiça. Só se constrói uma família com a ação do Espírito Santo.

Devemos, na família, partir o Pão da Palavra de Deus, os pais devem ler diariamente para os filhos a Sagrada Escritura (Bíblia).

O lar deve ser um lugar de oração, um pequeno santuário, o primeiro santuário da família cristã.

A vida em família deve ser celebrada diariamente, a cada momento, e é na Eucaristia que a família encontra sua plenitude de comunhão e participação.

Este amor e unidade dos pais para com os filhos, dos irmãos entre si, dos esposos deve ser como fogo a brilhar e esquentar aqueles que estão nas trevas ou vivendo o frio do mundo de hoje. Levando as pessoas a sentirem e perceberem essa ação do Espírito Santo de Amor de Deus que congrega a todos para esta vocação, filhos de Deus e irmãos entre si.

D) Nupcialidade

É a quarta face de Deus expressa e presente em um lar.

Como os pais são o sinal para os filhos, os filhos são a expressão e o sinal do amor de Deus para seus pais; são os esposos a expressão e o sinal do amor de Jesus pela sua Igreja, o sinal da aliança de Deus com o seu Povo.

O documento de I’uebla nos fala que “A lei do amor conjugal é comunhão e participação,,não dominação”, portanto, há identificação de pessoas. E nesse espírito de comunhão que nasce a família e estrutura-se o lar.

É no convívio diário, na realidade de cada um e na realidade concreta do dia-a-dia, que o Senhor nos dá a possibilidade de santificação mútua.

Tanto o esposo como a esposa deverão um dia chegar ao Pai e em sua presença apresentar o outro e dizer: Pai, a Ti entrego quem me confiaste, aí está, puro (a), santo (a), imaculado (a), sem rugas e manchas, santifiquei-o (a) cada momento de nossa vida em comum.

– Ef 5, 22 28    -lPd3,17

Por isso, os esposos devem ser uma imagem viva do Senhor, um para o outro, em todos os momentos concretos de suas existências.

17.2. PARÓQUIA (IGREJA PARTICULAR)

A Igreja, ou seja, assembléia de crentes, representa a comunidade do Senhor. A palavra que hoje nós conhecemos como Igreja, é traduzida em hebraico Kahal e que queria dizer “da assembléia convocada por Deus para prestar-lhe culto”. A palavra Kahal por sua vez, foi traduzida para o grego Eklesia, que se traduziu para Igreja.

Além da família cristã que é o primeiro centro de evangelização, o homem vive sua vocação fraterna no seio da Igreja particular, dentro da qual é preciso considerar as paróquias, as CEB’S e outros grupos eclesiais.

“A Igreja é o povo de Deus que expressa sua vida de comunhão e de serviço evangelizador em níveis diversos e através de diferentes formas históricas.”

Diocese. – É a porção do Povo de Deus presidida por um Bispo, que é dotado de forma plena e sacramental, do tríplice ministério de Cristo Pastor: cabeça do Corpo Místico, sacerdote e profeta. Em cada Igreja particular, o Bispo é princípio e fundamento visível de sua unidade.

Cada Bispo, através de sua comunhão com o presbitério e de maneira especial com o Papa, garante a fidelidade do Evangelho e realiza a comunhão com a Igreja Universal, promove a colaboração de seus padres e o desenvolvimento do povo de Deus entregue aos seus cuidados.

O Bispo tem a responsabilidade de discernir os carismas e fomentar os ministérios indispensáveis para que a Diocese tenha o seu amadurecimento, como comunidade evangelizada e evangelizadora, sendo sal, luz e fermento, sacramento de unidade e libertação, animada pelo espírito missionário, que a torna irradiante da riqueza evangélica.

Paróquia. – A Paróquia acompanha as pessoas e as famílias na educação e crescimento de sua fé. E centro de coordenação e animação de comunidades, de grupos e movimentos. A celebração da Eucaristia e dos sacramentos tornam presentes a globalidade da missão da Igreja.

O Bispo confia o trabalho pastoral ao seu representante, normalmente o pároco. A paróquia vem a ser, para o cristão, o lugar do encontro, da fraterna comunicação de pessoas e bens.

Na Paróquia assume-se de fato, uma série de serviços que não estão ao alcance de comunidades menores, dos quais passamos a enumerar alguns:

a)    Ministério da Eucaristia, Batismo, Crisma;

b)    Cursos: – li Eucaristia (Catequese para adultos, jovens e crianças), Noivos, Dízimo, Enfermos;

c)    Pastoral:Juventude,Consolo,Família,Social,Saúde,etc.;

d)    CEB’S

e)    Conselho Paroquial

f)      Arrumação do Templo

g)    Liturgia

h)    Cursos Bíblicos, etc.

i)      Escolas de Forrnação

Em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos são testemunhas da mensagem evangélica, mediante a palavra e o exemplo de vida cristã. Assim sendo, são chamados a cooperar com o Bispo e os padres nos diversos serviços da Igreja.

Um dos sinais mais claros do fruto autêntico de uma verdadeira Evangelização é o reconhecimento e a docilidade ao Espírito de Deus e aos Pastores colocados por Ele mesmo para apascentar a Igreja.

Toda pessoa que tenha renovado sua vida cristã e que seja conduzida pelo Espírito Santo terá como fruto sua efetiva participação e cooperação como membro, força ativa e transformadora na paróquia, tornando-se co-responsável na renovação da Igreja e na expansão do Evangelho.

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