15 – Amor aos Irmãos

amor aos irmãosEspiritualidade da Evangelização Fundamental

16.1. O AMOR, DOM DO ESPÍRITO

O Amor de Deus, derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, implica o amor ao próximo. Relembrando o primeiro mandamento, Jesus acrescenta imediatamente: “O segundo ésemelhante a esse: Amarás teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22, 39-40). E São Paulo diz que a caridade é o pleno cumprimento da Lei Rm 13, 8-10; Gl 5,13-14.

O amor ao próximo não conhece limites. Estende-se aos inimigos e aos perseguidores. Imagem da perfeição do Pai, a perfeição à qual deve tender o discípulo, reside na misericórdia Mt 5, 43-48; Lc 6, 27-38. A parábola do Bom Samaritano demonstra que o amor cheio de compaixão, que se põe a serviço do próximo, destrói os preconceitos que sublevam os grupos étnicos ou sociais uns contra os outros (cf. Lc 10, 25-37). Todos os textos do Novo Testamento apresentam, com uma riqueza inesgotável, todos os sentimentos de que é portador o amor cristão pelo próximo.

16.2. O AMOR DO PRÓXIMO

O amor cristão gratuito e universal, recebe a sua natureza do amor de Cristo que deu a sua vida por nós. “Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros” (fo 13, 34 35). Tal é o mandamento novo para os discípulos.

A luz deste mandamento, S. Tiago lembra severamente aos ricos os seus deveres (cf. Tg 5,14), e S. João afirma que quem possui riquezas deste mundo e fecha seu coração a seu irmão que passa necessidade, não pode ter o amor de Deus vivendo nele. (cf. l Jo 3,17). O amor do irmão é a pedra de toque do amor de Deus. Quem não ama seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus a quem não vê (cf. l Jo 4, 20). São Paulo sublinha, com energia, o laço existente entre a participação no sacramento do Corpo e Sangue de Cristo e a partilha com o irmão que se encontra em necessidade. (cf. l Cor11,17-34).

16.3. O MUNDO À NOSSA VOLTA CLAMA POR AMOR

O mundo está frio. Lutas internas. Bombas atômicas. A caridade está,morrendo. A caridade é o Amor. O Amor é uma Pessoa. E Deus vivendo em nós e por nós. A caridade pode ressuscitar nos oorações dos homens, se começarmos a amar. O medo que passou a morar neste mundo pode ser substituído pela confiança mútua. Sou eu, porventura, o guarda 40 meu irmão? Somos responsáveis pelos nossos irmãos. E um mandamento. Quem passa por uma real experiência do amor de Deus Pai, não pode fechar seu coração ao amor do irmão. Um é decorrência do outro.

16.4. EXORTAÇÃO DO DOCUMENTO CONCILIAR

As alegrias, as esperanças, as dores e ansiedades dos homens desta época, sobretudo dos que são pobres e angustiados, são também as alegrias e esperanças, dores e ansiedades dos seguidores de Cristo.

16.5. URGE UMA CONVERSÃO NOSSA

De católicos a cristãos. Temos que amar com o Coração de Cristo. Precisamos de um confronto pessoal com Deus. Todo o sentido, toda a essência do Concilio Vaticano II é uma exigência dç conversão, de cada cristão, para o Evangelho de Cristo. E isto que o cristão pode dar a este mundo doente que nos rodeia Em vez de pregar sobre o amor, tenhamos atos concretos de amor. O mundo tem sede de Deus, de amor.

16.6. COMO SE PROCESSA ESTA CONVERSÃO?

Antes de tudo, só poderemos reconhecer Jesus no irmão, se d’Ele tivermos um conhecimento profundo, na oração, na vida de intimidade com Ele. Na medida em que nos deixarmos transformar por Ele, através de uma “vida” – Reflexão sobre o irmão, sobre a realidade em que ele se encontra à luz do Evangelho. Portanto, além do conhecimento da Palavra, conhecimento e abertura à realidade.

Gestos concretos de amor: não façamos perguntas acerca de teto ou moradia, mas simplesmente decidamo-nos a partilhar com aqueles que nada possuem ou com aqueles que têm maiores necessidades. Que predomine o “nosso” em vez do “meu”, do “eu”. Não vejamos em nosso irmão

um competidor, mas alguém que espera nossa mão estendida, para sair de sua extrema solidão. Vejamos, no irmão, a Face do mesmo Cristo. Isto exigirá de nós, despojamento, morte, renúncia. Exigirá uma opção profunda e radical pelo Evangelho. Não é necessário comentar muito. Basta que tomemos os textos do Novo Testamento citados nesta reflexão e procuremos vivê-los no dia a dia, guiados pelo Espírito de Deus. Porque só o Espírito Santo apontará o nosso pecado, dar-nos-á forças para um esvaziamento pessoal, e nos dará o Coração de Cristo.

16.7. INTEGRAÇÃO EM COMUNIDADES DE AMOR

O Concflio, os Documentos Conciliares nos pedem uma profunda reforma de estruturas. Conseguiremos a transformação da sociedade e reforma de estruturas sociais, através de comunidades de amor.

Antes de tudo, cada cristão deve tornar-se membro da Comunidade de Amor por excelência: A “Trindade”, integrando esta união em sua própria vida diária. Daí, ele passará a formar uma comunidade de amor com cada pessoa que encontra. As outras pessoas do mundo são estranhas para nós. Mas o que é um estranho? Apenas um amigo que ainda não encontrei. A amizade é fruto do amor.

Assim este amor, através da metanóia, por nós atingirá a família, a sociedade. O segredo de se tornar uma “comunidade” está no total envolvimento com o outro, juntamente com um completo esvaziamento de si mesmo, de modo que cada um possa dizer “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”. Aí sim, a Comunidade cristã começa a existir. Os membros de comunidades leigas ou religiosas que assumem este ideal, devem se transformar em servos uns  dos outros, em virtude de um profundo amor. A função da autoridade seria a de servos humildes de Javé, pessoas de bacia e toalha na mão. A autoridade deve ser a serva de todos, deixando se crucificar livremente pela salvação dos outros. Os membros da comunidade que funcione à luz deste ideal, devem, pois, distinguir-se pelo serviço e amor aos irmãos, com todas as suas atenções, sentimentos e idéias, convergindo para uma única coisa eles já não são muitos, mas apenas um no Senhor. Seja meu irmão preto ou branco, amarelo, doente ou cheio de saúde, bonito ou feio, moço ou velho. Cristo é o vínculo que une a todos. Nós nos tornamos um em Cristo. Todos os dias, peçamos que o Amor de Deus seja derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado para que a partir de nossa transformação pessoal, a família e a sociedade sejam transformadas. E o Reino de Cristo comece a se instaurar já, aqui e agora.

Citações bflJlicas: Mt 22, 36-40; Mt 25, 31-46; Jo 13,1-17; Jo 15,12-17; At 2, 42-47; Rm 12, 9-21; Rm 15,1-13; 1 Cor 13,1-13; 1 Jo 4, 7-21.

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