03 – CIC

CatecismoO Catecismo da Igreja Católica começa justamente colocando o homem dentro do contexto de que é preciso mergulhar no conhecimento de Deus, quando diz que “a vida do homem é conhecer e amar a Deus” (Prólogo). Voltar a atenção para Deus, conhecendo-O, para poder amá-lO, pois não é possível amar, sem conhecer. É necessário estudar aquilo que Ele revelou. Daí se percebe a importância da catequese, da transmissão da fé ao longo da História da Igreja.

“A catequese é uma educação da fé das crianças, dos jovens e dos adultos, a qual compreende especialmente um ensino da doutrina cristã, dado em geral de maneira orgânica e sistemática, com o fim de os iniciar na plenitude da vida cristã.” (CIC 04)

Portanto, antes de ensinar a fé às crianças, jovens e adultos é preciso que o catequista já esteja inserido na plenitude da vida cristã, o que abrange não só as Sagradas Escrituras, mas toda a doutrina, o conteúdo da fé.

O Catecismo é formado por quatro partes distintas, montadas sobre quatro textos basilares. O primeiro é sobre a profissão de fé, ou seja, o que é necessário crer para ser católico. É a chamada fides quae, a fé enquanto conteúdo. A segunda parte é sobre os sacramentos de fé. A Palavra se faz carne, portanto, apresenta sinais de Deus que se irrompe. Na terceira parte, ensina como saber viver a fé, amar a Deus de forma concreta amando também os irmãos e cumprindo os mandamentos. E, por fim, a oração na vida da fé, representada pela explicação do Pai Nosso.

Em resumo, Deus ama os homens primeiro, dando-lhes a sua graça. Depois se mostra a eles de forma concreta, eficaz, por meio dos sinais. A resposta do homem ao amor de Deus é a parte moral, pela obediência aos mandamentos. Por último, o voltar-se para Deus na oração, na adoração e na entrega. É um mecanismo: Deus vem por isso o homem vai.

Estudar o Catecismo da Igreja Católica é atender a um desejo do Papa, doce Vigário de Cristo na terra, para que sabemos oferecer a todo homem que nos pergunte a razão de nossa esperança e queira conhecer aquilo que a Igreja Católica Crê.

É de fundamental importância neste momento,  a Utilização da Bíblia somente para consulta, ficando para uma etapa posterior sua utilização para fins de estudo e interpretação.

PRIMEIROS PASSOS PARA LOCALIZAR-SE NA BÍBLIA

COMO PROCURAR E ENCONTRAR UMA CITAÇÃO BÍBLICA

Assim, quando quisermos citar a Primeira Epístola aos Tessalonicenses, basta escrever 1Ts

A seguir, informamos o capítulo. Assim, 1Ts 2 significa Primeira Epístola aos Tessalonicenses, capítulo dois.

Para fazermos citações mais completas, usamos alguns sinais de pontuação: 
A vírgula separa os versículos do capítulo.

Ex.: Mt 16,18 significa Evangelho segundo Mateus, capítulo 16, versículo 18. 

O hifen apresenta uma seqüência de capítulos ou versículos.

Ex.: At 1-2 significa Atos dos Apóstolos, capítulos 1 e 2 (integrais). 

Ex 15,2-5 significa Livro do Êxodo, capítulo 15, versículos 2 à 5. 

O ponto apresenta capítulos e/ou versículos citados isoladamente.

1Cr 1.3 significa Primeiro Livro das Crônicas, capítulos 1 e 3. 

Is 32,1.4.6 significa Livro do Profeta Isaías, capítulo 32, versículos 1, 4 e 6.

O ponto e vírgula dispõe capítulos e versículos isolados, mas pertencentes ao mesmo livro.

Ex.: Jo 3,23-25; 6,1-4 significa Evangelho segundo João, capítulo 3, versículos de 23 à 25 e capítulo 6, versículos de 1 à 4. 

Algumas Bíblias podem usar “s” e “ss” a seguir do número do capítulo e/ou versículo.

“s” significa seguinte e “ss”, seguintes. São usados para simplificar – ainda mais – a citação, respectivamente, de dois ou três capítulos e/ou versículos.

Ex.: Rm 2,5s significa Epístola aos Romanos, capítulo 2, versículos 5 e 6 (isto é, o versículo 5 e o seguinte).

Ap 6,7ss significa Livro do Apocalipse, capítulo 6, versículos de 7 à 9 (isto é, o versículo 7 e os dois seguintes).

Tg 1s significa Epístola de Tiago, capítulos 1 e 2 (isto é, o capítulo 1 e o seguinte). 

Com todas essas abreviações e sinais podemos montar e citar, de forma bem resumida, qualquer passagem Bíblica.

Ex.: Lv 1,12-15.20; 3,2s; Mc 1,3ss.10; 2Cor 3-5 significa, respectivamente:

– Livro do Levítico, capítulo 1, versículos de 12 à 15 e o versículo 20; no mesmo Livro do Levítico, capítulo 3, versículos 2 e 3. 

– Evangelho segundo Marcos, capítulo 1, versículos de 3 à 5 e o versículo 10.

– Segunda Epístola aos Coríntios, capítulos de 3 à 5. 

ANTIGO TESTAMENTO

PENTATEUCO HISTÓRICOS DIDÁTICOS POÉTICOS PROFÉTICOS SAPIENCIAIS
GénesisÊxodoLevíticoNúmerosDeuteronómio JosuéJuízes1 Samuel2 Samuel1 Reis

2 Reis

1 Crónicas

2 Crónicas

Esdras

Neemias

1 Macabeus

2 Macabeus

RuteTobiasJuditeEster SalmosCânticos dos CântLamentações IsaíasJeremiasBarucEzequielDaniel

Oseias

Joel

Amós

Jonas

Abdias

Miqueias

Naum

Habacuc

Sofonias

Ageu

Zacarias

Malaquias

ProvérbiosJobEclesiastesEclesiásticoSabedoria

  

NOVO TESTAMENTO

EVANGELHOS E ATOS

CARTAS DE PAULO

CARTAS E APOCALIPSE

MateusMarcosLucasJoãoAtos dos Apóstolos Romanos1 Coríntios2 CoríntiosGálatasEfésios

Filipenses

Colossenses

1 Tessalonicenses

2 Tessalonicenses

1 Timóteo

2 Timóteo

Tito

Filémon

Hebreus

S. Tiago1 Pedro2 Pedro1 João2 João

3 João

Judas

Apocalipse

 

A PROFISSÃO DA FÉ “EU CREIO” – “NÓS CREMOS”

QUAL É O DESÍGNIO DE DEUS ACERCA DO HOMEM?

1–25 Deus, infinitamente perfeito e bem-aventurado em si mesmo, num desígnio de pura bondade, criou livremente o homem para torná-lo participante da sua vida bem-aventurada. Na plenitude dos tempos, Deus Pai enviou o seu Filho, como Redentor e Salvador dos homens caídos no pecado, convocando-os à sua Igreja e tornando-os filhos adotivos por obra do Espírito Santo e herdeiros da sua eterna bem-aventurança.

O HOMEM É “CAPAZ”DE DEUS

PORQUE É QUE NO HOMEM EXISTE O DESEJO DE DEUS?

27-30; 44-45 Ao criar o homem à sua imagem, o próprio Deus inscreveu no coração humano o desejo de O ver. Mesmo que, muitas vezes, tal desejo seja ignorado, Deus não cessa de atrair o homem a Si, para que viva e encontre n’Ele aquela plenitude de verdade e de felicidade, que ele procura sem descanso. Por natureza e por vocação, o homem é um ser religioso, capaz de entrar em comunhão com Deus. É este vínculo íntimo e vital com Deus que confere ao homem a sua dignidade fundamental.: «És grande, Senhor, e digno de todo o louvor […].Fizeste-nos para Ti e o nosso coração não descansa enquanto não repousar em Ti» ( S. Agostinho ).

COMO É QUE SE PODE CONHECER DEUS APENAS COM A LUZ DA RAZÃO?

31-36; 46-47 A partir da criação, isto é, do mundo e da pessoa humana, o homem pode, só pela razão, conhecer com certeza a Deus como origem e fim do universo e como sumo bem, verdade e beleza infinita.

BASTA, PORÉM A EXCLUSIVA LUZ DA RAZÃO PARA CONHECER DEUS?

37-38 Ao conhecer Deus só com a luz da razão, o homem experimenta muitas dificuldades. Além disso, não pode entrar só pelas suas próprias forças na intimidade do mistério divino. Por isso é que Deus o quis iluminar com a sua Revelação não apenas sobre verdades que excedem o seu entendimento, mas também sobre verdades religiosas e morais que, apesar de serem por si acessíveis à razão, podem deste modo ser conhecidas por todos, sem dificuldade, com firme certeza e sem mistura de erro.

COMO SE PODE FALAR DE DEUS?

39-43 ; 48-49 É possível falar de Deus a todos e com todos, a partir das perfeições do homem e das outras criaturas, que são um reflexo, embora limitado, da infinita perfeição de Deus. É, porém, necessário purificar continuamente a nossa linguagem de tudo o que ela contém de imaginário e imperfeito, na consciência de que nunca será possível exprimir plenamente o infinito mistério de Deus.

O QUE É QUE DEUS REVELA AO HOMEM?

50-53 ;68-69 Deus revela-se ao homem, na sua bondade e sabedoria. Mediante acontecimentos e palavras, Deus revela-se a Si mesmo e ao seu desígnio de benevolência, que Ele, desde a eternidade, preestabeleceu em Cristo a favor dos homens. Tal desígnio consiste em fazer participar, pela graça do Espírito Santo, todos os homens na vida divina, como seus filhos adotivos no seu único Filho.

QUAIS AS PRIMEIRAS ETAPAS DA REVELAÇÃO DE DEUS?

54-58 ; 70-71 Deus manifesta-se desde o princípio aos nossos primeiros pais, Adão e Eva, e convida-os a uma comunhão íntima com Ele. Após a sua queda, não interrompe a revelação e promete a salvação para toda a sua descendência. Após o dilúvio, estabelece com Noé uma aliança entre Ele e todos os seres vivos.

QUAIS AS ETAPAS SUCESSIVAS DA REVELAÇÃO DE DEUS?

59-64 ; 72 Deus escolhe Abrão chamando-o a deixar a sua terra para fazer dele “o pai duma multidão de povos” (Gn 17,5), e promete abençoar nele “todas as nações da terra” (Gn 12,3). Os descendentes de Abraão serão o povo eleito, os depositários das promessas divinas feitas aos patriarcas. Deus forma Israel como seu povo salvando-o da escravidão do Egito; conclui com ele a Aliança do Sinai, e dá-lhe a sua Lei, por meio de Moisés. Os profetas anunciam uma redenção radical do povo e uma salvação que incluirá todas as nações numa Aliança nova e eterna, que será gravada nos corações. Do povo de Israel, da descendência do rei David, nascerá o Messias: Jesus.

QUAL É A ETAPA PLENA E DEFINITIVA DA REVELAÇÃO DE DEUS?

65-66 ; 73 É aquela realizada no seu Verbo encarnado, Jesus Cristo, mediador e plenitude da Revelação. Sendo o Filho Unigênito de Deus feito homem, Ele é a Palavra perfeita e definitiva do Pai. Com o envio do Filho e o dom do Espírito, a Revelação está, finalmente, completada, ainda que a fé da Igreja deva recolher todo o seu significado ao longo dos séculos. «A partir do momento em que nos deu o Seu Filho, que é a Sua única e definitiva Palavra, Deus disse-nos tudo ao mesmo tempo e duma só vez, e nada mais tem a acrescentar» (S. João da Cruz).

QUAL O VALOR DAS REVELAÇÕES PRIVADAS?

67 Embora não pertençam ao depósito da fé, elas podem ajudar a viver esta mesma fé, desde que mantenham uma estrita orientação para Cristo. O Magistério da Igreja, ao qual compete discernir as revelações privadas, não pode, por isso, aceitar aquelas que pretendem superar ou corrigir a Revelação definitiva que é Cristo.

PORQUE, E COMO DEVE SER TRANSMITIDA A REVELAÇÃO?

74  Deus «quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tm 2,4), isto é, de Jesus Cristo. Por isso, é necessário que Cristo seja anunciado a todos os homens, segundo o seu mandamento: «Ide e ensinai todos os povos» (Mt 28, 19). É o que se realiza com a Tradição Apostólica.

O QUE É A TRADIÇÃO APOSTÓLICA?

75-79, 83 ; 96- 98  A Tradição Apostólica é a transmissão da mensagem de Cristo, realizada desde as origens do cristianismo, mediante a pregação, o testemunho, as instituições, o culto, os escritos inspirados. Os Apóstolos transmitiram aos seus sucessores, os Bispos, e, através deles, a todas as gerações até ao fim dos tempos, tudo o que receberam de Cristo e aprenderam do Espírito Santo.

COMO SE REALIZA A TRADIÇÃO APOSTÓLICA?

76 A Tradição Apostólica realiza-se de duas maneiras: mediante a transmissão viva da Palavra de Deus (chamada também simplesmente a Tradição) e através da Sagrada Escritura que é o próprio anúncio da salvação transmitido por escrito.

QUE RELAÇÃO EXISTE ENTRE A TRADIÇÃO E A SAGRADA ESCRITURA?

80-82 ; 97  A Tradição e a Sagrada Escritura estão intimamente unidas e compenetradas entre si. Com efeito, ambas tornam presente e fecundo na Igreja o mistério de Cristo e provêm da mesma fonte divina: constituem um só sagrado depósito da fé, do qual a Igreja recebe a certeza acerca de todas as coisas reveladas.

A QUEM É CONFIADO O DEPÓSITO DA FÉ?

84, 91 ; 94, 99 O depósito da fé é confiado pelos Apóstolos a toda a Igreja. Todo o povo de Deus, mediante o sentido sobrenatural da fé, conduzido pelo Espírito Santo, e guiado pelo Magistério da Igreja, acolhe a Revelação divina, compreende-a cada vez mais e aplica-a a vida.

A QUEM COMPETE INTERPRETAR AUTENTICAMENTE O DEPÓSITO DA FÉ?

85-90 ; 100  A interpretação autêntica do depósito da fé compete exclusivamente ao Magistério vivo da Igreja, isto é, ao Sucessor de Pedro, o Bispo de Roma, e aos Bispos em comunhão com ele. Ao Magistério, que, no serviço da Palavra de Deus, goza do carisma certo da verdade, compete ainda definir os dogmas, que são formulações das verdades contidas na Revelação divina; tal autoridade estende-se também às verdades necessariamente conexas com a Revelação.

QUE RELAÇÃO EXISTE ENTRE A ESCRITURA, A TRADIÇÃO E O MAGISTÉRIO?

95 De tal maneira estão unidos, que nenhum deles existe sem os outros. Todos juntos contribuem eficazmente, cada um a seu modo, sob a ação do Espírito Santo, para a salvação dos homens.

PORQUE É QUE A SAGRADA ESCRITURA ENSINA A VERDADE?

105-108 ; 135-136 Porque o próprio Deus é o autor da Sagrada Escritura: por isso ela é dita inspirada e ensina sem erro aquelas verdades que são necessárias para a nossa salvação. Com efeito, o Espírito Santo inspirou os autores humanos, os quais escreveram aquilo que Ele nos quis ensinar. No entanto, a fé cristã não é «uma religião do Livro», mas da Palavra de Deus, que não é «uma palavra escrita e muda, mas o Verbo Encarnado e vivo» (S. Bernardo de Claraval).

COMO LER A SAGRADA ESCRITURA?

109-119 ; 137  A Sagrada Escritura deve ser lida e interpretada com a ajuda do Espírito Santo e sob a condução do Magistério da Igreja segundo três critérios: 1) atenção ao conteúdo e à unidade de toda a Escritura; 2) leitura da Escritura na Tradição viva da Igreja; 3) respeito pela analogia da fé, isto é, da coesão entre si das verdades da fé.

O QUE É O CÂNONE DAS ESCRITURAS?

120 ; 138 O Cânone das Escrituras é a lista completa dos escritos sagrados, que a Tradição Apostólica levou a Igreja a discernir. O Cânone compreende 46 escritos do Antigo Testamento e 27 do Novo.

QUE IMPORTÂNCIA TEM O ANTIGO TESTAMENTO PARA OS CRISTÃOS?

121-123 Os cristãos veneram o Antigo Testamento como verdadeira Palavra de Deus: todos os seus escritos são divinamente inspirados e conservam um valor permanente. Eles dão testemunho da divina pedagogia do amor salvífico de Deus. Foram escritos, sobretudo para preparar o advento de Cristo Salvador do universo.

QUE IMPORTÂNCIA TEM O NOVO TESTAMENTO PARA OS CRISTÃOS?

124-127 ; 139 O Novo Testamento, cujo objeto central é Jesus Cristo, entrega-nos a verdade definitiva da Revelação divina. Nele, os quatro Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, enquanto são os principais testemunhos da vida e da doutrina de Jesus, constituem o coração de todas as Escrituras e ocupam um lugar único na Igreja.

QUE UNIDADE EXISTE ENTRE O ANTIGO E O NOVO TESTAMENTO?

128-130 ; 140  A Escritura é una, uma vez que única é a Palavra de Deus, único é o projeto salvífico de Deus, única a inspiração divina dos dois Testamentos. O Antigo Testamento prepara o Novo e o Novo dá cumprimento ao Antigo: os dois iluminam-se mutuamente.

A RESPOSTA DO HOMEM A DEUS

QUAL A FUNÇÃO DA SAGRADA ESCRITURA NA VIDA DA IGREJA?

131-133 ; 141  A Sagrada Escritura dá sustento e vigor à vida da Igreja. É para os seus filhos firmeza da fé, alimento e fonte de vida espiritual. É a alma da teologia e da pregação pastoral. Diz o Salmista: ela é «lâmpada para os meus passos, luz no meu caminho» (Sal 119,105). Por isso, a Igreja exorta à leitura freqüente da Sagrada Escritura, uma vez que «a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo» (S. Jerônimo).

COMO RESPONDE O HOMEM A DEUS QUE SE REVELA?

142-43 Sustentado pela graça divina, o homem responde a Deus com a obediência da fé, que consiste em confiar-se completamente a Deus e acolher a sua Verdade, enquanto garantida por Ele que é a própria Verdade.

NA SAGRADA ESCRITURA, QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS TESTEMUNHOS DE OBEDIÊNCIA DA FÉ?

144-149 Há muitos testemunhos, mas particularmente dois: Abraão, que, colocado à prova, «teve fé em Deus » (Rm 4,3) e obedeceu sempre ao seu chamamento, tornando-se por isso «pai de todos os crentes» (Rm 4,11.18 ); e a Virgem Maria, que realizou de modo mais perfeito, durante toda a sua vida, a obediência da fé: «Fiat mihi secundum Verbum tuum – Faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38).

QUE SIGNIFICA, DE FATO, PARA O HOMEM CRER EM DEUS?

150-152 ; 176-178 Significa aderir ao próprio Deus, entregando-se a Ele e dando assentimento a todas as verdades por Ele reveladas, porque Deus é a verdade. Significa crer num só Deus em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo.

QUAIS AS CARACTERÍSTICAS DA FÉ?

153-165 ; 179-180 ; 183-184 A Fé, dom gratuito de Deus e acessível a quantos a pedem humildemente, é uma virtude sobrenatural necessária para a salvação. O ato de fé é um ato humano, isto é, um ato da inteligência do homem que, sob decisão da vontade movida por Deus, dá livremente o seu assentimento à verdade divina. Além disso, a fé é certa porque fundada sobre a Palavra de Deus; é operante «por meio da caridade» (Gal 5,6); é em contínuo crescimento, graças, em especial, à escuta da Palavra de Deus e à oração. Ela faz-nos saborear, de antemão, a alegria celeste.

PORQUE NÃO HÁ CONTRADIÇÕES ENTRE A FÉ E A CIÊNCIA?

159 Embora a fé supere a razão, não poderá nunca existir contradição entre a fé e a ciência porque ambas têm origem em Deus. É o mesmo Deus que dá ao homem seja a luz da razão seja a luz da fé. «Crê para compreender: compreende para crer» (Santo Agostinho).

A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ – OS SÍMBOLOS DA FÉ

Quem Diz “Creio” Diz “Dou Minha Adesão Àquilo Que Nós Cremos”

A Igreja Recolheu O Essencial Da Sua Fé Em Resumo Orgânicos E Articulados, Sobretudo Aos Candidatos Ao Batismo.

A Primeira Profissão De Fé É Feita Por Ocasião Do Batismo. O Símbolo Da Fé É Inicialmente O Símbolo Batismal, Pois É Dado Em Nome Do Pai, Do Filho E Do Espírito Santo.

A Nossa Exposição Da Fé Seguirá O Símbolo Dos Apóstolos, Que Constitui, Por Assim Dizer, O Mais Antigo Catecismo Romano.

CREIO EM DEUS PAI

O QUE SÃO OS SÍMBOLOS DA FÉ?

185-188 ; 192. 197 São fórmulas articuladas, também chamadas «profissões de fé» ou «Credo», mediante as quais a Igreja, desde as suas origens, exprimiu resumidamente e transmitiu a própria fé, numa linguagem normativa e comum a todos os fiéis.

QUAIS SÃO OS MAIS ANTIGOS SÍMBOLOS DA FÉ?

189-191 São os Símbolos batismais. Porque o Batismo é administrado «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28,19), as verdades de fé neles professadas estão articuladas segundo a sua referência às três Pessoas da Santíssima Trindade.

QUAIS SÃO OS MAIS IMPORTANTES SÍMBOLOS DA FÉ?

193-195 São o Símbolo dos Apóstolos, que é o antigo Símbolo batismal da Igreja de Roma, e o Símbolo niceno-constantinopolitano, fruto dos primeiros dois Concílios Ecumênicos de Nicéia (325) e de Constantinopla (381), e que é, ainda hoje, comum a todas as grandes Igrejas do Oriente e do Ocidente.

PORQUE É QUE A PROFISSÃO DE FÉ COMEÇA COM «CREIO EM DEUS»?

198-199 Porque a afirmação «Creio em Deus» é a mais importante, a fonte das outras verdades respeitantes ao homem, ao mundo e à nossa vida de crentes n’Ele.

PORQUE PROFESSAMOS UM SÓ DEUS?

200-202 ; 228 Porque Ele se revelou ao povo de Israel como o Único, quando disse: «Escuta Israel, o Senhor é um só» (Dt 6,4), «não há outros» (Is 45,22). O próprio Jesus o confirmou: Deus é «o único Senhor» (Mc 12,29). Professar que Jesus e o Espírito Santo, são também eles Deus e Senhor, não introduz nenhuma divisão no Deus Uno.

COM QUE NOME DEUS SE REVELA?

203-205 ; 230-231 Deus revela-se a Moisés como o Deus vivo, «o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacob» (Ex 3,6). Ao mesmo Moisés, Deus revela também o seu nome misterioso: «Eu Sou aquele que Sou (YHWH)». O nome inefável de Deus, já nos tempos do Antigo Testamento, foi substituído pela palavra Senhor. Assim, no Novo Testamento, Jesus, chamado Senhor, aparece como verdadeiro Deus.

SÓ DEUS «É»?

212-213 Enquanto as criaturas receberam d’Ele tudo o que são e têm, só Deus é em si mesmo a plenitude do ser e de toda a perfeição. Ele é «Aquele que é», sem origem e sem fim. Jesus revela que também Ele é portador do nome divino: «Eu sou» (Jo 8, 28).

PORQUE É IMPORTANTE A REVELAÇÃO DO NOME DE DEUS?

206-213 Ao revelar o seu Nome, Deus dá a conhecer as riquezas do seu mistério inefável: só Ele é, desde sempre e para sempre, Aquele que transcende o mundo e a história. Foi Ele que fez o céu e aterra. Ele é o Deus fiel, sempre próximo do seu povo para o salvar. É o Santo por excelência, «rico de misericórdia» (Ef 2,4), sempre pronto a perdoar. É o Ser espiritual, transcendente, onipotente, eterno, pessoal, perfeito. É verdade e amor.«Deus é o ser infinitamente perfeito que é a Santíssima Trindade» (S. Turíbio de Mongrovejo).

EM QUE SENTIDO DEUS É A VERDADE?

214-217 ; 231 Deus é a própria Verdade e como tal não se engana e não pode enganar. Ele «é luz e n’Ele não há trevas» (1 Jo 1,5). O Filho eterno de Deus, Sabedoria encarnada, foi enviado ao mundo «para dar testemunho da Verdade» (Jo 18, 37).

DE QUE MANEIRA DEUS REVELA QUE É AMOR?

218-221 Deus revela-se a Israel como Aquele que tem um amor mais forte que o pai ou a mãe pelos seus filhos ou o esposo pela sua esposa. Ele, em Si mesmo, «é amor» (1 Jo 4,8.16), que se dá completa e gratuitamente, «que tanto amou o mundo que lhe deu o seu próprio Filho unigênito, para que o mundo seja salvo por seu intermédio» (Jo 3,16-17). Enviando o seu Filho e o Espírito Santo, Deus revela que Ele próprio é eterna permuta de amor.

O QUE IMPLICA CRER EM UM SÓ DEUS?

222-227 ; 229 Crer em Deus, o Único, implica: conhecer a sua grandeza e majestade; viver em ação de graças; confiar sempre n’Ele, até nas adversidades; reconhecer a unidade e a verdadeira dignidade de todos os homens, criados à imagem de Deus; usar retamente as coisas por Ele criadas.

QUAL É O MISTÉRIO CENTRAL DA FÉ E DA VIDA CRISTÃ?

232-237 O mistério central da fé e da vida cristã é o mistério da Santíssima Trindade. Os cristãos são batizados no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

O MISTÉRIO DA SANTÍSSIMA TRINDADE PODE SER CONHECIDO SÓ PELA RAZÃO HUMANA?

237 Deus deixou alguns traços do seu ser trinitário na criação e no Antigo Testamento, mas a intimidade do seu Ser como Trindade Santa constitui um mistério inacessível à razão humana sozinha, e mesmo à fé de Israel, antes da Encarnação do Filho de Deus e do envio do Espírito Santo. Tal mistério foi revelado por Jesus Cristo e é a fonte de todos os outros mistérios.

O QUE NOS REVELA JESUS CRISTO SOBRE O MISTÉRIO DO PAI?

240-242 Jesus Cristo revela-nos que Deus é «Pai», não só enquanto é Criador do universo e do homem, mas, sobretudo porque, no seu seio, gera eternamente o Filho, que é o seu Verbo, «resplendor da sua glória, e imagem da sua substância» (Heb1, 3).

QUEM É O ESPÍRITO SANTO QUE JESUS CRISTO NOS REVELOU?

243-248 É a terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Ele é Deus, uno e igual ao Pai e ao Filho. Ele «procede do Pai» (Jo 15, 26), o qual, princípio sem princípio, é a origem de toda a vida trinitária. E procede também do Filho , pelo dom eterno que o Pai faz de Si ao Filho. Enviado pelo Pai e pelo Filho encarnado, o Espírito Santo conduz a Igreja «ao conhecimento da Verdade total» (Jo 16, 13).

COMO É QUE A IGREJA EXPRIME A SUA FÉ TRINITÁRIA?

249-256 ; 266 A Igreja exprime a sua fé trinitária confessando um só Deus em três Pessoas: Pai e Filho e Espírito Santo. As três Pessoas divinas são um só Deus, porque cada uma delas é idêntica à plenitude da única e indivisível natureza divina. Elas são realmente distintas entre si, pelas relações que as referenciam umas às outras: o Pai gera o Filho, o Filho é gerado pelo Pai, o Espírito Santo procede do Pai e do Filho.

COMO OPERAM AS TRÊS PESSOAS DIVINAS?

257-260 ; 267  Inseparáveis na sua única substância, as Pessoas divinas são inseparáveis também no seu operar: a Trindade tem uma só e mesma operação. Mas no único agir divino, cada Pessoa está presente segundo o modo que lhe é próprio na Trindade.«Ó meu Deus, Trindade que eu adoro… pacificai a minha alma; fazei dela o vosso céu, vossa morada querida e o lugar do vosso repouso. Que eu não vos deixe nunca só, mas que esteja lá com todo o meu ser, toda vigilante na minha fé, toda em adoração, toda oferecida à vossa ação criadora» (Beata Isabel da Trindade).

O QUE SIGNIFICA QUE DEUS É ONIPOTENTE?

268-278  Deus revelou-se como «o Forte, o Potente» (Sal 24, 8-10), Aquele para quem «nada é impossível» (Lc 1,37). A sua onipotência é universal, misteriosa, e manifesta-se na criação do mundo a partir do nada e na criação do homem por amor, mas sobretudo na Encarnação e na Ressurreição do Seu Filho, no dom da adoção filial e no perdão dos pecados. Por isso a Igreja dirige a sua oração ao «Deus onipotente e eterno»).

PORQUE É IMPORTANTE AFIRMAR: «NO PRINCÍPIO CRIOU DEUS O CÉU E A TERRA» (GN 1,1)?

279-289 ; 315  Porque a Criação é o fundamento de todos os projetos divinos de salvação; manifesta o amor onipotente e sapiente de Deus; é o primeiro passo para a Aliança do Deus único com o seu povo; é o início da história da salvação que culmina em Cristo; é uma primeira resposta às questões fundamentais do homem acerca da sua própria origem e do seu fim.

QUEM CRIOU O MUNDO?

290-292 ; 316  O Pai, o Filho e o Espírito Santo são o princípio único e indivisível do mundo, ainda que a obra da criação do mundo seja particularmente atribuída ao Pai.

PARA QUE FOI CRIADO O MUNDO?

293-294 ; 319  O mundo foi criado para a glória de Deus, que quis manifestar e comunicar a sua bondade, verdade e beleza. O fim último da criação é que Deus, em Cristo, possa ser «tudo em todos» (1 Cor 15,28), para a sua glória e para a nossa felicidade.«A Glória de Deus é o homem vivo e a vida do homem é a visão de Deus» (Santo Irineu).

COMO É QUE DEUS CRIOU O UNIVERSO?

295-301 ; 317-320  Deus criou o universo livremente, com sabedoria e amor. O mundo não é o produto duma necessidade, dum destino cego ou do acaso. Deus criou «do nada» (2Mac 7,28) um mundo ordenado e bom, que Ele transcende infinitamente. Deus conserva no ser a sua criação e sustenta-a, dando-lhe a capacidade de agir, e conduzindo-a à sua realização, por meio do seu Filho e do Espírito Santo.

EM QUE CONSISTE A PROVIDÊNCIA DIVINA?

302-306 ; 321  A Providência divina consiste nas disposições com as quais Deus conduz as suas criaturas para a perfeição última, à qual Ele as chamou. Deus é o autor soberano do seu desígnio. Mas para a realização do mesmo serve-se também da cooperação das suas criaturas. Ao mesmo tempo, dá às criaturas a dignidade de agirem por si mesmas, de serem causas umas das outras.

COMO É QUE O HOMEM COLABORA COM A PROVIDÊNCIA DIVINA?

307-308; 323 Ao homem, Deus concede e requer, respeitando a sua liberdade, a colaboração através das suas ações, das suas orações e mesmo com os seus sofrimentos, suscitando nele «o querer e o operar segundo os seus benévolos desígnios» (Filp 2,13).

SE DEUS É OMNIPOTENTE E PROVIDENTE PORQUE É QUE EXISTE O MAL?

309-310 ; 324. 400 A esta pergunta, tão dolorosa quanto misteriosa, só o conjunto da fé cristã pode dar resposta. Deus não é de maneira nenhuma, nem diretamente nem indiretamente, a causa do mal. Ele ilumina o mistério do mal no seu Filho Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou para vencer aquele grande mal moral que é o pecado dos homens e que é a raiz dos outros males.

PORQUE É QUE DEUS PERMITE O MAL?

311-314 ; 324  A fé dá-nos a certeza de que Deus não permitiria o mal se do próprio mal não extraísse o bem. Deus realizou admiravelmente isso mesmo na morte e ressurreição de Cristo: com efeito, do maior mal moral, a morte do Seu Filho, Ele retirou os bens maiores, a glorificação de Cristo e a nossa redenção.

O QUE É QUE DEUS CRIOU?

325-327 A Sagrada Escritura diz: «No princípio Deus criou o céu e a terra» (Gn 1,1). A Igreja, na sua profissão de fé, proclama que Deus é o criador de todas as coisas visíveis e invisíveis: de todos os seres espirituais e materiais, isto é, dos anjos e do mundo visível, e em particular do homem.

QUEM SÃO OS ANJOS?

328-333 ; 350-351 Os anjos são criaturas puramente espirituais, incorpóreas, invisíveis e imortais, seres pessoais dotados de inteligência e de vontade. Estes, contemplando incessantemente a Deus face a face, glorificam-no, servem-no e são os seus mensageiros no cumprimento da missão de salvação, em prol de todos os homens.

COMO É QUE OS ANJOS ESTÃO PRESENTES NA VIDA DA IGREJA?

334-336 ; 352  A Igreja une-se aos anjos para adorar a Deus, invoca a sua assistência e celebra liturgicamente a memória de alguns.«Cada fiel tem ao seu lado um anjo como protetor e pastor, para o conduzir à vida» (S. Basílio Magno).

QUE ENSINA A SAGRADA ESCRITURA SOBRE A CRIAÇÃO DO MUNDO VISÍVEL?

337-344  Ao narrar os «seis dias» da criação, a Sagrada Escritura dá-nos a conhecer o valor dos seres criados e a sua finalidade de louvor a Deus e serviço ao homem. Todas as coisas devem a sua existência a Deus, de quem recebem a sua bondade e perfeição, as suas leis e o lugar no universo.

QUAL É O LUGAR DO HOMEM NA CRIAÇÃO?

343-344 ; 353  O homem é o vértice da criação visível, pois é criado à imagem e semelhança de Deus.

QUE TIPO DE RELAÇÃO EXISTE ENTRE AS COISAS CRIADAS?

342 354  Entre as criaturas existe uma interdependência e uma hierarquia queridas por Deus. Ao mesmo tempo, existe uma unidade e solidariedade entre as criaturas, uma vez que todas têm o mesmo Criador, são por Ele amadas e estão ordenadas para a sua glória. Respeitar as leis inscritas na Criação e as relações derivantes da natureza das coisas é portanto um princípio de sabedoria e um fundamento da moral.

QUAL A RELAÇÃO ENTRE A OBRA DA CRIAÇÃO E A DA REDENÇÃO?

345-349  A obra da criação culmina na obra ainda maior da redenção. Com efeito, esta dá início à nova criação, na qual tudo reencontrará o seu pleno sentido e o seu acabamento.

EM QUE SENTIDO O HOMEM É CRIADO «À IMAGEM DE DEUS»?

355-358 Afirmar que o homem é criado à imagem de Deus significa que ele é capaz de conhecer e amar, na liberdade, o próprio Criador. É a única criatura, nesta terra, que Deus quis por si mesma e que chamou a partilhar a sua vida divina, no conhecimento e no amor. Enquanto criado à imagem de Deus, o homem tem a dignidade de pessoa: não é uma coisa mas alguém, capaz de se conhecer a si mesmo, de se dar livremente e de entrar em comunhão com Deus e com as outras pessoas.

PARA QUE FIM DEUS CRIOU O HOMEM?

358-359 381  Deus criou tudo para o homem, mas o homem foi criado para conhecer, servir e amar a Deus, para Lhe oferecer neste mundo toda a criação em ação de graças e para ser elevado à vida com Deus no céu. Só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente o mistério do homem, predestinado a reproduzir a imagem do Filho de Deus feito homem, que é a perfeita «imagem de Deus invisível» (Col 1, 15).

PORQUE É QUE OS HOMENS CONSTITUEM UMA UNIDADE?

360-361 Todos os homens formam a unidade do gênero humano, graças à sua comum origem em Deus. Para além disso, Deus criou «a partir de um só homem todo o gênero humano» (At 17,26). Todos têm também um único Salvador e todos são chamados a partilhar a eterna felicidade de Deus.

COMO É QUE, NO HOMEM, A ALMA E O CORPO FORMAM UMA UNIDADE?

362-356 ; 382 A pessoa humana é um ser ao mesmo tempo corpóreo e espiritual. O espírito e a matéria, no homem, formam uma única natureza. Esta unidade é tão profunda que, graças ao princípio espiritual que é a alma, o corpo, que é material, se torna um corpo humano e vivo e participa na dignidade de imagem de Deus.

QUEM DÁ A ALMA AO SER HUMANO?

366-368 ; 382 A alma espiritual não vem dos pais, mas é criada diretamente por Deus e é imortal. Separando-se do corpo no momento da morte, ela não perece; voltará a unir-se novamente ao corpo, no momento da ressurreição final.

QUE RELAÇÃO DEUS ESTABELECEU ENTRE O HOMEM E A MULHER?

369-373 ; 383  O homem e a mulher foram criados por Deus com uma igual dignidade enquanto pessoas humanas e, ao mesmo tempo, numa complementaridade recíproca enquanto masculino e feminino. Deus quis que fossem um para o outro, para uma comunhão de pessoas. Juntos são também chamados a transmitir a vida humana, formando no matrimônio «uma só carne» (Gn 2, 24), e a dominar a terra como «administradores» de Deus.

QUAL ERA A CONDIÇÃO ORIGINÁRIA DO HOMEM SEGUNDO O PROJETO DE DEUS?

374-379 ; 384 Deus, criando o homem e a mulher, tinha-lhes dado uma participação especial na própria vida divina, em santidade e justiça. Segundo o projeto de Deus, o homem não deveria nem sofrer nem morrer. Além disso, reinava uma harmonia perfeita no próprio ser humano, entre a criatura e o criador, entre o homem e a mulher, bem como entre o primeiro casal humano e toda a criação.

COMO SE COMPREENDE A REALIDADE DO PECADO?

385-389  O pecado está presente na história do homem. Tal realidade só se esclarece plenamente à luz da Revelação divina, e sobretudo à luz de Cristo Salvador universal, que fez superabundar a graça onde abundou o pecado.

O QUE É A QUEDA DOS ANJOS?

391-395 ; 414  Com esta expressão indica-se que Satanás e os outros demônios de que falam a Sagrada Escritura e a Tradição da Igreja, de anjos criados bons por Deus, se transformaram em maus, porque, mediante uma opção livre e irrevogável, recusaram Deus e o seu Reino, dando assim origem ao inferno. Procuram associar o homem à sua rebelião contra Deus; mas Deus afirma em Cristo a Sua vitória segura sobre o Maligno.

EM QUE CONSISTE O PRIMEIRO PECADO DO HOMEM?

396-403 ; 415-417 O homem, tentado pelo diabo, deixou apagar no seu coração a confiança em relação ao seu Criador e, desobedecendo-lhe, quis tornar-se «como Deus», sem Deus e não segundo Deus (Gn 3, 5). Assim, Adão e Eva perderam imediatamente, para si e para todos os seus descendentes, a graça da santidade e da justiça originais.

O QUE É O PECADO ORIGINAL?

404 ; 419  O pecado original, no qual todos os homens nascem, é o estado de privação da santidade e da justiça originais. É um pecado por nós «contraído» e não «cometido»; é uma condição de nascimento e não um ato pessoal. Por causa da unidade de origem de todos os homens, ele transmite-se aos descendentes de Adão com a natureza humana, «não por imitação mas por propagação». Esta transmissão permanece um mistério que não podemos compreender plenamente.

QUE OUTRAS CONSEQUÊNCIAS PROVOCA O PECADO ORIGINAL?

405-409 ; 418  Em conseqüência do pecado original, a natureza humana, sem ser totalmente corrompida, fica ferida nas suas forças naturais, submetida à ignorância, ao sofrimento, ao poder da morte, e inclinada ao pecado. Tal inclinação é chamada concupiscência.

DEPOIS DO PRIMEIRO PECADO, O QUE FEZ DEUS?

410-412 ; 420 Após o primeiro pecado, o mundo foi inundado por pecados, mas Deus não abandonou o homem ao poder da morte. Pelo contrário, pré-anunciou de modo misterioso – no «Proto-evangelho» (Gn 3,15) – que o mal seria vencido e o homem levantado da queda. É o primeiro anúncio do Messias redentor. Por isso a queda será mesmo chamada feliz culpa, porque «mereceu um tal e tão grande Redentor» (Liturgia da Vigília pascal).

CREIO EM JESUS CRISTO, O FILHO UNIGÊNITO DE DEUS

QUAL É A BOA NOVA PARA O HOMEM?

422-424 É o anúncio de Jesus Cristo, «o Filho do Deus vivo» (Mt 16,16), morto e ressuscitado. No tempo do rei Herodes e do imperador César Augusto, Deus cumpriu as promessas feitas a Abraão e à sua descendência enviando «o Seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, para resgatar os que estavam sujeitos à Lei, e nos tornar seus filhos adotivos» (Gal 4, 4-5).

COMO SE DIFUNDE ESTA BOA NOVA?

425-429  Desde o início os primeiros discípulos tiveram um ardente desejo de anunciar Jesus Cristo, com o fim de conduzir à fé n’Ele. Também hoje, do amoroso conhecimento de Cristo nasce o desejo de evangelizar e catequizar, isto é, de revelar na sua pessoa o pleno desígnio de Deus e de colocar a humanidade em comunhão com Ele.

QUE SIGNIFICA O NOME «JESUS»?

430-435 ; 452  Dado pelo Anjo no momento da Anunciação, o nome «Jesus» significa «Deus salva». Exprime a sua identidade e a sua missão, «porque é Ele que salvará o seu povo dos seus pecados» (Mt 1,21). Pedro afirma que «não existe debaixo do céu outro Nome dado aos homens pelo qual possamos ser salvos» (At 4,12).

PORQUE É QUE JESUS É CHAMADO «CRISTO»?

436-440 ; 453  «Cristo» em grego, «Messias» em hebraico, significa «ungido». Jesus é o Cristo porque é consagrado por Deus, ungido pelo Espírito Santo para a missão redentora. Ele é o Messias esperado por Israel, enviado ao mundo pelo Pai. Jesus aceitou o título de Messias, precisando, porém, o seu sentido: «descido do céu» (Jo 3,13), crucificado e depois ressuscitado, Ele é o Servo Sofredor «que dá a sua vida em resgate pela multidão» (Mt 20,28). Do nome Cristo é que veio para nós o nome de cristãos.

EM QUE SENTIDO JESUS É O «FILHO UNIGÊNITO DE DEUS»?

441-445 ; 454 No sentido único e perfeito. No momento do Batismo e da Transfiguração, a voz do Pai designa Jesus como seu «Filho predileto». Apresentando-se a Si mesmo como o Filho que «conhece o Pai» (Mt 11,27), Jesus afirma a Sua relação única e eterna com Deus Seu Pai. Ele é «o Filho Unigênito de Deus» (1 Jo 2, 23), a segunda Pessoa da Trindade. É o centro da pregação apostólica: os Apóstolos viram «a Sua glória, como de Unigênito do Pai» (Jo 1, 14).

O QUE SIGNIFICA O TÍTULO «SENHOR»?

446-451 ; 455 Na Bíblia, este título designa habitualmente Deus Soberano. Jesus atribui-o a si mesmo e revela a sua soberania divina através do poder sobre a natureza, sobre os demônios, sobre o pecado e sobre a morte, sobretudo com a sua Ressurreição. As primeiras confissões cristãs proclamam que o poder, a honra e a glória devida a Deus Pai são também devidas a Jesus: Deus «deu-Lhe o Nome que está acima de todos os nomes» (Fil 2,9). Ele é o Senhor do mundo e da história, o único a quem o homem deve submeter completamente a própria liberdade pessoal.

PORQUE É QUE O FILHO DE DEUS SE FEZ HOMEM?

456-460  O Filho de Deus encarnou no seio da Virgem Maria pelo poder do Espírito Santo, por causa de nós homens e para nossa salvação, ou seja: para nos reconciliar a nós pecadores com Deus; para nos fazer conhecer o seu amor infinito; para ser o nosso modelo de santidade; para nos tornar «participantes da natureza divina» (2 Ped 1, 4).

QUE SIGNIFICA A PALAVRA «ENCARNAÇÃO»?

461-463 ; 483  A Igreja chama «Encarnação» ao mistério da admirável união da natureza divina e da natureza humana na única Pessoa divina do Verbo. Para realizar a nossa salvação, o Filho de Deus fez-se «carne» (Jo 1,14) tornando-se verdadeiramente homem. A fé na Encarnação é o sinal distintivo da fé cristã.

DE QUE MODO JESUS CRISTO É VERDADEIRO DEUS E VERDADEIRO HOMEM?

464-467 ; 469  Jesus é, inseparavelmente, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, na unidade da sua Pessoa divina. Ele, o Filho de Deus, que é «gerado, não criado, consubstancial ao Pai», fez-se verdadeiramente homem, nosso irmão, sem com isto deixar de ser Deus, nosso Senhor.

QUE ENSINA ACERCA DISTO O CONCÍLIO DE CALCEDÔNIA (ANO 451)?

467 O Concílio de Calcedônia ensina a confessar «um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito na sua divindade e perfeito na sua humanidade; verdadeiro Deus e verdadeiro homem, composto de alma racional e de corpo, consubstancial ao Pai pela sua divindade, consubstancial a nós pela humanidade, “em tudo semelhante a nós, exceto no pecado” (Heb 4, 15); gerado pelo Pai antes de todos os séculos, segundo a divindade e, nestes últimos tempos, por nós homens e para nossa salvação, nascido da Virgem Maria e Mãe de Deus, segundo a humanidade».

COMO É QUE A IGREJA EXPRIME DO MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO?

464-469 ; 479-481  Exprime-o afirmando que Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, com duas naturezas, a divina e a humana, que se não confundem, mas estão unidas na Pessoa do Verbo. Portanto, na humanidade de Jesus, tudo – milagres, sofrimento, morte – deve ser atribuído à sua Pessoa divina, que age através da natureza humana assumida. «Ó Filho Unigênito e Verbo de Deus, Tu que és imortal, para a nossa salvação dignaste-Te encarnar no seio da santa Mãe de Deus e sempre Virgem Maria. Tu que és Um da Santa Trindade, glorificado com o Pai e o Espírito Santo, salva-nos!» (Liturgia Bizantina de S. João Crisóstomo).

O FILHO DE DEUS FEITO HOMEM TINHA UMA ALMA COM UM CONHECIMENTO HUMANO?

470-474 ; 482  O Filho de Deus assumiu um corpo animado por uma alma racional humana. Com a sua inteligência humana, Jesus aprendeu muitas coisas através da experiência. Mas também, como homem, o Filho de Deus tinha um conhecimento íntimo e imediato de Deus seu Pai. Penetrava igualmente os pensamentos secretos dos homens e conhecia plenamente os desígnios eternos que Ele viera revelar.

COMO SE HARMONIZAM AS DUAS VONTADES DO VERBO ENCARNADO?

475 ; 482  Jesus tem uma vontade divina e uma vontade humana. Na sua vida terrena, o Filho de Deus quis humanamente o que divinamente decidiu com o Pai e o Espírito Santo para a nossa salvação. A vontade humana de Cristo segue, sem oposição ou relutância, a vontade divina, ou melhor, está subordinada a ela.

CRISTO TINHA UM VERDADEIRO CORPO HUMANO?

476-477  Cristo assumiu um verdadeiro corpo humano, através do qual Deus invisível se tornou visível. Por esta razão, Cristo pode ser representado e venerado nas santas imagens.

O QUE SIGNIFICA O CORAÇÃO DE JESUS?

478  Jesus conheceu-nos e amou-nos com um coração humano. O Seu coração trespassado para nossa salvação é o símbolo daquele infinito amor com o qual Ele ama o Pai e cada um dos homens.

«CONCEBIDO POR OBRA DO ESPÍRITO SANTO»: O QUE SIGNIFICA ESTA EXPRESSÃO?

484-486 Significa que a Virgem Maria concebeu o Filho eterno no seu seio, por obra do Espírito Santo e sem a colaboração de homem: «O Espírito Santo descerá sobre ti» (Lc 1, 35), disse-lhe o Anjo na Anunciação.

«…NASCIDO DA VIRGEM MARIA»: PORQUE É QUE MARIA É VERDADEIRAMENTE MÃE DE DEUS?

495 ; 509 Maria é verdadeiramente Mãe de Deus porque é a mãe de Jesus (Jo 2,1; 19,25). Com efeito, Aquele que foi concebido por obra do Espírito Santo e que se tornou verdadeiramente Filho de Maria é o Filho eterno de Deus Pai. É Ele mesmo Deus.

O QUE SIGNIFICA «IMACULADA CONCEIÇÃO»?

487-492 ; 508  Deus escolheu gratuitamente Maria desde toda a eternidade para que fosse a Mãe de seu Filho: para cumprir tal missão, foi concebida imaculada. Isto significa que, pela graça de Deus e em previsão dos méritos de Jesus Cristo, Maria foi preservada do pecado original desde a sua concepção.

COMO COLABORA MARIA NO DESÍGNIO DIVINO DA SALVAÇÃO?

493-494 ; 508-511  Durante toda a sua existência, por graça de Deus, Maria conservou-se imune de todo o pecado pessoal. É a «cheia de graça» (Lc 1,28) e a «Toda Santa». Quando o Anjo lhe anuncia que dará à luz «o Filho do Altíssimo» (Lc 1,32), dá livremente o seu assentimento com a «obediência da fé» (Rm 1,5). Maria entrega-se totalmente à Pessoa e obra do seu Filho Jesus, abraçando com toda a alma a vontade divina de salvação.

QUE SIGNIFICA A CONCEIÇÃO VIRGINAL DE JESUS?

496-498 ; 503  Significa que Jesus foi concebido no seio da Virgem apenas pelo poder do Espírito Santo, sem intervenção de homem. Ele é o Filho do Pai celeste, segundo a natureza divina, e Filho de Maria segundo a natureza humana, mas propriamente Filho de Deus nas suas naturezas, existindo nele uma única Pessoa, a divina.

EM QUE SENTIDO MARIA É «SEMPRE VIRGEM»?

499-507 ; 510-511  No sentido de que Maria «permaneceu Virgem na concepção do seu Filho, Virgem no parto, Virgem grávida, Virgem mãe, Virgem perpétua» (Santo Agostinho). Portanto, quando os Evangelhos falam de «irmãos e irmãs de Jesus», trata-se de parentes próximos de Jesus, segundo uma expressão usual na Sagrada Escritura.

DE QUE MODO É QUE A MATERNIDADE ESPIRITUAL DE MARIA É UNIVERSAL?

501-507 ; 511  Maria tem um único Filho, Jesus, mas, n’Ele, a sua maternidade espiritual estende-se a todos os homens que Ele veio salvar. Obediente, ao lado do novo Adão, Jesus Cristo, a Virgem é a nova Eva, a verdadeira mãe dos vivos, que coopera com amor de mãe no seu nascimento e na sua formação na ordem da graça. Virgem e Mãe, Maria é a figura da Igreja e a sua realização mais perfeita.

EM QUE SENTIDO TODA A VIDA DE CRISTO É MISTÉRIO?

512-521 ; 561-562  Toda a vida de Cristo é acontecimento de revelação: o que é visível na vida terrena de Jesus conduz ao seu Mistério invisível, sobretudo ao Mistério da sua filiação divina: «quem me vê, vê o Pai» (Jo 14, 19). Além disso, embora a salvação provenha plenamente da cruz e da ressurreição, toda a vida de Cristo é Mistério de salvação, porque tudo o que Jesus fez, disse e sofreu tinha como objetivo salvar o homem caído e restabelecê-lo na sua vocação de filho de Deus.

QUAIS FORAM AS PREPARAÇÕES PARA OS MISTÉRIOS DE JESUS?

522-524 -Antes de mais, houve uma longa preparação de muitos séculos, que nós revivemos na celebração litúrgica do tempo do Advento. Para além da obscura expectativa que colocou no coração dos pagãos, Deus preparou a vinda do seu Filho através da Antiga Aliança, até João Batista que é o último e o maior dos profetas.

QUE ENSINA O EVANGELHO SOBRE OS MISTÉRIOS DO NASCIMENTO E DA INFÂNCIA DE JESUS?

525-530 ; 563-564  No Natal, a glória do Céu manifesta-se na debilidade dum menino; a circuncisão de Jesus é sinal da pertença ao povo hebraico e prefiguração do nosso Batismo; a Epifania é a manifestação do Rei Messias de Israel a todas as gentes; na sua apresentação no templo, em Simeão e Ana é toda a esperança de Israel que vem ao encontro do seu Salvador; a fuga para o Egito e a matança dos inocentes anunciam que toda a vida de Cristo estará sob o sinal da perseguição; o seu regresso do Egito recorda o Êxodo e apresenta Jesus como o novo Moisés: Ele é o verdadeiro e definitivo libertador.

O QUE É QUE NOS ENSINA A VIDA OCULTA DE JESUS EM NAZARÉ?

533-534 ; 564  Durante a vida oculta em Nazaré, Jesus permanece no silêncio duma vida normal. Permite-nos assim estar em comunhão com Ele, na santidade duma vida quotidiana feita de oração, de simplicidade, de trabalho, de amor familiar. A sua submissão a Maria e a José, seu pai adotivo, é uma imagem da sua obediência filial ao Pai. Maria e José, com a sua fé, acolhem o Mistério de Jesus, ainda que nem sempre o compreendam.

PORQUE É QUE JESUS RECEBE DE JOÃO O «BATISMO DE CONVERSÃO PARA O PERDÃO DOS PECADOS» (LC 3, 3)?

535-537 ; 565   Para dar início à sua vida pública e antecipar o «Batismo» da Sua morte: aceita assim, embora sendo sem pecado, ser contado entre os pecadores, Ele, «o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo» (Jo 1,29). O Pai proclama-O Seu «Filho predileto» (Mt 3,17) e o Espírito desce sobre Ele. O batismo de Jesus é a prefiguração do nosso batismo.

O QUE REVELAM AS TENTAÇÕES DE JESUS NO DESERTO?

538-540 ; 566   As tentações de Jesus recapitulam a tentação de Adão no paraíso e as de Israel no deserto. Satanás tenta Jesus na sua obediência à missão que Lhe tinha sido confiada pelo Pai. Cristo, novo Adão, resiste, e a sua vitória anuncia a vitória da sua paixão, suprema obediência do seu amor filial. A Igreja une-se, em particular, a este Mistério, no tempo litúrgico da Quaresma.

QUEM É CONVIDADO PARA O REINO DE DEUS, ANUNCIADO E REALIZADO POR JESUS?

541-546 ; 567 Jesus convida todos os homens a tomar parte no Reino de Deus. Mesmo o pior pecador é chamado a converter-se e a aceitar a infinita misericórdia do Pai. O Reino pertence, já aqui sobre a terra, àqueles que o acolhem com coração humilde. É a eles que são revelados os seus Mistérios.

PORQUE É QUE JESUS ANUNCIA O REINO COM SINAIS E MILAGRES?

547-550 ; 567 Jesus acompanha a sua palavra com sinais e milagres para atestar que o Reino está presente n’Ele, o Messias. Embora Ele cure algumas pessoas, não veio para eliminar todos os males aqui na terra, mas, antes de mais, para nos libertar da escravidão do pecado. A expulsão dos demônios anuncia que a sua cruz será vitoriosa sobre o «príncipe deste mundo» (Jo 12,31).

QUE AUTORIDADE CONFERE JESUS AOS SEUS APÓSTOLOS, NO REINO?

551-553 ; 567  Jesus escolhe os Doze, futuras testemunhas da sua Ressurreição, e torna-os participantes da sua missão e da sua autoridade para ensinar, absolver os pecados, edificar e governar a Igreja. Neste colégio, Pedro recebe «as chaves do Reino» (Mt 16,19) e ocupa o primeiro lugar, com a missão de guardar a fé na sua integridade e de confirmar os seus irmãos.

QUAL O SIGNIFICADO DA TRANSFIGURAÇÃO?

554-556 ; 568  Na Transfiguração aparece antes de mais a Trindade: «O Pai na voz, o Filho no homem, o Espírito na nuvem brilhante» (S. Tomás de Aquino). Evocando, com Moisés e Elias, a sua «partida» (Lc 9, 31), Jesus mostra que a sua glória passa através da cruz e antecipa a sua ressurreição e a sua vinda gloriosa, pois «transfigurará o nosso pobre corpo para transformá-lo no seu corpo glorioso» (Filp 3, 21).«Transfiguraste-Te sobre a montanha e, na medida em que disso eram capazes, os teus discípulos contemplaram a Tua glória, Cristo Deus, para que, quando te vissem crucificado, compreendessem que a Tua Paixão era voluntária, e anunciassem ao mundo que Tu és verdadeiramente a irradiação do Pai» (Liturgia Bizantina).

COMO SE DEU A ENTRADA MESSIÂNICA EM JERUSALÉM?

557-560 ; 569-570  No tempo estabelecido, Jesus decide subir a Jerusalém para sofrer a sua paixão, morrer e ressuscitar. Como Rei Messias que manifesta a vinda do reino, Ele entra na sua cidade montado num jumento. É acolhido pelos humildes «Bendito aquele que vem no nome do Senhor! Hossana (salva-nos)» (Mt 21,9). A liturgia da Igreja inicia a Semana Santa com a celebração desta entrada em Jerusalém.

QUAL É A IMPORTÂNCIA DO MISTÉRIO PASCAL DE JESUS?

571-573  O Mistério pascal de Jesus, que compreende a sua paixão, morte, ressurreição e glorificação, está no centro da fé cristã, porque o desígnio salvífico de Deus se realizou uma vez por todas com a morte redentora do seu Filho, Jesus Cristo.

QUAIS AS ACUSAÇÕES PARA A CONDENAÇÃO DE JESUS?

574-576  Alguns chefes de Israel acusaram Jesus de agir contra a Lei, contra o templo de Jerusalém, e em particular contra a fé no Deus único, porque Ele se proclamava Filho de Deus. Por isso, O entregaram a Pilatos, para que O condenasse à morte.

QUAL O COMPORTAMENTO DE JESUS, EM RELAÇÃO À LEI DE ISRAEL?

577-582 ; 592  Jesus não aboliu a Lei, dada por Deus a Moisés no Sinai, mas levou-a à plenitude, dando-lhe a interpretação definitiva. É o Legislador divino que cumpre integralmente esta Lei. Além disso, Ele, o Servo fiel, oferece mediante a sua morte expiadora o único sacrifício capaz de redimir todas «as faltas cometidas durante a primeira Aliança» (Heb 9,15).

QUAL A ATITUDE DE JESUS EM RELAÇÃO AO TEMPLO DE JERUSALÉM?

583-586 ; 593  Jesus foi acusado de hostilidade em relação ao Templo. Contudo Ele venerou-o como «a morada do seu Pai» (Jo 2,16) e consagrou-lhe uma parte importante do seu ensino. Mas predisse também a sua destruição, em relação com a sua própria morte, e Ele mesmo se apresentou como a morada definitiva de Deus entre os homens.

JESUS CONTRADISSE A FÉ DE ISRAEL NO DEUS ÚNICO E SALVADOR?

587-591 ; 594  Jesus nunca contradisse a fé num Deus único, nem sequer quando realizava a obra divina por excelência que cumpria as promessas messiânicas e o revelava igual a Deus: o perdão dos pecados. A exigência feita por Jesus de fé na sua pessoa e de conversão permite compreender a trágica incompreensão do Sinédrio que considerou Jesus merecedor de morte porque blasfemo.

QUEM É RESPONSÁVEL PELA MORTE DE JESUS?

595-598  A paixão e a morte de Jesus não podem ser imputadas indistintamente nem a todos os judeus então vivos, nem aos outros judeus que depois viveram no tempo e no espaço. Cada pecador, isto é, cada homem, é realmente causa e instrumento dos sofrimentos do Redentor, e culpa maior têm aqueles, sobretudo se são cristãos, que mais freqüentemente caem no pecado ou se deleitam nos vícios.

PORQUE É QUE A MORTE DE CRISTO FAZ PARTE DO DESÍGNIO DE DEUS?

599-605 ; 619  Para reconciliar consigo todos os homens votados à morte por causa do pecado, Deus tomou a iniciativa amorosa de enviar o Seu Filho para que se entregasse à morte pelos pecadores. Anunciada no Antigo Testamento, em particular como sacrifício do Servo sofredor, a morte de Jesus acontece «segundo as Escrituras».

COM É QUE CRISTO SE OFERECEU AO PAI?

606-609 ; 620  Toda a vida de Cristo é oferta livre ao Pai para realizar o seu desígnio de salvação. Ele dá «a sua vida em resgate por muitos» (Mc 10,45) e deste modo reconcilia com Deus toda a humanidade. O seu sofrimento e a sua morte manifestam como a sua humanidade é o instrumento livre e perfeito do Amor divino que quer a salvação de todos os homens.

COMO SE MANIFESTA NA ÚLTIMA CEIA A OFERTA DE JESUS?

610-611 ; 621  Na última Ceia com os Apóstolos, na vigília da paixão, Jesus antecipa, isto é, significa e realiza antecipadamente a oferta voluntária de Si mesmo: «este é o meu corpo entregue por vós», «este é o meu sangue, que é derramado…» (Lc 22,19-20). Ele institui assim ao mesmo tempo a Eucaristia como «memorial» (1 Cor 11,25) do seu sacrifício e os seus Apóstolos como sacerdotes da nova Aliança.

QUE ACONTECE NA AGONIA DO HORTO DO GETSEMANI?

612  Apesar do horror que a morte provoca na humanidade santíssima d’Aquele que é o próprio «Autor da vida» (At 3,15), a vontade humana do Filho de Deus adere à vontade do Pai: para nos salvar, Jesus aceita carregar sobre Si os nossos pecados no seu corpo, «fazendo-se obediente até à morte» (Fil 2,8).

QUAIS OS EFEITOS DO SACRIFÍCIO DE CRISTO NA CRUZ?

613-617 ; 622-623  Jesus ofereceu livremente a Sua vida em sacrifício de expiação, isto é, reparou as nossas culpas com a plena obediência do Seu amor até à morte. Este «amor até ao fim» (Jo 13,1) do Filho de Deus reconcilia com o Pai toda a humanidade. O sacrifício pascal de Cristo resgata, portanto, os homens num modo único, perfeito e definitivo, e abre-lhes a comunhão com Deus.

PORQUE É QUE JESUS CONVIDA OS DISCÍPULOS A TOMAR A SUA CRUZ?

618 Chamando Os Discípulos A «Tomar A Sua Cruz E A Segui-lo» (Mt 16,24), Jesus Quer Associar Ao Seu Sacrifício Redentor Aqueles Mesmos Que Dele Sãos Os Primeiros Beneficiários.

EM QUE CONDIÇÕES ESTAVA O CORPO DE CRISTO NO SEPULCRO?

624- 630 Cristo conheceu uma verdadeira morte e uma verdadeira sepultura. Mas o poder divino preservou o seu corpo da corrupção.

O QUE SÃO «OS INFERNOS», AOS QUAIS JESUS DESCEU?

632-637 Os «infernos» (não confundir com o inferno da condenação) ou mansão dos mortos, designam o estado de todos aqueles que, justos ou maus, morreram antes de Cristo. Com a alma unida à sua Pessoa divina, Jesus alcançou, nos infernos, os justos que esperavam o seu Redentor para acederem finalmente à visão de Deus. Depois de com a sua morte, ter vencido a morte e o diabo «que da morte tem o poder» (Heb 2,14), libertou os justos que esperavam o Redentor, e abriu-lhes as portas do Céu.

QUE LUGAR OCUPA A RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA NOSSA FÉ?

631, 638 A Ressurreição de Jesus é a verdade culminante da nossa fé em Cristo e representa, com a Cruz, uma parte essencial do Mistério pascal.

QUE «SINAIS» ATESTAM A RESSURREIÇÃO DE JESUS?

639-644 ; 656-657  Para além do sinal essencial constituído pelo túmulo vazio, a Ressurreição de Jesus é atestada pelas mulheres que foram as primeiras a encontrar Jesus e o anunciaram aos Apóstolos. A seguir, Jesus «apareceu a Cefas (Pedro) e depois aos Doze.Seguidamente, apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez» (1 Cor 15,5-6) e a outros ainda. Os Apóstolos não teriam podido inventar a Ressurreição, uma vez que esta lhes parecia impossível: de fato, Jesus repreendeu-os pela sua incredulidade.

PORQUE É QUE A RESSURREIÇÃO É AO MESMO TEMPO UM ACONTECIMENTO TRANSCENDENTE?

647 ; 656-657  Embora seja um acontecimento histórico, constatável e atestado através dos sinais e testemunhos, a Ressurreição, enquanto entrada da humanidade de Cristo na glória de Deus, transcende e supera a história, como mistério da fé. Por este motivo, Cristo ressuscitado não se manifestou ao mundo, mas aos seus discípulos, fazendo deles as suas testemunhas junto do povo.

QUAL É O ESTADO DO CORPO RESSUSCITADO DE JESUS?

645-646 A Ressurreição de Cristo não foi um regresso à vida terrena. O Seu corpo ressuscitado é Aquele que foi crucificado e apresenta os vestígios da Sua Paixão, mas é doravante participante da vida divina com as propriedades dum corpo glorioso. Por esta razão, Jesus ressuscitado é soberanamente livre de aparecer aos seus discípulos como Ele quer, onde Ele quer e sob aspectos diversos.

DE QUE MODO A RESSURREIÇÃO É OBRA DA SANTÍSSIMA TRINDADE?

648-650  A Ressurreição de Cristo é uma obra transcendente de Deus. As três Pessoas atua conjuntamente segundo o que lhes é próprio: o Pai manifesta o Seu poder; o Filho «retoma» a vida que livremente ofereceu (Jô. 10,17) reunindo a Sua alma e o Seu corpo, que o Espírito vivifica e glorifica.

QUAL O SENTIDO E A IMPORTÂNCIA DA RESSURREIÇÃO?

651-655 ; 658 A Ressurreição é o culminar da Encarnação. Ela confirma a divindade de Cristo, e também tudo o que Ele fez e ensinou, e realiza todas as promessas divinas em nosso favor. Além disso, o Ressuscitado, vencedor do pecado e da morte, é o princípio da nossa justificação e da nossa Ressurreição: a partir de agora, Ele garante-nos a graça da adoção filial que é a participação real na sua vida de Filho unigênito; depois, no final dos tempos, Ele ressuscitará o nosso corpo.

O QUE É QUE SIGNIFICA A ASCENSÃO?

659-667 Passados os quarenta dias em que se mostrou aos Apóstolos sob as aparências duma humanidade normal que ocultavam a sua glória de Ressuscitado, Cristo sobe ao céu e senta-se à direita do Pai. Ele é o Senhor que agora reina com a sua humanidade na glória eterna de Filho de Deus e sem cessar intercede por nós junto do Pai. Envia-nos o Seu Espírito e tendo-nos preparado um lugar, dá-nos a esperança de um dia ir ter com Ele.

COMO REINA AGORA O SENHOR JESUS?

668-674 ; 680  Senhor do cosmos e da história, Cabeça da sua Igreja, Cristo glorificado permanece misteriosamente sobre a terra, onde o Seu Reino já está presente como germe e início na Igreja. Ele um dia voltará em glória, mas não sabemos quando. Por isso, vivemos vigilantes, rezando: «Vem, Senhor» (Ap 22,20).

COMO SE REALIZARÁ A VINDA DO SENHOR NA GLÓRIA?

675-677 ; 680   Após o último abalo cósmico deste mundo que passa, a vinda gloriosa de Cristo acontecerá com o triunfo definitivo de Deus na Parusia de Cristo e com o Juízo final. Assim se cumprirá o Reino de Deus.

COMO É QUE CRISTO JULGARÁ OS VIVOS E OS MORTOS?

678-679 ; 681-682  Cristo julgará com o poder adquirido como Redentor do mundo, vindo para salvar os homens. Os segredos dos corações serão revelados, bem como o procedimento de cada um em relação a Deus e ao próximo. Cada homem será repleto de vida ou condenado para a eternidade segundo as suas obras. Assim se realizará «a plenitude de Cristo» (Ef 4, 3), na qual «Deus será tudo em todos» (1 Cor 15,28).

CREIO NO ESPÍRITO SANTO

QUAIS SÃO AS DESIGNAÇÕES DO ESPÍRITO SANTO?

691-693 «Espírito Santo» é o nome próprio da terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Jesus chama-lhe também: Espírito Paráclito (Consolador, Advogado) e Espírito de Verdade. O Novo Testamento chama-o ainda: Espírito de Cristo, do Senhor, de Deus, Espírito da glória, da promessa.

COM QUE SÍMBOLOS SE REPRESENTA O ESPÍRITO SANTO?

694-701 São numerosos: a água viva que jorra do coração trespassado de Cristo e dessedenta os batizados; a unção com o óleo que é o sinal sacramental da Confirmação; o fogo que transforma o que toca; a nuvem, obscura e luminosa, na qual se revela a glória divina; a imposição das mãos mediante a qual é dado o Espírito; a pomba que desce sobre Cristo e permanece sobre Ele no batismo.

O QUE SIGNIFICA QUE O ESPÍRITO «FALOU PELOS PROFETAS»?

687-688 ; 702-706 ; 743  Com o termo profetas entende-se todos os que foram inspirados pelo Espírito Santo para falar em nome de Deus. O Espírito conduz as profecias do Antigo Testamento ao seu pleno cumprimento em Cristo, de quem revela o mistério no Novo Testamento.

O QUE É QUE O ESPÍRITO SANTO REALIZA EM JOÃO BAPTISTA?

717-720  João Baptista, o último profeta do Antigo Testamento é cheio do Espírito Santo, que o envia a «preparar para o Senhor um povo bem disposto» (Lc 1,17) e a anunciar a vinda de Cristo, Filho de Deus: Aquele sobre o qual João viu o Espírito descer e permanecer, «Aquele que batiza no Espírito» (Jo 1,33).

QUAL É A OBRA DO ESPÍRITO EM MARIA?

721-726 ; 744  Em Maria, o Espírito Santo realiza as expectativas e a preparação do Antigo Testamento para a vinda de Cristo. De forma única enche-a de graça e torna fecunda a sua virgindade para dar à luz o Filho de Deus encarnado. Faz dela a Mãe do «Cristo total», isto é, de Jesus Cabeça e da Igreja que é o seu corpo. Maria está com os Doze no dia de Pentecostes, quando o Espírito inaugura os «últimos tempos» com a manifestação da Igreja.

QUAL A RELAÇÃO ENTRE O ESPÍRITO E CRISTO JESUS, NA MISSÃO TERRENA?

727-730 ; 745-746  O Filho de Deus é consagrado Messias através da unção do Espírito na sua humanidade desde a Encarnação. Ele revela-O no seu ensino, cumprindo a promessa feita aos antepassados e comunica-O à Igreja nascente, soprando sobre os Apóstolos depois da Ressurreição.

O QUE ACONTECE NO PENTECOSTES?

731-732 ; 738 Cinqüenta dias após a Ressurreição, no Pentecostes, Jesus Cristo glorificado infunde o Espírito em abundância e manifesta-O como Pessoa divina, de modo que a Santíssima Trindade é plenamente revelada. A Missão de Cristo e do Espírito torna-se a Missão da Igreja, enviada a anunciar e a difundir o mistério da comunhão trinitária.«Vimos a verdadeira Luz, recebemos o Espírito celeste, encontramos a verdadeira fé: adoramos a Trindade indivisível porque nos salvou» (Liturgia Bizantina, Tropário das Vésperas de Pentecostes).

QUE FAZ O ESPÍRITO SANTO NA IGREJA?

733-741 ; 747  O Espírito edifica, anima e santifica a Igreja: Espírito de Amor, Ele torna a dar aos batizados a semelhança divina perdida por causa do pecado e os faz viver em Cristo da própria Vida da Santíssima Trindade. Envia-os a testemunhar a Verdade de Cristo e organiza-os nas suas mútuas funções, para que todos dêem «o fruto do Espírito» (Gal 5,22).

COMO ATUAM CRISTO E O SEU ESPÍRITO NO CORAÇÃO DOS FIÉIS?

738-741  Por meio dos sacramentos, Cristo comunica aos membros do Seu Corpo o Seu Espírito e a graça de Deus que produz os frutos de vida nova, segundo o Espírito. Finalmente, o Espírito Santo é o Mestre da oração.

O QUE SIGNIFICA A PALAVRA IGREJA?

751-752 ; 777-804  Designa o povo que Deus convoca e reune de todos os confins da terra, para constituir a assembléia daqueles que, pela fé e pelo Batismo, se tornam filhos de Deus, membros de Cristo e templo do Espírito Santo.

HÁ, NA BÍBLIA, OUTROS NOMES E IMAGENS PARA INDICAR A IGREJA?

753-757 Na Sagrada Escritura encontramos muitas imagens que põem em evidência aspectos complementares do mistério da Igreja. O Antigo Testamento privilegia as imagens ligadas ao povo de Deus; o Novo Testamento privilegia as imagens ligadas a Cristo como Cabeça deste povo que é o Seu Corpo, e as imagens retiradas da vida pastoril (redil, rebanho, ovelhas), agrícola (campo, oliveira, vinha) habitacional (morada, pedra, templo), familiar (esposa, mãe, família).

QUAIS SÃO AS ORIGENS E A REALIZAÇÃO PLENA DA IGREJA?

758-766 ; 778  A Igreja encontra a sua origem e a sua realização plena no eterno desígnio de Deus. Foi preparada na Antiga Aliança com a eleição de Israel, sinal da reunião futura de todas as nações. Fundada pelas palavras e ações de Jesus Cristo, foi realizada sobretudo mediante a sua morte redentora e a sua ressurreição. Foi depois manifestada como mistério de salvação mediante a efusão do Espírito Santo, no dia de Pentecostes. Terá a sua realização plena no fim dos tempos, como assembléia celeste de todos os redimidos.

EM QUE SENTIDO A IGREJA É MISTÉRIO?

770-773 ; 779  A Igreja é Mistério enquanto na sua realidade visível está presente e operante uma realidade espiritual, divina, que se descobre unicamente com os olhos da fé.

QUAL É A MISSÃO DA IGREJA?

767-769  A missão da Igreja é a de anunciar e instaurar no meio de todos os povos o Reino de Deus inaugurado por Jesus Cristo. Ela é, na terra, o germe e o início deste Reino salvífico.

QUE SIGNIFICA QUE A IGREJA É SACRAMENTO UNIVERSAL DE SALVAÇÃO?

774-776 ; 780  Significa que é sinal e instrumento da reconciliação e da comunhão de toda a humanidade com Deus e da unidade de todo o gênero humano.

PORQUE É QUE A IGREJA É POVO DE DEUS?

781 ; 802-804  A Igreja é o povo de Deus porque aprouve a Deus santificar e salvar os homens não isoladamente mas constituindo-os num só povo, reunido pela unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

QUAIS SÃO AS CARACTERÍSTICAS DO POVO DE DEUS?

782  Este povo, de que nos tornamos membros mediante a fé em Cristo e o Batismo, tem por origem Deus Pai, por cabeça Jesus Cristo, por condição a dignidade e a liberdade dos filhos de Deus, por lei o mandamento novo do amor, por missão a de ser o sal da terra e a luz do mundo, por fim o Reino de Deus, já iniciado na terra.

COMO É QUE A IGREJA É CORPO DE CRISTO?

787-791 ; 805-806  Por meio do Espírito, Cristo morto e ressuscitado une intimamente a Si os seus fiéis. Deste modo, os crentes em Cristo, enquanto unidos estreitamente a Ele, sobretudo na Eucaristia, são unidos entre si na caridade, formando um só corpo, a Igreja, cuja unidade se realiza na diversidade dos membros e das funções.

QUEM É A CABEÇA DESTE CORPO?

792-795 ; 807  Cristo «é a Cabeça do corpo, que é a Igreja (Col 1,18). A Igreja vive d’Ele, n’Ele e para Ele. Cristo e a Igreja formam o «Cristo total» (S. Agostinho); «Cabeça e membros são, por assim dizer, uma só pessoa mística» (S. Tomás de Aquino).

PORQUE É QUE A IGREJA É CHAMADA ESPOSA DE CRISTO?

796 ; 808  Porque o próprio Senhor Se definiu como o «Esposo» (Mc 2,19), que amou a Igreja, unindo-a a Si por uma Aliança eterna. Ele entregou-se a Si mesmo por ela, para a purificar com o Seu sangue, «para a tornar santa» (Ef 5,26) e fazer dela mãe fecunda de todos os filhos de Deus. Enquanto a palavra «corpo» evidencia a unidade da «cabeça» com os membros, o termo «esposa» sublinha a distinção dos dois na relação pessoal.

QUE SÃO OS CARISMAS?

799-801  Os carismas são dons especiais do Espírito concedidos a alguém para o bem dos homens, para as necessidades do mundo e em particular para a edificação da Igreja, a cujo Magistério compete o seu discernimento.

PORQUE É QUE A IGREJA É DESIGNADA TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO?

797-798 ; 809-810 Porque o Espírito Santo reside no corpo que é a Igreja: na sua Cabeça e nos seus membros; para além disso, Ele edifica a Igreja na caridade com a Palavra de Deus, os sacramentos, as virtudes e os carismas.«O que o nosso espírito, quer dizer, a nossa alma, é para os nossos membros, o Espírito Santo é-o para os membros de Cristo, para o corpo de Cristo, que é a Igreja» ( S. Agostinho).

PORQUE É QUE A IGREJA É UNA?

813-815 ; 866  A Igreja é una porque tem como origem e modelo a unidade na Trindade das Pessoas de um só Deus; porque tem como fundador e cabeça Jesus Cristo, que restabelece a unidade de todos os povos num só corpo; e porque tem como alma o Espírito Santo, que une todos os fiéis na comunhão em Cristo. Ela tem uma só fé, uma só vida sacramental, uma única sucessão apostólica, uma comum esperança e a mesma caridade.

ONDE SUBSISTE A ÚNICA IGREJA DE CRISTO?

816 ; 870  A única Igreja de Cristo, como sociedade constituída e organizada no mundo, subsiste na Igreja católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele. Só por meio dela se pode obter toda a plenitude dos meios de salvação, pois o Senhor confiou todos os bens da Nova Aliança ao único colégio apostólico, cuja cabeça é Pedro.

COMO CONSIDERAR OS CRISTÃOS NÃO CATÓLICOS?

817-819 Nas Igrejas e comunidades eclesiais, que se desligaram da plena comunhão da Igreja católica, encontram-se muitos elementos de santificação e de verdade. Todos estes bens provêm de Cristo e conduzem para a unidade católica. Os membros destas Igrejas e comunidades são incorporados em Cristo pelo Batismo: por isso, nós reconhecemo-los como irmãos.

COMO EMPENHAR-SE EM FAVOR DA UNIDADE DOS CRISTÃOS?

820-822; 866  O desejo de restabelecer a união de todos os cristãos é um dom de Cristo e um apelo do Espírito. Ele diz respeito a toda a Igreja e realiza-se mediante a conversão do coração, a oração, o recíproco conhecimento fraterno, o diálogo teológico.

É TAMBÉM CATÓLICA A IGREJA PARTICULAR?

832-835  É católica toda a Igreja particular (isto é, a diocese e a paróquia), formada pela comunidade de fiéis cristãos que estão em comunhão de fé e de sacramentos seja com o seu Bispo, ordenado na sucessão apostólica, seja com a Igreja de Roma, que «preside à caridade» (S. Inácio de Antioquia).

QUE SIGNIFICA A AFIRMAÇÃO: «FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO»?

846-848 Significa que toda a salvação vem de Cristo-Cabeça por meio da Igreja, que é o seu corpo. Portanto não poderiam ser salvos os que, conhecendo a Igreja como fundada por Cristo e necessária à salvação, nela não entrassem e nela não perseverassem. Ao mesmo tempo, graças a Cristo e à sua Igreja, podem conseguir a salvação eterna todos os que, sem culpa própria, ignoram o Evangelho de Cristo e a sua Igreja mas procuram sinceramente Deus e, sob o influxo da graça, se esforçam por cumprir a sua vontade, conhecida através do que a consciência lhes dita.

PORQUE É QUE A IGREJA DEVE ANUNCIAR O EVANGELHO A TODO O MUNDO?

849-851  Porque Cristo ordenou: «ide e ensinai todas as nações, batizando-as no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28,19). Este mandato missionário do Senhor tem a sua fonte no amor eterno de Deus, que enviou o seu Filho e o seu Espírito porque «quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tim 2, 4).

COMO É QUE A IGREJA É MISSIONÁRIA?

852-856  Guiada pelo Espírito Santo, a Igreja continua no curso da história a missão do próprio Cristo. Os cristãos portanto devem anunciar a todos a Boa Nova trazida por Cristo, seguindo o seu caminho, dispostos também ao sacrifício de si mesmos até ao martírio.

QUE LIGAÇÃO HÁ ENTRE A IGREJA CATÓLICA E AS RELIGIÕES NÃO CRISTÃS?

841-845  Antes de mais, há o laço comum da origem e fim de todo o gênero humano. A Igreja católica reconhece que tudo o que de bom e de verdadeiro existe nas outras religiões vem de Deus, é reflexo da sua verdade, pode preparar para acolher o Evangelho e mover em direção à unidade da humanidade na Igreja de Cristo.

PORQUE É QUE A IGREJA É APOSTÓLICA?

857 869  A Igreja é apostólica pela sua origem, sendo construída sobre o «fundamento dos Apóstolos» (Ef 2,20); pelo ensino, que é o mesmo dos Apóstolos; pela sua estrutura, enquanto instruída, santificada e governada, até ao regresso de Cristo, pelos Apóstolos, graças aos seus sucessores, os Bispos em comunhão, com o sucessor de Pedro

EM QUE CONSISTE A MISSÃO DOS APÓSTOLOS?

858 – 861  A palavra Apóstolo significa enviado. Jesus, o Enviado do Pai, chamou a Si doze entre os Seus discípulos e constituiu-os como seus Apóstolos, fazendo deles testemunhas escolhidas da sua ressurreição e fundamentos da sua Igreja. Deu-lhes o mandato de continuarem a sua missão, dizendo: «Como o Pai me enviou, assim também Eu vos envio a vós» (Jo 20,21). E prometeu estar com eles até ao fim do mundo.

O QUE É A SUCESSÃO APOSTÓLICA?

861- 865  A sucessão apostólica é a transmissão, mediante o sacramento da Ordem, da missão e do poder dos Apóstolos aos seus sucessores, os Bispos. Graças a esta transmissão, a Igreja permanece em comunhão de fé e de vida com a sua origem, enquanto ao longo dos séculos orienta todo o seu apostolado para a difusão do Reino de Cristo na terra.

QUEM SÃO OS FIÉIS?

871 – 872 ; 934  Os fiéis são aqueles que, incorporados em Cristo pelo Batismo, são constituídos membros do povo de Deus. Tornados participantes, segundo a sua condição, da função sacerdotal, profética e real de Cristo, são chamados a exercer a missão confiada por Deus à Igreja. Entre eles subsiste uma verdadeira igualdade, na sua dignidade de filhos de Deus.

COMO É FORMADO O POVO DE DEUS?

873 Na Igreja, por instituição divina, existem os ministros sagrados que receberam o sacramento da Ordem e formam a hierarquia da Igreja. Os outros são chamados leigos. De uns e de outros, provêm fiéis, que se consagram de modo especial a Deus com a profissão dos conselhos evangélicos: castidade no celibato, pobreza e obediência.

PORQUE É QUE CRISTO INSTITUIU A HIERARQUIA ECLESIÁSTICA?

874-877 ; 935 Cristo instituiu a hierarquia eclesiástica com a missão de apascentar o povo de Deus em seu nome, e para isso lhe deu autoridade. A hierarquia eclesiástica é formada por ministros sagrados: Bispos, presbíteros e diáconos. Graças ao sacramento da Ordem, os Bispos e os presbíteros agem, no exercício do seu ministério, em nome e na pessoa de Cristo cabeça; os diáconos servem o povo de Deus na diaconia (serviço) da palavra, da liturgia, da  caridade.

COMO SE ATUA A DIMENSÃO COLEGIAL DO MINISTÉRIO ECLESIAL?

877  A exemplo dos doze Apóstolos escolhidos e enviados por Cristo, a união dos membros da hierarquia eclesiástica está ao serviço da comunhão dos fiéis. Cada Bispo exerce o ministério, como membro do colégio episcopal, em comunhão com o Papa, participando com ele na solicitude pela Igreja universal. Os sacerdotes exercem o seu ministério no presbitério da Igreja particular, em comunhão com o próprio Bispo e sob a sua condução.

PORQUE É QUE O MINISTÉRIO ECLESIAL TEM UM CARÁTER PESSOAL?

878-880  O ministério eclesial tem também um caráter pessoal, pois, em virtude do sacramento da Ordem, cada um é responsável diante de Cristo, que pessoalmente o chamou, conferindo-lhe a missão.

QUAL É A MISSÃO DO PAPA?

881- 882 ; 936 – 937  O Papa, Bispo de Roma e Sucessor de S. Pedro, é o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade da Igreja. É o vigário de Cristo, cabeça do colégio dos Bispos e pastor de toda a Igreja, sobre a qual, por instituição divina, tem poder, pleno, supremo, imediato e universal.

QUAL É A MISSÃO DO COLÉGIO DOS BISPOS?

883 – 885  O colégio dos Bispos, em comunhão com o Papa e nunca sem ele, exerce também sobre a Igreja supremo e pleno poder.

COMO É QUE OS BISPOS EXERCEM A SUA MISSÃO DE ENSINAR?

886-890 ; 939  Os Bispos, em comunhão com o Papa, têm o dever de anunciar o Evangelho a todos, fielmente e com autoridade, como autênticas testemunhas da fé apostólica e revestidos da autoridade de Cristo. Mediante o sentido sobrenatural da fé, o Povo de Deus, adere indefectivelmente (que não pode falhar) à fé, sob a condução do Magistério vivo da Igreja.

QUANDO SE EXERCE A INFALIBILIDADE DO MAGISTÉRIO?

891  A infalibilidade exerce-se quando o Romano Pontífice, em virtude da sua autoridade de supremo Pastor da Igreja, ou o Colégio Episcopal em comunhão com o Papa, sobretudo reunido num Concílio Ecumênico, proclamam com um ato definitivo uma doutrina respeitante à fé ou à moral, e também quando o Papa e os Bispos, no seu Magistério ordinário, concordam ao propor uma doutrina como definitiva. A tais ensinamentos cada fiel deve aderir com o obséquio da fé.

COMO É QUE OS BISPOS EXERCEM O MINISTÉRIO DE SANTIFICAR?

893  Os Bispos santificam a Igreja dispensando a graça de Cristo, mediante o ministério da palavra e dos sacramentos, em particular da Eucaristia, e também com a oração e o seu exemplo e trabalho.

COMO É QUE OS BISPOS EXERCEM A FUNÇÃO DE GOVERNAR?

894 – 896 Cada Bispo, enquanto membro do colégio episcopal, exerce colegialmente a solicitude por todas as Igrejas particulares, e por toda a Igreja juntamente com os outros Bispos unidos ao Papa. O Bispo, a quem é confiada uma Igreja particular, governa-a com a autoridade do poder sagrado, próprio, ordinário e imediato, exercido em nome de Cristo, bom Pastor, em comunhão com toda a Igreja e sob a condução do sucessor de Pedro.

COMO PARTICIPAM OS FIÉIS LEIGOS NA FUNÇÃO SACERDOTAL DE CRISTO?

901-903  Participam nela oferecendo – como sacrifício espiritual «agradável a Deus por Jesus Cristo» (1 Ped 2,5), sobretudo na Eucaristia – a sua vida com todas as obras, as orações e as iniciativas apostólicas, a vida familiar, o trabalho de cada dia, as agruras da vida suportadas com paciência e os lazeres corporais e espirituais. Deste modo, os leigos, dedicados a Cristo e consagrados pelo Espírito Santo, oferecem a Deus o próprio mundo.

COMO PARTICIPAM NA SUA FUNÇÃO PROFÉTICA?

904-907 ; 942  Participam nela acolhendo cada vez mais na fé a Palavra de Cristo e anunciando-a ao mundo com o testemunho da vida e da palavra, a ação evangelizadora e a catequese. Esta ação evangelizadora adquire uma particular eficácia pelo fato de ser realizada nas condições ordinárias da vida secular.

COMO PARTICIPAM NA SUA FUNÇÃO REAL?

908 – 913 ; 943 Os leigos participam na função real de Cristo, tendo recebido d’Ele o poder de vencer o pecado em si mesmos e no mundo, mediante a abnegação de si e a santidade de vida. Exercem vários ministérios ao serviço da comunidade e impregnam de valor moral as atividades temporais do homem e as instituições da sociedade.

O QUE É A VIDA CONSAGRADA?

914 – 916 ; 944 É um estado de vida reconhecido pela Igreja. É uma resposta livre a um chamamento particular de Cristo, mediante a qual os consagrados se entregam totalmente a Deus e tendem para a perfeição da caridade sob a moção do Espírito Santo. Tal consagração caracteriza-se pela prática dos conselhos evangélicos.

QUAL É A VOCAÇÃO DOS FIÉIS LEIGOS?

897-900; 940 Os fiéis leigos têm como vocação própria a de procurar o reino de Deus, iluminando e ordenando as realidades temporais segundo Deus. Correspondem assim ao chamamento à santidade e ao apostolado, dirigido a todos os batizados.

O QUE É QUE A VIDA CONSAGRADA OFERECE À MISSÃO DA IGREJA?

931-933 ; 945  A vida consagrada participa na missão da Igreja mediante uma plena dedicação a Cristo e aos irmãos, testemunhando a esperança do Reino celeste.

O QUE SIGNIFICA A EXPRESSÃO COMUNHÃO DOS SANTOS?

946–953 ; 960  Indica, antes de mais, a participação de todos os membros da Igreja nas coisas santas : a fé, os sacramentos, em especial a Eucaristia, os carismas e os outros dons espirituais. Na raiz da comunhão está a caridade que «não procura o próprio interesse» (1 Cor 13, 5), mas move o fiel «a colocar tudo em comum» (At 4, 32), mesmo os próprios bens materiais ao serviço dos pobres.

O QUE SIGNIFICA AINDA A EXPRESSÃO COMUNHÃO DOS SANTOS?

954–959; 961–962 Designa ainda a comunhão entre as pessoas santas, isto é, entre os que, pela graça, estão unidos a Cristo morto e ressuscitado. Alguns são peregrinos na terra; outros, que já partiram desta vida, estão a purificar-se, ajudados também pelas nossas orações; outros, enfim, gozam já da glória de Deus e intercedem por nós. Todos juntos formam, em Cristo, uma só família, a Igreja, para louvor e glória da Trindade.

EM QUE SENTIDO A BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA É MÃE DA IGREJA?

963 – 966 ; 973 A Bem-aventurada Virgem Maria é Mãe da Igreja na ordem da graça porque deu à luz Jesus, o Filho de Deus, Cabeça do corpo que é a Igreja. Jesus ao morrer na cruz, indicou-a como mãe ao discípulo com estas palavras: «Eis a tua Mãe» (Jo 19, 27).

QUE TIPO DE CULTO SE PRESTA À VIRGEM SANTÍSSIMA?

971 É um culto singular, que difere essencialmente do culto de adoração, prestado apenas à Santíssima Trindade. Tal culto de especial veneração encontra uma particular expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus e na oração mariana, como o santo Rosário, resumo de todo o Evangelho.

COMO É QUE A BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA É ÍCONE ESCATOLÓGICO DA IGREJA?

972; 974–975 Dirigindo o seu olhar para Maria, santíssima e já glorificada em corpo e alma, a Igreja contempla o que ela própria é chamada a ser na terra e o que será na pátria celeste.

COMO SÃO PERDOADOS OS PECADOS?

976 – 980 ; 984 – 985  O primeiro e principal sacramento para o perdão dos pecados é o Batismo. Para os pecados cometidos depois do Batismo, Cristo instituiu o sacramento da Reconciliação ou Penitência, por meio do qual o batizado é reconciliado com Deus e com a igreja

PORQUE É QUE A IGREJA TEM O PODER DE PERDOAR OS PECADOS?

981–983; 986–987  A Igreja tem a missão e o poder de perdoar os pecados, porque o próprio Cristo lho conferiu: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados, e àqueles a quem os retiverdes serão retidos» (Jo 20, 22-23).

QUE INDICA A PALAVRA CARNE E QUAL É A SUA IMPORTÂNCIA?

990 ; 1015  O termo carne designa o homem na sua condição de debilidade e de mortalidade. «A carne é o eixo da salvação» (Tertuliano). Com efeito, nós cremos em Deus que é o Criador da carne; cremos no Verbo que se fez carne para redimir a carne; cremos na ressurreição da carne, acabamento da criação e da redenção da carne.

O QUE SIGNIFICA A «RESSURREIÇÃO DA CARNE»?

990  Significa que o estado definitivo do homem não será só a alma espiritual separada do corpo, mas também que os nossos corpos mortais um dia retomarão a vida.

QUAL A RELAÇÃO ENTRE A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A NOSSA?

988 – 991, 1002 – 1003  Como Cristo verdadeiramente ressuscitou dos mortos e vive para sempre, assim Ele próprio nos ressuscitará a todos no último dia, com um corpo incorruptível: «os que tiverem feito o bem para uma ressurreição de vida, e os que tiverem feito o mal para uma ressurreição de condenação».

COM A MORTE, QUE SUCEDE AO NOSSO CORPO E À NOSSA ALMA?

992 – 1004; 1016 –1018  Com a morte, separação da alma e do corpo, o corpo cai na corrupção, enquanto a alma, que é imortal, vai ao encontro do Julgamento divino e espera reunir-se ao corpo quando este, transformado, ressuscitar no regresso do Senhor. Compreender como acontecerá a ressurreição supera as possibilidades da nossa imaginação e do nosso entendimento.

QUE SIGNIFICA MORRER EM CRISTO JESUS?

1005-1014; 1019  Significa morrer na graça de Deus, sem pecado mortal. O que crê em Cristo e segue o Seu exemplo pode assim transformar a própria morte num ato de obediência e de amor ao Pai. «É certa esta palavra: se morrermos com Ele, também com Ele viveremos» (2 Tim 2,11).

O QUE É A VIDA ETERNA?

1020 1051  A vida eterna é a que se iniciará imediatamente após a morte. Ela não terá fim. Será precedida para cada um por um juízo particular realizado por Cristo, juiz dos vivos e dos mortos, e será confirmada pelo juízo final.

O QUE É O JUÍZO PARTICULAR?

1021 – 1022 1051  É o julgamento de retribuição imediata, que cada um, a partir da morte, recebe de Deus na sua alma imortal, em relação à sua fé e às suas obras. Tal retribuição consiste no acesso à bem-aventurança do céu, imediatamente ou depois de uma adequada purificação, ou então à condenação eterna no inferno.

O QUE SE ENTENDE POR «CÉU»?

1023 – 1026 1053  Por «céu» entende-se o estado de felicidade suprema e definitiva. Os que morrem na graça de Deus e não precisam de ulterior purificação são reunidos à volta de Jesus e de Maria, dos anjos e dos santos. Formam assim a Igreja do céu, onde vêem Deus «face a face» (1 Cor 13,12), vivem em comunhão de amor com a Santíssima Trindade e intercedem por nós.«A vida na sua própria realidade e verdade é o Pai que, pelo Filho e no Espírito Santo, sobre todos derrama como fonte, os seus dons celestes. E, pela sua bondade, promete verdadeiramente também a nós homens os bens divinos da vida eterna. (S. Cirilo de Jerusalém)

O QUE É O PURGATÓRIO?

1030 – 1031; 1054 O purgatório é o estado dos que morrem na amizade de Deus, mas, embora seguros da sua salvação eterna, precisam ainda de purificação para entrar na alegria de Deus.

COMO PODEMOS AJUDAR A PURIFICAÇÃO DAS ALMAS DO PURGATÓRIO?

1032  Em virtude da comunhão dos santos, os fiéis ainda peregrinos na terra podem ajudar as almas do purgatório oferecendo as suas orações de sufrágio, em particular o Sacrifício eucarístico, mas também esmolas, indulgências e obras de penitência.

COMO CONCILIAR O INFERNO COM A BONDADE INFINITA DE DEUS?

1036 – 1037  Deus, apesar de querer «que todos tenham modo de se arrepender» (2Ped 3,9), tendo criado o homem livre e responsável, respeita as suas decisões. Portanto, é o próprio homem que, em plena autonomia, se exclui voluntariamente da comunhão com Deus se, até ao momento da própria morte, persiste no pecado mortal, recusando o amor misericordioso de Deus.

EM QUE CONSISTE O INFERNO?

1033–1035; 1056–1057 Consiste na condenação eterna daqueles que, por escolha livre, morrem em pecado mortal. A pena principal do inferno é a eterna separação de Deus, o único em quem o homem encontra a vida e a felicidade para que foi criado, e a que aspira. Cristo exprime esta realidade com as palavras: «Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno» (Mt 25, 41).

EM QUE CONSISTIRÁ O JUÍZO FINAL?

1038–1041; 1058–1059 O juízo final (universal) consistirá na sentença de vida bem-aventurada ou de condenação eterna, que o Senhor Jesus, no seu regresso como juiz dos vivos e dos mortos, pronunciará em relação aos «justos e injustos» (Act 24, 15), reunidos todos juntos diante d’Ele. A seguir a tal juízo final, o corpo ressuscitado participará na retribuição que a alma teve no juízo particular.

QUANDO TERÁ LUGAR ESTE JUÍZO FINAL?

1040  O juízo final terá lugar no fim do mundo, do qual só Deus conhece o dia e a hora.

EM QUE CONSISTE A ESPERANÇA DOS NOVOS CÉUS E DA NOVA TERRA?

1042 – 1050 ; 1060  Depois do juízo final, o próprio universo, libertado da escravidão da corrupção, participará na glória de Cristo com a inauguração dos «novos céus e da nova terra» (2 Ped 3,13). Será assim alcançada a plenitude do Reino de Deus, ou seja a realização definitiva do desígnio salvífico de Deus de «recapitular em Cristo todas as coisas, as do céu e as da terra» (Ef 1,10). Deus será então «tudo em todos» (1 Cor 15,28), na vida eterna.

QUE SIGNIFICA O AMÉM, QUE CONCLUI A NOSSA PROFISSÃO DE FÉ?

1064 – 1065  A palavra hebraica Amém, que conclui o último livro da Sagrada Escritura, algumas orações do Novo Testamento e as orações litúrgicas da Igreja, significa o nosso «sim» confiante e total a tudo o que professamos crer, confiando totalmente n’Aquele que é o «Amém» (Ap 3,14) definitivo: Cristo Senhor.

A CELEBRAÇÃO DO MISTÉRIO CRISTÃO

A ECONOMIA SACRAMENTAL

O QUE É A LITURGIA?

1066 – 1070  A liturgia é a celebração do Mistério de Cristo e em particular do seu Mistério Pascal. Na liturgia, pelo exercício da função sacerdotal de Jesus Cristo, a santificação dos homens é significada e realizada mediante sinais, e é exercido, pelo Corpo místico de Cristo, ou seja, pela Cabeça e pelos membros, o culto público devido a Deus.

QUAL O LUGAR DA LITURGIA NA VIDA DA IGREJA?

1071 – 1075  A liturgia, ação sagrada por excelência, constitui o cume para onde tendem todas as ações da Igreja e, simultaneamente, a fonte donde provém toda a sua força vital. Através da liturgia, Cristo continua na sua Igreja, com ela e por meio dela, a obra da nossa redenção.

EM QUE CONSISTE A ECONOMIA SACRAMENTAL?

1076  A economia sacramental consiste na comunicação (ou «dispensação») dos frutos da redenção de Cristo mediante a celebração dos sacramentos da Igreja, principalmente da Eucaristia, «até que Ele venha» (1 Cor 11,26).

DE QUE MODO O PAI É A FONTE E O FIM DA LITURGIA?

1077 – 1083; 1110  Na liturgia, o Pai enche-nos das suas bênçãos no Filho encarnado, morto e ressuscitado por nós, e derrama o Espírito Santo nos nossos corações. Ao mesmo tempo a Igreja bendiz o Pai, mediante a adoração, o louvor e a ação de graças, e implora o dom do seu Filho e do Espírito Santo.

QUAL É A OBRA DE CRISTO NA LITURGIA?

1084 – 1090  Na liturgia da Igreja, Cristo significa e realiza principalmente o seu Mistério pascal. Doando o Espírito Santo aos Apóstolos, concedeu-lhes a eles e aos seus sucessores o poder de realizar a obra da salvação por meio do Sacrifício eucarístico e dos sacramentos, nos quais Ele próprio age agora para comunicar a sua graça aos fiéis de todos os tempos e em todo o mundo.

NA LITURGIA, COMO ATUA O ESPÍRITO SANTO EM RELAÇÃO À IGREJA?

1091 – 1109 ; 1112 Na liturgia, realiza-se a mais estreita cooperação entre o Espírito Santo e a Igreja. O Espírito Santo prepara a Igreja para encontrar o seu Senhor; recorda e manifesta Cristo à fé da assembléia; torna presente e atualiza o Mistério de Cristo; une a Igreja à vida e à missão de Cristo e faz frutificar nela o dom da comunhão.

O QUE SÃO E QUAIS SÃO OS SACRAMENTOS?

1113 – 1131  Os sacramentos são sinais sensíveis e eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, mediante os quais nos é concedida a vida divina. Os sacramentos são sete: o Batismo, a Confirmação, a Eucaristia, a Penitência, a Unção dos enfermos, a Ordem e o Matrimônio.

QUAL A RELAÇÃO DOS SACRAMENTOS COM CRISTO?

1114-1116  Os mistérios da vida de Cristo constituem o fundamento do que, de ora em diante, pelos ministros da sua Igreja, Cristo dispensa nos sacramentos.«O que era visível no nosso Salvador passou para os seus sacramentos» (S. Leão Magno).

QUAL A LIGAÇÃO ENTRE OS SACRAMENTOS E A IGREJA?

1117 – 1119  Cristo confiou os sacramentos à sua Igreja. Eles são «da Igreja» num duplo sentido: enquanto ação da Igreja, que é sacramento da ação de Cristo, e enquanto existem «para ela», ou seja, enquanto edificam a Igreja.

O QUE É O CARÁTER SACRAMENTAL?

1121 É um selo espiritual, conferido pelos sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Ordem. Este selo é promessa e garantia da proteção divina. Em virtude de tal selo, o cristão é configurado a Cristo, participa de diversos modos no seu sacerdócio, e faz parte da Igreja segundo estados e funções diversas, sendo pois consagrado ao culto divino e ao serviço da Igreja. Dado que o caráter é indelével, os sacramentos que o imprimem recebem-se uma só vez na vida.

QUAL É A RELAÇÃO DOS SACRAMENTOS COM A FÉ?

1122-1126 ; 1133  Os sacramentos não apenas supõem a fé como também, através das palavras e elementos rituais, a alimentam, fortificam e exprimem. Ao celebrá-los, a Igreja confessa a fé apostólica. Daí o adágio antigo: «lex orandi, lex credendi», isto é, a Igreja crê no que reza.

PORQUE É QUE OS SACRAMENTOS SÃO EFICAZES?

1127-1128 ; 1131  Os sacramentos são eficazes «pelo próprio fato de a ação sacramental ser realizada», porque é Cristo que neles age e comunica a graça que significam, independentemente da santidade pessoal do ministro, ainda que os frutos dos sacramentos dependam também das disposições de quem os recebe.

PORQUE MOTIVO OS SACRAMENTOS SÃO NECESSÁRIOS PARA A SALVAÇÃO?

1129  Embora nem todos os sacramentos sejam conferidos a cada um dos fiéis, eles são necessários para a salvação dos que crêem em Cristo, porque conferem as graças sacramenta  isto é, o perdão dos pecados, a adoção de filhos de Deus, a conformação a Cristo Senhor e a pertença à Igreja. O Espírito Santo cura e transforma aqueles que os recebem.

O QUE É A GRAÇA SACRAMENTAL?

1129; 1131; 1134; 2003  A graça sacramental é a graça do Espírito Santo, dada por Cristo e própria de cada sacramento. Tal graça ajuda o fiel, no seu caminho de santidade, bem como a Igreja no seu crescimento na caridade e no testemunho.

QUAL É A RELAÇÃO ENTRE OS SACRAMENTOS E A VIDA ETERNA?

1130 Nos sacramentos, a Igreja recebe já as arras da vida eterna, embora «aguardando a ditosa esperança e manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo» (Tit 2,13).

QUEM AGE NA LITURGIA?

1135 – 1137 ; 1187 Na liturgia age «o Cristo todo inteiro» («Christus Totus»), Cabeça e Corpo. Como sumo sacerdote, Ele celebra com o seu Corpo, que é a Igreja celeste e terrestre.

POR QUEM É CELEBRADA A LITURGIA CELESTE?

1138 – 1139  A liturgia celeste é celebrada pelos anjos, pelos santos da Antiga e da Nova Aliança, em particular pela Mãe de Deus, pelos Apóstolos, pelos mártires e por uma «numerosa multidão, que ninguém» pode contar, «de todas as nações, tribos, povos e línguas» (Ap 7,9). Quando nos sacramentos celebramos o mistério da salvação, participamos nesta liturgia eterna.

COMO É QUE A IGREJA NA TERRA CELEBRA A LITURGIA?

1140–1144 ; 1188  A Igreja, na terra, celebra a liturgia, como povo sacerdotal, no qual cada um atua segundo a própria função, na unidade do Espírito Santo: os batizados oferecem-se em sacrifício espiritual; os ministros ordenados celebram segundo a Ordem recebida para o serviço de todos os membros da Igreja; os Bispos e os presbíteros agem na pessoa de Cristo Cabeça.

COMO É CELEBRADA A LITURGIA?

1145  A celebração litúrgica é tecida de sinais e de símbolos, cujo significado, radicado na criação e nas culturas humanas, se esclarece nos acontecimentos da Antiga Aliança e se revela plenamente na Pessoa e na obra de Cristo.

DE ONDE PROVÊM OS SINAIS SACRAMENTAIS?

1146 – 1152 ; 189  Alguns provêm da criação (luz, água, fogo, pão, vinho, óleo); outros da vida social (lavar, ungir, partir o pão); outros da história da salvação na Antiga Aliança (os ritos da Páscoa, os sacrifícios, a imposição das mãos, as consagrações). Estes sinais, alguns dos quais são normativos e imutáveis, assumidos por Cristo tornam-se portadores da ação salvífica e de santificação.

QUAL O NEXO ENTRE AS AÇÕES E AS PALAVRAS, NAS CELEBRAÇÃO SACRAMENTAL?

1153- 1155 ; 1190  Na celebração sacramental, ações e palavras estão intimamente ligadas. Mesmo que as ações simbólicas sejam já em si uma linguagem, é todavia necessário que as palavras do rito acompanhem e vivifiquem estas ações. Enquanto sinais e ensino, as palavras e os gestos são inseparáveis, uma vez que realizam aquilo que significam.

QUAIS OS CRITÉRIOS DO CANTO E DA MÚSICA NA CELEBRAÇÃO LITÚRGICA?

1156 – 1158; 1191  Uma vez que o canto e a música estão intimamente conexos com a ação litúrgica, eles devem respeitar os seguintes critérios: a conformidade à doutrina católica dos textos, tomados de preferência da Escritura e das fontes litúrgicas; a beleza expressiva da oração; a qualidade da música; a participação da assembléia; a riqueza cultural do Povo de Deus e o caráter sacro e solene da celebração. «Quem canta reza duas vezes» (S. Agostinho).

QUAL A FINALIDADE DAS IMAGENS SAGRADAS?

1159 – 1161 ; 1192  A imagem de Cristo é o ícone litúrgico por excelência. As outras, que representam Nossa Senhora e os santos, significam Cristo, que nelas é glorificado. Elas proclamam a mesma mensagem evangélica que a Sagrada Escritura transmite através da palavra e ajudam a despertar e a alimentar a fé dos fiéis.

QUAL É O CENTRO DO TEMPO LITÚRGICO?

1163-1167 ; 1193  O centro do tempo litúrgico é o Domingo, fundamento e núcleo de todo o ano litúrgico, que tem o seu cume na Páscoa anual, a festa das festas.

QUAL É A FUNÇÃO DO ANO LITÚRGICO?

1168–1173; 1194–1195  No ano litúrgico, a Igreja celebra todo o Mistério de Cristo, da Encarnação até à sua vinda gloriosa. Nos dias estabelecidos, a Igreja venera com especial amor a bem-aventurada Virgem Maria Mãe de Deus, e também faz memória ao santos que por Cristo viveram com Ele, sofreram e com Ele são glorificados.

O QUE É A LITURGIA DAS HORAS?

1174 – 1178 ; 1196  A liturgia das horas, oração pública e comum da Igreja, é a oração de Cristo com o seu Corpo, a Igreja. Por ela, o Mistério de Cristo, que celebramos na Eucaristia, santifica e transfigura o tempo de cada dia. Ela compõe-se principalmente de Salmos e de outros textos bíblicos, e também de leituras dos Padres e dos mestres espirituais.

A IGREJA TEM NECESSIDADE DE LUGARES PARA CELEBRAR A LITURGIA?

1179–1181; 1197–1198  O culto «em espírito e verdade» (Jo 4,24) da Nova Aliança não está ligado a nenhum lugar exclusivo, porque Cristo é o verdadeiro templo de Deus, por meio do qual também os cristãos e toda a Igreja se tornam, sob a ação do Espírito Santo, templos do Deus vivo. Todavia o Povo de Deus, na sua condição terrena, tem necessidade de lugares nos quais a comunidade se possa reunir para celebrar a liturgia.

O QUE SÃO OS EDIFÍCIOS SAGRADOS?

1181; 1198-1199  São as casas de Deus, símbolo da Igreja que vive num lugar e também da morada celeste. São lugares de oração, nos quais a Igreja celebra sobretudo a Eucaristia e adora Cristo realmente presente no Tabernáculo.

QUAIS SÃO OS LUGARES PRIVILEGIADOS NO INTERIOR DOS EDIFÍCIOS SAGRADOS?

1182 – 1186  São: o altar, o Tabernáculo, o lugar onde se guarda o santo crisma e os outros óleos sagrados, a cadeira do Bispo (cátedra) ou do presbítero, o Ambão, a fonte batismal, o confessionário.

PORQUE É QUE A IGREJA CELEBRA O ÚNICO MISTÉRIO DE CRISTO SEGUNDO TRADIÇÕES LITÚRGICAS DIFERENTES?

1200-1204 ; 1207-1209  Porque a insondável riqueza do Mistério de Cristo não pode ser esgotada por uma única tradição litúrgica. Desde as origens, esta riqueza encontrou, nos vários povos e culturas, expressões caracterizadas por uma admirável variedade e complementaridade.

QUAL É O CRITÉRIO, QUE ASSEGURA A UNIDADE NA DIVERSIDADE?

1209  É a fidelidade à Tradição Apostólica, isto é, à comunhão na fé e nos sacramentos recebidos dos Apóstolos, comunhão que é significada e garantida pela sucessão apostólica. A Igreja é católica: pode, portanto, integrar na sua unidade todas as verdadeiras riquezas das culturas.

NA LITURGIA, TUDO É IMUTÁVEL?

1205 – 1206  Na liturgia, sobretudo na dos sacramentos, existem elementos imutáveis, porque de instituição divina, e dos quais a Igreja é guardiã. Existem depois elementos susceptíveis de mudança, que a Igreja tem o poder, e, muitas vezes o dever, de adaptar às culturas dos diferentes povos.

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

COMO AGRUPAR OS SACRAMENTOS DA IGREJA?

1210-1211  Em: sacramentos da iniciação cristã (Batismo, Confirmação e Eucaristia); sacramentos da cura (Penitência e Unção dos enfermos); sacramentos ao serviço da comunhão e da missão (Ordem e Matrimônio). Os sacramentos tocam todas as etapas e momentos importantes da vida cristã. Todos os sacramentos estão ordenados para a Eucaristia «como para o seu fim» (S. Tomás de Aquino).

COMO SE REALIZA A INICIAÇÃO CRISTÃ?

1212 1275  Realiza-se mediante os sacramentos que lançam os alicerces da vida cristã: os fiéis, renascidos pelo Batismo, são fortalecidos pela Confirmação e alimentados pela Eucaristia.

QUAIS OS NOMES DO PRIMEIRO SACRAMENTO DA INICIAÇÃO?

1213 – 1216 ; 1276 – 1277  Antes de mais, chama-se Batismo por causa do rito central com que é celebrado: batizar significa «imergir» na água. O que é batizado é imerso na morte de Cristo e ressurge com Ele como «nova criatura» (2 Cor 5,17). Chama-se também «banho da regeneração e da renovação no Espírito Santo» (Tit 3,5) e «iluminação», porque o batizado se torna «filho da luz» (Ef 5, 8).

COMO É PREFIGURADO O BATISMO NA ANTIGA ALIANÇA?

1217-1222  Na Antiga Aliança encontram-se várias prefigurações do Batismo: a água, fonte de vida e de morte; a arca de Noé, que salva por meio da água; a passagem do Mar Vermelho, que liberta Israel da escravidão do Egito; a travessia do Jordão, que introduz Israel na terra prometida, imagem da vida eterna.

QUEM CONDUZ AO CUMPRIMENTO TAIS PREFIGURAÇÕES?

1223-1224  É Jesus Cristo, o qual, no início da sua vida pública, se fez batizar por João Baptista, no Jordão: na cruz, do seu lado trespassado, derramou sangue e água, sinais do Batismo e da Eucaristia, e depois da Ressurreição confia aos Apóstolos esta missão: «Ide e ensinai todos os povos, batizando-os no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28, 19-20).

DESDE QUANDO E A QUEM É QUE A IGREJA ADMINISTRA O BATISMO?

1226 – 1228  Desde o dia de Pentecostes que a Igreja administra o Batismo a quem crê em Jesus Cristo.

QUEM PODE RECEBER O BATISMO?

1246 – 1252  É capaz para receber o Batismo toda a pessoa ainda não batizada.

PORQUE É QUE A IGREJA BATIZA AS CRIANÇAS?

1250  Porque tendo nascido com o pecado original, elas têm necessidade de ser libertadas do poder do Maligno e de ser transferidas para o reino da liberdade dos filhos de Deus.

É POSSÍVEL SER SALVO SEM O BATISMO?

1258-1261 ; 1281-1283  Porque Cristo morreu para a salvação de todos, podem ser salvos mesmo sem o Batismo os que morrem por causa da fé (Batismo de sangue), os catecúmenos, e todos os que sob o impulso da graça, sem conhecer Cristo e a Igreja, procuram sinceramente a Deus e se esforçam por cumprir a sua vontade (Batismo de desejo). Quanto às crianças, mortas sem Batismo, a Igreja na sua liturgia confia-as à misericórdia de Deus.

O QUE SE REQUER DE UM BATIZANDO?

1253-1255  Ao batizando é exigida a profissão de fé, expressa pessoalmente no caso do adulto, ou então por parte dos pais e da Igreja no caso da criança. Também o padrinho ou madrinha e toda a comunidade eclesial têm uma parte de responsabilidade na preparação para o Batismo (catecumenato), bem como no desenvolvimento da fé e da graça batismal.

QUEM PODE BATIZAR?

1266; 1284  Os ministros ordinários do Batismo são o Bispo e o presbítero; na Igreja latina, também o diácono. Em caso de necessidade, qualquer pessoa pode batizar, desde que entenda fazer o que faz a Igreja e derrame água sobre a cabeça do candidato, dizendo a fórmula trinitária batismal: «Eu te batizo em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo».

É NECESSÁRIO O BATISMO PARA A SALVAÇÃO?

1257  O Batismo é necessário para a salvação daqueles a quem foi anunciado o Evangelho e que têm a possibilidade de pedir este sacramento.

QUE SIGNIFICADO ASSUME O NOME CRISTÃO RECEBIDO NO BATISMO?

2156-2159 ; 2167  O nome é importante, porque Deus conhece cada um pelo nome, isto é, na sua unicidade. Com o Batismo, o cristão recebe na Igreja o próprio nome, de preferência o de um santo, de maneira que este ofereça ao batizado um modelo de santidade e lhe assegure a sua intercessão junto de Deus.

QUAIS SÃO OS EFEITOS DO BATISMO?

1262-1274 ; 1279-1280 O Batismo perdoa o pecado original, todos os pecados pessoais e as penas devidas ao pecado; faz participar na vida divina trinitária mediante a graça santificante, a graça da justificação que incorpora em Cristo e na Igreja; faz participar no sacerdócio de Cristo e constitui o fundamento da comunhão entre todos os cristãos; confere as virtudes teologais e os dons do Espírito Santo. O batizado pertence para sempre a Cristo: com efeito, é assinalado com o selo indelével de Cristo (caráter).

QUAL É O LUGAR DA CONFIRMAÇÃO NO DESÍGNIO DIVINO DA SALVAÇÃO?

1285- 1288 ; 1315  Na Antiga Aliança, os profetas anunciaram a comunicação do Espírito do Senhor ao Messias esperado e a todo o povo messiânico. Toda a vida e missão de Jesus se desenvolvem numa total comunhão com o Espírito Santo. Os Apóstolos recebem o Espírito Santo no Pentecostes e anunciam «as grandes obras de Deus» (At 2,11). Comunicam aos neófitos, através da imposição das mãos, o dom do mesmo Espírito. Ao longo dos séculos, a Igreja continuou a viver do Espírito e a comunicá-lo aos seus filhos.

PORQUE SE CHAMA CRISMA OU CONFIRMAÇÃO?

1289   Chama-se Crisma (nas Igrejas Orientais: Crismação com o Santo Myron) por causa do rito essencial que é a unção. Chama-se Confirmação, porque confirma e reforça a graça batismal.

QUAL O RITO ESSENCIAL DA CONFIRMAÇÃO?

1290-1301 ; 1318 ; 1320-1321  O rito essencial da Confirmação é a unção com o santo crisma (óleo misturado com bálsamo, consagrado pelo Bispo), feita com a imposição da mão por parte do ministro que pronuncia as palavras sacramentais próprias do rito. No Ocidente, tal unção é feita sobre a fronte do batizado com as palavras: «Recebe por este sinal, o Espírito Santo, o Dom de Deus». Nas Igrejas Orientais de rito bizantino, a unção faz-se também noutras partes do corpo, com a fórmula: « Selo do dom do Espírito Santo».

QUAL É O EFEITO DA CONFIRMAÇÃO?

1302-1305 ; 1316 – 1317  O efeito da Confirmação é a efusão especial do Espírito Santo, como no Pentecostes. Tal efusão imprime na alma um caráter indelével e traz consigo um crescimento da graça batismal: enraíza mais profundamente na filiação divina; une mais firmemente a Cristo e à sua Igreja; revigora na alma os dons do Espírito Santo; dá uma força especial para testemunhar a fé cristã.

QUEM PODE RECEBER ESTE SACRAMENTO?

1306–1311 ; 1319  Pode e deve recebê-lo, uma só vez, quem já foi batizado, o qual, para o receber eficazmente, deve estar em estado de graça.

QUEM É O MINISTRO DA CONFIRMAÇÃO?

1312 – 1314  O ministro originário é o Bispo. Assim se manifesta o laço do crismado com a Igreja na sua dimensão apostólica. Quando o presbítero confere este sacramento – como acontece ordinariamente no Oriente e em casos especiais no Ocidente – o laço com o Bispo e com a Igreja é expresso pelo presbítero, colaborador do Bispo, e pelo santo crisma, consagrado pelo Bispo.

O QUE É A EUCARISTIA?

1322-1323 ; 1409  É o próprio sacrifício do Corpo e do Sangue do Senhor Jesus, que Ele instituiu para perpetuar o sacrifício da cruz no decorrer dos séculos até ao seu regresso, confiando assim à sua Igreja o memorial da sua Morte e Ressurreição. É o sinal da unidade, o vínculo da caridade, o banquete pascal, em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é dado o penhor da vida eterna.

QUANDO É QUE JESUS CRISTO INSTITUIU A EUCARISTIA?

1323 ; 1337-1340  Instituiu-a na Quinta Feira Santa, «na noite em que foi entregue» (1 Cor 11,23), ao celebrar a Última Ceia com os seus Apóstolos.

COMO É QUE A INSTITUIU?

1337-1340 ; 1365, 1406  Depois de reunir os Apóstolos no Cenáculo, Jesus tomou nas suas mãos o pão, partiu-o e deu-lho dizendo: «Tomai e comei todos: isto é o meu corpo entregue por vós». Depois tomou nas suas mãos o cálice do vinho e disse-lhes: «tomai e bebei todos: este é o cálice do meu sangue para a nova e eterna aliança, derramado por vós e por todos para a remissão dos pecados. Fazei isto em memória de mim».

O QUE SIGNIFICA A EUCARISTIA NA VIDA DA IGREJA?

1324-1327 ; 1407  É fonte e cume da vida cristã. Na Eucaristia, atinge o auge a ação santificadora de Deus em nosso favor e o nosso culto para com Ele. Nela está contido todo o tesouro espiritual da Igreja: o próprio Cristo, nossa Páscoa. A comunhão da vida divina e a unidade do Povo de Deus são significadas e realizadas na Eucaristia. Pela celebração eucarística unimo-nos desde já à liturgia do Céu e antecipamos a vida eterna.

COMO É CHAMADO ESTE SACRAMENTO?

1328 – 1332 A insondável riqueza deste sacramento exprime-se com diferentes nomes que evocam alguns dos seus aspectos particulares. Os mais comuns são: Eucaristia, Santa Missa, Ceia do Senhor, Fração do pão, Celebração Eucarística, Memorial da paixão, da morte e da ressurreição do Senhor, Santo Sacrifício, Santa e Divina Liturgia, Santos Mistérios, Santíssimo Sacramento do altar, Santa Comunhão.

QUAL O LUGAR DA EUCARISTIA NO DESÍGNIO DA SALVAÇÃO?

1333 – 1344 Na Antiga Aliança, a Eucaristia é preanunciada sobretudo na ceia pascal anual, celebrada cada ano pelos judeus com os pães ázimos, para recordar a imprevista e libertadora partida do Egito. Jesus anuncia-a no seu ensino e institui-a, celebrando com os seus Apóstolos a última Ceia, durante um banquete pascal. A Igreja, fiel ao mandamento do Senhor: «Fazei isto em memória de mim» (1 Cor 11, 24), sempre celebrou a Eucaristia, sobretudo ao Domingo, dia da ressurreição de Jesus.

COMO SE DESENROLA A CELEBRAÇÃO DA EUCARISTIA?

1345 – 1355 ; 1408  Desenrola-se em dois grandes momentos que formam um só ato de culto: a liturgia da Palavra, que compreende a proclamação e escuta da Palavra de Deus; e a liturgia eucarística, que compreende a apresentação do pão e do vinho, a oração ou anáfora, que contém as palavras da consagração, e a comunhão.

QUEM É O MINISTRO DA CELEBRAÇÃO DA EUCARISTIA?

1348 ; 1411  É o sacerdote (Bispo ou presbítero), validamente ordenado, que age na Pessoa de Cristo Cabeça e em nome da Igreja.

QUAIS OS ELEMENTOS ESSENCIAIS E NECESSÁRIOS PARA REALIZAR A EUCARISTIA?

1412  São o pão de trigo e o vinho da videira.

COMO É QUE A IGREJA PARTICIPA NO SACRIFÍCIO EUCARÍSTICO?

1368 – 1372 ; 1414  Na Eucaristia, o sacrifício de Cristo torna-se também o sacrifício dos membros do seu Corpo. A vida dos fiéis, o seu louvor, o seu sofrimento, a sua oração, o seu trabalho são unidos aos de Cristo. Enquanto sacrifício, a Eucaristia é também oferecida por todos os fiéis vivos e defuntos, em reparação dos pecados de todos os homens e para obter de Deus benefícios espirituais e temporais. A Igreja do céu está unida também à oferta de Cristo.

COMO É QUE A EUCARISTIA É MEMORIAL DO SACRIFÍCIO DE CRISTO?

1362– 1367  A eucaristia é memorial no sentido que torna presente e atual o sacrifício que Cristo ofereceu ao Pai, uma vez por todas, na cruz, em favor da humanidade. O caráter sacrificial da Eucaristia manifesta-se nas próprias palavras da instituição: «Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós» e «este cálice é a nova aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós» (Lc 22,19-20). O sacrifício da cruz e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício. Idênticos são a vítima e Aquele que oferece, diverso é só o modo de oferecer-se: cruento na cruz, incruento na Eucaristia.

COMO É QUE JESUS ESTÁ PRESENTE NA EUCARISTIA?

1373 – 1375 ; 1413  Jesus Cristo está presente na Eucaristia dum modo único e incomparável. De fato, está presente de modo verdadeiro, real, substancial: com o seu Corpo e o seu Sangue, com a sua Alma e a sua Divindade. Nela está presente em modo sacramental, isto é, sob as espécies eucarísticas do pão e do vinho, Cristo completo: Deus e homem.

QUE SIGNIFICA TRANSUBSTANCIAÇÃO?

1376 – 1377 ; 1413 Transubstanciação significa a conversão de toda a substância do pão na substância do Corpo de Cristo e de toda a substância do vinho na substância do seu Sangue. Esta conversão realiza-se na oração eucarística mediante a eficácia da palavra de Cristo e a ação do Espírito Santo. Todavia as características sensíveis do pão e do vinho, isto é as «espécies eucarísticas», permanecem inalteradas.

A FRAÇÃO DO PÃO DIVIDE CRISTO?

1377  A fração do pão não divide Cristo: Ele está presente todo inteiro em cada uma das espécies eucarísticas e em cada uma das suas partes.

ATÉ QUANDO CONTINUA A PRESENÇA EUCARÍSTICA DE CRISTO?

1377  Ela continua enquanto subsistem as espécies eucarísticas.

QUE TIPO DE CULTO É DEVIDO AO SACRAMENTO DA EUCARISTIA?

1378 – 1381 ; 1418  É devido o culto de latria,(culto que se presta exclusivamente a Deus ) isto é, de adoração reservado só a Deus quer durante a celebração eucarística quer fora dela. De fato, a Igreja conserva com a maior diligência as Hóstias consagradas, leva-as aos enfermos e às pessoas impossibilitadas de participar na Santa Missa, apresenta-as à solene adoração dos fiéis, leva-as em procissão e convida à visita freqüente e à adoração do Santíssimo Sacramento conservado no tabernáculo.

PORQUE É QUE A EUCARISTIA É BANQUETE PASCAL?

1382 – 1384 ; 1391 – 1396 A Eucaristia é o banquete pascal, porque Cristo, pela realização sacramental da sua Páscoa, nos dá o seu Corpo e o seu Sangue, oferecidos como alimento e bebida, e nos une a si e entre nós no seu sacrifício.

QUE SIGNIFICA O ALTAR?

1383 ; 1410  O altar é o símbolo do próprio Cristo, presente como vítima sacrificial (altar- sacrifício da cruz) e como alimento celeste que se nos dá (altar-mesa eucarística).

QUANDO É QUE A IGREJA OBRIGA A PARTICIPAR NA SANTA MISSA?

1389 ; 1417  A Igreja obriga os fiéis a participar na santa Missa cada Domingo e nas festas de preceito, e recomenda a participação nela também nos outros dias.

QUANDO SE DEVE COMUNGAR?

1389  A Igreja recomenda aos fiéis que participam na santa Missa que também recebam, com as devidas disposições, a sagrada Comunhão, prescrevendo a obrigação de a receber ao menos pela Páscoa.

QUE SE REQUER PARA RECEBER A SAGRADA COMUNHÃO?

1385–1389; 1415  Para receber a sagrada Comunhão é preciso estar plenamente incorporado à Igreja católica e em estado de graça, isto é, sem consciência de pecado mortal. Quem tem consciência de ter cometido pecado grave deve receber o sacramento da Reconciliação antes da Comunhão. São também importante o espírito de recolhimento e de oração, a observância do jejum prescrito pela Igreja e ainda a atitude corporal (gestos, trajes), como sinal de respeito para com Cristo.

QUAIS SÃO OS FRUTOS DA SAGRADA COMUNHÃO?

1391 – 1397 ; 1416  A sagrada Comunhão aumenta a nossa união com Cristo e com a sua Igreja, conserva e renova a vida da graça recebida no Batismo e no Crisma, e faz-nos crescer no amor para com o próximo. Fortalecendo-nos na caridade, perdoa os pecados veniais e preserva-nos dos pecados mortais, no futuro.

QUANDO É POSSÍVEL ADMINISTRAR A SAGRADA COMUNHÃO AOS OUTROS CRISTÃOS?

1398-1401  Os ministros católicos administram licitamente a sagrada comunhão aos membros das Igrejas orientais que não têm plena comunhão com a Igreja católica, sempre que estes espontaneamente a peçam e com as devidas disposições. No que se refere aos membros doutras Comunidades eclesiais, os ministros católicos administram licitamente a sagrada comunhão aos fiéis, que, por motivos graves, a peçam espontaneamente, tenham as devidas disposições e manifestem a fé católica acerca do sacramento.

PORQUE É QUE A EUCARISTIA É «PENHOR DA FUTURA GLÓRIA»?

1402 – 1405  Porque a Eucaristia nos enche das graças e bênçãos do Céu, fortalece-nos para a peregrinação desta vida, faz-nos desejar a vida eterna, unindo-nos desde já a Cristo, sentado à direita do Pai, à Igreja do Céu, à santíssima Virgem e a todos os santos.  Na Eucaristia, partimos «o mesmo pão, que é remédio de imortalidade, antídoto para não morrer, mas para viver eternamente em Jesus Cristo» (S. Inácio de Antioquia).

PORQUE É QUE CRISTO INSTITUIU OS SACRAMENTOS DA PENITÊNCIA E DA UNÇÃO DOS ENFERMOS?

1420 – 1421 ; 1426  Cristo, médico da alma e do corpo, instituiu-os porque a vida nova, que Ele nos deu nos sacramentos da iniciação cristã, pode ser enfraquecida e até perdida por causa do pecado. Por isso, Cristo quis que a Igreja continuasse a sua obra de cura e de salvação mediante estes dois sacramentos.

COMO É CHAMADO ESTE SACRAMENTO?

1422 – 1424  É chamado sacramento da penitência, da reconciliação, do perdão, da confissão, da conversão.

PORQUE EXISTE UM SACRAMENTO DA RECONCILIAÇÃO DEPOIS DO BATISMO?

1425 – 1426 ; 1484 Porque a nova vida da graça, recebida no batismo, não suprimiu a fragilidade da natureza humana nem a inclinação para o pecado (isto é, a concupiscência), Cristo instituiu este sacramento para a conversão dos batizados que pelo pecado d’ele se afastaram.

QUANDO FOI INSTITUÍDO ESTE SACRAMENTO?

1485 O Senhor ressuscitado instituiu este sacramento quando, na tarde de páscoa, se mostrou aos apóstolos e lhes disse: «recebei o espírito santo; àqueles a quem perdoardes os pecados serão perdoados, e àqueles a quem os retiverdes serão retidos» (jo 20, 22-23).

OS BATIZADOS TÊM AINDA NECESSIDADE DE CONVERSÃO?

1427 – 1429  O apelo à conversão ressoa continuamente na vida dos batizados. Esta conversão é um empenho contínuo para toda a Igreja, que é santa mas contém pecadores no seu seio.

O QUE É A PENITÊNCIA INTERIOR?

1430 – 1433 ; 1490  É o dinamismo do «coração contrito» (Sal 51,19), movido pela graça divina a responder ao amor misericordioso de Deus. Implica a dor e a repulsa pelos pecados cometidos, o propósito firme de não mais pecar e a confiança na ajuda de Deus. Alimenta-se da esperança na misericórdia divina.

COMO SE MANIFESTA A PENITÊNCIA NA VIDA CRISTÃ?

1434 – 1439  A penitência manifesta-se de muitas maneiras, em especial pelo jejum, a oração e a esmola. Estas e muitas outras formas de penitência podem ser praticadas na vida quotidiana do cristão, especialmente no tempo da Quaresma e no dia penitencial de Sexta feira.

QUAIS OS ELEMENTOS ESSENCIAIS DO SACRAMENTO DA RECONCILIAÇÃO?

1440 – 1449  São dois: os atos realizados pelo homem que se converte sob a ação do Espírito Santo e a absolvição do sacerdote, que em Nome de Cristo concede o perdão e estabelece a modalidade da satisfação.

QUAIS SÃO OS ATOS DO PENITENTE?

1450 – 1460; 1487 – 1492  São: um diligente exame de consciência; a contrição (ou arrependimento), que é perfeita, quando é motivada pelo amor a Deus, e imperfeita, se fundada sobre outros motivos, e que inclui o propósito de não mais pecar; a confissão, que consiste na acusação dos pecados feita diante do sacerdote; a satisfação, ou seja, o cumprimento de certos atos de penitência, que o confessor impõe ao penitente para reparar o dano causado pelo pecado.

QUE PECADOS SE DEVEM CONFESSAR?

1456  Devem-se confessar todos os pecados graves ainda não confessados, dos quais nos recordamos depois dum diligente exame de consciência. A confissão dos pecados graves é o único modo ordinário para obter o perdão.

QUANDO SE É OBRIGADO A CONFESSAR OS PECADOS GRAVES?

1457 Todo o fiel, obtida a idade da razão, é obrigado a confessar os seus pecados graves ao menos uma vez por ano e antes de receber a Sagrada Comunhão.

PORQUE É QUE OS PECADOS VENIAIS PODEM SER TAMBÉM OBJETO DA CONFISSÃO SACRAMENTAL?

1458 A confissão dos pecados veniais é muito recomendada pela Igreja, embora não estritamente necessária, porque nos ajuda a formar uma consciência reta e a lutar contra as más inclinações, para nos deixarmos curar por Cristo e progredirmos na vida do Espírito.

QUEM É O MINISTRO DESTE SACRAMENTO?

1461 – 1466 ; 1495  Cristo confiou o ministério da reconciliação aos seus Apóstolos, aos Bispos seus sucessores e aos presbíteros seus colaboradores, os quais portanto se convertem em instrumentos da misericórdia e da justiça de Deus. Eles exercem o poder de perdoar os pecados no Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

A QUEM É RESERVADA A ABSOLVIÇÃO DE ALGUNS PECADOS?

1463  A absolvição de alguns pecados particularmente graves (como os punidos com a excomunhão) é reservada à Sé Apostólica ou ao Bispo do lugar ou aos presbíteros por ele autorizados, embora todo o sacerdote possa absolver de qualquer pecado e excomunhão a quem se encontra em perigo de morte.

O CONFESSOR É OBRIGADO AO SEGREDO?

1467  Dada a delicadeza e a grandeza deste ministério e o respeito devido às pessoas, todo o confessor está obrigado a manter o sigilo sacramental, isto é, o absoluto segredo acerca dos pecados conhecidos em confissão, sem nenhuma exceção e sob penas severíssimas.

QUAIS SÃO OS EFEITOS DESTE SACRAMENTO?

1468 – 1470 ; 1496  Os efeitos do sacramento da Penitência são: a reconciliação com Deus e portanto o perdão dos pecados; a reconciliação com a Igreja; a recuperação, se perdida, do estado de graça; a remissão da pena eterna merecida por causa dos pecados mortais e, ao menos em parte, das penas temporais que são conseqüência do pecado; a paz e a serenidade da consciência, e a consolação do espírito; o acréscimo das forças espirituais para o combate cristão.

QUANDO SE PODE CELEBRAR ESTE SACRAMENTO COM CONFISSÃO GENÉRICA E ABSOLVIÇÃO COLETIVA?

1480 – 1484  Em casos de grave necessidade (como o perigo iminente de morte), pode-se recorrer à celebração comunitária da Reconciliação com confissão genérica e absolvição coletiva, respeitando as normas da Igreja e com o propósito de confessar individualmente os pecados graves no tempo oportuno.

O QUE SÃO AS INDULGÊNCIAS?

1471-1479 ; 1498  As indulgências são a remissão diante de Deus da pena temporal devida aos pecados, já perdoados quanto à culpa, que, em determinadas condições, o fiel adquire para si ou para os defuntos mediante o ministério da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui o tesouro dos méritos de Cristo e dos Santos.

COMO É VIVIDA A DOENÇA NO ANTIGO TESTAMENTO?

1499-1502  No Antigo Testamento, o homem doente experimenta os seus limites e ao mesmo tempo percebe que a doença está ligada misteriosamente ao pecado. Os profetas intuíram que a doença podia ter também um valor redentor em relação aos próprios pecados e aos dos outros. Assim, a doença era vivida perante Deus, da qual o homem implorava a cura.

QUE SENTIDO TEM A COMPAIXÃO DE JESUS PELOS DOENTES?

1503-1505  A compaixão de Jesus pelos doentes e as numerosas curas de enfermos são um claro sinal de que, com Ele, chegou o Reino de Deus e a vitória sobre o pecado, o sofrimento e a morte. Com a sua paixão e morte, Ele dá um novo sentido ao sofrimento, o qual, se unido ao seu, pode ser meio de purificação e de salvação para nós e para os outros.

QUAL É O COMPORTAMENTO DA IGREJA EM RELAÇÃO AOS DOENTES?

1506-1513; 1526-1527 A Igreja, tendo recebido do Senhor a ordem de curar os enfermos, procura pô-la em prática com os cuidados para com os doentes, acompanhados da oração de intercessão. Ela possui sobretudo um sacramento específico em favor dos enfermos, instituído pelo próprio Cristo e atestado por São Tiago: «Quem está doente, chame a si os presbíteros da Igreja e rezem por ele, depois de o ter ungido com óleo no nome do Senhor» (Tg 5,14-15).

QUEM PODE RECEBER O SACRAMENTO DA UNÇÃO DOS ENFERMOS?

1514 –1515 ; 1528- 1529  Este sacramento pode ser recebido pelo fiel que começa a encontrar-se em perigo de morte por doença ou velhice. O mesmo fiel pode recebê-lo também outras vezes se a doença se agrava ou então no caso doutra doença grave. A celebração deste sacramento, se possível, deve ser precedida pela confissão individual do doente.

QUEM ADMINISTRA ESTE SACRAMENTO?

1516. 1530  Só pode ser administrado pelos sacerdotes (Bispos ou presbíteros).

COMO SE CELEBRA ESTE SACRAMENTO?

1517-1519 1531  A celebração deste sacramento consiste essencialmente na unção com óleo benzido, se possível, pelo Bispo, na fronte e nas mãos do doente (no rito romano, ou também noutras partes do corpo segundo outros ritos), acompanhada da oração do sacerdote, que implora a graça especial deste sacramento.

QUAIS SÃO OS EFEITOS DESTE SACRAMENTO?

1520 – 1523 ; 1532  Ele confere uma graça especial que une mais intimamente o doente à Paixão de Cristo, para o seu bem e de toda a Igreja, dando-lhe conforto, paz, coragem, e também o perdão dos pecados, se o doente não se pode confessar. Este sacramento consente por vezes, se for a vontade de Deus, também a recuperação da saúde física. Em todo o caso, esta Unção prepara o doente para a passagem à Casa do Pai.

O QUE É O VIÁTICO?

1524 – 1525  É a Eucaristia recebida por aqueles que estão para deixar esta vida terrena e se preparam para a passagem à vida eterna. Recebida no momento da passagem deste mundo ao Pai, a Comunhão do Corpo e Sangue de Cristo morto e ressuscitado é semente de vida eterna e potência de ressurreição.

QUAIS SÃO OS SACRAMENTOS AO SERVIÇO DA COMUNHÃO E DA MISSÃO?

1533–1535  Dois sacramentos, a Ordem e o Matrimônio, conferem uma graça especial para uma missão particular na Igreja em ordem à edificação do povo de Deus. Eles contribuem em especial para a comunhão eclesial e para a salvação dos outros.

O QUE É O SACRAMENTO DA ORDEM?

1536  É o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo aos seus Apóstolos continua a ser exercida na Igreja, até ao fim dos tempos.

PORQUE SE CHAMA SACRAMENTO DA ORDEM?

1537 – 1538  Ordem indica um corpo eclesial, do qual se passa a fazer parte, mediante uma especial consagração (Ordenação), a qual, por um particular dom do Espírito Santo, permite exercer um poder sagrado em nome e com a autoridade de Cristo para o serviço do povo de Deus.

QUAL O LUGAR DO SACRAMENTO DA ORDEM NO DESÍGNIO DIVINO DA SALVAÇÃO?

1539 – 1546 ; 1590 – 1591 Na Antiga Aliança, este sacramento é prefigurado no serviço dos Levitas, no sacerdócio de Aarão e na instituição dos setenta «Anciãos» (Num 11,25). Estas prefigurações encontraram realização em Cristo Jesus, o qual, com o sacrifício da sua cruz, é o «único (…) mediador entre Deus e os homens» (1 Tim 2,5), o Sumo sacerdote à maneira de Melquisedec» (Heb 5,10). O único sacerdócio de Cristo é tornado presente pelo sacerdócio ministerial.«Só Cristo é o verdadeiro sacerdote, os outros são seus ministros» (S. Tomás de Aquino)

DE QUANTOS GRAUS SE COMPÕE O SACRAMENTO DA ORDEM?

1554 ; 1593 Compõe-se de três graus, que são insubstituíveis para a estrutura orgânica da Igreja: o episcopado, o presbiterado e o diaconato.

QUAL É O EFEITO DA ORDENAÇÃO EPISCOPAL?

1557-1558 1594  A Ordenação episcopal confere a plenitude do sacramento da Ordem, faz do Bispo o legítimo sucessor dos Apóstolos, insere-o no Colégio episcopal, partilhando com o Papa e os outros Bispos a solicitude por todas as Igrejas, e confere-lhe a missão de ensinar, santificar e governar.

QUAL É A MISSÃO DO BISPO NA IGREJA PARTICULAR QUE LHE FOI CONFIADA?

1560 – 1561  O Bispo, ao qual é confiada uma Igreja particular, é o princípio visível e o fundamento da unidade dessa Igreja, a favor da qual exerce, como vigário de Cristo, o ministério pastoral, coadjuvado pelos presbíteros e diáconos.

QUAL É O EFEITO DA ORDENAÇÃO PRESBITERAL?

1562 – 1567 ; 1595  A unção do Espírito assinala o presbítero com um caráter espiritual indelével, configura-o a Cristo sacerdote e torna-o capaz de agir em nome de Cristo Cabeça. Sendo cooperador da Ordem episcopal, ele é consagrado para pregar o Evangelho, para celebrar o culto divino, sobretudo a Eucaristia, da qual o seu ministério recebe a força, e para ser o pastor dos fiéis.

COMO É QUE O PRESBÍTERO EXERCE O SEU MINISTÉRIO?

1568  Embora seja ordenado para uma missão universal, ele exerce-a numa Igreja particular, em fraternidade sacramental com os outros presbíteros que formam o «presbitério» e que, em comunhão com o Bispo, e, em dependência dele, têm a responsabilidade da Igreja particular.

QUAL É O EFEITO DA ORDENAÇÃO DIACONAL?

1569 – 1571 ; 1596  O diácono, configurado a Cristo servo de todos, é ordenado para o serviço da Igreja sob a autoridade do Bispo, em relação ao ministério da Palavra, do culto divino, da condução pastoral e da caridade.

COMO SE CELEBRA O SACRAMENTO DA ORDEM?

1572 – 1574 ; 1597  Para cada um dos três graus, o sacramento da Ordem é conferido pela imposição das mãos sobre a cabeça do ordinando por parte do Bispo, que pronuncia a solene oração consecratória. Com ela, o Bispo invoca de Deus, para o ordinando, a especial efusão do Espírito Santo e dos seus dons, em ordem ao ministério.

QUEM PODE CONFERIR ESTE SACRAMENTO?

1575 – 1576; 1600  Compete aos Bispos validamente ordenados, enquanto sucessores dos Apóstolos, conferir os três graus do sacramento da Ordem.

QUEM PODE RECEBER ESTE SACRAMENTO?

1577 – 1578; 1598  Só o batizado de sexo masculino o pode receber validamente: a Igreja reconhece-se vinculada a esta escolha feita pelo próprio Senhor. Ninguém pode exigir a recepção do sacramento da Ordem, antes deve ser considerado apto para o ministério pela autoridade da Igreja.

É REQUERIDO O CELIBATO A QUEM RECEBE O SACRAMENTO DA ORDEM?

1579 – 1580 ; 1599  Para o episcopado é sempre requerido o celibato. Na Igreja latina, para o presbiterado, são normalmente escolhidos homens crentes que vivem celibatários e têm vontade de guardar o celibato «pelo reino dos céus» (Mt 19,12). Nas Igrejas Orientais, não é consentido casar depois da Ordenação. O diaconato permanente pode ser conferido a homens já casados.

QUAIS SÃO OS EFEITOS DO SACRAMENTO DA ORDEM?

1581-1589  Este sacramento dá uma especial efusão do Espírito Santo, que configura o ordenado a Cristo na sua tríplice função de Sacerdote, Profeta e Rei, segundo os respectivos graus do sacramento. A ordenação confere um caráter espiritual indelével: por isso não pode ser repetida nem conferida por um tempo limitado.

PARA QUE FINS INSTITUIU DEUS O MATRIMÔNIO?

1659-1660  A união matrimonial do homem e da mulher, fundada e dotada de leis próprias pelo Criador, está por sua natureza ordenada à comunhão e ao bem dos cônjuges e à geração e bem dos filhos. Segundo o desígnio originário de Deus, a união matrimonial é indissolúvel, como afirma Jesus Cristo: «O que Deus uniu não o separe o homem» (Mc 10,9).

COMO É QUE O PECADO AMEAÇA O MATRIMÔNIO?

1606-1608 Por causa do primeiro pecado, que provocou também a ruptura da comunhão do homem e da mulher, dada pelo Criador, a união matrimonial é muitas vezes ameaçada pela discórdia e pela infidelidade. Todavia Deus, na sua infinita misericórdia, dá ao homem e à mulher a sua graça para que possam realizar a união das suas vidas segundo o desígnio originário de Deus.

O QUE É QUE O ANTIGO TESTAMENTO ENSINA SOBRE O MATRIMÔNIO?

1609-1611 Deus, sobretudo através da pedagogia da Lei e dos profetas, ajuda o seu povo a amadurecer progressivamente a consciência da unicidade e da indissolubilidade do Matrimônio. A aliança nupcial de Deus com Israel prepara e prefigura a Aliança nova realizada pelo Filho de Deus com a sua esposa, a Igreja.

QUAL A NOVIDADE DADA POR CRISTO AO MATRIMÔNIO?

1612-1617 ; 1661  Jesus Cristo não só restabelece a ordem inicial querida por Deus, mas dá a graça para viver o Matrimônio na nova dignidade de sacramento, que é o sinal do seu amor esponsal pela Igreja: «Vós maridos amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja»(Ef 5,25).

O MATRIMÔNIO É UMA OBRIGAÇÃO PARA TODOS?

1618-1620  O Matrimônio não é uma obrigação para todos. Deus chama alguns homens e mulheres a seguir o Senhor Jesus na vida da virgindade ou do celibato pelo Reino dos céus, renunciando ao grande bem do Matrimônio para se preocuparem com as coisas do Senhor e para procurar agradar-Lhe, tornando-se assim sinal do absoluto primado do amor de Cristo e da ardente esperança  da sua vinda gloriosa.

COMO SE CELEBRA O SACRAMENTO DO MATRIMÔNIO?

1621-1624  Uma vez que o Matrimônio coloca os cônjuges num estado público de vida na Igreja, a sua celebração litúrgica é pública, na presença do sacerdote (ou da testemunha qualificada da Igreja) e das outras testemunhas.

O QUE É O CONSENTIMENTO MATRIMONIAL?

1625-1632 ; 1662-1663 O consentimento matrimonial é a vontade, expressa por um homem e por uma mulher, de se entregarem mutua e definitivamente, com o fim de viver uma aliança de amor fiel e fecundo. Dado que o consentimento faz o Matrimônio, ele é indispensável e insubstituível. Para que o Matrimônio seja válido, o consentimento deve ter como objeto o verdadeiro Matrimônio e ser um ato humano, consciente e livre, não determinado pela violência ou por constrições.

QUE SE REQUER QUANDO UM DOS ESPOSOS NÃO É CATÓLICO?

1633-1637 Para serem lícitos, os matrimônios mistos (entre católico e batizado não católico) requerem a permissão da autoridade eclesiástica. Aqueles com disparidade de culto (entre católico e não batizado) para serem válidos precisam duma dispensa. Em todo o caso, é essencial que os cônjuges não excluam a aceitação dos fins e das propriedades essenciais do Matrimônio e que o cônjuge católico confirme o empenho, conhecido também do outro cônjuge, de conservar a fé e de assegurar o Batismo e a educação católica dos filhos.

QUAIS SÃO OS EFEITOS DO SACRAMENTO DO MATRIMÔNIO?

1638-1642  O sacramento do Matrimônio gera entre os cônjuges um vínculo perpétuo e exclusivo. O próprio Deus sela o consentimento dos esposos. Portanto o Matrimônio concluído e consumado entre batizados não pode ser nunca dissolvido. Este sacramento confere também aos esposos a graça necessária para alcançar a santidade na vida conjugal e para o acolhimento responsável dos filhos e a sua educação.

QUAIS SÃO OS PECADOS GRAVEMENTE CONTRÁRIOS AO SACRAMENTO DO MATRIMÔNIO?

1645-1648  São: o adultério; a poligamia, porque em contradição com a igual dignidade do homem e da mulher e com a unicidade e exclusividade do amor conjugal; a rejeição da fecundidade, que priva a vida conjugal do dom dos filhos; e o divórcio, que se opõe à indissolubilidade.

QUANDO É QUE A IGREJA ADMITE A SEPARAÇÃO FÍSICA DOS ESPOSOS?

1629 ; 1649  A  Igreja admite a separação física dos esposos quando, por motivos graves, a sua coabitação se tornou praticamente impossível, embora se deseje uma sua reconciliação. Mas eles, enquanto vive o cônjuge, não estão livres para contrair uma nova união, a menos que o Matrimônio seja nulo e como tal seja declarado pela autoridade eclesiástica.

QUAL É A ATITUDE DA IGREJA PARA COM OS DIVORCIADOS RECASADOS?

1650-1651 Fiel ao Senhor, a Igreja não pode reconhecer como Matrimônio a união dos divorciados recasados civilmente. «Quem repudia a própria mulher e casa com outra comete adultério contra ela; se a mulher repudia o marido e casa com outro, comete adultério» (Mc 10, 11-12). Para com eles, a Igreja desenvolve uma atenta solicitude, convidando-os a uma vida de fé, à oração, às obras de caridade e à educação cristã dos filhos. Mas eles não podem receber a absolvição sacramental nem abeirar-se da comunhão eucarística, nem exercer certas responsabilidades eclesiais enquanto perdurar esta situação, que objetivamente contrasta com a lei de Deus.

PORQUE É QUE A FAMÍLIA CRISTÃ É CHAMADA IGREJA DOMÉSTICA?

1655-1658; 1666  Porque a família manifesta e realiza a natureza de comunhão e familiar da Igreja como família de Deus. Cada membro, a seu modo, exerce o sacerdócio batismal, contribuindo para fazer da família uma comunidade de graça e de oração, escola das virtudes humanas e cristãs, lugar do primeiro anúncio da fé aos filhos.

O QUE SÃO OS SACRAMENTAIS?

1667-1672 ; 1677-1678  São sinais sagrados instituídos pela Igreja, por meio dos quais são santificadas algumas circunstâncias da vida. Incluem sempre uma oração, muitas vezes acompanhada do sinal da cruz e de outros sinais. Entre os sacramentais, figuram, em primeiro lugar, as bênçãos, que são um louvor a Deus e uma oração para obter os seus dons, as consagrações de pessoas e as dedicações de coisas para o culto de Deus.

O QUE É O EXORCISMO?

1673 Fala-se de exorcismo, quando a Igreja pede com a sua autoridade, em nome de Jesus, que uma pessoa ou um objeto seja protegido contra a ação do Maligno e subtraído ao seu domínio. É praticado de modo ordinário no rito do Batismo. O exorcismo solene, chamado o grande exorcismo, pode ser feito só por um sacerdote autorizado pelo Bispo.

QUE FORMAS DE PIEDADE POPULAR ACOMPANHAM A VIDA SACRAMENTAL DA IGREJA?

1674-1676 ; 1679 O sentido religioso do povo cristão encontrou sempre diversas expressões nas várias formas de piedade que acompanham a vida sacramental da Igreja, como a veneração das relíquias, as visitas aos santuários, as peregrinações, as procissões, a «via-sacra», o Rosário. As formas autênticas de piedade popular são favorecidas e iluminadas pela luz da fé da Igreja.

QUE RELAÇÃO EXISTE ENTRE OS SACRAMENTAIS E A MORTE DO CRISTÃO?

1680-1683  O cristão que morre em Cristo chega, no termo da sua existência terrena, à consumação da nova vida iniciada com o Batismo, revigorada pela Confirmação e alimentada pela Eucaristia, antecipação do banquete celeste. O sentido da morte do cristão manifesta-se à luz da Morte e da Ressurreição de Cristo, nossa única esperança; o cristão que morre em Cristo Jesus, vai «habitar junto do Senhor» (2 Cor 5,8).

O QUE EXPRIMEM AS EXÉQUIAS?

1684 – 1685 As exéquias, embora celebradas segundo diferentes ritos correspondentes às situações e às tradições de cada uma das regiões, exprimem o caráter pascal da morte cristã na esperança da ressurreição e o sentido da comunhão com o defunto particularmente mediante a oração pela purificação da sua alma.

QUAIS OS MOMENTOS PRINCIPAIS DAS EXÉQUIAS?

1686 – 1690 Habitualmente as exéquias compreendem quatro momentos principais: o acolhimento da urna pela comunidade, com palavras de conforto e de esperança; a liturgia da Palavra; o sacrifício eucarístico; e «a encomendação», com o qual a alma do defunto é confiada a Deus, fonte de vida eterna, enquanto o seu corpo é sepultado na expectativa da ressurreição.

A VIDA EM CRISTO AMAR A DEUS

A VOCAÇÃO DO HOMEM: A VIDA NO ESPÍRITO

A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA

COMO É QUE A VIDA MORAL CRISTÃ ESTÁ LIGADA À FÉ E AOS SACRAMENTOS?

1691 – 1698 O que o Símbolo da fé professa, os sacramentos o comunicam. De fato, neles os fiéis recebem a graça de Cristo e os dons do Espírito Santo, que os tornam capazes de viver a vida nova de filhos de Deus em Cristo acolhido com a fé.«Reconhece, ó cristão, a tua dignidade» (S. Leão Magno)

QUAL É A RAIZ DA DIGNIDADE HUMANA?

1699 – 1715 A dignidade da pessoa humana radica na criação à imagem e semelhança de Deus. Dotada de uma alma espiritual e imortal, de inteligência e de vontade livre, a pessoa humana está ordenada para Deus e chamada, com a sua alma e o seu corpo, à bem-aventurança eterna.

COMO É QUE O HOMEM ALCANÇA A BEM-AVENTURANÇA?

1716 O homem alcança a bem-aventurança em virtude da graça de Cristo, que o torna participante da vida divina. Cristo no Evangelho indica aos seus o caminho que conduz à felicidade sem fim: as Bem aventuranças. A graça de Cristo opera também em cada ser humano que, seguindo a reta consciência, procura e ama o verdadeiro e o bem e evita o mal.

PORQUE É QUE AS BEM-AVENTURANÇAS SÃO IMPORTANTES PARA NÓS?

1716-1717 ; 1725-1726 As Bem aventuranças estão no centro da pregação de Jesus, retomam e aperfeiçoam as promessas de Deus, feitas a partir de Abraão. Mostram o próprio rosto de Jesus, caracterizam a autêntica vida cristã e revelam ao homem o fim último do seu agir: a bem-aventurança eterna.

QUE RELAÇÃO HÁ ENTRE AS BEM-AVENTURANÇAS E O DESEJO HUMANO DE FELICIDADE?

1718-1719 As Bem aventuranças respondem ao desejo inato de felicidade que Deus colocou no coração do homem para o atrair a Si, e que só Ele pode saciar.

O QUE É A BEM-AVENTURANÇA ETERNA?

1720-1724 ; 1727-1729  É a visão de Deus na vida eterna, em que seremos plenamente «participantes da natureza divina» (2 Ped 1,4), da glória de Cristo e da felicidade da vida trinitária. A bem-aventurança ultrapassa as capacidades humanas: é um dom sobrenatural e gratuito de Deus, como a graça que a ela conduz. A bem-aventurança prometida coloca-nos perante escolhas morais decisivas em relação aos bens terrenos, estimulando-nos a amar a Deus acima de tudo.

O QUE É A LIBERDADE?

1730-1733 ; 1743-1744  É o poder, dado por Deus ao homem, de agir e não agir, de fazer isto ou aquilo, praticando assim por si mesmo ações deliberadas. A liberdade caracteriza os atos propriamente humanos. Quanto mais faz o bem, mais alguém se torna livre. A liberdade atinge a perfeição quando é ordenada para Deus, sumo Bem e nossa Bem aventurança. A liberdade implica também a possibilidade de escolher entre o bem e o mal. A escolha do mal é um abuso da liberdade, que conduz à escravatura do pecado.

QUE RELAÇÃO EXISTE ENTRE LIBERDADE E RESPONSABILIDADE?

1734 –1737 ; 1745-1746 A liberdade torna o homem responsável pelos seus atos, na medida em que são voluntários, embora a imputabilidade e a responsabilidade de um ato possam ser diminuídas, e até anuladas, pela ignorância, a inadvertência, a violência suportada, o medo, as afeições desordenadas e os hábitos.

PORQUE É QUE O HOMEM TEM DIREITO AO EXERCÍCIO DA LIBERDADE?

1738 ; 1747 O direito ao exercício da liberdade é próprio de cada homem enquanto é inseparável da sua dignidade de pessoa humana. Portanto, tal direito deve ser sempre respeitado, principalmente em matéria moral e religiosa, e deve ser reconhecido civilmente, e tutelado nos termos do bem comum e da justa ordem pública.

QUAL É O LUGAR DA LIBERDADE HUMANA NA ORDEM DA SALVAÇÃO?

1739-1742 ; 1748 O primeiro pecado enfraqueceu a liberdade humana. Os pecados sucessivos vieram acentuar esta debilidade. Mas «foi para a liberdade que Cristo nos libertou» (Gal 5,1). Com a sua graça, o Espírito Santo conduz-nos para a liberdade espiritual, para fazer de nós colaboradores livres da sua obra na Igreja e no mundo.

QUAIS SÃO AS FONTES DA MORALIDADE DOS ATOS HUMANOS?

1749-1754 ; 1757-1758 A moralidade dos atos humanos depende de três fontes: do objeto escolhido, ou seja, dum bem verdadeiro ou aparente; da intenção do sujeito que age, isto é, do fim que ele tem em vista ao fazer a ação; das circunstâncias da ação, onde se incluem as suas conseqüências.

QUANDO É QUE O ATO É MORALMENTE BOM?

1755-1756 ; 1759-1760 O ato é moralmente bom quando supõe, ao mesmo tempo, a bondade do objeto, do fim em vista e das circunstâncias. O objeto escolhido pode, por si só, viciar toda a ação, mesmo se a sua intenção for boa. Não é lícito fazer o mal para que dele derive um bem. Um fim mal pode corromper a ação, mesmo que, em si, o seu objeto seja bom. Pelo contrário, um fim bom não torna bom um comportamento que for mau pelo seu objeto, uma vez que o fim não justifica os meios. As circunstâncias podem atenuar ou aumentar a responsabilidade de quem age, mas não podem modificar a qualidade moral dos próprios atos, não tornam nunca boa uma ação que, em si, é má.

O QUE É A CONSCIÊNCIA MORAL?

1776–1780; 1795–1797 A consciência moral, presente no íntimo da pessoa, é um juízo da razão, que, no momento oportuno, ordena ao homem que pratique o bem e evite o mal. Graças a ela, a pessoa humana percebe a qualidade moral dum ato a realizar ou já realizado, permitindo-lhe assumir a responsabilidade. Quando escuta consciência moral, o homem prudente pode ouvir a voz de Deus que lhe fala.

QUE IMPLICA A DIGNIDADE DA PESSOA PERANTE A CONSCIÊNCIA MORAL?

1780 – 1782 ; 1798 A dignidade da pessoa humana implica retidão da consciência moral (ou seja, estar de acordo com o que é justo e bom, segundo a razão e a Lei divina). Por causa da sua dignidade pessoal, o homem não deve ser obrigado a agir contra a consciência e, dentro dos limites do bem comum, nem sequer deve ser impedido de agir em conformidade com ela, sobretudo em matéria religiosa.

COMO FORMAR A RETA E VERDADEIRA CONSCIÊNCIA MORAL?

1783-1788 ; 1799 ; 1800 A consciência moral reta e verdadeira forma-se com a educação e com a assimilação da Palavra de Deus e do ensino da Igreja. É amparada com os dons do Espírito Santo e ajudada com os conselhos de pessoas sábias. Além disso, ajudam muito na formação moral a oração e o exame de consciência.

QUAIS AS NORMAS QUE A CONSCIÊNCIA DEVE SEMPRE SEGUIR?

1789 Há três mais gerais: 1) nunca é permitido fazer o mal porque daí derive um bem; 2) a chamada regra de ouro: «tudo quanto quiserdes que os homens vos façam, fazei-lho vós também» (Mt 7, 12); 3) a caridade passa sempre pelo respeito do próximo e da sua consciência, embora isto não signifique aceitar como um bem aquilo que é objetivamente um mal.

A CONSCIÊNCIA MORAL PODE EMITIR JUÍZOS ERRÔNEOS?

1790–1794; 1801–1802  A pessoa deve obedecer sempre ao juízo certo da sua consciência, mas esta também pode emitir juízos errôneos, por causas nem sempre isentas de culpabilidade pessoal. Não é porém imputável à pessoa o mal realizado por ignorância involuntária, mesmo que objetivamente não deixe de ser um mal. É preciso, pois, trabalhar para corrigir os erros da consciência moral.

O QUE É A VIRTUDE?

1803, 1833 A virtude é uma disposição habitual e firme para fazer o bem. «O fim de uma vida virtuosa é tornar-se semelhante a Deus» (S. Gregório de Nissa). Há virtudes humanas e virtudes teologais.

O QUE SÃO AS VIRTUDES HUMANAS?

1804; 1810-1811: 1834, 1839  As virtudes humanas são perfeições habituais e estáveis da inteligência e da vontade, que regulam os nossos atos, ordenam as nossas paixões e guiam a nossa conduta segundo a razão e a fé. Adquiridas e reforçadas por atos moralmente bons e repetidos, são purificadas e elevadas pela graça divina.

QUAIS SÃO AS VIRTUDES HUMANAS PRINCIPAIS?

1805;1834 São as virtudes, chamadas cardeais, que reagrupam todas as outras e que constituem a charneira da vida virtuosa. São elas: prudência, justiça, fortaleza e temperança.

O QUE É A PRUDÊNCIA?

1806 1835 A prudência dispõe a razão para discernir em todas as circunstâncias o nosso verdadeiro bem e a escolher os justos meios para o atingir. Ela conduz as outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida.

O QUE É A JUSTIÇA?

1807 ; 1836  A justiça consiste na constante e firme vontade de dar aos outros o que lhes é devido. A justiça para com Deus é chamada «virtude da religião».

O QUE É A FORTALEZA?

1808; 1837  A fortaleza assegura a firmeza nas dificuldades e a constância na procura do bem, chegando até à capacidade do eventual sacrifício da própria vida por uma causa justa.

O QUE É A TEMPERANÇA?

1809 ; 1838  A temperança modera a atração dos prazeres, assegura o domínio da vontade sobre os instintos e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados.

O QUE SÃO AS VIRTUDES TEOLOGAIS?

1812-1813 ; 1840-1841 São as virtudes que têm como origem, motivo e objeto imediato o próprio Deus. São infundidas no homem com a graça santificante, tornam-nos capazes de viver em relação com a Trindade e fundamentam e animam o agir moral do cristão, vivificando as virtudes humanas. Elas são o penhor da presença e da ação do Espírito Santo nas faculdades do ser humano.

QUAIS SÃO AS VIRTUDES TEOLOGAIS?

1813 As virtudes teologais são: fé, esperança e caridade.

O QUE É A FÉ?

1814-1816 ; 1842 A fé é a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que Ele nos revelou e que a Igreja nos propõe para acreditarmos, porque Ele é a própria Verdade. Pela fé, o homem entrega-se a Deus livremente. Por isso, o crente procura conhecer e fazer a vontade de Deus, porque «a fé opera pela caridade» (Gal 5,6).

O QUE É A ESPERANÇA?

1817-1821; 1843 A esperança é a virtude teologal por meio da qual desejamos e esperamos de Deus a vida eterna como nossa felicidade, colocando a nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos na ajuda da graça do Espírito Santo para merecê-la e perseverar até ao fim da vida terrena.

O QUE É A CARIDADE?

1822-1829 ; 1844 A caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos por amor de Deus. Jesus faz dela o mandamento novo, a plenitude da lei. A caridade é «o vínculo da perfeição» (Col 3,14) e o fundamento das outras virtudes, que ela anima, inspira e ordena: sem ela «não sou nada» e «nada me aproveita» (1 Cor 13,1-3).

O QUE SÃO OS DONS DO ESPÍRITO SANTO?

1830 – 1831 ; 1845 Os dons do Espírito Santo são disposições permanentes que tornam o homem dócil para seguir as inspirações divinas. São sete: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus.

O QUE SÃO OS FRUTOS DO ESPÍRITO SANTO?

1832 Os frutos do Espírito Santo são perfeições plasmadas por Ele em nós como primícias da glória eterna. A tradição da Igreja enumera doze: «Amor, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência, castidade» (Gal 5,22-23 vulgata).

O QUE EXIGE DE NÓS O ACOLHIMENTO DA MISERICÓRDIA DE DEUS?

1846-1848 ; 1870 Exige o reconhecimento das nossas culpas e o arrependimento dos nossos pecados. Pela sua Palavra e pelo seu Espírito, o próprio Deus nos revela os nossos pecados, dá-nos a verdade da consciência e a esperança do perdão.

O QUE É O PECADO?

1849 – 1851; 1871-1872 É «uma palavra, um ato ou um desejo contrários à Lei eterna» (S. Agostinho). É uma ofensa a Deus, na desobediência ao seu amor. Fere a natureza do homem e atenta contra a solidariedade humana. Cristo, na sua Paixão, revela plenamente a gravidade do pecado e vence-o com a sua misericórdia.

EXISTE UMA VARIEDADE DE PECADOS?

1852–1853; 1873 A variedade dos pecados é grande. Distinguem-se segundo o seu objeto, ou segundo as virtudes ou os mandamentos a que se opõem. Podem ser diretamente contra Deus, contra o próximo e contra nós mesmos. Podemos ainda distinguir entre pecados por pensamentos, por palavras, por ações e por omissões.

COMO SE DISTINGUE O PECADO QUANTO À GRAVIDADE?

1854 Distingue-se entre pecado mortal e venial.

QUANDO SE COMETE O PECADO MORTAL?

1855-1861 ; 1874 Comete-se pecado mortal quando, ao mesmo tempo, há matéria grave, plena consciência e deliberado consentimento. Este pecado destrói a caridade, priva-nos da graça santificante e conduz-nos à morte eterna do inferno, se dele não nos arrependermos. É perdoado ordinariamente mediante os sacramentos do Batismo e da Penitência ou Reconciliação.

QUANDO SE COMETE O PECADO VENIAL?

1862-1864 ; 1875 O pecado venial, que difere essencialmente do pecado mortal, comete-se quando se trata de matéria leve, ou mesmo grave, mas sem pleno conhecimento ou sem total consentimento. Não quebra a aliança com Deus, mas enfraquece a caridade; manifesta um afeto desordenado pelos bens criados; impede o progresso da alma no exercício das virtudes e na prática do bem moral; merece penas purificatórias temporais.

COMO PROLIFERA EM NÓS O PECADO?

1865, 1876 O pecado arrasta ao pecado e a sua repetição gera o vício.

O QUE SÃO OS VÍCIOS?

1866-1867 Os vícios, sendo contrários às virtudes, são hábitos perversos que obscurecem a consciência e inclinam ao mal. Os vícios podem estar ligados aos chamados sete pecados capitais, que são: soberba, avareza, inveja, ira, luxúria, gula e preguiça ou negligência.

TEMOS RESPONSABILIDADE NOS PECADOS COMETIDOS POR OUTROS?

1868 Existe esta responsabilidade, quando cooperamos para sua execução.

O QUE SÃO AS ESTRUTURAS DE PECADO?

1869 São situações sociais ou instituições contrárias à lei divina, expressão e efeito de pecados pessoais.

EM QUE CONSISTE A DIMENSÃO SOCIAL DO HOMEM?

1877-1880; 1890-1891 Juntamente com o chamamento pessoal à bem-aventurança, o homem tem a dimensão social como componente essencial da sua natureza e da sua vocação. De fato, todos os homens são chamados ao mesmo fim, que é o próprio Deus; existe uma certa semelhança entre a comunhão das Pessoas divinas e a fraternidade que os homens devem instaurar entre si na verdade e na caridade; o amor ao próximo é inseparável do amor a Deus.

QUAL É A RELAÇÃO ENTRE PESSOA E SOCIEDADE?

1881-1882 ; 1892-1893 Princípio, sujeito e fim de todas as instituições sociais é e deve ser a pessoa. Certas sociedades, como a família e a sociedade civil, são necessárias para ela. São úteis ainda outras associações, tanto no interior das comunidades políticas como a nível internacional, no respeito do princípio de subsidiariedade.

O QUE INDICA O PRINCÍPIO DE SUBSIDIARIEDADE?

1883-1885 ; 1894 Este princípio indica que uma sociedade de ordem superior não deve assumir uma tarefa que diga respeito a uma sociedade de ordem inferior, privando-a das suas competências, mas deve, antes, apoiá-la em caso de necessidade.

QUE OUTRAS COISAS REQUER UMA AUTÊNTICA CONVIVÊNCIA HUMANA?

1886-1889 ; 1895-1896 Requer o respeito da justiça, a justa hierarquia de valores e a subordinação das dimensões materiais e instintivas às superiores e espirituais. Em especial, onde o pecado perverte o clima social, é necessário apelar à conversão dos corações e à graça de Deus, para obter mudanças sociais que estejam realmente ao serviço de cada pessoa e de toda a pessoa. A caridade, que exige e torna capaz da prática da justiça, é o maior mandamento social.

EM QUE SE FUNDA A AUTORIDADE NA SOCIEDADE?

1897-1902 ; 1918-1920 Toda a comunidade humana tem necessidade duma autoridade legítima, que assegure a ordem e contribua para a realização do bem comum. Tal autoridade encontra o seu fundamento na natureza humana, porque corresponde à ordem estabelecida por Deus.

QUANDO É QUE A AUTORIDADE É EXERCIDA LEGITIMAMENTE?

1903-1904- 1921-1922 A autoridade é exercida legitimamente quando procura o bem comum e emprega meios moralmente lícitos para o conseguir. Por isso, os regimes políticos devem ser determinados pela decisão livre dos cidadãos e devem respeitar o princípio do «Estado de direito», no qual é soberana a lei e não a vontade arbitrária dos homens. As leis injustas e as medidas contrárias à ordem moral não obrigam as consciências.

O QUE É O BEM COMUM?

1905-1906 ; 1924 Por bem comum entende-se o conjunto das condições de vida social que permitem aos grupos e aos indivíduos atingir a sua perfeição.

O QUE É QUE COMPORTA O BEM COMUM?

1907-1909 ; 1925 O bem comum comporta: o respeito e a promoção dos direitos fundamentais da pessoa; o desenvolvimento dos bens espirituais e temporais das pessoas e da sociedade; a paz e a segurança de todos.

ONDE É QUE SE REALIZA DUM MODO MAIS RELEVANTE O BEM COMUM?

1910-1912 ; 1927A realização mais completa do bem comum encontra-se nas comunidades políticas, que defendem e promovem o bem dos cidadãos e dos corpos intermédio s, sem esquecer o bem universal da família humana.

COMO É QUE O HOMEM PARTICIPA NA PROMOÇÃO DO BEM COMUM?

1913-1917 ; 1926  Cada ser humano, segundo o lugar que ocupa e o papel que desempenha, participa na promoção do bem comum respeitando as leis justas e encarregando-se de sectores de que assume a responsabilidade pessoal, como o cuidado da própria família e o empenho no seu trabalho. Para além disso, os cidadãos, na medida do possível, devem tomar parte ativa na vida pública.

COMO É QUE A SOCIEDADE ASSEGURA A JUSTIÇA SOCIAL?

1928-1933 ; 1943-1944 A sociedade assegura a justiça social quando respeita a dignidade e os direitos da pessoa, que constituem o seu próprio fim. Além disso, a sociedade procura a justiça social, que está conexa ao bem comum e ao exercício da autoridade, quando realiza as condições que permitam às associações e ao indivíduo obter aquilo a que têm direito.

EM QUE SE FUNDA A IGUALDADE ENTRE OS HOMENS?

1934-1935 ; 1945 Todos os homens gozam de igual dignidade e direitos fundamentais, uma vez que, criados à imagem do Deus único e dotados duma alma racional, têm a mesma natureza e origem e são chamados, em Cristo único salvador, à mesma bem-aventurança divina.

COMO AVALIAR A DESIGUALDADE ENTRE OS HOMENS?

1936-1938 ; 1946-1947  Há iníquas desigualdades econômicas e sociais, que ferem milhões de seres humanos; elas estão em contradição aberta com o Evangelho, são contrárias à justiça, à dignidade das pessoas e à paz. Mas há também diferenças entre os homens, causadas por fatores que fazem parte do plano de Deus. Com efeito, Ele quer que cada um receba dos outros aquilo de que precisa, e quer que os que dispõem de «talentos» particulares os partilhem com os outros. Tais diferenças estimulam e obrigam, muitas vezes, as pessoas à magnanimidade, à benevolência e à partilha, e incitam as culturas a enriquecerem-se umas às outras.

COMO SE MANIFESTA A SOLIDARIEDADE HUMANA?

1939 – 1942 ; 1948 A solidariedade, exigência da fraternidade humana e cristã, manifesta-se, em primeiro lugar, na justa repartição dos bens, na remuneração do trabalho e no esforço por uma ordem social mais justa. A virtude da solidariedade pratica também a repartição dos bens espirituais da fé, ainda mais importantes que os materiais.

O QUE É A LEI MORAL?

1950 A lei moral é obra da Sabedoria divina. Prescreve-nos caminhos e normas de conduta que levam à bem-aventurança prometida, proibindo-nos os caminhos que nos desviam de Deus.

EM QUE CONSISTE A LEI MORAL NATURAL?

1954-1959 ; 1978-1979 A lei natural, escrita pelo Criador no coração de cada ser humano, consiste numa participação na sabedoria e bondade de Deus, e manifesta o sentido moral originário que permite ao homem discernir, pela razão, o bem e o mal. Ela é universal e imutável, e constitui a base dos deveres e dos direitos fundamentais da pessoa, bem como da comunidade humana e da própria lei civil.

ESTA LEI É PERCEBIDA POR TODOS?

1960 Por causa do pecado, a lei natural nem sempre é percebida por todos com igual clareza e de imediato.Por isso Deus «escreveu nas tábuas da Lei o que os homens não conseguiam ler nos seus corações» (S. Agostinho).

QUAL É A RELAÇÃO ENTRE A LEI NATURAL E A ANTIGA LEI ?

1961-1964 ; 1980-1982 A Antiga Lei é o primeiro estádio da Lei revelada. Ela exprime muitas verdades que são naturalmente acessíveis à razão e que se encontram assim declaradas e autenticadas nas Alianças da salvação. As suas prescrições morais estão compendiadas nos Dez Mandamentos do Decálogo, colocam os alicerces da vocação do homem, proíbem o que é contrário ao amor de Deus e do próximo e prescrevem o que lhe é essencial.

QUAL O LUGAR DA ANTIGA LEI, NO PLANO DA SALVAÇÃO?

1963-1964 ; 1982 A Antiga Lei permite conhecer muitas verdades acessíveis à razão, indica o que se deve e o que se não deve fazer, e sobretudo, como um sábio pedagogo, prepara e dispõe à conversão e ao acolhimento do Evangelho. Todavia, embora santa, espiritual e boa, a Lei antiga é ainda imperfeita, pois, por si, não dá a força e a graça do Espírito para a cumprir.

O QUE É A NOVA LEI OU LEI EVANGÉLICA?

1965-1972; 1983-1985 A Nova Lei ou Lei evangélica, proclamada e realizada por Cristo, é a perfeição e cumprimento da Lei divina, natural e revelada. Resume-se no mandamento do amor a Deus e ao próximo, e de nos amarmos como Cristo nos amou; é também uma realidade interior dada ao homem: a graça do Espírito Santo que torna possível um tal amor. É a «lei da liberdade» (Tg 1,25), porque nos inclina a agir espontaneamente sob o impulso da caridade. «A Lei nova, é sobretudo a própria graça do Espírito Santo, dada aos crentes em Cristo» (S. Tomás de Aquino).

ONDE SE ENCONTRA A LEI NOVA?

1971-1974 ; 1986 A Lei nova encontra-se em toda a vida e pregação de Cristo e na catequese moral dos Apóstolos: o Sermão do Senhor na Montanha é a sua principal expressão.

O QUE É A JUSTIFICAÇÃO?

1987-1995; 2017-2020 A justificação é a obra mais excelente do amor de Deus. É a ação misericordiosa e gratuita de Deus, que perdoa os nossos pecados e nos torna justos e santos em todo o nosso ser. Isto tem lugar por meio da graça do Espírito Santo, que nos foi merecida pela paixão de Cristo e nos foi dada no Batismo. A justificação inicia a resposta livre do homem, ou seja, a fé em Cristo e a colaboração com a graça do Espírito Santo.

O QUE É A GRAÇA QUE JUSTIFICA?

1996-1998 2005 2021 A graça é o dom gratuito que Deus nos dá para nos tornar participantes da sua vida trinitária e capaz de agir por amor d’Ele. É chamada graça habitual ou santificante ou deificante, pois nos santifica e diviniza. É sobrenatural, porque depende inteiramente da iniciativa gratuita de Deus e ultrapassa as capacidades da inteligência e das forças do homem. Escapa, portanto, à nossa experiência.

QUE OUTROS TIPOS DE GRAÇA EXISTEM?

1999-2000 ; 2003-2004 ; 2023-2024 Para além da graça habitual, existem: as graças atuais (dons circunstanciais); as graças sacramentais (dons próprios de cada sacramento); as graças especiais ou carismas (que têm como fim o bem comum da Igreja), entre as quais as graças de estado, que acompanham o exercício dos ministérios eclesiais e das responsabilidades da vida.

QUAL É A RELAÇÃO ENTRE A GRAÇA E A LIBERDADE DO HOMEM?

2001-2002 A graça precede, prepara e suscita a resposta livre do homem. Responde às aspirações profundas da liberdade humana, convida-a à colaboração e leva-a à sua perfeição.

O QUE É O MÉRITO?

2006-2009; 2025-2027 O mérito é o que dá direito à recompensa por uma ação boa. Em relação a Deus, o homem, de si, não pode merecer nada, tendo recebido gratuitamente tudo d’Ele. Todavia, Deus dá-lhe a possibilidade de adquirir méritos pela união à caridade de Cristo, fonte dos nossos méritos diante de Deus. Os méritos das obras boas devem por isso ser atribuídos antes de mais à graça de Deus e depois à vontade livre do homem.

QUE BENS PODEMOS MERECER?

2006-2009 ; 2025-2027 Sob a moção do Espírito Santo, podemos merecer, para nós mesmos e para os outros, as graças úteis para nos santificarmos e para alcançar a vida eterna, bem como os bens temporais necessários segundo os desígnios de Deus. Ninguém pode merecer a graça primeira, que está na origem da conversão e da justificação.

SOMOS TODOS CHAMADOS À SANTIDADE CRISTÃ?

2012–2016 ; 2028–2029 Todos os fiéis são chamados à santidade. Esta é a plenitude da vida cristã e a perfeição da caridade, que se obtém mediante a íntima união com Cristo e, n’Ele, com a Santíssima Trindade. O caminho de santificação do cristão, depois de ter passado pela cruz, terá o seu acabamento na ressurreição final dos justos, na qual Deus será tudo em todas as coisas.

COMO É QUE A IGREJA ALIMENTA A VIDA MORAL DO CRISTÃO?

2030-2031; 2047 A Igreja é a comunidade onde o cristão acolhe a Palavra de Deus que contém os ensinamentos da «Lei de Cristo» (Gal 6,2); recebe a graça dos sacramentos; une-se à oferta eucarística de Cristo de modo que a sua vida moral seja um culto espiritual; e aprende o exemplo da santidade da Virgem Maria e dos Santos.

PORQUE É QUE O MAGISTÉRIO DA IGREJA INTERVÉM NO CAMPO MORAL?

2032-2040 ; 2049-2051 Porque é missão do Magistério da Igreja pregar a fé que deve ser acreditada e aplicada na vida prática. Essa missão estende-se também aos preceitos específicos da lei natural, porque a sua observância é necessária para a salvação.

OS DEZ MANDAMENTOS

«MESTRE, QUE DEVO FAZER DE BOM PARA ALCANÇAR A VIDA ETERNA?» (MT 19,16)

2052-2054; 2075-2076 Ao jovem que lhe faz esta pergunta, Jesus responde: «Se queres entrar na vida, observa os mandamentos», e acrescenta: «Vem e segue-me» (Mt 19,16-21). Seguir Jesus implica observar os mandamentos. A Lei não é abolida, mas o homem é convidado a encontrá-la na pessoa do divino Mestre, que em si mesmo a cumpre perfeitamente, lhe revela o pleno significado e atesta a sua perenidade.

COMO É QUE JESUS INTERPRETA A LEI?

2055 Jesus interpreta a Lei, à luz do duplo e único mandamento da caridade, que é a plenitude da Lei: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente. Este é o maior e o primeiro dos mandamentos. E o segundo é semelhante ao primeiro: amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos depende toda a Lei, e os Profetas» (Mt 22,37-40).

O QUE SIGNIFICA O «DECÁLOGO»?

2056-2057 Decálogo significa «dez palavras» (Ex 34,28). Estas palavras resumem a Lei, dada por Deus ao povo de Israel, no contexto da Aliança, por meio de Moisés. Este, ao apresentar os mandamentos do amor a Deus (os três primeiros) e ao próximo (os outros sete), traça, para o povo eleito e para cada um em particular, o caminho duma vida liberta da escravidão do pecado.

QUAL A RELAÇÃO DO DECÁLOGO COM A ALIANÇA?

2058-2063 ; 2077O Decálogo compreende-se à luz da Aliança, na qual Deus se revela, dando a conhecer a sua vontade. Na observância dos mandamentos, o povo mostra a sua pertença a Deus e responde com gratidão à sua iniciativa de amor.

QUE IMPORTÂNCIA DÁ A IGREJA AO DECÁLOGO?

2064-2068 Fiel à Escritura e ao exemplo de Jesus, a Igreja reconhece ao Decálogo uma importância e um significado basilares. Os cristãos estão obrigados a observá-lo.

PORQUE É QUE O DECÁLOGO CONSTITUI UMA UNIDADE ORGÂNICA?

2069 ; 2079 O Decálogo constitui um conjunto orgânico e indissociável, porque cada mandamento remete para os outros e para o todo do Decálogo. Por isso, transgredir um mandamento é infringir toda a Lei.

PORQUE É QUE O DECÁLOGO OBRIGA GRAVEMENTE?

2072 – 2073 ; 2081 Porque enuncia deveres fundamentais do homem para com Deus e para com o próximo.

É POSSÍVEL OBSERVAR O DECÁLOGO?

2074 ; 2082 Sim, porque Cristo, sem o qual nada podemos fazer, nos torna capazes de observá-lo, com o dom do seu Espírito e da sua graça.

QUE IMPLICA A AFIRMAÇÃO: «EU SOU O SENHOR TEU DEUS» (EX 20,2)?

2083-2094 ; 2133-2134 Implica, para o fiel, guardar e praticar as três virtudes teologais e evitar os pecados que se lhes opõem. A fé crê em Deus e rejeita o que lhe é contrário, como, por exemplo, a dúvida voluntária, a incredulidade, a heresia, a apostasia e o cisma. A esperança é a expectativa confiante da visão bem-aventurada de Deus e da sua ajuda, evitando o desespero e a presunção. A caridade ama a Deus sobre todas as coisas: são rejeitadas portanto a indiferença, a ingratidão, a tibieza, a acídia ou preguiça espiritual e o ódio a Deus, que nasce do orgulho.

QUE IMPLICA A PALAVRA DO SENHOR: «ADORARÁS O SENHOR TEU DEUS E SÓ A ELE PRESTARÁS CULTO» (MT 4,10)?

2095-2105 ; 2135-2136 Implica adorar a Deus como Senhor de tudo o que existe; prestar-lhe o culto devido individual e comunitariamente; rezar-lhe com expressões de louvor, de ação de graças, de intercessão e de súplica; oferecer-Lhe sacrifícios, sobretudo o sacrifício espiritual da nossa vida, em união com o sacrifício perfeito de Cristo; e manter as promessas e os votos que Lhe fizermos.

COMO É QUE A PESSOA REALIZA O PRÓPRIO DIREITO DE PRESTAR CULTO A DEUS NA VERDADE E NA LIBERDADE?

2104-2109 ; 2137 Todo o homem tem o direito e o dever moral de procurar a verdade, em especial no que se refere a Deus e à sua Igreja, e, uma vez conhecida, de a abraçar e guardar fielmente, prestando a Deus um culto autêntico. Ao mesmo tempo, a dignidade da pessoa humana requer que, em matéria religiosa, ninguém seja forçado a agir contra a própria consciência nem seja impedido de agir em conformidade com ela, dentro dos limites da ordem pública, privada ou publicamente, de forma individual ou associada.

O QUE É O PERJÚRIO?

2152-2155 É fazer, sob juramento, uma promessa com intenção de a não manter ou de violar a promessa feita sob juramento. É um pecado grave contra Deus, que é sempre fiel às suas promessas.

AO DIZER: «NÃO FARÁS PARA TI QUALQUER IMAGEM ESCULPIDA» (EX 20,3) PROÍBE-SE O CULTO DAS IMAGENS?

2129-2132 ; 2141 No Antigo Testamento, este mandamento proíbe representar o Deus absolutamente transcendente. Porém, a partir da Encarnação do Filho de Deus, o culto cristão das imagens sagradas é justificado (como afirma o segundo Concílio de Nicéia, de 787), porque se funda no Mistério do Filho de Deus feito homem, no qual Deus transcendente se torna visível. Não se trata duma adoração da imagem, mas de uma veneração de quem nela é representado: Cristo, a Virgem, os Anjos e os Santos.

COMO RESPEITAR A SANTIDADE DO NOME DE DEUS?

2142-2149 ; 2160-2162 Invocando, bendizendo, louvando e glorificando o santo Nome de Deus. Deve pois ser evitado o abuso de invocar o Nome de Deus para justificar um crime, e ainda todo o uso inconveniente do seu Nome, como a blasfêmia, que por sua natureza é um pecado grave, as imprecações e a infidelidade às promessas feitas em Nome de Deus.

PORQUE SE PROÍBE O JURAMENTO FALSO?

2150-2151 ; 2163-2164 Porque, assim, se chama a Deus, que é a própria Verdade, como testemunha da mentira.«Não jurar nem pelo Criador, nem pela criatura, senão com verdade, por necessidade e com reverência» (S. Inácio de Loiola).

QUE PROÍBE DEUS AO ORDENAR:«NÃO TERÁS OUTROS DEUSES PERANTE MIM»?

2110-2128 ; 2138-2140 Este mandamento proíbe: – o politeísmo e a idolatria, que diviniza uma criatura, o poder, o dinheiro, e até mesmo o demônio; – a superstição, que é um desvio do culto devido ao verdadeiro Deus, e que se expressa nas várias formas de adivinhação, magia, feitiçaria e espiritismo; – a irreligião, expressa no tentar a Deus com palavras ou atos, no sacrilégio, que profana pessoas ou coisas sagradas sobretudo a Eucaristia, e na simonia, (que pretende comprar ou vender realidades espirituais); – o ateísmo, que nega a existência de Deus, fundando-se muitas vezes numa falsa concepção de autonomia humana; – o agnosticismo, segundo o qual nada se poder saber de Deus, e que inclui o indiferentismo e o ateísmo prático.

PORQUE É QUE DEUS «ABENÇOOU O DIA DE SÁBADO E O DECLAROU SAGRADO»    (EX 20,11)?

2168-2172 ; 2189 Porque o dia de Sábado recorda o repouso de Deus no sétimo dia da criação e também a libertação de Israel da escravidão do Egito e a Aliança que Deus estabeleceu com o povo.

QUAL A ATITUDE DE JESUS EM RELAÇÃO AO SÁBADO?

2173 Jesus reconhece a santidade do Sábado e, com a sua autoridade divina, dá-lhe a sua interpretação autêntica: «O Sábado foi feito para o homem e não o homem para o Sábado» (Mc 2,27).

PORQUE MOTIVO, PARA OS CRISTÃOS, O SÁBADO É SUBSTITUÍDO PELO DOMINGO?

2174-2176 ; 2190-2191 Porque o Domingo é o dia da ressurreição de Cristo. Como «primeiro dia da semana» (Mc 16,2) ele evoca a primeira criação; como «oitavo dia», que segue o Sábado, significa a nova criação, inaugurada com a Ressurreição de Cristo. Tornou-se assim para os cristãos o primeiro de todos os dias e de todas as festas: o dia do Senhor, no qual Ele, com a sua Páscoa, leva à realização a verdade espiritual do Sábado judaico e anuncia o repouso eterno do homem em Deus.

COMO SANTIFICAR O DOMINGO?

2177-2185 ; 2192-2193 Os cristãos santificam o Domingo e as festas de preceito participando na Eucaristia do Senhor e abstendo-se também das atividades que o impedem de prestar culto a Deus e perturbam a alegria própria do dia do Senhor ou o devido descanso da mente e do corpo. São permitidas as atividades ligadas a necessidades familiares ou a serviços de grande utilidade social, desde que não criem hábitos prejudiciais à santificação do Domingo, à vida de família e à saúde.

PORQUE É IMPORTANTE RECONHECER CIVILMENTE O DOMINGO COMO DIA FESTIVO?

2186-2188 ; 2194-2195 Para que todos possam gozar de repouso suficiente e de tempo livre, que lhes permitam cuidar da vida religiosa, familiar, cultural e social; para dispor de tempo propício à meditação, reflexão, silêncio e estudo; e para fazer boas obras, servir os doentes e os anciãos.

O QUE NOS MANDA O QUARTO MANDAMENTO?

2196 –2200 ; 2247 – 2248 Manda honrar e respeitar os nossos pais e aqueles que Deus, para o nosso bem, revestiu com a sua autoridade.

QUAL É A NATUREZA DA FAMÍLIA NO PLANO DE DEUS?

2201-2205 ; 2249 Um homem e uma mulher, unidos em matrimônio, formam com os filhos uma família. Deus instituiu a família e dotou-a da sua constituição fundamental. O matrimônio e a família são ordenados ao bem dos esposos e à procriação e educação dos filhos. Entre os membros da família estabelecem-se relações pessoais e responsabilidades primárias. Em Cristo, a família torna-se igreja doméstica, porque ela é comunidade de fé, de esperança e de amor.

QUE LUGAR OCUPA A FAMÍLIA NA SOCIEDADE?

2207-2208 A família é a célula originária da sociedade humana e precede qualquer reconhecimento da autoridade pública. Os princípios e os valores familiares constituem o fundamento da vida social. A vida de família é uma iniciação à vida da sociedade.

QUAIS OS DEVERES DA SOCIEDADE EM RELAÇÃO À FAMÍLIA?

2209-2213 ; 2250 A sociedade tem o dever de sustentar e consolidar o matrimônio e a família, no respeito também do princípio de subsidiariedade. Os poderes públicos devem respeitar, proteger e favorecer a verdadeira natureza do matrimônio e da família, a moral pública, os direitos dos pais e a prosperidade doméstica.

QUAIS OS DEVERES DOS FILHOS PARA COM OS PAIS?

2214-2220 ; 2251 Em relação aos pais, os filhos devem respeito (piedade filial), reconhecimento, docilidade e obediência, contribuindo assim, também com as boas relações entre irmãos e irmãs, para o crescimento da harmonia e da santidade de toda a vida familiar. Se os pais se encontrarem em situação de indigência, de doença, de solidão ou de velhice, os filhos adultos devem-lhes ajuda moral e material.

QUAIS OS DEVERES DOS PAIS PARA COM OS FILHOS?

2221-2231 Os pais, participantes da paternidade divina, são os primeiros responsáveis da educação dos filhos e os primeiros anunciadores da fé. Têm o dever de amar e respeitar os filhos como pessoas e filhos de Deus e, dentro do possível, de prover às suas necessidades materiais e espirituais, escolhendo para eles uma escola adequada e ajudando-os com prudentes conselhos na escolha da profissão e do estado de vida. Em particular, têm a missão de educá-los na fé cristã.

COMO É QUE OS PAIS EDUCAM OS FILHOS NA FÉ CRISTÃ?

2252-2253 Principalmente com o exemplo, a oração, a catequese familiar e a participação na vida eclesial.

OS LAÇOS FAMILIARES SÃO UM BEM ABSOLUTO?

2232-2233 Os laços familiares são importantes mas não absolutos, porque a primeira vocação do cristão é seguir Jesus, amando-o: «Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; quem ama a filha ou o filho mais do que a Mim não é digno de Mim» (Mt 10,37). Os pais devem, com alegria, ajudar os filhos no seguimento de Jesus, em todos os estados de vida, mesmo na vida consagrada ou no ministério sacerdotal.

COMO EXERCER A AUTORIDADE NOS DIFERENTES ÂMBITOS DA SOCIEDADE CIVIL?

2234-2237 ; 2254 A autoridade deve ser exercida, como um serviço, respeitando os direitos fundamentais da pessoa humana, uma justa hierarquia de valores, as leis, a justiça distributiva, e o princípio de subsidiariedade. No exercício da autoridade, cada um deve procurar o interesse da comunidade em vez do próprio e deve inspirar as suas decisões na verdade acerca de Deus, do homem e do mundo.

QUAIS OS DEVERES DOS CIDADÃOS EM RELAÇÃO ÀS AUTORIDADES CIVIS?

2238-2241 ; 2255  Os que estão submetidos à autoridade vejam os superiores como representantes de Deus e colaborem lealmente no bom funcionamento da vida pública e social. Isto comporta o amor e o serviço da pátria, o direito e o dever de votar, o pagamento dos impostos, a defesa do país e o direito a uma crítica construtiva.

QUANDO É QUE O CIDADÃO NÃO DEVE OBEDECER À AUTORIDADE CIVIL?

2242-2243 ; 2256 Em consciência, o cidadão não deve obedecer quando os mandamentos das autoridades civis se opõem às exigências da ordem moral: «É necessário obedecer mais a Deus do que aos homens» (At 5,29).

PORQUE RESPEITAR A VIDA HUMANA?

2258-2262 ; 2318-2320 Porque é sagrada. Desde o seu início ela supõe a ação criadora de Deus e mantém-se para sempre numa relação especial com o Criador, seu único fim. A ninguém é lícito destruir diretamente um ser humano inocente, pois é um ato gravemente contrário à dignidade da pessoa e à santidade do Criador. «Não causarás a morte do inocente e do justo» (Ex 23, 7).

PORQUE É QUE A LEGÍTIMA DEFESA DAS PESSOAS E DAS SOCIEDADES NÃO VAI CONTRA TAL NORMA?

2263-2265 Porque com a legítima defesa se exerce a escolha de defender e valorizar o direito à própria vida e à dos outros, e não a escolha de matar. Para quem tem responsabilidade pela vida do outro, a legítima defesa pode até ser um dever grave. Todavia ela não deve comportar um uso da violência maior que o necessário.

PARA QUE SERVE UMA PENA?

2266 A pena, infligida por uma legítima autoridade pública, tem como objetivo compensar a desordem introduzida pela culpa, preservar a ordem pública e a segurança das pessoas, e contribuir para a emenda dos culpados.

QUE PENA SE PODE APLICAR?

2267 A pena infligida deve ser proporcionada à gravidade do delito. Hoje, na seqüência das possibilidades do Estado para reprimir o crime tornando inofensivo o culpado, os casos de absoluta necessidade da pena de morte «são agora muito raros, se não mesmo praticamente inexistentes» (Evangelium vitae). Quando forem suficientes os meios incruentos, a autoridade deve limitar-se ao seu uso, porque correspondem melhor às condições concretas do bem comum, são mais conformes à dignidade da pessoa humana e não retiram definitivamente ao culpado a possibilidade de se redimir.

QUE PROÍBE O QUINTO MANDAMENTO?

2268-2283 ; 2321-2326  O quinto mandamento proíbe como gravemente contrários à lei moral: O homicídio direto e voluntário e a cooperação nele; O aborto direto, querido como fim ou como meio, e também a cooperação nele, crime que leva consigo a pena de excomunhão, porque o ser humano, desde a sua concepção, deve ser, em modo absoluto, respeitado e protegido totalmente; A eutanásia direta, que consiste em pôr fim à vida de pessoas com deficiências, doentes ou moribundas, mediante um ato ou omissão duma ação devida; O suicídio e a cooperação voluntária nele, enquanto ofensa grave ao justo amor de Deus, de si e do próximo: a responsabilidade pode ser ainda agravada por causa do escândalo ou atenuada por especiais perturbações psíquicas ou temores graves.

O QUE É CONSENTIDO, MEDICAMENTE, QUANDO A MORTE É TIDA COMO IMINENTE?

2278-2279 Os cuidados habitualmente devidos a uma pessoa doente não podem ser legitimamente interrompidos. São legítimos o uso de analgésicos, que não têm como fim a morte, e também a renúncia ao «excesso terapêutico», isto é, à utilização de tratamentos médicos desproporcionados e sem esperança razoável de êxito positivo.

PORQUE É QUE A SOCIEDADE DEVE PROTEGER O EMBRIÃO?

2273-2274 O direito inalienável à vida de cada ser humano, desde a sua concepção, é um elemento constitutivo da sociedade civil e da sua legislação. Quando o Estado não coloca a sua força ao serviço dos direitos de todos e em particular dos mais fracos, e entre eles dos concebidos ainda não nascidos, passam a ser minados os próprios fundamentos do Estado de direito.

COMO SE EVITA O ESCÂNDALO?

2284-2287 O escândalo, que consiste em levar alguém a fazer o mal, evita-se respeitando a alma e o corpo da pessoa. Se alguém induz deliberadamente outro a pecar gravemente, comete uma culpa grave.

QUE DEVERES TEMOS EM RELAÇÃO AO CORPO?

2288-2291 O dever dum razoável cuidado da saúde física, da nossa e da dos outros, evitando todavia o culto do corpo e toda a espécie de excessos. Evitar o uso de estupefacientes, com gravíssimos danos para a saúde e a vida humana e também o abuso dos alimentos, do álcool, do tabaco e dos remédios.

QUANDO SÃO MORALMENTE LEGÍTIMAS AS EXPERIÊNCIAS CIENTÍFICAS, MÉDICAS OU PSICOLÓGICAS, SOBRE PESSOAS OU GRUPOS HUMANOS?

2292-2295 São moralmente legítimas se estão ao serviço do bem integral da pessoa e da sociedade e não trazem riscos desproporcionados à vida e à integridade física e psíquica dos indivíduos, que devem ser oportunamente esclarecidos e dar o seu consentimento.

SÃO CONSENTIDOS: A TRANSPLANTAÇÃO E DOAÇÃO DE ÓRGÃOS, ANTES E DEPOIS DA MORTE?

2296 A transplantação de órgãos é moralmente aceitável com o consentimento do doador e sem riscos excessivos para ele. Para o ato nobre da doação de órgãos depois da morte, deve acertar-se plenamente a morte real do doador.

QUAIS AS PRÁTICAS CONTRA O RESPEITO À INTEGRIDADE CORPÓREA DA PESSOA HUMANA?

2297-2298 São: os raptos e seqüestros de pessoas, o terrorismo, a tortura, as violências, a esterilização direta. As amputações e as mutilações duma pessoa só são moralmente consentidas para indispensáveis fins terapêuticos da mesma.

QUE CUIDADO TER COM OS MORIBUNDOS?

2299 Os moribundos têm direito a viver com dignidade os últimos momentos da sua vida terrena, sobretudo com a ajuda da oração e dos sacramentos que preparam para o encontro com o Deus vivo.

COMO TRATAR OS CORPOS DOS DEFUNTOS?

2300 – 2301 Os corpos dos defuntos devem ser tratados com respeito e caridade. A sua cremação é permitida, se não puser em causa a fé na ressurreição dos corpos.

QUE PEDE O SENHOR A CADA UM EM ORDEM À PAZ?

2302 – 2303 O Senhor, que proclama «bem-aventurados os obreiros da paz»     (Mt 5, 9), pede a paz do coração e denuncia a imoralidade da ira, que é desejo de vingança pelo mal recebido, e do ódio, que leva a desejar o mal ao próximo. Estas atitudes, se voluntárias e consentidas em matéria de grande importância, são pecados graves contra a caridade.

O QUE É A PAZ NO MUNDO?

2304-2305 A paz no mundo, a qual é exigida para o respeito e desenvolvimento da vida humana, não é a simples ausência de guerra ou equilíbrio entre as forças em contraste, mas é «a tranqüilidade da ordem» (S. Agostinho), «fruto da justiça» (Is 32, 17) e efeito da caridade. A paz terrena é imagem e fruto da paz de Cristo.

O QUE EXIGE A PAZ NO MUNDO?

2304; 2307–2308 Exige a distribuição equitativa e a tutela dos bens das pessoas, a livre comunicação entre os seres humanos, o respeito da dignidade das pessoas e dos povos, a assídua prática da justiça e da fraternidade.

QUANDO É MORALMENTE CONSENTIDO O USO DA FORÇA MILITAR?

2307-2310  O uso da força militar é moralmente justificado pela presença contemporânea das seguintes condições: certeza de um dano permanente e grave; ineficácia doutras alternativas pacíficas; fundadas possibilidades de êxito; ausência de males piores, considerado o poder atual dos meios de destruição.

A QUEM COMPETE A AVALIAÇÃO RIGOROSA DESSAS CONDIÇÕES, EM CASO DE GUERRA?

2309 Compete ao juízo prudente dos governantes, aos quais compete também o direito de impor aos cidadãos a obrigação da defesa nacional, salvo o direito pessoal à objeção de consciência, a realizar-se com outra forma de serviço à comunidade humana.

O QUE EXIGE A LEI MORAL, EM CASO DE GUERRA?

2312-2314 ; 2328 A lei moral permanece sempre válida, mesmo em caso de guerra. Deve-se tratar-se com humanidade os não combatentes, os soldados feridos e os prisioneiros. As ações deliberadamente contrárias ao direito dos povos e as disposições que as impõem são crimes que a obediência cega não pode desculpar. Devem-se condenar as destruições em massa, bem como o extermínio de um povo ou duma minoria étnica, que são pecados gravíssimos e obrigam moralmente a resistir às ordens de quem os ordena.

O QUE SE DEVE FAZER PARA EVITAR A GUERRA?

2315-2317 ; 2327-2330 Devemos fazer tudo o que é razoavelmente possível para evitar de qualquer modo a guerra, devido aos males e injustiças que ela provoca. É necessário, em especial, evitar a acumulação e comércio de armas não devidamente regulamentadas pelos poderes legítimos; as injustiças, sobretudo econômicas e sociais; as discriminações étnicas e religiosas; a inveja, a desconfiança, o orgulho e o espírito de vingança. Tudo quanto se fizer para eliminar estas e outras desordens ajudará a construir a paz e a evitar a guerra.

QUAL A MISSÃO DA PESSOA HUMANA EM RELAÇÃO À PRÓPRIA A IDENTIDADE SEXUAL?

2331-2336; 2392-2393 Deus criou o ser humano como homem e mulher, com igual dignidade pessoal, e inscreveu nele a vocação ao amor e à comunhão. Compete a cada um aceitar a sua identidade sexual, reconhecendo a sua importância para a pessoa toda, bem como o valor da especificidade e da complementaridade.

O QUE É A CASTIDADE?

2337-2338 A castidade é a integração positiva da sexualidade na pessoa. A sexualidade torna-se verdadeiramente humana quando é bem integrada na relação pessoa a pessoa. A castidade é uma virtude moral, um dom de Deus, uma graça, um fruto do Espírito.

O QUE SUPÕE A VIRTUDE DA CASTIDADE?

2339-2341 Supõe a aprendizagem do domínio de si, que é uma pedagogia de liberdade humana aberta ao dom de si. Para tal fim, é necessária uma educação integral e permanente, através de etapas graduais de crescimento.

QUAIS OS MEIOS QUE AJUDAM A VIVER A CASTIDADE?

2340-2347 São numerosos os meios à disposição: a graça de Deus, a ajuda dos sacramentos, a oração, o conhecimento de si, a prática duma ascese adaptada às situações, o exercício das virtudes morais, em particular da virtude da temperança, que procura fazer com que as paixões sejam guiadas pela razão.

COMO É QUE TODOS SÃO CHAMADOS A VIVER A CASTIDADE?

2348 – 2350 ; 2394 Todos, seguindo Cristo modelo de castidade, são chamados a levar uma vida casta, segundo o próprio estado de vida: uns na virgindade ou no celibato consagrado, forma eminente de uma mais fácil entrega a Deus com um coração indiviso; os outros, se casados, vivendo a castidade conjugal; os não casados vivem a castidade na continência.

QUAIS OS PRINCIPAIS PECADOS CONTRA A CASTIDADE?

2351 – 2359 ; 2396 São pecados gravemente contrários à castidade, cada um segundo a natureza do objeto: o adultério, a masturbação, a fornicação, a pornografia, a prostituição, o estupro, os atos homossexuais. Estes pecados são expressão do vício da luxúria. Cometidos contra os menores, são atentados ainda mais graves contra a sua integridade física e moral.

PORQUE É QUE O SEXTO MANDAMENTO, QUE DIZ «NÃO COMETERAS ADULTÉRIO», PROÍBE TODOS OS PECADOS CONTRA A CASTIDADE?

2336 Embora no texto bíblico se leia «não cometerás adultério» (Ex 20,14), a Tradição da Igreja segue todos os ensinamentos morais do Antigo e Novo Testamento, e considera o sexto mandamento como englobando todos os pecados contra a castidade.

QUAL A MISSÃO DAS AUTORIDADES CIVIS EM RELAÇÃO À CASTIDADE?

2354 As autoridades civis, obrigadas a promover o respeito pela dignidade da pessoa, devem contribuir para criar um ambiente favorável à castidade, mesmo impedindo, com leis apropriadas, a difusão de algumas das chamadas graves ofensas à castidade, para proteger, sobretudo os menores e os mais débeis.

QUAIS OS BENS DO AMOR CONJUGAL A QUE A SEXUALIDADE SE ORDENA?

2360-2361; 2397-2398 Os bens do amor conjugal, que para os batizados é santificado pelo sacramento do matrimônio, são: a unidade, a fidelidade, a indissolubilidade e a abertura à fecundidade.

QUAL O SIGNIFICADO DO ATO CONJUGAL?

2362-2367 O ato conjugal tem um duplo significado: unitivo (a mútua doação dos esposos) e procriador (a abertura à transmissão da vida). Ninguém deve quebrar a conexão inquebrável que Deus quis entre os dois significados do ato conjugal, excluindo um deles.

QUANDO É QUE A REGULAÇÃO DOS NASCIMENTOS É MORAL?

2368-2369 ; 2399 A regulação dos nascimentos, que é uma componente da paternidade e maternidade responsáveis, é objetivamente conforme à moralidade quando é realizada pelos esposos sem imposições externas, nem por egoísmo, mas com base em motivos sérios e o recurso a métodos conformes aos critérios objetivos da moralidade, isto é, com a continência periódica e o recurso aos períodos infecundos.

QUAIS OS MEIOS IMORAIS NA REGULAÇÃO DOS NASCIMENTOS?

2370 – 2372 É intrinsecamente imoral, toda a ação – como, por exemplo, a esterilização direta ou a contracepção – que, na previsão do ato conjugal ou na sua realização ou no desenvolvimento das suas conseqüências naturais, se proponha, como objetivo ou como meio, impedir a procriação.

PORQUE É QUE A INSEMINAÇÃO E A FECUNDAÇÃO ARTIFICIAIS SÃO IMORAIS?

2373-2377 São imorais porque dissociam a procriação do ato com que os esposos se entregam mutuamente, instaurando assim um domínio da técnica sobre a origem e o destino da pessoa humana. Além disso, a inseminação e a fecundação, com o recurso a técnicas que envolvem uma pessoa estranha ao casal dos esposos, prejudicam o direito do filho a nascer dum pai e duma mãe conhecidos por ele, ligados entre si pelo matrimônio e tendo o direito exclusivo a tornarem-se pais, só um através do outro.

COMO DEVE SER CONSIDERADO UM FILHO?

2378 O filho é um dom de Deus, o maior dom do matrimônio. Não existe um direito a ter filhos («o filho exigido, a todo o custo»). Existe, ao contrário, o direito do filho a ser o fruto do ato conjugal dos seus progenitores e o direito a ser respeitado como pessoa desde o momento da sua concepção.

QUE DEVEM FAZER OS ESPOSOS SEM FILHOS?

2379 No caso em que o dom do filho não lhes tivesse sido concedido, os esposos, esgotados os recursos médicos legítimos, podem mostrar a sua generosidade, mediante o cuidado ou a adoção, ou então realizando serviços significativos em favor do próximo. Deste modo, realizarão uma preciosa fecundidade espiritual.

QUAIS SÃO AS OFENSAS CONTRA A DIGNIDADE DO MATRIMÔNIO?

2380-2391 ; 2400 São: o adultério, o divórcio, a poligamia, o incesto, a união de fato (convivência, concubinato) e o ato sexual antes ou fora do matrimônio.

QUE DIZ O SÉTIMO MANDAMENTO?

2401-2402 Ele enuncia o destino, a distribuição universal e a propriedade privada dos bens, e ainda o respeito das pessoas, dos seus bens e da integridade da criação. A Igreja encontra fundada neste mandamento também a sua doutrina social, que compreende o reto agir na atividade econômica e na vida social e política, o direito e o dever do trabalho humano, a justiça e a solidariedade entre as nações, o amor aos pobres.

EM QUE CONDIÇÕES EXISTEM O DIREITO À PROPRIEDADE PRIVADA?

2403 O direito à propriedade privada existe se ela for adquirida ou recebida de modo justo e desde que seja respeitado o destino universal dos bens para a satisfação das necessidades fundamentais de todos os homens.

QUAL É O FIM DA PROPRIEDADE PRIVADA?

2404-2406 O fim da propriedade privada é a garantia da liberdade e da dignidade de cada uma das pessoas, ajudando-as a satisfazer as necessidades fundamentais próprias daqueles por quem se tem a responsabilidade e dos outros que vivem em necessidade.

O QUE PRESCREVE O SÉTIMO MANDAMENTO?

2407 ; 2450-2451 O sétimo mandamento prescreve o respeito dos bens alheios, mediante a prática da justiça e da caridade, da temperança e da solidariedade. Em particular, exige o respeito das promessas e dos contratos estipulados; a reparação da injustiça cometida e a restituição do mal feito; o respeito pela integridade da criação mediante o uso prudente e moderado dos recursos minerais, vegetais e animais que há no universo, com especial atenção para com as espécies ameaçadas de extinção.

COMO É QUE O HOMEM SE DEVE COMPORTAR COM OS ANIMAIS?

2416-2418 ; 2457 O homem deve tratar os animais, criaturas de Deus, com benevolência, evitando quer o amor excessivo para com eles, quer o seu uso indiscriminado, sobretudo para experimentações científicas efetuadas para lá dos limites razoáveis e com sofrimentos inúteis para os próprios animais.

QUE PROÍBE O SÉTIMO MANDAMENTO?

2408-2413 2453-2455 O sétimo mandamento, antes de mais, proíbe o furto que é a usurpação do bem alheio contra a razoável vontade do seu proprietário. É o que também sucede no pagamento de salários injustos; na especulação sobre o valor dos bens para obter vantagens com prejuízo para os outros; na falsificação de cheques ou facturas. Proíbe, além disso, cometer fraudes fiscais ou comerciais, causar um dano às propriedades privadas ou públicas. Proíbe também a usura, a corrupção, o abuso privado dos bens sociais, os trabalhos deliberadamente mal feitos e o esbanjamento. ( )

QUAL É O CONTEÚDO DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA?

2419-2423 A doutrina social da Igreja, como desenvolvimento orgânico da verdade   de reflexão, formula critérios de juízo, oferece normas e orientações para a ação.

QUANDO É QUE A IGREJA INTERVÉM EM MATÉRIA SOCIAL?

2420; 2458 A Igreja emite um juízo moral em matéria econômica e social quando isto é exigido pelos direitos fundamentais da pessoa, do bem comum ou da salvação das almas.

COMO SE DEVE EXERCER A VIDA SOCIAL E ECONÔMICA?

2459 Segundo os seus próprios métodos, no âmbito da ordem moral, ao serviço da pessoa humana na sua integridade e de toda a comunidade humana, no respeito da justiça social. Ela deve ter o homem como seu autor, centro e fim.

O QUE É QUE SE OPÕE À DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA?

2424 – 2425 Opõem-se à doutrina social da Igreja os sistemas econômicos e sociais que sacrificam os direitos fundamentais das pessoas ou que fazem do lucro a sua regra exclusiva ou o seu fim último. Por isso, a Igreja rejeita as ideologias associadas, nos tempos modernos, ao «comunismo» ou às formas ateias e totalitárias de «socialismo». Rejeita, além disso, na prática do «capitalismo», o individualismo e o primado absoluto da lei do mercado sobre o trabalho humano.

QUAL É O SIGNIFICADO DO TRABALHO PARA O HOMEM?

2426-2428 2460 – 2461 O trabalho é para o homem um dever e um direito, mediante o qual ele colabora com Deus criador. Com efeito, trabalhando com empenho e competência, a pessoa põe em ação capacidades inscrita na sua natureza, exalta os dons do Criador e os talentos recebidos, sustenta-se a si e aos seus familiares, serve a comunidade humana. Além disso, com a graça de Deus, o trabalho pode ser meio de santificação e de colaboração com Cristo para a salvação dos outros.

A QUE TIPO DE TRABALHO TEM DIREITO A PESSOA HUMANA?

2429; 2433-2434 A todos deve ser possível obter um trabalho seguro e honesto, sem discriminações injustas, respeitando a livre iniciativa econômica e uma justa retribuição.

QUAL A RESPONSABILIDADE DO ESTADO ACERCA DO TRABALHO?

2431 Compete ao Estado fornecer a segurança das garantias das liberdades individuais e da propriedade, para além duma moeda estável e de serviços públicos eficientes; compete-lhe ainda zelar e orientar o exercício dos direitos humanos no sector econômico. A sociedade deve ajudar os cidadãos a encontrar trabalho, conforme as circunstâncias.

QUAL A MISSÃO DOS RESPONSÁVEIS DAS EMPRESAS?

2432 Os responsáveis das empresas têm a responsabilidade econômica e ecológica das suas operações. Estão obrigados a ter em conta o bem das pessoas e não apenas o aumento dos lucros, embora estes sejam necessários para assegurar os investimentos, o futuro das empresas, o emprego e o bom andamento da vida econômica.

QUAIS OS DEVERES DOS TRABALHADORES?

2435 Devem realizar o seu trabalho, com consciência, competência e dedicação, procurando resolver, com o diálogo, eventuais controvérsias. O recurso à greve não violenta é moralmente legítimo quando se apresenta como instrumento necessário, em vista dum benefício proporcionado e tendo em conta o bem comum.

COMO REALIZAR A JUSTIÇA E A SOLIDARIEDADE ENTRE AS NAÇÕES?

2437-2441 No plano internacional, todas as nações e instituições devem atuar na solidariedade e na subsidiariedade, com vista a eliminar, ou pelo menos reduzir: a miséria, a desigualdade dos recursos, dos meios econômicos, das injustiças econômicas e sociais, a exploração das pessoas, a acumulação da dívida dos países pobres. Os mecanismos perversos que criam obstáculos ao progresso dos países menos desenvolvidos.

COMO É QUE OS CRISTÃOS PARTICIPAM NA VIDA POLÍTICA E SOCIAL?

2442 Os fiéis leigos intervêm diretamente na vida política e social animando, com espírito cristão, as realidades temporais e colaborando com todos, como autênticas testemunhas do Evangelho e promotores da paz e da justiça.

EM QUE SE INSPIRA O AMOR AOS POBRES?

2443 – 2449 ; 2462 – 2463 O amor aos pobres inspira-se no Evangelho das bem-aventuranças e no exemplo de Jesus com a sua constante atenção aos pobres. Jesus disse: «Todas as vezes que fizerdes isto a um só destes irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes» (Mt 25,40). O amor aos pobres manifesta-se na ação contra a pobreza material e contra as numerosas formas de pobreza cultural, moral e religiosa. As obras de misericórdia, espirituais e corporais e as numerosas instituições de beneficência que surgiram ao longo dos séculos, constituem um concreto testemunho do amor preferencial pelos pobres que caracteriza os discípulos de Jesus.

QUAL O DEVER DO HOMEM EM RELAÇÃO À VERDADE?

2464 – 2470 ; 2504 Toda a pessoa é chamada à sinceridade e à veracidade no agir e no falar. Cada um tem o dever de procurar a verdade e de aderir a ela, organizando toda a sua vida segundo as exigências da verdade. Em Jesus Cristo, a verdade de Deus manifestou-se na sua totalidade: Ele é a Verdade. Seguir Jesus é viver do «Espírito de verdade» (Jo 14,17) e evitar a duplicidade, a simulação e a hipocrisia.

COMO DAR TESTEMUNHO DA VERDADE?

2471-2474 ; 2505-2506 O cristão deve testemunhar a verdade evangélica em todos os campos da atividade pública e privada, mesmo com o sacrifício da própria vida, se necessário. O martírio é o supremo testemunho dado em favor da verdade da fé.

O QUE PROÍBE O OITAVO MANDAMENTO?

2475-2487; 2507-2509 O oitavo mandamento proíbe: O falso testemunho, o perjúrio e a mentira, cuja gravidade se mede pela natureza da verdade que ela deforma, das circunstâncias, das intenções do mentiroso e dos danos causados às vítimas; O juízo temerário, a maledicência, a difamação, a calúnia, que lesam ou destroem a boa reputação e a honra a que a pessoa tem direito; A lisonja, a adulação ou complacência, sobretudo se finalizadas à realização de pecados graves ou à obtenção de vantagens ilícitas; Uma culpa contra a verdade exige a reparação, quando se ocasionou dano a outrem.

QUE REQUER O OITAVO MANDAMENTO?

2488-2492 ; 2510-2511 O oitavo mandamento requer o respeito da verdade, acompanhado pela discrição da caridade: na comunicação e na informação, que devem assegurar o bem pessoal e comum, a defesa da vida particular e o perigo de escândalo; na reserva dos segredos profissionais, que se devem sempre manter, salvo em casos excepcionais, por motivos graves e proporcionados. Exige-se também o respeito pelas confidências feitas sob o sigilo do segredo.

COMO USAR OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL?

 2493-2499 ; 2512 A informação mediática deve estar ao serviço do bem comum, ser sempre verdadeira no conteúdo e, salva a justiça e a caridade, deve ser também íntegra. Além disso, deve expressar-se em modo honesto e conveniente, respeitando escrupulosamente as leis morais, os direitos legítimos e a dignidade da pessoa.

QUAL A RELAÇÃO ENTRE A VERDADE, A BELEZA E A ARTE SACRA?

2500-2503 ; 2513 A verdade é bela por si mesma. Ela comporta o esplendor da beleza espiritual. Além da palavra, existem numerosas formas de expressão da verdade, em especial as obras artísticas. São o fruto do talento dado por Deus e do esforço do homem. A arte sacra, para ser verdadeira e bela, deve evocar e glorificar o Mistério de Deus revelado em Cristo e conduzir à adoração e ao amor de Deus Criador e Salvador, Beleza excelsa de Verdade e de Amor.

O QUE EXIGE O NONO MANDAMENTO?

2514-2516; 2528-2530 O nono mandamento exige vencer a concupiscência carnal nos pensamentos e nos desejos. A luta contra a concupiscência passa pela purificação do coração e pela prática da virtude da temperança.

QUE PROÍBE O NONO MANDAMENTO?

2517-2519; 2531-2532 O nono mandamento proíbe cultivar pensamentos e desejos relativos às ações proibidas pelo sexto mandamento.

COMO CHEGAR À PUREZA DO CORAÇÃO?

2520 O batizado, com a graça de Deus, em luta contra os desejos desordenados, chega à pureza do coração mediante a virtude e o dom da castidade, a pureza de intenção e do olhar exterior e interior, com a disciplina dos sentidos e da imaginação e pela oração.

QUE EXIGE E QUE PROÍBE O DÉCIMO MANDAMENTO?

2534-2540 ; 2551-2554 Este mandamento completa o precedente e exige uma atitude interior de respeito em relação à propriedade alheia. Proíbe a avidez, a cupidez desregrada dos bens dos outros e a inveja, que consiste na tristeza que se experimenta perante os bens alheios e o desejo imoderado de deles se apoderar.

QUAIS AS OUTRAS EXIGÊNCIAS DA PUREZA?

2521- 2527 ; 2533 A pureza exige o pudor, que, preservando a intimidade da pessoa, exprime a delicadeza da castidade e orienta os olhares e os gestos em conformidade com a dignidade das pessoas e da sua comunhão. Ela liberta do erotismo difuso e afasta de tudo aquilo que favorece a curiosidade mórbida. Requer uma purificação do ambiente social, mediante uma luta constante contra a permissividade dos costumes, que assenta numa concepção errônea da liberdade humana.

QUE PEDE JESUS COM A POBREZA DE CORAÇÃO?

2544-2547 ; 2556 Jesus requer aos seus discípulos que O prefiram a tudo e a todos. O desprendimento das riquezas – segundo o espírito da pobreza evangélica – e o abandono à providência de Deus, que nos liberta da preocupação pelo amanhã, preparam-nos para a bem-aventurança dos «pobres em espírito, porque deles é já o reino dos céus» (Mt 5, 3).

QUAL É O MAIOR DESEJO DO HOMEM?

2548 – 2550 ; 2557 O maior desejo do homem é ver a Deus. Este é o grito de todo o seu ser: «Quero ver a Deus!». De fato, o homem realiza a verdadeira e perfeita felicidade na visão e na bem-aventurança d’Aquele que o criou por amor e o atrai a Si no seu infinito amor.«Aquele que vê a Deus, obteve todos os bens que se podem imaginar» (S. Gregório de Nisa)

A ORAÇÃO CRISTÃ

A ORAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

Há Dois Vocábulos Para Designar A Relação Consciente E Coloquial Do Homem Com Deus: Prece E Oração.

Prece Provém Do Verbo Latino Precor, Que Significa Rogar, Socorrer-Se De Alguém, Solicitando Um Benefício.

Oração Provém Do Substantivo Latino Oratio, Que Significa Fala, Discurso, Linguagem.

O QUE É A ORAÇÃO?

2558-2565 ; 2590 A oração consiste em elevar a alma a Deus ou em pedir a Deus bens conformes à sua vontade. Ela é sempre um dom de Deus que vem ao encontro do homem. A oração cristã é relação pessoal e viva dos filhos de Deus com o Pai infinitamente bom, com o seu Filho Jesus Cristo e com o Espírito Santo que habita no coração do homem.

A REVELAÇÃO DA ORAÇÃO

PORQUE É QUE EXISTE UM CHAMAMENTO UNIVERSAL À ORAÇÃO?

2566-2567 Porque primeiramente Deus, através da criação, chama do nada todos os seres e ainda porque, mesmo depois da queda, o homem continua a ser capaz de reconhecer o seu Criador, conservando o desejo d’Aquele que o chamou à existência. Todas as religiões e, em especial, toda a história da salvação, testemunham este desejo de Deus por parte do homem, se bem que é sempre Deus que primeiro e incessantemente atrai cada uma das pessoas para o encontro misterioso da oração.

A REVELAÇÃO DA ORAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO

COMO É QUE ABRAÃO É UM MODELO DE ORAÇÃO?

2570-2573 2592  Abraão é um modelo de oração porque caminha na presença de Deus, O escuta e Lhe obedece. A sua oração é um combate da fé, porque ele continua a crer na fidelidade de Deus mesmo nos momentos de provação. Além disso, depois de receber na sua tenda a visita do Senhor, que lhe confia os seus desígnios, Abraão ousa interceder pelos pecadores, com audaciosa confiança.

COMO REZAVA MOISÉS?

2574-2577 2593 A oração de Moisés é o tipo da oração contemplativa: Deus, que, da Sarça ardente, chama Moisés, conversa muitas vezes e longamente com ele «face a face, como um homem com o seu amigo» (Ex 33,11). Nesta intimidade com Deus, Moisés recebe a força para interceder tenazmente em favor do povo: a sua oração prefigura assim a intercessão do único mediador, Cristo Jesus.

QUAIS AS RELAÇÕES DO TEMPLO E DO REI COM A ORAÇÃO, NO ANTIGO TESTAMENTO?

2578-2580; 2594 À sombra da morada de Deus – a Arca da Aliança e mais tarde o templo – cresce a oração do Povo de Deus, sob a orientação dos seus pastores. Entre eles, David é o rei «segundo o coração de Deus», o pastor que reza pelo seu povo. A sua oração é um modelo da oração do povo pois é adesão à promessa divina e confiança cheia de amor n’Aquele que é o único Rei e Senhor.

QUAL A IMPORTÂNCIA DA ORAÇÃO NA MISSÃO DOS PROFETAS?

2581-2584 Os profetas recebem da oração luz e força para exortar o povo à fé e à conversão do coração. Entram numa grande intimidade com Deus e intercedem pelos irmãos, aos quais anunciam tudo o que viram e ouviram da parte do Senhor. Elias é o pai dos profetas, isto é, dos que procuram o Rosto de Deus. No Monte Carmelo, obtém o regresso do povo à fé, graças à intervenção de Deus, a quem suplica: «Responde-me Senhor, responde-me!» (1 Re 18,37).

QUAL É A IMPORTÂNCIA DA ORAÇÃO DOS SALMOS?

2579; 2585-2589 ; 2596-2597 Os Salmos são o vértice da oração no Antigo Testamento: a Palavra de Deus torna-se oração do homem. Inseparavelmente pessoal e comunitária, esta oração, inspirada pelo Espírito Santo, canta as maravilhas de Deus na criação e na história da salvação. Cristo rezou os Salmos, e deu-lhes pleno cumprimento. E é por isso que eles permanecem um elemento essencial e permanente da oração da Igreja, adaptados aos homens de todas as condições e de todos os tempos.

A ORAÇÃO PLENAMENTE REVELADA E REALIZADA EM JESUS

QUEM ENSINOU JESUS A REZAR?

2599, 2620 Jesus, segundo o seu coração de homem, foi ensinado a rezar por sua Mãe e pela tradição judaica. Mas a sua oração brota duma fonte secreta, porque Ele é o Filho eterno de Deus, que, na sua santa humanidade, dirige a seu Pai a oração filial perfeita.

QUANDO JESUS REZAVA?

2600-2604; 2620 O Evangelho apresenta muitas vezes Jesus em oração. Ele retira-se para a solidão, mesmo de noite. Jesus reza antes dos momentos decisivos da sua missão ou da missão dos Apóstolos. De fato, toda a sua vida é oração, porque Ele existe numa comunhão constante de amor com o Pai.

COMO REZOU JESUS NA SUA PAIXÃO?

2605-2606 ; 2620 A oração de Jesus durante a agonia no Jardim de Getsemani e nas últimas palavras sobre a cruz revelam a profundidade da sua oração filial: Jesus conduz à sua realização o desígnio de amor do Pai e toma sobre si todas as angústias da humanidade, todas as interrogações e intercessões da história da salvação. Ele apresenta-as ao Pai que as acolhe e escuta, para lá de toda a esperança, ressuscitando-O dos mortos.

COMO JESUS NOS ENSINA A REZAR?

2608 – 2614; 2621 Jesus ensina-nos a rezar, não só com a oração do Pai nosso, mas também com a sua própria oração. Assim, para além do conteúdo, ensina-nos as disposições requeridas para uma verdadeira oração: a pureza do coração que procura o Reino e perdoa aos inimigos; a confiança audaz e filial que se estende para além do que sentimos e compreendemos; a vigilância que protege o discípulo da tentação; a oração no Nome de Jesus, nosso Mediador junto do Pai.

PORQUE É EFICAZ A NOSSA ORAÇÃO?

2615-2616 A nossa oração é eficaz porque está unida à de Jesus mediante a fé. N’Ele, a oração cristã torna-se comunhão de amor com o Pai. Podemos, neste caso, apresentar os nossos pedidos a Deus e ser atendidos: «Pedi e recebereis, assim a vossa alegria será completa» (Jo 16,24).

COMO É QUE A VIRGEM MARIA REZAVA?

2617; 2622; 2618;2674; 2679 A oração de Maria caracteriza-se pela fé e pela oferta generosa de todo o seu ser a Deus. A Mãe de Jesus é a Nova Eva, a «Mãe dos viventes»: ela pede a Jesus, seu Filho, pelas necessidades de todos os homens.

EXISTE NO EVANGELHO UMA ORAÇÃO DE MARIA?

2619 Para além da intercessão de Maria em Canã da Galiléia, o Evangelho apresenta-nos o Magnificat (Lc 1,46-55), cântico da Mãe de Deus e da Igreja, jubilosa ação de graças que se eleva do coração dos pobres porque a sua esperança foi realizada pelo cumprimento das promessas divinas.

A ORAÇÃO NO TEMPO DA IGREJA

COMO REZAVA A PRIMEIRA COMUNIDADE CRISTÃ DE JERUSALÉM?

2623 – 2624 No início dos Atos dos Apóstolos está escrito que na primeira comunidade de Jerusalém, educada pelo Espírito Santo na vida de oração, os crentes «eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, fiéis à união fraterna, à fração do pão e às orações» (At 2, 42).

COMO INTERVÉM O ESPÍRITO SANTO NA ORAÇÃO DA IGREJA?

2623; 2625 O Espírito Santo, Mestre interior da oração cristã, forma a Igreja para a vida de oração e a faz entrar cada vez mais profundamente na contemplação e na união com o insondável mistério de Cristo. As formas de oração, tais como as revelam os Escritos apostólicos e canônicos, permanecerão sempre normativas para a oração cristã.

QUAIS SÃO AS FORMAS ESSENCIAIS DA ORAÇÃO CRISTÃ?

2643 – 2644 São a bênção e a adoração, a oração de petição e a intercessão, a ação de graças e o louvor. A Eucaristia contém e exprime todas as formas de oração.

O QUE É A BÊNÇÃO?

2626-2627; 2645 A bênção é a resposta do homem aos dons de Deus: nós bendizemos o Onipotente que primeiramente nos abençoa e enche dos seus dons.

COMO SE PODE DEFINIR A ADORAÇÃO?

2628 A adoração é a prostração do homem que se reconhece criatura diante do seu Criador três vezes santo.

QUAIS SÃO AS DIVERSAS FORMAS DA ORAÇÃO DE PETIÇÃO?

2629- 2633;2646 Pode ser um pedido de perdão ou mesmo uma súplica humilde e confiante em relação a todas as nossas necessidades espirituais ou materiais. Mas a primeira realidade a desejar é a vinda do Reino.

EM QUE CONSISTE A INTERCESSÃO?

2634 – 2636 ;2647 A intercessão consiste no pedir em favor doutro. Ela conforma-nos e une-nos à oração de Jesus que intercede junto do Pai por todos os homens, em especial pelos pecadores. A intercessão deve estender-se também aos inimigos.

QUANDO SE DÁ A DEUS AÇÃO DE GRAÇAS?

2637-2638; 2648  A Igreja dá graças a Deus incessantemente, sobretudo ao celebrar a Eucaristia, na qual Cristo a faz participar na sua ação de graças ao Pai. Todos os acontecimentos se convertem para o cristão em motivo de ação de graças.

O QUE É A ORAÇÃO DE LOUVOR?

2639; – 2643 ;2649 O louvor é a forma de oração que mais imediatamente reconhece que Deus é Deus. É completamente desinteressada: canta Deus por Ele ser quem, é e glorifica-O porque Ele é.

A TRADIÇÃO DA ORAÇÃO

QUAL A IMPORTÂNCIA DA TRADIÇÃO EM RELAÇÃO À ORAÇÃO?

2650-2651 Na Igreja, é através duma Tradição viva que o Espírito Santo ensina os filhos de Deus a orar. A oração não se reduz, com efeito, ao brotar espontâneo dum impulso interior, mas implica contemplação, estudo e compreensão das realidades espirituais que se experimentam.

QUAIS AS FONTES DA ORAÇÃO CRISTÃ?

2652 – 2662 São: a Palavra de Deus, que nos dá a «sublime ciência de Cristo» (Filp 3,8); a Liturgia da Igreja que anuncia, atualiza e comunica o mistério da salvação; as virtudes teologais; as situações quotidianas, porque nelas podemos encontrar Deus. «Eu Vos amo, Senhor, e a única graça que Vos peço é a de Vos amar eternamente. Meu Deus, se a minha língua não pode repetir, a todo o momento, que Vos amo, quero que o meu coração o repita tantas vezes quantas eu respiro» (S. João Maria Vianney).

NA IGREJA EXISTEM DIFERENTES CAMINHOS DE ORAÇÃO?

2663 Na Igreja existem diferentes caminhos de oração, segundo os diferentes contextos históricos, sociais e culturais. Pertence ao Magistério discernir a sua fidelidade à tradição da fé apostólica e aos pastores e catequistas o explicar-lhe o sentido, que é sempre referido a Jesus Cristo.

QUAL É O CAMINHO DA NOSSA ORAÇÃO?

2664; 2680 – 2681 O caminho da nossa oração é Cristo, porque ela se dirige a Deus nosso Pai, mas aquela só chega até Ele, se, ao menos implicitamente, rezamos no Nome de Jesus. A sua humanidade é, pois, o único caminho pelo qual o Espírito Santo nos ensina a rezar a Deus nosso Pai. Por isso as orações litúrgicas concluem-se com a fórmula: «Por nosso Senhor Jesus Cristo».

QUAL O PAPEL DO ESPÍRITO SANTO NA ORAÇÃO?

2670-2672 ; 2680 – 2681 Uma vez que o Espírito Santo é o Mestre interior da oração cristã e «nós não sabemos o que devemos pedir» (Rm 8,26), a Igreja exorta-nos a invocá-lo e a implorá-lo em todas as ocasiões: «Vinde, Espírito Santo!».

EM QUE É QUE A ORAÇÃO CRISTÃ É MARIANA?

2673-2679 ; 2682 Em virtude da sua singular cooperação com a ação do Espírito Santo, a Igreja gosta de orar a Maria e de orar com Maria, a Orante perfeita, para com Ela engrandecer e invocar o Senhor. De fato, Maria, «mostra-nos o caminho» que é o Seu Filho, o único Mediador.

COMO É QUE A IGREJA REZA A MARIA?

2676-2678 ; 2682 Antes de mais com a Ave Maria, oração mediante a qual a Igreja pede a intercessão da Virgem. Outras orações marianas são: o Rosário , os hinos e os cânticos das diversas tradições cristãs.

GUIAS PARA A ORAÇÃO

COMO É QUE OS SANTOS SÃO GUIAS DE ORAÇÃO?

2683 – 2684 ;2692 – 2693 Os santos são modelos de oração e a eles pedimos para, junto da Santíssima Trindade, intercederem por nós e pelo mundo inteiro. A sua intercessão é o mais alto serviço que prestam ao desígnio de Deus. Na comunhão dos santos, desenvolveram-se, ao longo da história da Igreja, diversos tipos de espiritualidade, que ensinam a viver e a pôr em prática a oração.

QUEM PODE EDUCAR NA ORAÇÃO?

2685-2690; 2694-2695 A família cristã é o primeiro lugar da educação na oração. A oração familiar quotidiana é especialmente recomendada porque é o primeiro testemunho da vida de oração da Igreja. A catequese, os grupos de oração, a «direção espiritual» constituem uma ajuda e uma escola de oração.

QUAIS OS LUGARES FAVORÁVEIS À ORAÇÃO?

2691; 2696 Em toda a parte pode-se rezar, mas a escolha de um lugar apropriado não é indiferente para a oração. A igreja é o lugar próprio da oração litúrgica e da adoração eucarística. Também outros lugares ajudam a rezar, como um «recanto de oração» em casa; um mosteiro; um santuário.

A VIDA DE ORAÇÃO

QUAIS OS MOMENTOS MAIS INDICADOS PARA A ORAÇÃO?

2697-2698 ;2720 Todos os momentos são indicados para a oração, mas a Igreja propõe aos fiéis ritmos destinados a alimentar a oração contínua: orações da manhã e da noite, antes e depois das refeições, liturgia das Horas; Eucaristia dominical; Santo Rosário; festas do ano litúrgico. «Devemos lembrar-nos de Deus, com mais freqüência do que respiramos» (S. Gregório de Nazianzo).

QUAIS AS EXPRESSÕES DA VIDA DE ORAÇÃO?

2697 – 2699 A tradição cristã conservou três modos para expressar e viver a oração: a oração vocal, a meditação e a oração contemplativa. Têm em comum o recolhimento do coração.

AS EXPRESSÕES DA ORAÇÃO

COMO SE CARACTERIZA A ORAÇÃO VOCAL?

2700-2704 ; 2722 A oração vocal associa o corpo à oração interior do coração. Mesmo a mais interior das orações não poderia prescindir da oração vocal. Em todo o caso, ela deve brotar duma fé pessoal. Com o Pai Nosso, Jesus nos ensinou uma fórmula perfeita de oração vocal.

O QUE É A MEDITAÇÃO?

2705-2708 ;2723 A meditação é uma reflexão orante, que parte sobretudo da Palavra de Deus na Bíblia. Mobiliza a inteligência, a imaginação, a emoção, o desejo, para aprofundar a nossa fé, suscitar a conversão do nosso coração e fortalecer a nossa vontade de seguir a Cristo. É uma etapa preliminar em direção à união de amor com o Senhor.

O QUE É A ORAÇÃO CONTEMPLATIVA?

2709-2719; 2724; 2739-2741 A oração contemplativa é um simples olhar sobre Deus no silêncio e no amor. É um dom de Deus, um momento de fé pura durante o qual o orante procura Cristo, se entrega à vontade amorosa do Pai e concentra o seu ser sob a ação do Espírito. Santa Teresa de Ávila define-a como uma íntima relação de amizade, «em que muitas vezes dialogamos a sós com Deus, por Quem sabemos ser amados».

O COMBATE DA ORAÇÃO

PORQUE É QUE A ORAÇÃO É UM COMBATE?

2725 A oração é um dom da graça, mas pressupõe sempre uma resposta decidida da nossa parte, porque o que reza combate contra si mesmo, contra o ambiente e sobretudo contra o Tentador que faz tudo para retirá-lo da oração. O combate da oração é inseparável do progresso da vida espiritual. Reza-se como se vive, porque se vive como se reza.

QUAIS AS OBJEÇÕES À ORAÇÃO?

2726-2728 ; 2752-2753 Para lá das formas errôneas de conceber a oração, muitos pensam que não têm tempo para rezar ou então que seja inútil. Os que rezam podem desanimar perante as dificuldades e os insucessos aparentes. Para vencer estes obstáculos são necessárias a humildade, a confiança e a perseverança.

QUAIS AS DIFICULDADES DA ORAÇÃO?

2729-2733; 2754-2755distração é a dificuldade habitual da nossa oração. Ela afasta da atenção a Deus e pode também revelar aquilo a que estamos apegados. O nosso coração deve então regressar humildemente ao Senhor. A oração é muitas vezes insidiada pela aridez, cuja superação, na fé, permite aderir ao Senhor, mesmo sem uma consolação sensível. A acídia é uma forma de preguiça espiritual devida ao relaxamento da vigilância e à negligência na guarda do coração.

COMO FORTALECER A NOSSA CONFIANÇA FILIAL?

2734-2741 2756 A confiança filial é posta à prova quando pensamos que não somos atendidos. Devemos interrogar-nos, então, se Deus é para nós um Pai do qual procuramos cumprir a vontade, ou não será antes um simples meio para obter o que queremos. Se a nossa oração se une à de Jesus, sabemos que Ele nos concede muito mais do que este ou aquele dom: recebemos o Espírito Santo que transforma o nosso coração.

É POSSÍVEL REZAR A TODO O MOMENTO?

2742-2745 2757 Orar é sempre possível porque o tempo do cristão é o tempo de Cristo ressuscitado, o qual «permanece conosco todos os dias» (Mt 28,20). Oração e vida cristã, são, por isso inseparáveis. «É possível, mesmo no mercado ou durante um passeio sozinho, fazer oração freqüente e fervorosa. É possível mesmo sentados na vossa loja, a tratar de compras e vendas, ou até mesmo a cozinhar»(S. João Crisóstomo).

O QUE É A ORAÇÃO DA HORA DE JESUS?

2604; 2746-275; 2758 É a chamada oração sacerdotal de Jesus na Última Ceia. Jesus, o Sumo Sacerdote da Nova Aliança, dirige-a ao Pai quando chega a Hora da sua «passagem» para Ele, a Hora do seu sacrifício.

A ORAÇÃO DO SENHOR: PAI NOSSO

Pai Nosso que estais nos Céus,
santificado seja o vosso Nome,
venha a nós o vosso Reino,
seja feita a vossa vontade
assim na terra como no Céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje,
perdoai-nos as nossas ofensas
assim como nós perdoamos
a quem nos tem ofendido,
e não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do Mal.

QUAL É A ORIGEM DA ORAÇÃO DO PAI NOSSO?

2759-2760 2773 Jesus ensinou-nos esta oração cristã insubstituível, o Pai Nosso, um dia quando um dos discípulos, vendo-O rezar, lhe pediu: «Ensina-nos a rezar» (Lc 11, 1). A tradição litúrgica da Igreja usou sempre o texto de S. Mateus (6, 9-13).

QUAL É O LUGAR DO PAI NOSSO NAS ESCRITURAS?

2761-2764 ;2774Pai Nosso é a «síntese de todo o Evangelho» (Tertuliano), «a oração perfeitíssima» (S. Tomás de Aquino). Situado no centro do Discurso da Montanha (Mt 5-7), retoma, sob a forma de oração, o conteúdo essencial do Evangelho.

PORQUE SE CHAMA «A ORAÇÃO DO SENHOR»?

2765-2766 ;2775 O Pai Nosso é a «Oração dominical», ou seja «a oração do Senhor», porque nos foi ensinado pelo próprio Senhor Jesus.

QUE LUGAR OCUPA O PAI NOSSO NA ORAÇÃO DA IGREJA?

2767-2772 ;2776 O Pai Nosso é a oração da Igreja por excelência e é «entregue» no Batismo para manifestar o novo nascimento para a vida divina dos filhos de Deus. A Eucaristia mostra-lhe o sentido pleno, visto que as suas petições, fundadas no mistério da salvação já realizada, e que serão plenamente atendidas na vinda do Senhor. O Pai Nosso é também parte integrante da liturgia das Horas.

«PAI NOSSO, QUE ESTAIS NOS CÉUS»

PORQUE PODEMOS «OUSAR APROXIMAR-NOS COM TODA A CONFIANÇA» DO PAI?

2777-2778 ;2797 Porque Jesus, nosso Redentor, nos apresenta diante do Rosto do Pai, e o seu Espírito faz de nós filhos. Podemos assim rezar o Pai Nosso com uma confiança simples e filial, com uma alegre segurança e uma audácia humilde, com a certeza de ser amados e atendidos.

COMO É POSSÍVEL INVOCAR A DEUS COMO «PAI»?

2779-2785; 2789; 2798-2800 Podemos invocar o «Pai», porque Ele nos foi revelado por seu Filho feito homem e porque o seu Espírito nos faz conhecê-Lo. A invocação do Pai introduz-nos no seu mistério com uma admiração sempre nova e suscita em nós o desejo dum comportamento filial. Ao rezar a oração do Senhor estamos conscientes de sermos filhos no Filho do eterno Pai.

PORQUE DIZEMOS «PAI NOSSO»?

2786-2790 ;2801 «Nosso» exprime uma relação totalmente nova com Deus. Sempre que rezamos ao Pai, adoramo-Lo e glorificamo-Lo com o Filho e o Espírito. Em Cristo, somos o «seu» Povo e Ele é o «nosso» Deus, desde agora e para a eternidade. Dizemos, com efeito, Pai «nosso», porque a Igreja de Cristo é a comunhão duma multidão de irmãos que têm «um só coração e uma só alma» (At 4,32).

COM QUE ESPÍRITO DE COMUNHÃO E MISSÃO DIZEMOS AO REZAR A DEUS PAI «NOSSO»?

2791-2793 ;2801 Dado que rezar o Pai «nosso» é um bem comum de todos os batizados, estes sentem o apelo urgente a participar na oração de Jesus pela unidade dos seus discípulos. Rezar o «Pai Nosso» é rezar com e por todos os homens, para que conheçam o único e verdadeiro Deus e sejam reunidos na unidade.

QUE SIGNIFICA A EXPRESSÃO «QUE ESTAIS NOS CÉUS»?

2794-2796 ;2802 Esta expressão bíblica não indica um lugar mas uma maneira de ser: Deus está para lá e acima de tudo. Designa a majestade, a santidade de Deus, e também a sua presença no coração dos justos. O céu, ou a Casa do Pai, constitui a verdadeira pátria para a qual tendemos na esperança, enquanto estamos ainda na terra. Nós vivemos já nela «escondidos com Cristo em Deus» (Col 3, 3).

AS SETE PETIÇÕES

COMO É COMPOSTA A ORAÇÃO DO SENHOR?

2803-2806; 2857 A oração do Senhor contém sete petições a Deus Pai. As primeiras três, mais teologais, aproximam-nos d’Ele, para a sua glória: pois é próprio do amor pensar antes de mais n’Aquele que amamos. Elas sugerem o que em especial devemos pedir-Lhe: a santificação do seu Nome, a vinda do seu Reino, a realização da sua Vontade. As últimas quatro apresentam ao Pai de misericórdia as nossas misérias e as nossas expectativas. Pedimos que nos alimente, nos perdoe, nos defenda nas tentações e nos livre do Maligno.

O QUE QUER DIZER «SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME»?

2807-2812 ;2858 Santificar o Nome de Deus é, antes de mais, um louvor que reconhece Deus como Santo. De fato, Deus revelou o seu santo Nome a Moisés e quis que o seu povo lhe fosse consagrado como uma nação santa na qual Ele habita.

COMO É SANTIFICADO O NOME DE DEUS EM NÓS E NO MUNDO?

2813-2815 Santificar o Nome de Deus que nos chama «à santificação» (1 Tes 4,7) é desejar que a consagração batismal vivifique toda a nossa vida. É pedir, além disso, com a nossa vida e a nossa oração, que o Nome de Deus seja conhecido e bendito por todos os homens.

QUE PEDE A IGREJA REZANDO: «VENHA A NÓS O VOSSO REINO»?

2816-2821 ;2859 A Igreja pede a vinda final do Reino de Deus mediante o regresso de Cristo na glória. Mas a Igreja reza, também, para que o Reino de Deus cresça, já hoje, graças à santificação dos homens no Espírito e graças ao seu empenho ao serviço da justiça e da paz segundo as Bem aventuranças. Este pedido é o grito do Espírito e da Esposa: «Vem Senhor Jesus» (Ap 22,20).

PORQUE PEDIR: «SEJA FEITA A VOSSA VONTADE ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU»?

2822-2827 ;2860 A vontade do Pai é que «todos os homens sejam salvos» (1 Tim 2,3). Para isso é que Jesus veio: para realizar perfeitamente a Vontade salvífica do Pai. Nós pedimos a Deus Pai que una a nossa vontade à do seu Filho, a exemplo de Maria Santíssima e dos Santos. Pedimos que o seu desígnio de benevolência se realize plenamente na terra como no céu. É mediante a oração que podemos «discernir a vontade de Deus» (Rm 12,2) e obter a «perseverança para a cumprir» (Heb 10, 36).

QUE SIGNIFICA O PEDIDO: «O PÃO NOSSO DE CADA DIA NOS DAI HOJE»?

2828-2834 ;2861 Ao pedir a Deus, com o confiante abandono dos filhos, o alimento quotidiano necessário a todos para a subsistência, reconhecemos o quanto Deus nosso Pai é bom e está acima de toda a bondade. Pedimos também a graça de saber agir de modo que a justiça e a partilha façam com que a abundância de uns possa prover às necessidades dos outros.

QUAL É O ESPECÍFICO SENTIDO CRISTÃO DESTE PEDIDO?

2835-2837 ;2861 Porque «o homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus» (Mt 4,4), este pedido refere-se igualmente à fome da Palavra de Deus e à do Corpo de Cristo recebido na Eucaristia, bem como à fome do Espírito Santo. Pedimo-Lo, com uma confiança absoluta, para hoje, o hoje de Deus, o qual nos é dado sobretudo na Eucaristia que antecipa o banquete do reino que há de vir.

PORQUE DIZER: «PERDOAI-NOS AS NOSSAS OFENSAS ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS TEM OFENDIDO»?

2838-2839 ;2862 Ao pedir a Deus Pai para nos perdoar, reconhecemo-nos pecadores diante d’Ele. E, ao mesmo tempo, confessamos a sua misericórdia, porque, no seu Filho e através dos sacramentos, «recebemos a redenção, o perdão dos pecados» (Col 1,14). Porém, o nosso pedido só será atendido se tivermos perdoado aos que nos ofenderam.

COMO É QUE É POSSÍVEL O PERDÃO?

2840-2845 ;2862 A misericórdia penetra no nosso coração só se também nós soubermos perdoar, até aos nossos inimigos. Ora, mesmo que ao homem pareça impossível satisfazer esta exigência, o coração que se oferece ao Espírito Santo pode, como Cristo, amar até ao extremo do amor, mudar a ferida em compaixão, transformar a ofensa em intercessão. O perdão participa da misericórdia divina e é um vértice da oração cristã.

O QUE SIGNIFICA: «NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO»?

2846-2849 ;2863 Pedimos a Deus Pai que não nos deixe sozinhos e à mercê da tentação. Pedimos ao Espírito para sabermos discernir entre a provação que ajuda a crescer no bem e a tentação que conduz ao pecado e à morte, e, ainda, entre ser tentados e consentir na tentação. Esta petição coloca-nos em união com Jesus, que, com a sua oração, venceu a tentação e solicita a graça da vigilância e da perseverança final.

PORQUE CONCLUÍMOS PEDINDO: «MAS LIVRA-NOS DO MAL»?

2850-2854 ;2864 O Mal indica a pessoa de Satanás que se opõe a Deus e que é «o sedutor de toda a terra» (Ap 12, 9). A vitória sobre o diabo já foi alcançada por Cristo. Mas nós pedimos para que a família humana seja libertada de Satanás e das suas obras. Pedimos também o dom precioso da paz e a graça da esperança perseverante da vinda de Cristo, que nos libertará definitivamente do Maligno.

O QUE SIGNIFICA O Amém  FINAL?

2855 – 2856;2865 «Depois, acabada a oração, tu dizes: Amém, corroborando com o Amém, que significa “Assim seja, que isso se faça”, tudo o que está contido na «oração que Deus nos ensinou»(S. Cirilo de Jerusalém).

GLÓRIA AO PAI

Glória ao Pai e ao Filho
e ao Espírito Santo.
Como era, no princípio,
agora e sempre. Amém.

AVE MARIA

Ave Maria, cheia de graça,
o Senhor é convosco,
bendita sois vós entre as mulheres
e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós pecadores,
agora e na hora da nossa morte. Amém.

AO ANJO DA GUARDA

Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador,
pois que a ti me confiou a Piedade divina,
hoje e sempre guarde, governe, ilumina. Amém.

ANGELUS (A Trindades)

V. O Anjo do Senhor anunciou a Maria

R. E Ela concebeu pelo Espírito Santo
Ave Maria…

V. Eis a escrava do Senhor.

R. Faça-se em mim,
segundo a Vossa palavra.
Ave Maria….

V. E o Verbo Divino encarnou.

R. E habitou entre nós.
Ave Maria…….

V. Rogai por nós, santa Mãe de Deus.

R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo

Oremos:

Infundi, Senhor, a vossa graça, em nossas almas, para que nós,

que, pela anunciação do Anjo, conhecemos a encarnação de Cristo, vosso Filho,
pela sua paixão e morte na cruz, sejamos conduzidos à glória da Ressurreição.
Pelo mesmo Cristo Senhor nosso. Amém.

SALVE RAINHA

Salve, Rainha,
mãe de misericórdia,
vida, doçura, esperança nossa, salve!
A Vós bradamos,
os degredados filhos de Eva.
A Vós suspiramos, gemendo e chorando
neste vale de lágrimas.
Eia, pois, advogada nossa,
esses Vossos olhos misericordiosos
a nós volvei.
E, depois deste desterro,
nos mostrai Jesus, bendito fruto
do Vosso ventre.
Ó clemente, ó piedosa,
ó doce Virgem Maria.
Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,
para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

ROSÁRIO

Mistérios Gozosos
(Segundas e Sábados)

A anunciação do Anjo à Virgem Maria.
A visita de Maria a Santa Isabel.
O nascimento de Jesus em Belém.
A apresentação de Jesus no Templo.
A perda e encontro de Jesus no Templo.

Mistérios da Luz
(Quintas Feiras)

O batismo de Jesus no Jordão.
A auto-revelação de Jesus nas bodas de Caná.
O anúncio do Reino e o convite à conversão.
A transfiguração de Jesus no Tabor.
A instituição da Eucaristia.

Mistérios Dolorosos
(Terças e Sextas)

Agonia de Jesus no Horto das Oliveiras.
Flagelação de Jesus, preso à coluna.
Coroação de espinhos.
Jesus carrega a cruz a caminho do Calvário.
Jesus é crucificado e morre na cruz.

Mistérios Gloriosos
(Quartas e Domingo )

A ressurreição de Jesus.
A ascensão de Jesus ao céu.
A descida do Espírito Santo.
A assunção da Santíssima Virgem ao céu.
A coroação de Nossa Senhora,
como Rainha do céu e da terra.

Oração no fim do Santo Rosário

D./ Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
C./ Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos:

Ó Deus, que, pela vida, morte e ressurreição do Vosso Filho Unigênito, nos adquiristes o prêmio da salvação eterna: concedei-nos, Vos pedimos, que venerando os mistérios do santíssimo Rosário da Virgem Maria, imitemos o que eles contêm e alcancemos o que eles prometem. Por Cristo Senhor nosso. Amém.

FÓRMULAS DE DOUTRINA CATÓLICA

OS DOIS MANDAMENTOS DE CARIDADE

1. Amarás o Senhor teu Deus, com todo o teu coração,
com toda a tua alma e com toda a tua mente.

2. Amarás ao próximo como a ti mesmo.

A REGRA DE OURO (Mt 7, 12)

Tudo quanto quiserdes que os homens vos façam, fazei-lho vós também.

AS BEM AVENTURANÇAS (Mt 5, 3-12)

Bem aventurados os pobres em espírito,
porque deles é o reino dos céus.
Bem aventurados os que choram,
porque serão consolados.
Bem aventurados os mansos,
porque possuirão a terra.
Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça,
porque serão saciados.
Bem aventurados os misericordiosos,
porque alcançarão misericórdia.
Bem aventurados os puros de coração,
porque verão a Deus.
Bem aventurados os pacificadores,
porque serão chamados filhos de Deus.
Bem aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça,
porque deles é o reino dos céus.
Bem aventurados sereis quando vos insultarem,
vos perseguirem e, mentindo,
disserem toda a espécie de calúnias contra vós.
Alegrai-vos e exultai,
porque será grande a vossa recompensa nos céus.

AS TRÊS VIRTUDES TEOLOGAIS:

1. Fé
2. Esperança
3. Caridade.

AS QUATRO VIRTUDES CARDEAIS:

1. Prudência
2. Justiça
3. Fortaleza
4. Temperança.

OS SETE DONS DO ESPÍRITO SANTO:

1. Sabedoria
2. Entendimento
3. Conselho
4. Fortaleza
5. Ciência
6. Piedade
7. Temor de Deus.

OS DOZE FRUTOS DO ESPÍRITO SANTO:

1. Amor
2. Alegria
3. Paz
4. Paciência
5. Longanimidade
6. Benignidade
7. Bondade
8. Mansidão
9. Fé
10. Modéstia
11. Continência
12. Castidade.

OS CINCO PRECEITOS DA IGREJA:

1. Participar na Missa, aos domingos e festas de guarda e abster-se de trabalhos e atividades que impeçam a santificação desses dias.
2. Confessar os pecados ao menos uma vez cada ano.
3. Comungar o sacramento da Eucaristia ao menos pela Páscoa.
4. Guardar a abstinência e jejuar nos dias determinados pela Igreja.
5. Contribuir para as necessidades materiais da Igreja, segundo as possibilidades.

AS SETE OBRAS DE MISERICÓRDIA CORPORAIS:

1. Dar de comer a quem tem fome
2. Dar de beber a quem tem sede
3. Vestir os nus
4. Dar pousada aos peregrinos
5. Visitar os enfermos
6. Visitar os presos
7. Enterrar os mortos.

AS SETE OBRAS DE MISERICÓRDIA ESPIRITUAIS:

1. Dar bons conselhos
2. Ensinar os ignorantes
3. Corrigir os que erram
4. Consolar os tristes
5. Perdoar as injúrias
6. Suportar com paciência as fraquezas do nosso próximo
7. Rezar a Deus por vivos e defuntos.

OS SETE PECADOS CAPITAIS:

1. Soberba
2. Avareza
3. Luxúria
4. Ira
5. Gula
6. Inveja
7. Preguiça.

OS QUATRO NOVÍSSIMOS:

1. Fazer modificação genética

2. Poluir o meio ambiente

3. Causar injustiça social

4. Causar pobreza

5. Tornar-se extremamente rico

6. Usar Drogas ( Papa Bento XVI)

Fonte:

Vatican.va

Catecismo da Igreja Católica

Obras Católicas.com

Pesquisa e elaboração: Manfré e Ivonilce

Revisão e aprovação: Pe. Xiao – José Antonio

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