13 – A Essência do Cristianismo

A Essência do Cristianismo

Introdução

Considerando que o Cristianismo existe há dois mil anos, poderíamos esperar que o ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo foi estudado em profundidade, entendido e totalmente explicado. Contudo, a existência de grande variedade de seitas nos leva a concluir que isto está longe da realidade. Enquanto que em muitas ciências exatas o conhecimento desenvolveu-se e continua evoluindo e aperfeiçoado, o ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo tem aparentemente se tornado mais e mais distorcido. A razão disto não é tanto a dificuldade de se entender o real significado do Cristianismo, mas a má vontade de alcançar e aceitar o mais importante do Cristianismo: – porque o Senhor Jesus Cristo veio á terra, isto é, qual a essência do Cristianismo.

É aqui que o leitor deve estar pensando que nós mesmos é que estamos um tanto confusos. Até as crianças sabem que o Senhor Jesus Cristo veio a terra a fim de salvar a humanidade pois o Seu próprio nome, Jesus, significa Salvador. O problema é que o significado desta salvação não pode ser entendido fora do contexto dos ensinamentos da Bíblia sobre o destino do homem.

Certamente, ninguém deseja ser condenado ao inferno, mas cada um de nós gostaria de entrar no Reino dos céus. Contudo, é crucialmente importante entender que o Reino dos céus não é um lugar físico mas um estado de sentimento. Perguntado pelos escreventes quando o Reino dos céus iria ser revelado, Cristo respondeu: ” O reino de Deus não virá com aparato; nem se dirá: Ei-lo aqui, ou ei-lo acolá. Porque eis que o reino de Deus está no meio de vós” (Lucas 17:20-21). Nestas palavras o Senhor mostrou que a salvação está intimamente ligada com o estado interior do homem. Salvação não é simplesmente uma mudança da sua condição de vida atual para uma condição diferente e melhor; é algo muito mais intenso e magnífico. É como a Escritura diz: “Compadeçamo-nos do ímpio, e ele não aprenderá a justiça; na terra dos santos ele praticou a iniqüidade e (por isso) não verá a glória do Senhor” (Isaías 26:10). Nota: a versão Russa deste versículo difere da Grega e da Eslávica.

Em outras palavras, o homem perverso continuará sendo invejoso, detestável, briguento e atormentado pelo desejo dos prazeres carnais, trazendo assim o inferno dentro de si mesmo. A verdadeira alegria, a paz e a boa ventura é um estado interior que chega ao homem como resultado de uma relação com Deus que o pecador não tem. Para o homem que é honrado, não importa onde ele esteja, sempre terá o prazer da comunhão com Deus, como se estivesse trazendo o paraíso para si mesmo.

É muito importante compreender que o principal propósito da vinda de Cristo não foi o de dar-nos melhores condições de vida, mas sim de re-estabelecer o paraíso perdido dentro de nós. Nesta verdade está a chave para a compreensão do Cristianismo. Quando entendermos isto, seremos capazes de notar a superioridade da religião Ortodoxa sobre as outras religiões, porque basicamente tudo que a Igreja Ortodoxa observa e ensina é dirigido para um só fim: a união com Deus através da renovação moral tornando-se semelhante à Ele.

Neste presente artigo, queremos mostrar que a origem de todos os erros das igrejas heterodoxas consiste no conceito de salvação muito formal e utilitário, afastando-se do processo de renovação interior. O Senhor é todo poderoso! Ele pode criar mundos inteiros com uma só palavra porém, Ele não pode salvar-nos sem a nossa participação ativa, porque o bem e o mal são práticas que dependem da nossa própria vontade. Você pode oferecer a um estudante uma maravilhosa e atualizada literatura e os melhores professores, mas ninguém pode dar-lhe o conhecimento e a experiência que ele precisa se não se esforçar para estudar por si mesmo. Algo parecido acontece com muitos cristãos – apesar da abundância de graças que são oferecidas, eles não crescem espiritualmente. E além de não crescerem espiritualmente, ainda se atrevem a alterar os ensinamentos de Cristo, adequando-os a sua própria falta de vontade. Como muitas pessoas preferem o caminho mais fácil, as doutrinas daqueles que “simplificam” o Cristianismo acabam desfrutando do sucesso.

Prevendo isto, o Senhor ensinou aos seus seguidores que não importa serem um “pequeno rebanho” que segue por um caminho estreito, porque é o difícil caminho da renovação espiritual que realmente nos guia para a vida eterna.

Idéias Errôneas sobre o Cristianismo

Muitas pessoas não se dão conta que a existência de todas as heresias contemporâneas se deve a Igreja Católica Romana. Enquanto que a Igreja Ortodoxa, no leste europeu, sofreu cruel perseguição dos persas, árabes, turcos e outros povos, e estava constantemente sendo obrigada a lutar contra a pressão das heresias, o oeste estava vivendo em relativa prosperidade e segurança. Devido a isto, o espírito cristão da Igreja Apostólica foi gradualmente decaindo dando lugar ao formalismo e ritualismo. A salvação deixou de ser considerada como um caminho de renovação espiritual e começou a ser vista como uma recompensa para boas ações. A Igreja Católica Romana foi se tornando mais e mais parecida com uma instituição terrena com grande entusiasmo pelo poder, carreira profissional e intrigas. Este comportamento exterior a religião, foi ocupando o lugar da religiosidade interior. Toda a ênfase foi colocada em rituais e ações. Quanto mais “boas ações” tanto maior será a sua recompensa. Se pensava que os Santos acumulavam tantas boas ações que eles possuíam uma quantidade demasiada delas. A Igreja Católica Romana começou a pregar que estes “méritos especiais” formam o seu tesouro e que ela pode dispor desta riqueza e distribuí-la aos seus demais membros.

Desta maneira, surgiu uma deformada doutrina de indulgências, com tristes conseqüências para o mundo cristão. Com a finalidade de se coletar dinheiro para os cofres das igrejas, a absolvição dos pecados, não só os do passado mas também os do futuro, foi ambiciosamente colocada á venda. Quanto mais você paga, mais pecados serão perdoados. Esta monstruosa deformação do Cristianismo provocou uma reação representada pelo movimento Protestante. Numa árdua batalha contra os abusos da Igreja Católica Romana, Lutero se posicionou em um extremo oposto: “Não é necessário realizar ações, só tenha fé e você será salvo.” A grande tragédia do Cristianismo ocidental, foi a de que nem Lutero e tão pouco seus seguidores foram capazes de se libertarem do maior erro do catolicismo: um conceito formalista da salvação. A substituição de boas ações pela fé não solucionou o problema, porque a atividade da renovação espiritual, o mais importante dos ensinamentos de Cristo, permaneceu fora da visão. A chave da compreensão do Cristianismo perdida pela Igreja Católica Romana nunca foi encontrada pelos teólogos protestantes. Afirmando que a fé por si mesma é suficiente para a salvação, eles acabaram de uma só vez com todos os meios do estado de graça que o Senhor dotou á Igreja Apostólica para a renovação e a salvação dos espíritos crentes. O sacerdócio e os sacramentos foram declarados desnecessários.

É muito alarmante observar como o mundo não ortodoxo se distância cada vez mais do real Cristianismo da Igreja Apostólica. Muitas seitas e cultos de origem mais recente vão ainda mais além, ao longo do caminho do “consumismo,” do que o catolicismo e protestantismo. Como exemplo temos os Pentecostais e outros chamados de “carismáticos” que enfatizam o auto estímulo de artificialmente buscarem um estado de euforia e êxtase ou até mesmo o riso incontrolável. Usando a blasfêmia eles gritam desarticulados sons que chamam de “o dom das línguas,” e se referem a esses mediúnicos transes como sendo a aparição do Espírito Santo. Outros que são chamados de “pregadores do Evangelho da ganância,” vêem no Cristianismo uma forma de obter muito sucesso na vida. “Acredite,” eles proclamam, “e os seus negócios irão prosperar, sua vida amorosa melhorará, você terá uma família maravilhosa e você sempre terá saúde, felicidade e muita energia.” É como se nós pudéssemos entrar em um fino restaurante e escolher no cardápio das Sagradas Escrituras, o que mais nos agrada.

A Salvação é Renovação Espiritual e Semelhança a Deus

Para entender os ensinamentos do nosso Salvador, precisamos voltar á passagem bíblica da criação do homem. Deus resolveu dotar os homens diferentemente dos animais, com a Sua imagem e semelhança (Gen. 1:26). “Imagem” e “semelhança” são termos que não são sinônimos. A imagem representa as habilidades ou talentos que Deus colocou como parte da natureza humana, incluindo um senso moral, a voz da consciência, a inclinação para o bem, o desejo da imortalidade e a necessidade de crescer e ser perfeito espiritualmente. A semelhança consiste em se tornar parecido com Deus em Suas perfeições. Enquanto que a imagem é uma inalienável característica da nossa natureza humana, a semelhança é só uma possibilidade em potencial. Deus é infinitamente sábio, bom e justo. Ele deseja que nós também, Seus filhos, façamos o melhor possível para aperfeiçoar estas qualidades. É claro que ninguém deve imaginar que é possível, de repente, transformar-se num sábio ou benfeitor. É preciso muito esforço para corrigir-se e aperfeiçoar-se cada vez mais. Este foi o propósito da criação do homem e que permanece o mesmo até hoje!

O pecado trouxe desarmonia dentro da nossa natureza humana e se tornou um obstáculo no caminho da perfeição. O veneno do pecado foi tão poderoso que nenhum ser humano poderia se livrar dele com seu próprio esforço. Foi necessário que o filho de Deus viesse ao nosso mundo terreno. Ele não só ensinou ao homem a viver corretamente, como, assumindo a nossa natureza, Ele injetou no deteriorado organismo humano uma nova corrente de vida divina e desta maneira deu-nos forças para o renascimento moral. Esta participação do homem na vida divina é realizada na Igreja e que por esta razão é chamada “corpo de Cristo” (1 Cor. 6:15 ; Efe. 4:12).

O processo da renovação espiritual começa com o Batismo, no qual o homem liberta-se do veneno do pecado e recebe a graça de Deus. Ele é levado fora deste mundo no qual se encontra o mal, e trazido à igreja. O Senhor Jesus Cristo e Seus Apóstolos sempre contrastaram a vida cristã com a vida mundana, ou seja, a vida do “mundo no qual se encontra o mal” e não vos conformeis com este século, mais reformai-vos com o renovamento do vosso espírito, para que reconheçais qual é a vontade de Deus,” nos ensina o Apóstolo São Paulo (Rom. 12:2). O poder cheio de graça do batismo é tão grande que quando alguém é batizado torna-se, como se fosse, uma nova criatura. “Se algum pois, está em Cristo é uma nova criatura; passaram as coisas velhas; eis que tudo se fêz novo” (2 Cor. 5:17). Através do batismo o cristão se afasta de tudo o que é pecaminoso; e se tornando um participante do poder renovador dos sofrimentos do nosso Salvador na Cruz, ele morre como pecador e começa uma nova vida, mais correcta. “Mas longe de mim o gloriar-me senão da cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, por quem o mundo está crucificado para mim, e eu crucificado para o mundo,” escreveu o Apóstolo Paulo. “Porque, em Jesus Cristo, nem a circuncisão, nem a incircuncisão valem nada, mas o ser uma nova criatura” (Gal. 6:14-15). A partir deste momento o cristão passa por uma completa reavaliação de valores. Ele começa a desejar e procurar o que ele costumava desprezar e menosprezar o que o cativava.

Tal circunstância é chamada pela Escritura Sagrada de “passagem da morte para a vida” (cf. João 5:24 ; 1 João 3:14) e “ressuscitado com Cristo” (cf. Col. 3:1-17). Deus remove o homem das trevas para o reino da luz onde ele é iluminado pelo Espírito Santo (1 Pedro 2:9-10). É neste contexto que o nosso Senhor Jesus Cristo nos chama adiante para: “Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que eles vejam as vossas boas obras, e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus” (Mat. 5:16).

Não há nada mais importante no mundo do que ser chamado a ser Cristão. O Apóstolo São Pedro encoraja os fiéis com as seguintes palavras: “Vós, porém, sois uma geração escolhida, um sacerdócio real, uma gente santa, um povo de conquista, para que publiqueis as perfeições daquele que das trevas vos chamou à sua luz admirável. Vós que outrora não éreis seu povo, mas agora (sois) povo de Deus; vós que não tinheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia” (1 Ped. 2:9-10). E São Paulo diz: “Outrora éreis trevas, mas agora (sois) luz no Senhor. Andai como filhos da luz, porque o fruto da luz consiste em toda a espécie de bondade, de justiça e de verdade” (Efe. 5:8-9).

É claro que tudo isto pressupõe uma impecável moralidade e proximidade a Deus. “Vós sereis santos, porque eu sou santo” (1 Ped. 1:16 ; Lev. 11:45). A Santidade é um talento dado pelo Espírito Santo, mas cada cristão deve manter este talento incrementando-o em sua vida. “Buscai a paz com todos e a santidade, sem a qual ninguém verá a Deus” (Heb. 12:14).

O Evangélio e as Epístolas dos Apóstolos são unânimes em chamar todos a se tornarem mais e mais parecidos com Deus, na Sua perfeição moral. “Sêde, pois, imitadores de Deus, como filhos muitos amados” (Efe. 5:1). Especificamente falando, somos requeridos a seguir a encarnação do Filho de Deus. Nosso ideal é se parecer com Cristo, como se fôssemos nos revestir em Cristo. “Por todos os que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo” (Gal. 3:27). Portanto o Apóstolo nos ensina: “Tende entre vós os mesmos sentimentos que (houve) em Jesus Cristo” (Fil. 2:5). “Quem diz que está nele, deve também andar como ele andou” (1 João 2:6). E ele escreve: “Rogo-vos, pois, que sejais meus imitadores, como eu o sou de Cristo… Porque, quem conheceu o pensamento do Senhor, para que o possa instruir? Nós, porém, temos o pensamento de Cristo” (1 Cor. 4:16 ; 11:1 ; 2:16).

Quanto mais o Cristão consegue se tornar semelhante ao Seu Semblante divino, mais profunda será a sua mística união com Ele. O Senhor Jesus Cristo nos disse: “Se alguém me ama guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e nós viremos a ele, e faremos nele morada” (João 14:23). A meta da vida é de se tornar “participante da natureza divina” (2 Ped. 1:4).

Esta meta é tão difícil de ser atingida que a princípio o homem instintivamente tem medo dela e considera-a inacessível. Mesmo assim, Deus o ajuda a seguir o caminho da perfeição e gradualmente o guia as alturas bem próximas a Ele. É por isto que as Sagradas Escrituras frequentemente comparam a Igreja a uma grande montanha (cf. Salmos 2 ; Isa. 2:2-3 ; 11:1-10 ; 26 ; Dan. 2:34). Quando uma pessoa se torna cristã ela começa a subir a base da montanha. O resto de sua vida será uma constante subida numa longa escada até atingir a perfeição. No cume desta montanha é que se encontra o Senhor, rodeado por uma multidão de Santos. É neste contexto que podemos entender o significado das palavras de São Paulo, quando ele escreve aos cristãos: “Vós, porém vos aproximastes do monte de Sião, e da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celeste e da multidão de anjos, e da igreja dos primogênitos, que estão escritos no céu, e de Deus, juiz de todos, e dos espíritos dos justos perfeitos” (Heb. 12:22-23). Estas palavras são dignas de nota, porque fornecem uma afirmação de que a perfeição moral é atingível, embora isto dependa da capacidade da natureza humana.

Assim, esta e muitas outras passagens da Bíblia são convincentes evidências que a salvação é inseparavelmente ligada com o processo de renovação espiritual. O paraíso, em primeiro lugar, é o estado de uma alma que foi renovada. Deus em sua misericórdia nos chama ao Seu Reino dos céus; somos nós que temos que nos esforçar para alcançá-lo. Portanto, “Buscai, pois, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas de acréscimo” (Mat. 6:33). “Porque nós somos participantes de Cristo, mas contanto que conservemos inviolavelmente até o fim o fundamento pelo qual somos sustentados nele” (Heb. 3:14). Deus nos chamou para que sejamos seus filhos. Certamente, Ele deseja que nós possamos tornar-se semelhante a Ele. O pecado nos desvia para o caminho da perdição. Cristo veio para corrigir aquilo que foi danificado. Ele nos ajuda a voltar ao caminho certo, que nos leva a salvação. Portanto, o Cristianismo não é tanto um aprendizado ou teoria, como um verdadeiro caminho de modo de vida.

Quando isto é entendido, compreende-se a lógica e a sabedoria de tudo que constitui e distingue a Ortodoxia que são os ensinamentos sobre o asceticismo e abstinência, os sacramentos, o jejum, as festividades, o serviço religioso na Igreja, a arquitetura eclesiástica, os cânticos e as artes. Todas estas coisas nos ajudam a chegar ao caminho da perfeição espiritual. Como se diz na Bíblia: “Examinai tudo; abraçai o que for bom” (1 Tes. 5:21).

Algumas pessoas, geralmente aquelas que tomam o Cristianismo como bem simples e formalista, podem pensar que o que nós estamos dizendo aqui parece algo novo e estranho. Elas podem perguntar: “Se você tem que esforçar-se e empenhar-se para se tornar perfeito, onde está a salvação pela fé e pela graça divina de Cristo?”

Tal confusão pode ser esclarecida facilmente. De maneira alguma não estamos diminuindo a importância da fé e da graça divina, pelo contrário, queremos deixar bem claro que são absolutamente necessárias. Isto pode ser ilustrado pelo seguinte exemplo: um rico filantropo decidiu oferecer a um pobre rapaz uma oportunidade de estudar em uma das melhores e mais caras escolas que existe. Ele se responsabiliza por todas as despesas envolvidas como: o custo do ensino, local para moradia, refeições, livros, computadores, equipamento de laboratório, etc. Sem falar que esta instituição educacional tem as condições mais favoráveis de aprendizado que um estudante poderia desejar. E ainda, uma esplêndida carreira o espera, assim que termine seus estudos. Tudo o que ele tem que fazer é aproveitar a grande oportunidade que lhe foi dada e não ser preguiçoso; afinal de contas, ninguém pode colocar á força os conhecimentos na sua mente. Sem o esforço pessoal de estudar e triunfar, de nada valerão as boas intenções do filantropista e o preguiçoso voltará ao seu lugar de origem.

Desta mesma forma, a graça divina nos fornece todo o necessário para a salvação, como um presente, sem nenhum mérito de nossa parte. Deus perdoa os nossos pecados porque Jesus Cristo sofreu por eles na Cruz. Deus renova o nosso espírito, cura as feridas das nossas paixões, ilumina as nossas mentes, acalma os nossos corações e nos fortalece espiritualmente. Ele nos guia pela mão e nos ajuda a cada passo do nosso caminho. Porém, o que ele não pode fazer sem violar a nossa liberdade, é obrigar-nos a sermos bons. Aqui a nossa própria vontade e esforço são necessárias. Todas as escrituras do Novo Testamento servirão para explicar este conceito.

E alguém nos pode perguntar: “E o ladrão? Foi salvo sem nenhum trabalho, ele simplesmente se arrependeu.” É preciso entender que Deus é que estabeleceu para cada um dos homens o seu próprio nível de perfeição. Mesmo os pagãos são salvos, visto que, eles agiram de acordo com que a consciência deles lhes disse (leia Rom. 2:14-16). Ao mesmo tempo, não se deve ser esquecido que “porque a todo aquele a quem muito foi dado, muito lhe será pedido” (Lucas 12:48). Se alguém pensar que o Cristianismo é muito difícil de se seguir, pelo menos não poderá reclamar da misericórdia de Deus.

O Cristianismo é notável pelo fato de que abre ao homem, um leque de possibilidades espirituais ilimitadas. Não só oferece a ele o privilégio de se tornar o filho de Deus, mas também o capacita a crescer á semelhança do seu Pai. E ao mesmo tempo, não ordena ao homem a seguir um determinado estilo de vida e não exige impossíveis conquistas. Para cada pessoa oferece a liberdade de crescer o quanto desejar. Se você pensa que é muito difícil se obter um grau de doutorado, ao menos consiga um de bacharelado. Se este lhe parece ainda muito duro, termine o colegial. E o colegial ainda é muito difícil para você? Faça o ginásio ou pelo menos o primário. Só não permaneça desocupado e não abandone o talento da fé. E mesmo que você não faça nenhum esforço para melhorar, ao menos se curve perante Deus e diga a Ele que você lamenta muito ser um preguiçoso. O mais importante que peço a você: não dispense os ensinamentos de Cristo e não diga que você já está salvo e não tem necessidade de empenhar-se em chegar à perfeição, porque esta é a verdadeira essência do Cristianismo!

Nos capítulos que se seguem, nós desejamos, com a ajuda de Deus, desenvolver em maior profundidade os pensamentos que citamos acima e especialmente, gostaríamos de falar sobre o que constitui o esforço espiritual a perfeição e que obstáculos o cristão deve vencer para obtê-la, que conexão existe entre a graça divina de Deus e o esforço pessoal do homem e qual é a origem de nossas alegrias e tristezas ao longo do caminho para o Reino dos céus.

Ações ou Fé?

Os Dois Extremos

Ainda a velha disputa, “os guerreiros,” cada um no seu respectivo lado, fincam o pé no chão em suas posições e não cedem nem um pouco. A Igreja Católica Romana, afirma que a salvação é baseada em méritos de um indivíduo. Não só este indivíduo pode se livrar dos pecados pelo seus próprios atos e boas ações, como pode também, adquirir uma abundância de méritos, os quais, podem ser usados por outros. Para suportar a certeza de sua posição, os Católicos enfatizam certas passagens da Sagrada Escritura, na qual, se cita a necessidade de boas ações, como por exemplo: “Porque somos obra sua, criados em Jesus Cristo para fazer boas obras, que Deus preparou para caminharmos nelas” (Efe. 2:10). “Esta é uma verdade infalível; e quero que afirmes isto, para que procurem ser os primeiros nas boas obras aqueles que crêem em Deus. Estas coisas são boas e úteis aos homens” (Tit. 3:8), entre outras.

Rejeitando esta doutrina, os Protestantes pregam que todos nós somos salvos pelos méritos do Salvador. A dádiva pelo perdão dos pecados e a vida eterna, são obtidas sómente pela fé, que é completamente suficiente para a salvação. Não há necessidade de boas obras ou ações, atos de devoção ou nem mesmo perfeição moral. Se diz: Acredite, que você será salvo.

Para suportar esta afirmação, eles mencionam, entre outros textos, as seguintes palavras ditas pelo Apóstolo Paulo: “Porque pelas obras da lei não será justificado nenhum homem diante dêle. Porque, pela lei, vem o conhecimento do pecado. Mas agora manifestou-se sem a lei a justiça de Deus é infundida, pela fé de Jesus Cristo, em todos e sobre todos os que crêem nele; porque não há distinção, porque todos pecaram, e estão privados da glória de Deus, e são justificados gratuitamente pela sua graça por meio da redenção, que está em Jesus Cristo, a quem Deus propôs como vítima de propiciação, em virtude do seu sangue por meio da fé, a fim de manifestar a sua justiça pela remissão dos delitos passados, suportados por Deus, a fim de manifestar a sua justiça no tempo presente, de maneira a ser reconhecido justo e justificador daquele que tem fé em Jesus Cristo. Onde está pois, o motivo de te gloriares? Todo ele foi excluído. E por que lei? Pela das obras? Não; mas pela lei da fé. Porquanto julgamos que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei” (Rom. 3:20-28). E mais palavras como: “Mas, como sabemos que o homem não se justifica pelas obras da lei, senão pela fé de Jesus Cristo, por isso também nós cremos em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto nenhum homem será justificado pelas obras da lei” (Gal. 2:16).

Visto que, ambos os lados encontram apoio na Sagrada Escritura, qual dos lados está certo? É lamentável ver como muitas vezes, até mesmo os teólogos Ortodoxos são pegos por esse argumento, sobre como o homem é salvo. Na polêmica com os Católicos eles usam argumentos Protestantes, enquanto que, nas polêmicas com os Protestantes, eles usam argumentos Católicos. Isso cria a impressão de que a Ortodoxia não possui o seu próprio e definido pensamento sobre a salvação, e que se posiciona ao meio, entre o catolicismo e o protestantismo. O Cristão que escuta aos argumentos de ambos os lados, poderá até mesmo chegar a duvidar da veracidade da Sagrada Escritura. Se pode pensar que os Apóstolos não entenderam os ensinamentos de Cristo completamente, ou de que eles não foram capazes de expressar os Seus ensinamentos com suficiente claridade, ou até mesmo de que o conteúdo das Escrituras foi destorcido por adições posteriores, feitas por heréticos. Tal opinião, foi mantida por Lutero e outros teólogos Protestantes, que disputam a autenticidade da Epístola de São Tiago e a Epístola aos Hebreus, alegando que eles falam mais categoricamente sobre a necessidade de boas ações do que outros livros que o Novo Testamento menciona.

 Uma Explicação de Termos

Na realidade, não há nenhuma contradição nas Escrituras, e nem mesmo poderia haver. A disputa entre os teólogos não ortodoxos se baseia em uma má interpretação ou um equívoco. A questão da salvação foi reduzida de uma esfera espiritual e moral, a um nível formal de categorias jurídicas. A salvação chegou a ser entendida, não como uma renovação de um espírito pecador, ou ainda, como uma aquisição de honradez, mas sim como o resultado de que o homem satisfaça certas condições, sejam elas, boas ações ou obras (como os Católicos), ou fé (como os Protestantes). Portanto, se o homem viola as condições requeridas, não pode ser salvo.

O fato é que, a salvação ou perdição do homem, é o resultado de um estado moral de seu espírito. O paraíso não é simplesmente um lugar, mas também, é o estado ou a condição de um espírito que foi renovado. Cristo não veio à terra, para mudar as nossas condições de vida para melhor, mas sim, para nos dar um renascimento espiritual, curar-nos da corrupção do pecado, restaurar-nos da beleza da imagem de Deus e fazer-nos sentir como filhos de Deus. “Se algum, pois, está em Cristo é uma nova criatura” (2 Cor. 5:17).

Levando em conta que a condição moral do espírito depende da propensão à vontade, o homem precisa usar força para “ajustar” seu coração (q.v. Lucas 17:20 e Mat. 11:12). É por isso que a nossa doutrina da salvação, não deve ser considerada ao nível do que fazemos ou deixamos de fazer. A salvação tem que ser considerada como um processo espiritual, conduzido pela graça de Cristo, com a participação ativa pela pessoa que está sendo salva. Para algumas pessoas, este processo é rapidamente completado, como o sábio ladrão que se arrependeu na cruz, enquanto que, para outras este processo é mais lento e indireto. Além disso, o que é espiritualmente preciso para uma pessoa, pode não ser preciso a outra, ou seja, varia com o indivíduo, assim como, o nível de perfeição espiritual que ele poderá atingir. Isto se torna evidente, quando se lê as parábolas da semente e a dos talentos (q.v. Mateus 13:1-23 e 25:14-30).

A fim de convencer-nos que a Sagrada Escritura está livre de qualquer contradição interna, precisamos, em primeiro lugar, definir claramente a sua terminologia, especificamente, o que ela significa pelas ações e pela fé.

Nos textos em que se trata da absolvição pela fé, que são mencionados pelos Protestantes, as palavras do Apóstolo Paulo não estão direcionadas contra as boas ações, mas sim, contra as obras da lei. “Obras da lei,” é um termo bem específico, no qual São Paulo se refere ao aspecto ceremonial e ritual da Lei Mosaíca; os sábados judeus e as festividades, a circuncisão, a lavagem e rituais de purificação, as meticulosas distinções entre alimentos que são considerados “limpos” ou não, como também, toda essa estrutura ponderada de costumes religiosos e étnicos que foram surgindo através dos tempos. Embebendo “as obras da lei” com o leite da mãe, os Judeus não consideram a sua religião como uma força para a regeneração moral, consideram-na mais como uma soma total de requerimentos que devem ser estritamente observados, a fim de se obter uma merecida absolvição perante Deus. Quanto mais obras da lei completadas por um indivíduo, maior será sua recompensa, colocando isto em proporções puramente aritméticas. Daí, surgiu-se uma mentalidade mercantil e utilitária, a qual, São Paulo lutou contra, constantemente.

Quando se fala em boas ações, no sentido de uma expressão vívida de fé em Deus, São Paulo não as rejeita, pelo contrário, ele incita aos Cristãos a cumpri-las diligentemente. Como exemplo, ele escreve o seguinte: “Porque com o coração se crê para alcançar a justiça, mas com a boca se faz a confissão para conseguir a salvação” (Rom. 10:10). “Logo, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos irmãos da fé” (Gal. 6:10). “Porque somos obra sua, criados em Jesus Cristo para fazer boas obras, que Deus preparou para caminharmos nelas” (Efe. 2:10). “Esta é uma verdade infalível; e quero que afirmes isto, para que procurem ser os primeiros nas boas obras aqueles que creem em Deus. Estas coisas são boas e úteis aos homens” (Tit.3:8). “Logo, ou comais, ou bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus” (1 Cor. 10:31). São Tiago declara-as categoricamente como: “Aquele, pois, que conhece o bem que deve fazer e não o faz, peca” (Tia. 4:17).

Portanto, quando falamos sobre obras, fazemos uma distinção muito importante entre boas ações e as obras da lei, as quais, perderam sua importância no mundo Cristão. Boas ações não são quantidades que podem ser pesadas ou medidas. O valor delas não se encontra em números, mas sim, na dedicação na qual elas são feitas. Por exemplo: uma moeda de pequeno valor de uma pobre viúva, vale muito mais para Deus do que uma grande quantia de dinheiro que os chamados ricos estavam doando ao Templo; “porque todos os outros deitaram do que lhes sobejava; esta, porém, deitou do seu necessário tudo o que tinha, todo o seu sustento” (Marcos 12:44).

Além disso, esta mesma ação pode ser considerada boa ou má, dependendo da intenção na qual ela é feita. Um Fariseu da parábola do Evangelho, passou muito tempo fazendo jejum e orando, mas não se beneficiou disso, porque agiu assim sómente para mostrar a sua boa ação aos outros; porém, a profetisa Ana, alcançou o Espírito Santo através do jejum e de orações (q.v. Lucas 2:36). Os Protestantes que rejeitam o jejum e as orações da Igreja e as julgam desnecessárias, deveriam notar o fato de que esta justa mulher, por suas ações de abstinência e orações, obteve a graça de Deus, mesmo em um período em que esta graça não era acessível ao homem, porque o Espírito Santo ainda não tinha descido perante aos Apóstolos (q.v. João 7:39).

Em conclusão, a importância de boas ações não está tanto na realização de ações em si, mas encontram-se na manifestação das boas qualidades e virtudes do homem. Existe uma definida correspondência a ser notada: cada “ação” ou ato que o homem pratica, deixa um vestígio discernível em sua alma, que pode ser positivo ou negativo. E se estes atos continuam consistentemente, eles gradualmente restituem ao homem virtuosidade ou fundamento.

Portanto, é importante praticar boas ações a fim de adquirir bons hábitos (q.v. Rom. 12:12 e 1Tim. 4:16). Por esta razão, o Evangelho diz: “Bem-aventurados são os que lamentam… Bem-aventurados são aqueles que têm fome e sede de Justiça… Bem-aventurados são os misericordiosos… Bem-aventurados são os pacificadores,” significando, que felizes serão as pessoas que constantemente fazem o bem.

Agora, quero tentar esclarecer a essência do conceito da fé. Quando a Sagrada Escritura fala da necessidade de se ter fé, ela se refere a esta palavra não sómente como um abstrato e teórico conhecimento de certas veracidades da religião, mas também, consentir a vontade do homem em entregar-se à Deus. Em outras palavras, a fé contém um elemento ativo, bem definido de ações positivas. Em todas as passagens da Sagrada Escritura, onde se fala do salvamento da fé, sempre se encontram atos bem definidos. É como em nossa vida cotidiana, não basta um engenheiro, por exemplo, adquirir o conhecimento teórico de sua profissão, se ele não tiver a habilidade de pôr este conhecimento em prática. Da mesma maneira, o que Deus espera de nós não é uma fé abstrata, mas sim, uma fé vívida e ativa. É interessante notar, que o mero conhecimento da religião, sem o correspondente modo de vida, não gera nenhum fruto ao homem, pelo contrário, estará sujeito a uma condenação maior ainda, como Cristo disse: “E aquele servo, que conheceu a vontade do seu Senhor, e não se preparou; e não procedeu conforme a sua vontade, levará muitos açoites” (Lucas12:47 e q.v. Rom. 2:13).

Assim, a fé de um Cristão deve abranger um sincero desejo de tornar-se uma pessoa melhor e distinta. Isto demanda um esforço interior, introspecção, arrependimento e uma mudança do modo de vida, para que a nossa fé possa brilhar como uma luz radiante.

 Em Que Devemos Nos Esforçar?

A questão de que se o homem é salvo pela fé ou por ações, está estruturada de uma maneira errada, porque a salvação da alma não pode ser separada de sua condição espiritual e moral. O Filho de Deus veio à terra, a fim de restabelecer no homem, a harmonia entre seus pensamentos, sentimentos e ações, ou seja, reunindo-se com Ele. A fé não pode ser constituida em oposição as ações; elas devem estar unidas, como o corpo e a alma de um ser humano. Quanto mais o homem pratica suas virtudes, mais forte crescerá sua fé, e quanto mais forte sua fé, mais virtuosa será sua vida, ou seja, uma deve suportar a outra.

Deus não precisa se referir a aceitação de Sua existência ou de demonstrar desempenho automático de certas ações. Ele nos ama tanto que nos ofertou Seu único Filho, como um sacrifício para a nossa redenção. O que poderia ser maior do que esse amor? Resulta que, não devemos louvar a Deus somente com a metade de nosso coração, mas sim, com todo o nosso coração, circundando nossos corações e nossas vidas.

Para se adicionar ao conceito da essência do Cristianismo, São Pedro escreve aos seus seguidores: “Assim como o Seu divino poder nos deu todas as coisas que dizem respeito à vida e à piedade, por meio do conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude… Ora vós, aplicando todo o cuidado, juntai à vossa fé e a virtude, à virtude a ciência, à ciência a temperança, à temperança a paciência, à paciência à piedade, à piedade o amor fraterno, ao amor fraterno a caridade. Porque, se estas coisas se encontrarem e abundarem em vós, elas não vos deixarão vazios nem infrutuosos no conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.”

Como que alguém pode se abster do jejum? Como que alguém pode se tornar bondoso e caridoso sem ajudar aos necessitados? É aqui que se nota claramente, que para se ter uma alma virtuosa é preciso praticar a virtuosidade por toda a sua vida.

E São Pedro acrescenta o seguinte: “Porque quem não tem estas coisas é cego e anda às apalpadelas, e esquece-se de que foi purificado dos seus pecados antigos” (2 Pedro 1:3, 5-9). Esta breve e instrutiva passagem, é notável devido a que combina os mais importantes elementos do Cristianismo como: o esforço pessoal, a assistência as graças de Deus, a uma vida honrada e uma melhora progressiva da alma.

É claro que tudo isto requer tempo e paciência, como o Apóstolo Paulo nos ensina, dizendo o seguinte: “Não nos cansemos, pois de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, não desfalecendo. Logo, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos irmãos da fé” (Gal. 6:9-10). “Na solicitude não sejais negligentes; fervorosos de espírito, servindo ao Senhor” (Rom. 12:11).

Os escritores não ortodoxos discutem futilmente sobre como o homem é salvo. “Porque, em Jesus Cristo, nem a circuncisão vale coisa alguma, nem a incircuncisão, mas sim a fé que obra pela caridade” (Gal. 5:6). Qualquer Cristão que não se esforça em melhorar sua alma, está desperdiçando a graça que lhe foi ofertada, sem nenhum tipo de lucro. Como o Nosso Senhor disse: “Quem não é comigo, é contra mim; e quem não junta comigo, desperdiça” (Mat. 12:30).

São Paulo belamente adiciona o seguinte trecho, que fala sobre o tipo de disposição que nós devemos constantemente manter conosco: “Alegrai-vos incessantemente no Senhor; outra vez digo, alegrai-vos… Não vos inquieteis com nada, mas em todas as circunstâncias manifestai a Deus… Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é santo, tudo o que é amável, tudo o que é de bom nome, qualquer virtude, qualquer louvor da disciplina, seja isto o objeto dos vossos pensamentos. O que aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus da paz será convosco” (Fil. 4:4, 6, 8-9).

O Santo Pai nas Boas Ações

“Permita que cada boa ação que nos empenharmos, seja feita pela glória do Senhor, e assim sendo, será para a nossa glória também. O cumprimento dos mandamentos é santo e puro, somente quando são feitos com o Senhor em mente, com temor à Deus e com amor à Ele. O inimigo da raça humana (o diabo), tenta de todas as maneiras nos desviar de tal inclinação. Ele usa vários chamarizes terrenos, para fazer o nosso coração se apegar a coisas que consideramos boas neste mundo; ao invés de nos apegarmos ao que é verdadeiramente bom, que é o amor de Deus. O mal tenta perverter e desfigurar qualquer bem que o homem possa fazer; e entre o nosso cumprimento dos mandamentos, ele retira as sementes da vanglória, dúvida, murmúrios, ou algo assim, para transformar a nossa boa ação em algo que não é mais bom. Uma boa ação se torna verdadeiramente boa, somente quando é feita por Deus, com humildade e zelo. Em tal situação, todas as coisas determinadas pelos mandamentos, se tornam fáceis para nós, porque o nosso amor por Deus, remove todas as dificuldades em manter os Seus mandamentos” (São Efrem, o Sírio).

“Cada pessoa que deseja ser salva, precisa não só evitar o mal, como também, precisa fazer o bem, é como se diz nos Salmos, ‘Guarda a tua língua do mal, e os teus lábios, de palavras dolosas’ (Sal. 33:14). Por exemplo: se alguém tem tendência a se zangar, não só esta pessoa precisa parar de se zangar, como também, precisa ser mais gentil. Se alguém é orgulhoso, não só deve parar de ser orgulhoso, como também, esta pessoa precisa ser mais modesta. Cada paixão tem a sua oposta virtude: orgulho – modéstia; miserável – generoso; luxúria – simplicidade; covardia – paciência; raiva – amável; ódio – amor” (Abba Dorotheus).

“Nem todos os bons atos são considerados boas ações, mas somente os bons atos que são feitos por Deus. O aspecto externo de um ato, não constitui sua substância; Deus olha ao coração. Devemos nos sentir humilhados quando percebemos que algum tipo de paixão se apega em cada boa ação que realizamos. O mais proveitoso é a abstinência em moderação. É melhor para nós que sejamos desonrosos e sofrermos e deixar que a vontade de Deus seja feita em tudo o que fazemos; você não deve ceder as angústias a sua própria vontade. Isto seria um ousado ato de orgulho, e poderia acabar acontecendo que você não será capaz de aguentar o que você mesmo ousou a fazer da sua própria vontade. O pecado que é coberto por uma máscara de bondade, secretamente entra e prejudica a alma dos que não se analisam diante do Evangelho. A benevolência evangélica requer uma auto renunciação, a renunciação da própria vontade e mente de alguém” (Starets Nikon).

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