07 – O culto prestado à Eucaristia fora da Missa

eucaristia6“A Eucaristia é um tesouro inestimável: não só a sua celebração, mas também o permanecer diante dela fora da Missa permite-nos beber na própria fonte da graça. Uma comunidade cristã que queira contemplar melhor o rosto de Cristo, segundo o espírito que sugeri nas cartas apostólicas Novo millennio ineunte e Rosarium Virginis Mariae, não pode deixar de desenvolver também este aspecto do culto eucarístico, no qual perduram e se multiplicam os frutos da comunhão do corpo e sangue do Senhor” (João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia n.25).

A celebração da Santa Missa não esgota o culto de adoração e ação de graça, ainda que seja o centro do próprio culto, mas se prolonga no culto eucarístico fora da missa. O dom que recebemos do Senhor é precioso testamento que nos deixou para permanentemente dele usufruirmos.

Quando Jesus, na quinta feira santa, celebrou a primeira Missa para perpetuar, através da Igreja, a oferta do seu sacrifício, antecipou a promessa que nos deixou antes da Ascensão: “Eu estarei convosco sempre até o fim do mundo” (Mt. 28, 20). Ele permanece conosco, caminha conosco através de sinais sensíveis, no Sacramento do altar, sob os quais a nossa fé encontra a sua presença real.

Temos a reserva do Santíssimo Sacramento, que permanece após a celebração da Missa, nos relaciona sempre com o próprio sacrifício da cruz celebrado na comunidade cristã em cada missa. A celebração da Eucaristia é o centro, portanto, da Igreja, dos demais sacramentos e de sua atividade apostólica. A Igreja cresce e vive pela Eucaristia. Na catequese e na pastoral deve se insistir no apreço e valorização da centralidade da missa acima de todas as demais formas de culto eucarístico.

O fim primeiro e originário da reserva das sagradas espécies é a administração do viático ao doente moribundo. Em conseqüência pode-se distribuir a comunhão fora da missa para os que não puderam dela participar e para os enfermos.

A adoração de Nosso Senhor Jesus Cristo presente no Santíssimo Sacramento é dever de toda a Igreja pública e privadamente. Importante é pois que o local e o tabernáculo, onde se conservam as espécies do Santíssimo Sacramento, sejam visíveis aos fiéis, dispostos com dignidade e com segurança, e que também os fiéis conheçam bem outros gestos de adoração que são devidos, como a genuflexão e outros cuidados.

As procissões são formas de expressar a fé, culto e veneração ao Santíssimo Sacramento; é manifestação pública do amor e respeito do povo de Deus a Cristo Eucarístico. Entre todas, ocupa lugar proeminente a que se faz todos os anos na solenidade do Corpo e do Sangue, Corpus Christi. Desde séculos adquiriu direito de cidadania e se converteu em manifestação popular de fé e de adoração na maioria dos povos católicos.

É conveniente que a procissão se faça imediatamente depois da missa, na qual se consagra a hóstia sagrada para a procissão. A procissão sempre terminará com a bênção com o Santíssimo Sacramento ao povo presente.

Os Congressos eucarísticos internacionais, nacionais e diocesanos têm como fim promover o culto eucarístico no povo cristão. São acontecimentos especiais de aprofundamento e renovação, de vivência e compromisso eucarístico. São manifestação externa de uma Igreja orante e expressão viva de fé na presença sacramental de Cristo. Os Congressos tem uma preparação, celebração e prolongamento.

A exposição do Santíssimo Sacramento pode ser ocasião para recitação de uma parte da Liturgia das Horas, especialmente nas casas religiosas.

Durante a exposição, as preces, cantos, leituras e silêncio devem se organizar de maneira que os fieis, atentos à oração, de dediquem a Cristo, o Senhor, presente no Sacramento, concentrando sua mente e sentimentos no mistério eucarístico.

O costume da visita ao Santíssimo Sacramento há muito é observado. Paulo VI, em 3 de setembro de 1965, publicou a encíclica Mysterium Fidei. Nela fala expressamente da visita ao Santíssimo Sacramento quando exorta a promoção do culto eucarístico. E o Concílio Vaticano II, na Presbyterorum Ordinis, dispõe que se cumpra com fidelidade o ministério sacerdotal, e se tenha com gosto de coração o colóquio cotidiano com Cristo na visita e culto à Santíssima Eucaristia.

Na visita ao Senhor Sacramentado, e em todas as demais formas de culto à Eucaristia, o fiel, como afirma João Paulo II, na Dominicae Coenae, n. 3, mostra ao Senhor o que a mesma palavra eucaristia significa: “o agradecimento, o louvor por nos ter redimidos com sua morte, e feito participes de sua vida imortal, mediante sua ressurreição”.

Dom Geraldo M. Agnelo

Cardeal Arcebispo de Salvador

Presidente da CNBB

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