02 – Eu vim para que todos tenham vida

Abundancia01. O Projeto de Deus para o homem e para a mulher é uma proposta de vida plena, realizada e feliz na comunhão com ele e com os irmãos. No entanto, constantemente esse projeto se encontra ameaçado, ora pela violência, ora pelo egoísmo, ora pela doença.

02. A doença não é da vontade de Deus, tampouco se trata de um castigo enviado por ele em conseqüência dos nossos pecados. Ela deve ser compreendida como consequência da limitação, da fragilidade humana. É um momento na vida do cristão que propicia o reconhecimento da necessidade que temos de Deus e também dos irmãos, assim como é uma ocasião de encontro mais profundo consigo mesmo e com os valores fundamentais da vida. É dever de todo cristão lutar contra a doença até que se esgotem todas as esperanças de cura. Considerando a vida acima de tudo, todo cristão tem a missão de ser portador da esperança; deve ter uma profunda confiança na vida.

03. É neste contexto que o sacramento da unção dos enfermos tem o seu lugar. Ele deve contribuir para que o enfermo compreenda que o amor de Deus é infinito. E se não for possível vencer a doença, que todo cristão, a partir da fé, seja capaz de vencer a morte, a exemplo de Cristo. Deus prometeu a continuidade da vida a seu lado, junto com os santos e santas, para todos aqueles que acreditarem. Ele ama a todos com amor sem igual, mesmo antes do nascimento; portanto não abandona ninguém. Ele é o bom Pastor; por águas tranquilas conduz os seus filhos bem amados (cf. Sl. 22).

04. A Igreja é chamada a seguir os passos de Jesus continuando o seu ministério consolador. É com este espírito que a paróquia são Leopoldo assume a pastoral dos enfermos tanto em suas residências como nos hospitais.

05. “No corpo de Cristo, que é a Igreja, se um membro sofre, todos os outros sofrem com ele (1 Cor 12,26). Por isso são tidas como extremamente honrosas a misericórdia em relação aos enfermos e as assim chamadas obras de caridade e ajuda mútua, que visam socorrer as diferentes necessidades humanas” (ritual nº. 32).

Dificuldades pastorais

06. Há paróquias muito extensas e com grande número de comunidades o que dificulta uma presença mais assídua dos presbíteros junto aos enfermos prestando-lhes toda a atenção que a Igreja pede em seus documentos. As normas canônicas atribuem aos párocos uma série de encargos sem levar em conta a extensão das paróquias. As mesmas regras valem para as paróquias pequenas, com uma só comunidade, às vezes compostas de um número pequeno de membros e para as paróquias grandes e mais populosas. Deve-se ter presente, ainda, que na realidade brasileira os presbíteros freqüentemente assumem várias tarefas pastorais.

07. Muitas pessoas e famílias não aceitam a doença como fato natural e, por isso, isolam o máximo possível seus doentes do convívio social e os escondem com certo pudor.

08. Ainda faltam serviços organizados de pastoral dos enfermos. Muitos hospitais não dispõem de serviço regular, seja por deficiência da comunidade eclesial, seja pela tendência fortemente secularizante do mundo da saúde, que ignora a importância do fator religioso para o ser humano.

09. Persiste uma associação do sacramento da unção com a morte “extrema unção”. Por isso evita-se chamar o padre para não assustar o doente.

O sacramento da unção dos enfermos

10. “A Sagrada Unção dos Enfermos, como a Igreja Católica professa e ensina, é um dos sete sacramentos do Novo Testamento, instituído por nosso Senhor Jesus Cristo, sugerido em São Marcos (Mc 6,13), promulgado e recomendado aos fiéis por São Tiago, apóstolo e irmão do Senhor. Algum de vós está enfermo? pergunta ele. Chame os presbíteros da Igreja, para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente, o Senhor o aliviará; e se tiver pecado, receberá o perdão” (Tg. 5,14 – 15 e Ritual p. 9).

11. A celebração deste sacramento consiste sobretudo na oração da fé e na unção dos enfermos com o óleo santificante pela bênção de Deus após a imposição das mãos pelos presbíteros da Igreja: por este rito é significada e conferida a graça do Sacramento (Rito nº 5; Doc. da CNBB nº 11).

12. A unção dos enfermos não deve só celebrar-se em casos extremos, mas como esperançoso sacramento de perdão e de conforto para as pessoas idosas ou acometidas de doença séria, que atingiram o uso da razão (R. p. 10/11). Deve ser conferida com todo empenho e cuidado aos fiéis que adoecem gravemente por enfermidade e velhice (R. nº 8; cf. CDC1004 parág. 1º). Este sacramento pode ser repetido se o doente convalescer após ter recebido a unção, ou também se perdurando a mesma doença, vier a encontrar-se em situação mais grave (cf. CDC 1004 parág. 2º).

13. Pode-se administrar o sacramento da Unção antes de uma operação cirúrgica, sempre que uma doença seja a causa dessa intervenção (R. nº 10). Quando o perigo de morte não procede nem de doença nem de velhice, mas de outra causa (catástrofes, ações bélicas, etc.), não se pode ministrar a unção dos enfermos.

14. Para uma boa recepção do Sacramento, deve-se procurar ajudar o doente, tanto quanto lhe permita o seu estado de saúde, e aos seus familiares, a participarem conscientemente da celebração num ambiente de respeito. A presença e participação de membros da comunidade na celebração será sinal de solidariedade para com o irmão que sofre.

15. Os doentes serão preparados, através de um trabalho pastoral metódico e assíduo, para abrir-se com maior confiança a Deus e aos seus desígnios, e receber os sacramentos da reconciliação, da eucaristia e da unção no devido tempo, sem improvisações.

A celebração do sacramento da unção

16. Pelo menos em algumas ocasiões especiais é desejável que a Unção seja ministrada durante a celebração eucarística da Comunidade, exprimindo desta forma a participação e a solidariedade de todos no sofrimento do enfermo. Mesmo quando a Unção é realizada na residência do enfermo é aconselhável a presença de membros da família e da Comunidade.

17. Cada paróquia deverá promover encontros anuais ou semestrais para os idosos e enfermos como expressão da solicitude da comunidade para com os irmãos que sofrem. Nesses encontros poderá ser administrado o sacramento da unção.

18. A celebração de missas nas residências dos doentes deve ser considerada como Missa em “oratório particular”, cabendo ao pároco dar a devida autorização.

19. As celebrações sejam preparadas previamente com carinho, prevendo-se no roteiro: leituras bíblicas, cânticos, orações e gestos adequados à situação.

20. Podem receber a Unção dos Enfermos:

– os fiéis que adoecem gravemente por enfermidade ou velhice (R. nº. 08; cf. CDC 1004 parág. 1º);

– os fiéis que serão submetidos a uma operação cirúrgica sempre que uma doença seja a causa da intervenção (R. nº. 10);

– as pessoas de idade, cujas forças se encontrem sensivelmente debilitadas, mesmo que não se trate de grave enfermidade (R. nº. 11);

– as crianças que tenham atingido tal uso da razão que possam encontrar conforto no sacramento (R. nº. 12);

– os doentes privados dos sentidos ou do uso da razão, desde que se possa crer que provavelmente a pediriam, se estivessem em pleno gozo das suas faculdades (R. nº 14; cf. CDC 1006);

– sob condição, os fiéis de cuja morte se tem dúvida (R. nº. 15; cf.CDC 1005).

21. A matéria própria para o sacramento da Unção é o óleo de oliveira ou, se for oportuno, outro óleo extraído de plantas. Esse óleo deve ser abençoado habitualmente pelo bispo na Quinta-Feira da Semana Santa (R. nº. 20). Em caso de real necessidade, o presbítero poderá benzer o óleo mas somente durante a celebração ( R. nº. 21b; cf. CDC 999 parág. 2º).

22. Confere-se a unção, ungindo-se a fronte e as mãos do enfermo: a fórmula será convenientemente dividida, de modo que a primeira parte seja dita na unção da fronte e a outra na unção das mãos. Em caso de necessidade, basta que se realize uma única unção na fronte ou na parte mais conveniente (R. nº. 23).

23. A fórmula com que se confere a Unção dos enfermos segundo o rito latino é a seguinte: Por esta santa unção e pela sua infinita misericórdia, o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo (R. Amém)

Para que, liberto dos teus pecados, Ele te salve e, na sua bondade, alivie os teus sofrimentos. R. Amém (R. nº. 25).

24. “A graça especial do sacramento da unção dos enfermos tem como efeitos:

– a união do doente com a paixão de Cristo, para seu bem e o bem de toda a Igreja;

– o reconforto, a paz e a coragem para suportar cristãmente os sofrimentos da doença ou da velhice;

– o perdão dos pecados, se o doente não puder obtê-o pelo sacramento da penitência;

– o restabelecimento da saúde, se isso convier à salvação espiritual;

– a preparação para a passagem à vida eterna (CIC nº 1532).

25. O ministro próprio da unção dos enfermos é somente o sacerdote (R. nº. 16; cf. CDC 1003, parág. 1º).

O  viático

26. “Ao passar desta vida o fiel, confortado pelo viático do corpo e sangue de Cristo, recebe o penhor da vida eterna, segundo a Palavra do Senhor: ‘Quem come a minha carne e bebe o meu sangue possui a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia’ (Jo 6,54) (…). Se for possível, seja o viático recebido na própria missa…” (Ritual nº 26; cf. CDC 921).

27. Os ministros ordinários do viático são os párocos e seus cooperadores, os capelães dos hospitais e em caso de necessidade, qualquer sacerdote (CDC 911). Faltando sacerdote, o viático pode ser levado ao doente pelo diácono ou outro Ministro da sagrada comunhão (R nº. 29; CDC 911, parág. 2º). O ministro não ordenado seguirá o rito que habitualmente usa para distribuir a comunhão, acrescentando a fórmula própria para a administração do viático, como segue:

Ministro: O corpo de Cristo.

Doente : Amém.

Ministro: Que ele te guarde e te conduza à vida eterna!

Doente : Amém. (R 112).

A equipe da pastoral dos enfermos

28. É importante que em cada comunidade exista uma equipe da qual participem ministros e outros agentes pastorais para a visita aos doentes, seu atendimento e acompanhamento durante a enfermidade.

29. A equipe deve ser composta por pessoas sensíveis ao sofrimento do próximo e dispostas a ajudá-lo com generosidade; devem ser pessoas prudentes, de boa reputação, emocionalmente bem equilibradas e de fácil relacionamento humano. Devem ser pessoas de fé, com formação religiosa e gosto pelo apostolado junto aos doentes.

30. O número de agentes depende das necessidades de cada comunidade. É aconselhável que cada agente não tenha mais do que 5 ou 6 doentes ao seu encargo e que, na medida do possível, sejam os próximos de sua residência.

31. Os agentes devem ser bem orientados quanto ao trabalho espiritual junto aos doentes: reconciliação, eucaristia, unção dos enfermos e atendimento aos moribundos. Saibam o que podem fazer pessoalmente e o que é de competência exclusiva do sacerdote.

32. As celebrações da Palavra com a comunhão eucarística para os doentes devem ser feitas por ministros dos enfermos devidamente preparados e investidos.

33. É importante que os ministros tenham um ritual e que saibam usá-lo corretamente sobretudo para a administração da eucaristia e para a preparação do doente e de seus parentes para a celebração do sacramento dos enfermos. No novo ritual de bênçãos da Igreja há a previsão de bênçãos que podem ser dadas por ministros não ordenados, inclusive para os enfermos.

34. Os ministros sejam preparados também para a celebração das exéquias, quando não houver ministros das exéquias.

35. Dentro das orientações contidas acima, sejam formadas equipes de voluntários para os hospitais, as quais se constituirão em apoio espiritual também para os funcionários, enfermeiros e médicos do hospital.

36. Cada equipe de pastoral dos enfermos tenha um(a) coordenador(a) e um(a) substituto(a).

37. Sejam previstas reuniões periódicas da equipe para convivência, reflexão pastoral, planejamento, revisão e oração em sintonia com as orientações arquidiocesanas.

Situações especiais

38. Mesmo quando o doente não tem condições para receber os sacramentos da eucaristia e da unção, ainda restam a oração da fé e a vivência da caridade, isto vale, sobretudo, para os doentes que não são católicos praticantes ou que professam outros credos religiosos, quando são assistidos pela comunidade cristã.

39. Que a pastoral do enfermos esteja voltada para a pastoral da saúde nos seus vários aspectos (preventivo, sócio-político, econômico).

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